Órgão Oficial da Liga Marxista Internacional. Direção editorial: Roberto Bergoci. Nasce preocupado com os caminhos do proletariado em geral, porém, especialmente, o brasileiro.
sábado, 22 de junho de 2024
NOITE LONGA * Pedro Cesar Batista/DF
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal * Pedro Cesar Batista - DF
Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal
Homenagem aos 175 anos do Manifesto Comunista
Neste carnaval, de 2023, o primeiro depois de uma cruel pandemia, com um governo fascista e genocida, dediquei-me a concluir a concluir a leitura de Subterrâneos da liberdade, de Jorge Amado.
O autor baiano foi um gigante das letras, chegou a ser deputado constituinte pelo Partido Comunista do Brasil – PCB, em 1946. Deixou uma bibliografia que sua leitura possibilita conhecer a autêntica idiossincrasia nacional, com seus recortes regionais, na maioria dos títulos. A luta pela terra para morar, em Salvador, ou para trabalhar e viver no enfrentamento ao latifúndio junta-se ao amor de Gabriela, D. Flor, Capitães de Areia e tantos outros, entre as dezenas de romances que escreveu.
Ler Subterrâneos da Liberdade no momento atual foi como se vivesse esse tempo. Um tempo sem fim, com suas contradições e repetições, como tragédia ou comédia, como Marx destacou sobre as fases da história. As semelhanças com os dias atuais são evidentes. Seja pela postura criminosa e desumana de setores da sociedade, pelo oportunismo e traição de certos grupos que se autointitulam de esquerda ou o compromisso que ainda se vê em certos grupos e ativistas revolucionários, lobos solitários ou não, mas que seguem confiantes que é possível construir uma sociedade socialista, especialmente ao mirarem-se em exemplos de outros povos.
O autogolpe de Getúlio Vargas, em 1937, com a implantação do Estado Novo não pegou ninguém de surpresa. O romance mostra uma atualidade assombrosa. Jânio Quadros tentou repetir o mesmo, não conseguiu. Bolsonaro repetiu o gesto e ainda segue organizando suas milícias fascistas com esta finalidade.
O livro tem como personagem central o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes, que esteve preso entre 1935 e 1945, e somente aparece nas últimas páginas do último volume, quando realizam seu julgamento público. A burguesia nacional, sócia dos EUA, que dava as ordens na polícia política do Estado Novo, definiu que Prestes seria o único a ter o julgamento público e aberto aos populares. Era preciso desmoraliza-lo, mostrar ao povo que ele era um criminoso comum, com as acusações forjadas que o acusavam, assim, acreditaram que ele teria sua moral destruída para sempre. O que nunca conseguiram, nem conseguirão, apesar de que as mentiras contra os comunistas seguem sendo propagadas atualmente como fizeram em toda a história nacional e mundial.
Subterrâneos da liberdade traz fatos históricos universais, como a Guerra Civil espanhola, a ocupação da Tchecoslováquia por Hitler, depois de ser entregue pela França e a Inglaterra. O acordo de não agressão entre a URSS e a Alemanha e o debate que isso provocou dentro do partido. A posição dos EUA e demais países ocidentais em apoio ao nazismo, que eles afirmavam ser necessários para livrar a humanidade dos comunistas, Os crimes dos nazifascistas assassinando famílias inteiras na Espanha. Um período muito parecido com os tempos atuais, como a propagação em apoio aos nazistas ucranianos.
A resistência revolucionária dos militantes do PCB, abnegados e dedicados a libertação e emancipação humana, enfrentando a fome, a perseguição, a violência, covarde e desumana dos cachorros do Estado Novo, capazes de açoitar bebes na frente do pai, enquanto a mãe era estuprada seguidamente pelos policiais; o enforcamento de Claudionor pelo fazendeiro, para que os lavradores não mais lutassem pelas terras; o assassinato de Inácia, esmagada pelas patas dos cavalos junto com o bebe que carregava na barriga; o arquiteto famoso tentando salva-la e o companheiro da bela negra, Dorothéu, tocava para Inácia, com sua gaita, a Internacional, enquanto ela sorria e dava seus últimos suspiros, antes de falecer. Ao mesmo tempo, em um luxuoso hotel, de frente a praia em Santos, a festa a fantasia para o Ministro do Trabalho, organizada pela elite paulista seguia comemorando a violência da polícia, que deixara quase uma dezena de mortos entre os grevistas.
A ousadia, a coragem, a dignidade dos comunistas brasileiros, diante de toda violência e crueldade impostas pela burguesia e os latifundiários, que sustentavam o Estado Novo, não os desencorajavam, nem desanimavam, nem os impedia de seguir organizando, estudando e propagando uma nova sociedade, comunista, baseada no exemplo do que era a URSS, liderada por Josef Stalin. A ousadia e disposição revolucionária deixava os lacaios do imperialismo mais violentos.
A pequena burguesia e a intelectualidade, com seus luxos sustentados por banqueiros, sócios dos EUA ou de aventureiros aliados a Hitler, oriundos do meio do povo, evidenciavam a falta de caráter, humanidade e a estupidez reinante entre os carreiristas e oportunistas, preocupados em ganhar dinheiro, status e manter seus privilégios. As festas, os bacanais e a orgia reinante entre eles, os casamentos de interesse, a compra e venda de atos e decisões do Estado a partir das ordens dos donos de riquezas.
O romance não deixa de mostrar que a base de toda ação revolucionária dos comunistas é o amor. Amor pelo povo, amor entre os seus familiares, a família comunista, homens e mulheres, que priorizam o trabalho permanente, arriscado, mortal e penoso para organizar e conscientizar os trabalhadores para efetivar a conquista da plena dignidade humana, a emancipação verdadeira, baseada no amor, na justiça e no respeito pelo entre a espécie humana.
Zé Gonçalo, o gigante, negro condenado a muitos anos de prisão por defender o povo indígena na Bahia, seguiu para a floresta no Mato Grosso, onde organizou os caboclos e enfrentou a violência do latifúndio. No romance recomeça sua militância em São Paulo, seguindo sua jornada gloriosa e revolucionária, ao atuar na reorganização de um núcleo de base em uma célula de bairro.
Ruivo, perdeu um pulmão para a tuberculose, sempre febril, mas nunca desistiu, nem quando sofreu as mais cruéis torturas da polícia do DOPS. Tranquilo, um dirigente que encantava todos. Mesmo doente foi transferido com outros revolucionários para a prisão em Fernando de Noronha.
Mariana, viu seu pai, operário militante, morrer em seus braços. Com ele e sua mãe aprendeu cedo a importância da disciplina, da dedicação e a importância dos estudos. A única a conseguir se manter na clandestinidade, sem ser presa, até a última páginas, quando, durante o julgamento de Prestes, quem nunca havia visto pessoalmente, depois de um forte discurso do Cavaleiro da Esperança saudando o 20º aniversário da Revolução Russa, que deixou a polícia e o juiz completamente atordoados, restando-lhes sempre a violência que despejaram contra Prestes, ela grita um Viva Luís Carlos Prestes.
A bravura dos comunistas, que, mesmo enfrentando as mais duras adversidades, nunca deixaram de combater pela dignidade humana. O romance também a superficialidade e mesquinhez da pequena burguesia, preocupada com os salões de festas, champanhe, luxos e em garantir que a violência contra o povo não coloque em risco seus privilégios.
Subterrâneos da liberdade é uma leitura obrigatória para entender como a negação da luta revolucionária se apoderou de grupos ditos de esquerda, pequenos burgueses, que agem de acordo com o programado pelos verdadeiros donos do poder, o imperialismo e seus agentes internos.
Se Jorge Amado renegou o livro, o problema é dele, pois esta obra é magnifica, gloriosa, um clássico da literatura universal, sintetiza a resistência e utopia de todos os povos na busca da plena liberdade, da verdadeira dignidade e emancipação humana.
Viva Luís Carlos Prestes!
PS. Subterrâneos da liberdade é um romance, ficção que reproduz a realidade de um período de 5 anos do Estado Novo, mas que tem tudo a ver com os dias atuais. Leitura necessária.
O AUTOR
PEDRO CESAR BATISTA
jornalista, escritor e poeta. Secretário Executivo do Comitê Antiimperialista General Abreu e Lima. E-mail: pcbatis@gmail.com
terça-feira, 4 de agosto de 2020
Pandemia e Traição * Pedro César Batista / DF
Pandemia e traição
Pedro César Batista/DF
A pandemia tem nos permitido ver o valor da existência humana em todas as suas contradições. Seja ao identificar ações e pessoas essencialmente amorosas, como a maldade que transparece em quem tudo faz para escondê-la.
Ocorre que a quarentena e o distanciamento social que nos salva da contaminação e morte, nos leva a ser mais introspectivo, usando o tempo em que estamos só para leituras, escritas e atividades lúdicas e repensar a nossa trajetória, o que traz mais dúvidas que certezas.
Em poucos anos farei seis décadas de vida, nesse tempo vivi em muitos lugares. Sou um permanente migrante dentro do meu país. Desde cedo convivo com as contradições mais duras e profundas inerentes a sociedade e ao homo sapiens, o que não é meu privilégio.
Criança, depois de sair do interior paulista, vivi até os dez anos na floresta, em Paragominas. Uma década de tristezas e alegrias. Consternação pelas lembranças das dificuldades enfrentadas por meu pai, mas especialmente por minha mãe, que sempre cuidou de mim. Meu pai, o provedor, vivia no mundo para garantir a sustentação da família. Tempo em que os ricos fazendeiros matavam impunemente e enterravam em cemitérios privados; a polícia prendia e torturava livremente quem bem entendesse, a insegurança e o medo eram constantes; era proibido falar o que se pensava. Entretanto, viver nos igarapés, subir em árvores, correr atrás de bichos, ser parte da natureza deixou marcas e alegrias imprescindíveis para a vida.
Adolescente, na capital paraense, aprendi que a história é resultado da ação dos mais organizados, capazes de impor suas ideias, cultura, forma de vida e definir como a sociedade deve ou poderá ser. Descobri o valor da força da luta do povo. Um tempo que se inicia a entrega, o compromisso e a confiança na construção de uma nova sociedade.
Vieram outras fases, o mundo passou a ser minha casa, a democracia reconquistada manteve os assassinos da ditadura impunes; alguns, que se diziam camaradas, passaram para o lado do opressor, principalmente em suas práticas, apesar de preservarem discursos humanitários. Ter a dor da perda de quem se ama, muitas dores e descobertas.
Traições, maledicências e maldades surgem de forma avassaladora nas relações pessoais. Enfrentar a desumanidade de quem se diz na mesma trincheira, a ação para destruir o trabalho de organização popular deixa marcas de dor na memória. A calúnia, a mentira, o sadismo. As mais vis crueldades, capazes de causar inveja ao demônio, a Judas e seus adeptos.
A pandemia somente reforça estas contradições. Os poderosos usam a morte para aumentar suas riquezas, querem dizimar quem pode lhes derrotar, caso adquira consciência de classe, se organize e unidos os enfrentem. Os mais ricos ficam mais ricos. Os maldosos propagam o veneno que carregam. Não precisa ser da classe dominante, o discurso e sua origem social não altera sua prática, como autênticos traidores do combate por um novo mundo, de relações justas, fraternas e igualitárias.
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sexta-feira, 31 de julho de 2020
A Desumanização do Humanismo * Pedro César Batista/DF
A desumanização do Humanismo
sábado, 25 de julho de 2020
Solidariedade à Revolução Bolivariana realiza plenária nacional * Pedro César Batista/DF
Solidariedade à Revolução Bolivariana realiza plenária nacional
Comitês de Solidariedade à Revolução Bolivariana no Brasil realizaram uma plenária nacional na tarde desde sábado, 25, para debater o enfrentamento aos ataques que os EUA praticam contra a Venezuela e outros países no mundo e quais tarefas realizar em defesa da soberania e autodeterminação venezuelana.
No encontro, os participantes foram unânimes em destacar a necessidade de fortalecer a defesa do direito da Venezuela decidir seu destino, neste momento que seu povo enfrenta o criminoso bloqueio econômico, a intensa guerra midiática, que propaga mentiras pelos meios de comunicação, as sabotagens econômicas e o ataque de grupos mercenários e serviçais do governo norte americano, que financia e organiza a ofensiva contra a soberania da pátria de Bolívar e Chávez.
A plenária contou com a participação de representantes dos Comitês e ativistas da solidariedade internacionalista de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco, Ceará, Pará, Roraima, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Amapá, Alagoas e Mato Grosso do Sul.
Entre outras questões, decidiu-se que é preciso atuar de forma unitária e coesa a nível nacional com a propagação da denúncia sobre os crimes que os governos dos EUA e outros países, como o Brasil, cometem contra a Venezuela, ao fomentarem a desestabilização econômica e ameaçando uma invasão militar.
A Venezuela tem a maior reserva petrolífera do mundo, o verdadeiro motivo dos EUA, com presidente Trump querendo roubar mais esta nação, assim com o tem feito em dezenas de países ao longo da história.
A reunião decidiu fortalecer os comitês, incentivar sua criação nos estados onde ainda não existem, criar uma rede permanente dos comitês e militância da solidariedade à Revolução Bolivariana no Brasil, atuando de forma articulada em ações comuns na defesa de um povo que, historicamente, tem praticado uma relação de amizade e solidariedade com todos os povos do mundo.
Os comitês seguirão ao lado do governo e do povo venezuelanos, exigindo o respeito a Venezuela, que precisa ter a sua autodeterminação e soberania respeitadas por todos os países. O encontro rechaçou a posição serviçal e belicista do governo Bolsonaro, que atua como um provocador contra o povo irmão.
Criou-se no final uma comissão que elaborará a síntese do debate e deliberações para o devido encaminhamento, assim fortalecer a solidariedade brasileira na defesa da Revolução Bolivariana e contra os crimes do imperialismo na Venezuela e na América Latina.
Comitê anti-imperialista General Abreu e Lima
Pedro Cesar Batista-DF
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quarta-feira, 15 de julho de 2020
A Crueldade Capitalista e a COVID-19 em Brasília * Pedro César Batista/DF
A crueldade capitalista e a covid-19 em Brasília
Cresce diariamente o número de contágios e mortes provocadas pela covid-19 na
capital federal, acompanha o país. A localidade que tem mais casos é Ceilândia,
onde o “presidente” esteve logo no início da quarentena no DF, visitando uma
feira, comendo churrasquinho e espalhando o vírus. O “presidente” havia acabado
de chegar dos EUA, com um grande número de contaminados. Por ordem judicial, o
jagunço da morte, apresentou dois exames com outros pseudônimos.
Nos últimos dias vivi a situação de uma pessoa com sintomas do corona.
Fui ao Posto de Saúde da 612 sul, lá rapidamente fui atendido por um médico,
que me orientou a tomar um remédio para as dores, excetuando o AAS, assim como,
informei-lhe dos medicamentos usados por um casal de amigos que foi
contaminado. O médico disse que não havia protocolo médico, mas que tomar não
causaria nenhum problema.
Comecei a me medicar com um antibiótico, um anti-inflamatório e analgésico.
Deveria fazer imediatamente o exame. Eram duas as possibilidades. Fazer no HRAN
e aguardar pelo menos 20 dias para ter o resultado. O outro caminho seria fazer
em um laboratório particular.
Hoje fui a um laboratório privado, o preço do exame R$350,00, para isso
enfrentei uma fila de mais de duas horas, mesmo com o mal-estar, dores e
tontura. A fila era enorme. Quando fui preencher a ficha, conversei com a
atendente, fizemos rapidamente as contas. Ela havia entrado no trabalho 7h da
manhã, no momento que estava sendo atendido era perto de 17h. Portanto, ela
estava cerca de dez horas seguidas trabalhando. Comentei-lhe, se estou cansado,
aguardando este tempo para ser atendido,
imagina você. Perguntei-lhe indiscretamente qual era o seu salário. Ela
não quis falar. Perguntei diferente: 20 exames pagam o seu salário. Ela fez as
contas na hora e me respondeu: - bem menos. Menos de um dia de serviço para o
patrão pagar o salário da trabalhadora.
No tempo que estive lá, mais de 100 pessoas preencheram fichas e coletaram
material para o exame. Um trabalho exaustivo e tenso, com a trabalhadora
fazendo a limpeza do balcão, da prancheta e da caneta a cada novo atendimento.
Brasília está com 980 óbitos e 73.654 pessoas contaminadas, o Brasil já conta
com mais de 74 mil mortos e mais de 1 milhão e 800 mil contaminados. A
propaganda estatal diz que tem exames na rede pública, o que não é completamente
verdade. Uma pessoa que precisa de tratamento por apresentar os sintomas da
covid, somente saberá sua real situação depois de passar o tempo necessário
para que tenha os primeiros cuidados. Completa-se a este assustador quadro a
lotação quase total dos leitos de UTI nas redes pública e privada de saúde na
capital federal.
Isto é o capitalismo e seus agentes. Aprofundam a exploração da classe
trabalhadora, mantem o Estado privilegiando os Bancos e o grande capital, não
faz testes massivos para saber a real situação da contaminação do covid-19 em
Brasília e no Brasil.

Se na capital do país está assim, o que esperar do interior do Brasil, que tem
na presidência um mercador da morte, que desestimula a medicina, a ciência e
nega a pandemia?
A vida e a dignidade humana não têm valor no capitalismo, o que vale é o lucro,
quem pode consumir, servir aos interesses de acumulação dos parasitas
burgueses.
Por outro lado, os países socialistas asseguram a sua população integralmente
saúde, os cuidados necessários e a defesa da vida. Destaca-se Cuba, que tem
espalhado solidariedade, coragem e amor, mesmo sofrendo ataques criminosos dos
EUA, como o mais longo bloqueio econômico da história.
Por isso, justamente por todos terem igualdade e dignidade no acesso aos
serviços públicos os capitalistas mentem e propagam inverdades seguidamente
acerca do socialismo, sinônimo de vida, enquanto o capitalismo é o mesmo que a
covid-19, mata impiedosamente.
Pedro César Batista/DF










