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sábado, 22 de junho de 2024

NOITE LONGA * Pedro Cesar Batista/DF

NOITE LONGA
Foto: Danilo Lins
PREFÁCIO

Um militante em tempo integral
Hélio Doyle

Na longa noite insone de Gregório, o personagem deste conto, manifestam-se as reflexões, angústias, memórias, decepções e desabafos do jornalista e militante político Pedro Batista. O pensamento noturno de Gregório flutua entre acontecimentos recentes e mais distantes que marcaram não só o mundo e o Brasil como a vida agitada e intensa de Pedro.

Pedro deu a seu personagem, que tudo indica ser ele próprio, o nome de Gregório, o que imagino possa ser uma homenagem ao militante exemplar Gregório Bezerra, um dos maiores quadros do Partido Comunista do Brasil, em 1962 denominado Partido Comunista Brasileiro.

O autor de “Noite Longa” é um militante político ao estilo dos leninistas, dos comunistas retratados por Jorge Amado em “Subterrâneos da Liberdade” e dos que lutaram contra a ditadura em que vivemos por 21 anos. Está inteiramente dedicado à causa do socialismo e de seus pressupostos humanitários e libertadores, sacrificando para isso sua vida pessoal e profissional. É agitador e propagandista. É um internacionalista na plena acepção do termo. Combate em tempo integral o imperialismo, o colonialismo e o neocolonialismo. Domina a teoria revolucionária e a leva à sua prática.

Não à toa, Pedro foi um dos jornalistas e militantes espionados ilegalmente pela Abin do governo que felizmente é agora passado. A propósito, seu irmão, o deputado estadual João Carlos Batista, militante das causas populares no Pará, foi assassinado em 1988 por seus inimigos políticos.

É natural, pois, que Pedro faça uma reflexão sobre o que aconteceu e vem acontecendo com a esquerda, suas contradições, ilusões, erros e deformações. Desde as ilusões diante de um sindicalista polonês que parecia lutar por liberdade, mas que na verdade era um instrumento do anticomunismo, até a deformação de um dirigente partidário milionário que se satisfazia com debates teóricos e inúteis. Pelo pensamento de Gregório, Pedro fala dos erros cometidos pelos republicanos de diversos matizes na luta contra o fascismo na Espanha e das consequências do fim da União Soviética, aplaudido por muitos comunistas e socialistas.

Cita ainda episódios importantes da vida política, dos tempos da ditadura até a recente tentativa de impor ao país um regime autoritário e fascista. Fala da militância quando jovem. Mostra, no texto, uma de suas características: a firmeza de suas convicções, o que o faz respeitado inclusive pelos que discordam de algumas de suas ideias. Não é preciso concordar com tudo o que pensa para admirar sua persistência, dedicação e trabalho.

Diz-se que os verdadeiros comunistas combinam o realismo da análise concreta da situação concreta com o otimismo diante da construção de uma nova sociedade. Gregório – ou Pedro – manifesta esse otimismo, apesar de todos os percalços enfrentados por ele e da difícil realidade em que vivemos hoje, com a ascensão do fascismo e do nazismo, o avanço da desigualdade social e as guerras provocadas pelos países imperialistas e colonialistas. Depois da noite longa de Gregório, a longa noite acaba e um novo dia desponta no horizonte.

As cores do anoitecer
Capa e ilustração: Camila Hardt

Gabriela Gomes

Neste livro, Gregório nos convida a uma aventura nos céus da memória de uma noite longa, enquanto Pedro atenciosamente registra e nos conta nestas páginas. Noite Longa é uma mistura de emoções e sentimentos de uma vida de lutas. Pedro carrega o sentimento dos céus e dele se faz inteiro coração. Um combatente incansável, que vê na luz da noite a força da resistência para que o amanhecer desperte toda humanidade. Juntos compartilhamos a integridade do ser humano, com sangue pulsante, com veias que nos irradiam, carne e osso. Somos inteiros diante toda a perversidade que busca nos fragmentar. Todos nós somos Gregório, somos a resistência, somos noite e dia.

Admiramos as cores do amanhecer, nelas estão refletidas o novo dia em seu mais avermelhado tom. Sabemos que estão lá; o lilás, laranja, o vermelho, enquanto os pássaros nos anunciam o despertar de cidades e campo, quando o orvalho abre espaço para o florescer. Talvez a dúvida que não nos deixa dormir seja a paleta de cores de uma noite longa, quando se tem a lua refletindo a luz do sol e quando os pássaros já repousam em seus ninhos. Somos movidos pelos nossos questionamentos que um novo dia nos traz e que a noite resguarda.

A noite de Gregório é a noite de todos nós que resistimos perante a dor, a solidão, o preço da clareza dos males que assolam nossa humanidade, a inquietude das injustiças, da violência que usurpa nossos direitos, do sangue do entardecer. Sinto que ainda estou ao lado de Gregório, em sua sacada, que já não cabe tantos pensamentos. Compartilhando com ele a dúvida de um café a mais, de um cigarro não fumado, e sentindo sua inquietação de pensamento em pensamento.

A noite longa é de todos nós que sentimos as injustiças, as opressões, as traições, os amores perdidos e as lutas que marcam a história dos nossos povos em todas as partes do mundo. Desde a Revolução de Outubro, à Guerra civil espanhola, à ascensão do fascismo na Europa e o fim da URSS com a proliferação do consumismo e do individualismo, germes do capitalismo.

Ando para lá e para cá, junto a Gregório, pensando em como a opressão do Estado calou e escravizou nossos povos, em como discurso contra o socialismo foi impulsionado pela mídia e esteve na boca de tantos que prometiam liberdade como Lech Walesa, mas que algemaram a luta popular em seus calcanhares, traindo nossas noites e dias.

Ando e procuro por Zuleida, que assim como Gregório carrega a perseverança e a clareza de dias melhores, que tem ao seu lado a dignidade e o brilho do amanhecer da luta.

Viver para a luta é se desafiar pelos dias e noites. É a busca incansável pelas respostas de tanta mentira e manipulação. Como vivemos o que restou de dias tão gloriosos? Como amanhecemos nesta realidade tão cruel, desigual, que implode a emancipação dos povos? São noites longas pensando, tentando entender. São dias de memórias que não cessam na sacada do apartamento de Gregório, que não deixa a tristeza e a solidão cegarem seu horizonte.

Somos Gregório, somos Pedro, inteiros corações. Temos o sentimento da aventura dos céus. São muitas lutas e vitórias para contar, derrotas para cicatrizar. Para um novo dia raiar é preciso que venha a noite, que venham os pensamentos para que enxergarmos as cores e tons da memória das lutas e batalhas fincadas, do sangue dos povos, da história viva do que foi, do que poderia ter sido e do que virá. O tempo matura enquanto a história nos revela e o céu colore. Gregório é feito disso. Assim como a vida, assim como é este conto, assim como é nossa luta. Sempre lutando por um novo amanhecer, esperando que o céu avermelhado irradie nossos dias de vitória. Desejo que este conto lhe irradie tal como nossas veias, tal como o raio do sol numa caminhada de domingo, tal como a lua que reflete a luz das nossas lutas durante uma noite longa.

APRESENTAÇÃO

Sempre vem a manhã

O autor.
A escuridão da noite é a garantia de que chegará o amanhecer. Nem importa a duração que tenha, muitas vezes as horas, minutos e segundos se transformam em séculos, especialmente quando se sofre a solidão do tempo em que a violência e a mentira parecem não ter fim, quando os opressores avançam na exploração e opressão, deixando massas enormes felizes por se tornarem escravas, sem nem imaginarem que caminham ao abatedouro.

Noite longa é isso, apesar da tristeza, dos questionamentos, de tantas derrotas e dúvidas, o protagonista não desiste de buscar entender as causas de tantas manipulações, retrocessos e de seus questionamentos, tantos que lhe impedem de conseguir dormir.

Gregório em seus pensamentos faz uma síntese de quem enfrenta noites longas, o arbítrio, a tortura imposta pela lei do Estado, que usa toda sua força para manter a dominação. Gregório em sua permanente busca e confiança de que viverá um novo tempo, que poderá ter a felicidade e a justiça plena a todos, sem exceção. Zuleida, paixão de Gregório, sempre é lembrada, perderam-se pelas estradas da vida, acredita que a reencontrará, depois de terem tido momentos de tanta magia e ousadia no enfrentamento ao abuso da burguesia e seus lacaios.

A noite é para descansar, repousar e poder recuperar as forças para seguir o dia que virá. Gregório não consegue. Como dormir?

Tudo foi pensado e executado nos mínimos detalhes. Criaram um papa e um líder sindical, os dois do mesmo país, a Polônia. Vieram com tarefas bem definidas: destruir a URSS, confundir a juventude e as massas, acusando o socialismo, usando um discurso aparentemente moderno e democrático. Quantos não se deixaram enganar e colocaram o broche do Solidarnosc na lapela acreditando que falavam em liberdade e justiça? Quatro décadas depois Lech Walesa se tornou uma das principais lideranças da extrema direita a percorrer o mundo propagando o fascismo e combatendo o socialismo. Será que Gregório conseguirá dormir? Nunca ele leu ou escutou alguma autocrítica de quem defendeu esse movimento anticomunista.

Gregório é só, não tem ninguém ao seu lado, quando em uma manhã cruza com sua família, endinheirada e reacionária. Tomam um café, conversam amenidades e se despedem. Ele sofre por não ter ao seu lado na defesa do que acredita ninguém de sua família. Isso o deixa triste, pensa nas contradições que formam as famílias, as manipulações e o uso da religiosidade para criar verdadeiras escolas de maldades, individualismo e egoísmo, a partir da infância. As contradições geracionais, políticas, ideológicas e culturais. Ainda assim ele gostaria de ter uma família.

E a ditadura de 1964, que tem gente do povo, pessoas humildes, desempregadas ou operários e camponeses pobres que repetem o discurso de que a ditadura foi boa e precisa voltar. Não é apenas desinformação, ignorância política, certamente há um sentimento de maldade, de perversidade e de crença de que é preciso prender, torturar e matar quem não pensa igual a eles. Creem que os comunistas precisam ser mortos, repetem tudo que a burguesia propaga em suas mentiras, confiantes de que aquilo de fato é verdade.

Uma noite infindável segue. Gregório tenta dormir, mas a noite é longa, enquanto uma vontade irresistível de ver Zuleida, de acender um cigarro e poder receber o carinho do vento lhe apodera. Ele está só, não acende o cigarro, parou de fumar há tempos.

Como explicar ainda haver pessoas que apoiem o nazismo e são anticomunistas? Se não fosse a URSS derrotar Hitler o que seria da humanidade? Quem é propagado como os responsáveis por derrotar o nazismo, os EUA e outros países europeus, foram apoiadores da Alemanha nazista. O objetivo era derrotar os comunistas soviéticos. Deu errado, os nazis foram derrotados pelos comunistas, mas a propaganda nega e esconde isso. A mentira segue sendo disseminada como verdade, enquanto massas ignaras, ou mesmo acadêmicas, repetem as mentiras. O discurso anticomunista vem de todos os lados, inclusive de quem se auto intitula esquerda. Como combater isso? Gregório se aflige em sua solidão histórica na noite que tem apenas uma lua crescente e as estrelas em sua companhia.

É período da pandemia. Mortes acontecem aos milhares, não são bombas, mas a propaganda de que é apenas uma “gripezinha”, que “os fortes viverão”, que a “economia não pode parar”. Isso tudo é mostrado na prática por um presidente que anima a morte sem nenhuma vergonha, inclusive arrastando multidões. O que fazer? Como enfrentar isso sem resistência, sem unidade e sem organização?

Gregório segue entre sua cama, a cozinha e o parapeito da sacada de seu apartamento na cidade de Brasília, não consegue relaxar. Seus pensamentos são atribulados, somente a lembrança de Zuleida o acalma. Onde ela andará? Lembra do Soma, que mesmo não sendo distribuído ao entardecer ajudaria a descontrair e manter as pessoas manipuladas. Huxley previu este tempo.

A noite não acaba, parece não ter fim, diante de tantas indagações e dúvidas. Como perder o poder na Espanha Republicana? As divisões seguem em cada ação, pensamento e lutas. Como explicar a queda da URSS? Derrotas que poderiam ser evitadas.

A luta contra a ditadura foi vitoriosa? Como explicar todos os torturadores e assassinos livres e ainda propagando que são bons e justos ao preço de tantas perdas, tristezas e assassinatos? O que faltou para derrotar definitivamente os terroristas fardados e civis, organizados e financiados pelos EUA, que deram o golpe em 1964 e ficaram por 21 anos no poder e ainda hoje seguem impunes e livres? Gregório lembra da infância, milhares de soldados seguindo para o Araguaia para assassinarem os jovens que lutavam por um país justo e livre, iam também perseguir a população que acreditava que seria possível viver um mundo de justiça. Os caminhões com os soldados pareciam uma grande serpente na floresta nas estradas empoeiradas.

Gregório não duvida, a humanidade já descobriu o caminho do paraíso em terra. Assim foi na Comuna de Paris ou com a Revolução Rússia. Ainda haverá tempo de retomar a linha vermelha da história, onde a dignidade, o amor e a poesia entejam efetivamente integradas e possam fazer a felicidade existir?

O dia está para amanhecer. A aurora começa a despontar. Gregório observa o sol nascer. Nasce uma nova manhã.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal * Pedro Cesar Batista - DF

 Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal

Pedro César Batista.DF


Homenagem aos 175 anos do Manifesto Comunista

 

Neste carnaval, de 2023, o primeiro depois de uma cruel pandemia, com um governo fascista e genocida, dediquei-me a concluir a concluir a leitura de Subterrâneos da liberdade, de Jorge Amado.  


O autor baiano foi um gigante das letras, chegou a ser deputado constituinte pelo Partido Comunista do Brasil – PCB, em 1946. Deixou uma bibliografia que sua leitura possibilita conhecer a autêntica idiossincrasia nacional, com seus recortes regionais, na maioria dos títulos. A luta pela terra para morar, em Salvador, ou para trabalhar e viver no enfrentamento ao latifúndio junta-se ao amor de Gabriela, D. Flor, Capitães de Areia e tantos outros, entre as dezenas de romances que escreveu.


Ler Subterrâneos da Liberdade no momento atual foi como se vivesse esse tempo. Um tempo sem fim, com suas contradições e repetições, como tragédia ou comédia, como Marx destacou sobre as fases da história. As semelhanças com os dias atuais são evidentes. Seja pela postura criminosa e desumana de setores da sociedade, pelo oportunismo e traição de certos grupos que se autointitulam de esquerda ou o compromisso que ainda se vê em certos grupos e ativistas revolucionários, lobos solitários ou não, mas que seguem confiantes que é possível construir uma sociedade socialista, especialmente ao mirarem-se em exemplos de outros povos.


O autogolpe de Getúlio Vargas, em 1937, com a implantação do Estado Novo não pegou ninguém de surpresa. O romance mostra uma atualidade assombrosa. Jânio Quadros tentou repetir o mesmo, não conseguiu. Bolsonaro repetiu o gesto e ainda segue organizando suas milícias fascistas com esta finalidade.


O livro tem como personagem central o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes, que esteve preso entre 1935 e 1945, e somente aparece nas últimas páginas do último volume, quando realizam seu julgamento público. A burguesia nacional, sócia dos EUA, que dava as ordens na polícia política do Estado Novo, definiu que Prestes seria o único a ter o julgamento público e aberto aos populares. Era preciso desmoraliza-lo, mostrar ao povo que ele era um criminoso comum, com as acusações forjadas que o acusavam, assim, acreditaram que ele teria sua moral destruída para sempre. O que nunca conseguiram, nem conseguirão, apesar de que as mentiras contra os comunistas seguem sendo propagadas atualmente como fizeram em toda a história nacional e mundial.


Subterrâneos da liberdade traz fatos históricos universais, como a Guerra Civil espanhola, a ocupação da Tchecoslováquia por Hitler, depois de ser entregue pela França e a Inglaterra. O acordo de não agressão entre a URSS e a Alemanha e o debate que isso provocou dentro do partido. A posição dos EUA e demais países ocidentais em apoio ao nazismo, que eles afirmavam ser necessários para livrar a humanidade dos comunistas, Os crimes dos nazifascistas assassinando famílias inteiras na Espanha. Um período muito parecido com os tempos atuais, como a propagação em apoio aos nazistas ucranianos.


A resistência revolucionária dos militantes do PCB, abnegados e dedicados a libertação e emancipação humana, enfrentando a fome, a perseguição, a violência, covarde e desumana dos cachorros do Estado Novo, capazes de açoitar bebes na frente do pai, enquanto a mãe era estuprada seguidamente pelos policiais; o enforcamento de Claudionor pelo fazendeiro, para que os lavradores não mais lutassem pelas terras; o assassinato de Inácia, esmagada pelas patas dos cavalos junto com o bebe que carregava na barriga; o arquiteto famoso tentando salva-la e o companheiro da bela negra, Dorothéu, tocava para Inácia, com sua gaita, a Internacional, enquanto ela sorria e dava seus últimos suspiros, antes de falecer. Ao mesmo tempo, em um luxuoso hotel, de frente a praia em Santos, a festa a fantasia para o Ministro do Trabalho, organizada pela elite paulista seguia comemorando a violência da polícia, que deixara quase uma dezena de mortos entre os grevistas.


A ousadia, a coragem, a dignidade dos comunistas brasileiros, diante de toda violência e crueldade impostas pela burguesia e os latifundiários, que sustentavam o Estado Novo, não os desencorajavam, nem desanimavam, nem os impedia de seguir organizando, estudando e propagando uma nova sociedade, comunista, baseada no exemplo do que era a URSS, liderada por Josef Stalin. A ousadia e disposição revolucionária deixava os lacaios do imperialismo mais violentos.

A pequena burguesia e a intelectualidade, com seus luxos sustentados por banqueiros, sócios dos EUA ou de aventureiros aliados a Hitler, oriundos do meio do povo, evidenciavam a falta de caráter, humanidade e a estupidez reinante entre os carreiristas e oportunistas, preocupados em ganhar dinheiro, status e manter seus privilégios. As festas, os bacanais e a orgia reinante entre eles, os casamentos de interesse, a compra e venda de atos e decisões do Estado a partir das ordens dos donos de riquezas.


O romance não deixa de mostrar que a base de toda ação revolucionária dos comunistas é o amor. Amor pelo povo, amor entre os seus familiares, a família comunista, homens e mulheres, que priorizam o trabalho permanente, arriscado, mortal e penoso para organizar e conscientizar os trabalhadores para efetivar a conquista da plena dignidade humana, a emancipação verdadeira, baseada no amor, na justiça e no respeito pelo entre a espécie humana. 


Zé Gonçalo, o gigante, negro condenado a muitos anos de prisão por defender o povo indígena na Bahia, seguiu para a floresta no Mato Grosso, onde organizou os caboclos e enfrentou a violência do latifúndio. No romance recomeça sua militância em São Paulo, seguindo sua jornada gloriosa e revolucionária, ao atuar na reorganização de um núcleo de base em uma célula de bairro.

Ruivo, perdeu um pulmão para a tuberculose, sempre febril, mas nunca desistiu, nem quando sofreu as mais cruéis torturas da polícia do DOPS. Tranquilo, um dirigente que encantava todos. Mesmo doente foi transferido com outros revolucionários para a prisão em Fernando de Noronha.


Mariana, viu seu pai, operário militante, morrer em seus braços. Com ele e sua mãe aprendeu cedo a importância da disciplina, da dedicação e a importância dos estudos. A única a conseguir se manter na clandestinidade, sem ser presa, até a última páginas, quando, durante o julgamento de Prestes, quem nunca havia visto pessoalmente, depois de um forte discurso do Cavaleiro da Esperança saudando o 20º aniversário da Revolução Russa, que deixou a polícia e o juiz completamente atordoados, restando-lhes sempre a violência que despejaram contra Prestes, ela grita um Viva Luís Carlos Prestes. 


A bravura dos comunistas, que, mesmo enfrentando as mais duras adversidades, nunca deixaram de combater pela dignidade humana. O romance também a superficialidade e mesquinhez da pequena burguesia, preocupada com os salões de festas, champanhe, luxos e em garantir que a violência contra o povo não coloque em risco seus privilégios.


Subterrâneos da liberdade é uma leitura obrigatória para entender como a negação da luta revolucionária se apoderou de grupos ditos de esquerda, pequenos burgueses, que agem de acordo com o programado pelos verdadeiros donos do poder, o imperialismo e seus agentes internos.


Se Jorge Amado renegou o livro, o problema é dele, pois esta obra é magnifica, gloriosa, um clássico da literatura universal, sintetiza a resistência e utopia de todos os povos na busca da plena liberdade, da verdadeira dignidade e emancipação humana. 


Viva Luís Carlos Prestes!


PS. Subterrâneos da liberdade é um romance, ficção que reproduz a realidade de um período de 5 anos do Estado Novo, mas que tem tudo a ver com os dias atuais. Leitura necessária.


O AUTOR

PEDRO CESAR BATISTA

jornalista, escritor e poeta. Secretário Executivo do Comitê Antiimperialista General Abreu e Lima. E-mail: pcbatis@gmail.com

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Pandemia e Traição * Pedro César Batista / DF

Pandemia e traição



Pedro César Batista/DF


A pandemia tem nos permitido ver o valor da existência humana em todas as suas contradições. Seja ao identificar ações e pessoas essencialmente amorosas, como a maldade que transparece em quem tudo faz para escondê-la. 

Ocorre que a quarentena e o distanciamento social que nos salva da contaminação e morte, nos leva a ser mais introspectivo, usando o tempo em que estamos só para leituras, escritas e atividades lúdicas e repensar a nossa trajetória, o que traz mais dúvidas que certezas.

Em poucos anos farei seis décadas de vida, nesse tempo vivi em muitos lugares. Sou um permanente migrante dentro do meu país. Desde cedo convivo com as contradições mais duras e profundas inerentes a sociedade e ao homo sapiens, o que não é meu privilégio.

Criança, depois de sair do interior paulista, vivi até os dez anos na floresta, em Paragominas. Uma década de tristezas e alegrias. Consternação pelas lembranças das dificuldades enfrentadas por meu pai, mas especialmente por minha mãe, que sempre cuidou de mim. Meu pai, o provedor, vivia no mundo para garantir a sustentação da família. Tempo em que os ricos fazendeiros matavam impunemente e enterravam em cemitérios privados; a polícia prendia e torturava livremente quem bem entendesse, a insegurança e o medo eram constantes; era proibido falar o que se pensava. Entretanto, viver nos igarapés, subir em árvores, correr atrás de bichos, ser parte da natureza deixou marcas e alegrias imprescindíveis para a vida.

Adolescente, na capital paraense, aprendi que a história é resultado da ação dos mais organizados, capazes de impor suas ideias, cultura, forma de vida e definir como a sociedade deve ou poderá ser. Descobri o valor da força da luta do povo. Um tempo que se inicia a entrega, o compromisso e a confiança na construção de uma nova sociedade.

Vieram outras fases, o mundo passou a ser minha casa, a democracia reconquistada manteve os assassinos da ditadura impunes; alguns, que se diziam camaradas, passaram para o lado do opressor, principalmente em suas práticas, apesar de preservarem discursos humanitários. Ter a dor da perda de quem se ama, muitas dores e descobertas.

Traições, maledicências e maldades surgem de forma avassaladora nas relações pessoais. Enfrentar a desumanidade de quem se diz na mesma trincheira, a ação para destruir o trabalho de organização popular deixa marcas de dor na memória. A calúnia, a mentira, o sadismo. As mais vis crueldades, capazes de causar inveja ao demônio, a Judas e seus adeptos.

A pandemia somente reforça estas contradições. Os poderosos usam a morte para aumentar suas riquezas, querem dizimar quem pode lhes derrotar, caso adquira consciência de classe, se organize e unidos os enfrentem. Os mais ricos ficam mais ricos. Os maldosos propagam o veneno que carregam. Não precisa ser da classe dominante, o discurso e sua origem social não altera sua prática, como autênticos traidores do combate por um novo mundo, de relações justas, fraternas e igualitárias.

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

A Desumanização do Humanismo * Pedro César Batista/DF

A desumanização do Humanismo



Pedro César Batista/DF

Durante a transição do feudalismo para o capitalismo, o surgimento da burguesia iniciou uma nova etapa de transformações na história da humanidade, que resultaria séculos depois em grandes revoluções. A igreja perdeu força. Erasmo de Roterdã, mesmo sendo um religioso, contribuiu para que novos valores se disseminassem. A racionalidade e a ciência, a partir da teoria heliocêntrica, descoberta por Galileu Galilei, a invenção da bússola, as grandes navegações, o surgimento das pequenas indústrias e do comércio animaram o que se denominou humanismo.

O século XVII, distante um pouco mais de três séculos de nosso tempo, ficou conhecido como o século das luzes. As artes, a invenção da gráfica, a publicação e circulação de textos que davam grande importância a dignidade, as capacidades humanas e a racionalidade. A ciência apresentava a a espécie humana a possibilidade de ser o centro do mundo.

Rousseau em artigo A origem das desigualdades entre os homens, escrito em 1753, afirmou que a principal base de sustentação das injustiças sociais era existência da propriedade privada e a necessidade individual de um superar o outro, numa busca constante de poder e riquezas para subjugar os seus semelhantes.

As colonizações europeias, a partir do século XVI, aprofundaram a perversidade dos negociantes que formaram a nova classe dominante. Invadiram continentes, mataram milhões de pessoas que constituíam os povos originários, sequestraram e escravizaram nações inteiras, destruindo culturas, histórias e vidas. A Europa se transformou em brilho, beleza e luxo as custas da dor, do sangue e do extermínio sem piedade de milhões e milhões na África, América, Oceania e Ásia. Quem não se sujeitasse a ser escravo, como um bom cristão, fiel a igreja que abria as alas para os crimes e o roubo do colonizador era empalado, queimado vivo em fogueiras e tinha a alma mandada para o inferno, propagavam os colonizadores.

Assim como na fase anterior ao surgimento do feudalismo, quando os romanos e gregos chamavam de bárbaros quem não se sujeitava às invasões e roubos praticados pelos civilizados e cultos, que também inventaram a democracia, onde os senadores e nobres se esbanjavam em luxuria e debates filosóficos, enquanto a grande maioria da população era totalmente alijada de qualquer direito. Os civilizados matavam, estupravam e roubavam povos, utilizando um cruel sadismo, o mesmo que continuou no período feudal em que os servos e colonos eram obrigados a produzir para sustentar o parasitismo de reis, rainhas e de toda a corte, aceitar passivamente a pernada, quando decidiam formar uma família e viver em paz. A primeira noite sexual da jovem dama, pelas normas, era direito do senhor. Noites que seguiram por séculos, com estupros em massa, extermínio de povos inteiros, sem nenhuma piedade, saques em nome do direito divino que as classes dominantes, senhores civilizados e honrados, em nome de Deus, afirmavam possuir.

Para Shakespeare “o egoísmo unifica os insignificantes”, o que tem sido provado ao longo dos séculos com a prática da colonização, da imposição dos religiosos, das classes que buscam acumular mais e mais propriedades, que não se cansam de praticar o sadismo, alimentando o egoísmo, denunciado por Shakespeare e Rousseau.

A guerra que mais mortes causou na história da humanidade, liderada por Hitler, teve como base a propagação do que se denominou “egoísmo exacerbado” na tenra infância, com jovens professoras aplicando fielmente o discurso da raça superior, pura e sua força para impor a limpeza étnica e eliminar milhões de pessoas. Estima-se que mais de 500 mil mulheres atuaram no trabalho de formação ideológica de crianças e jovens para que aceitassem como natural os crimes praticados em campos de concentração, câmaras de gás e o extermínio em massa. O que no passado foi feito em nome de Deus, dizimando civilizações inteiras, foi tentado mais uma vez, em pleno século XX. Os alemães acreditavam que o vasto território do leste, que integrava a extinta União Soviética, lhes pertencia por direito sagrado. O que valia era o interesse individual, de cada integrante da raça pura, os arianos, os nazistas, que tinham no egoísmo sua principal base cultural e de formação pessoal.

Civilizações inteiras têm sido dizimadas ao longo da história. Os povos africanos tinham um nível cultural e industrial mais elevado que os europeus no século XV, mas a história oficial não mostra.
Os europeus destruíram a relação de solidariedade comunal que existia no continente africano provocando divisões, guerras e escravizando o povo negro.

Os mesmos colonizadores, dizimaram inúmeros povos originários do Alaska até a Patagônia. Culturas desenvolvidas, como os Astecas, Maias e Incas foram completamente destruídas. De mais de 1.300 nações indígenas, com seus idiomas e culturas que existiam no século XVI no Brasil, agora, no limiar do século XXI, restam pouco mais de 300, com número bem menor de idiomas, os quais enfrentam a pandemia da covid-19 sem nenhum apoio oficial. Muito pelo contrário, o atual governo do país, Bolsonaro e sua administração, reproduz a prática nazista, desenvolve o extermínio das populações originárias ao incentivar a continuidade do genocídio secular contra essas nações.

Os herdeiros dos colonizadores mantem a mesma prática contra as classes subalternas, oprimidas e exploradas, com uma cruel exploração e a contínua prática de massacres, chacinas e genocídios.

No mundo tem se repetido a exploração de uma classe sobre a outra na história.

Os EUA com implantação da Doutrina Monroe, anunciada em 2 de dezembro de 1823, pelo presidente James Monroe, resumida na frase América para os americanos, tem sido sustentada com a organização de golpes militares, roubos de nações, financiamento de grupos paramilitares e a implantação de ações para preservar o controle da região. São dezenas de países invadidos e milhões de mortos. Em todos os continentes os EUA têm praticado atos terroristas, roubos e crimes contra povos soberanos. O mais cruel ocorreu em 2 de setembro de 1945, quando os EUA jogaram as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. A Alemanha já havia se rendido em 8 de maio desse ano, quando a URSS ocupou Berlim. Mas a história contada é outra. Os filmes, livros, histórias em quadrinho e em salas de aulas contam que os norte-americanos venceram a segunda guerra. Na realidade os EUA, preservando sua gênese, mataram no Japão, em algumas horas, 140 mil, em Hiroshima, e 74 mil, em Nagasaki. Um ato criminoso que permanece impune.

A desumanidades ao longo da história é mantida pelo capitalismo e a classe dominante, com seus governos e uma pratica continua de crimes sustentados na super exploração de homens, mulheres e da natureza, garantido por exércitos e leis feitas por eles e para servir a eles.

A pandemia da covid-19 é a prova da desumanidade prevalecente.

Esta desumanização nas relações humanas tem deixado as pessoas mais egoístas e mesquinhas, o que acaba por levar a estupidificação de amplos setores, provocando uma propagação agressiva de posturas arrogantes, individualistas e desagregadoras.

Hoje, 29 de julho de 2020, já morreram 660.593 pessoas no mundo e 88.792 no Brasil devido assustadora propagação da covid-19. Números que equivalem a três vezes a quantidade de mortes causadas pelos EUA, quando jogou as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. No Japão morreram em algumas horas aproximadamente 214 mil pessoas. Um crime inesquecível. Entretanto, neste momento, mesmo com o elevado número de mortos pela pandemia, não se vê comoção social. Pelo contrário, vastos setores, em todo o mundo, estão demonstrando total alheamento a desgraça que se abate sobre a humanidade.

A cultura ocidental propagou que os civilizados eram corretos e os melhores, não importando se destruíam civilizações inteiras, dizimavam povos e culturas, enquanto os bárbaros, por se defenderem, lutar pela vida, por sua cultura e seu povo ficaram conhecidos como pessoas más, violentas e desumanas. Uma total inversão dos fatos do desenvolvimento da história das sociedades. Esta manipulação da realidade continua, assim como foi no passado, no presente.

Para a grande imprensa e governos, o que importa é garantir a economia. Nada se pode fazer se as mortes causadas pela pandemia seguem dizimando pobres, indígenas e negros. Como foi dito por uma alta funcionária do governo brasileiro, “reduzirá a pressão sobre os serviços públicos e a previdência social”. Ou como governantes que entram na justiça para impedir o uso de máscaras, um dos meios comprovadamente possíveis de evitar o contágio. O que vale é que os bilionários brasileiros e no mundo, mesmo com a miséria e o desespero se abatendo sobre milhões de famílias, sigam aumentando suas riquezas. Ganhando dezenas de bilhões de dólares em poucos meses. É preciso garantir que a economia gire, propagam. É preciso combater os bárbaros, que não se sujeitam a morte, a escravidão ou a se tornarem novamente colônia dos poderosos que controlam o mundo.

Com o final do feudalismo se acreditou que a humanidade viveria um mundo melhor. Muitas conquistas foram obtidas. A medicina, as artes, a tecnologia, os direitos humanos e o controle social avançaram, mas as riquezas seguiram nas mesmas mãos. A herança, um direito sagrado e inquestionável, assegura que os netos, bisnetos e tataranetos dos proprietários de escravos, dos traficantes dos africanos sequestrados na África, dos estupradores das mulheres indígenas, dos assassinos de homens e mulheres que ousaram combater e propagar a conquista da dignidade humana sigam controlando o Estado, as leis, as forças militares e armadas, o chicote que nunca parou de estalar. Agora ele é mais sutil, anda em redes sociais que nada tem de sociais, apenas atomiza e ilude as grandes massas humanas.

As conquistas obtidas na história foram resultado da organização dos oprimidos, unidos e dispostos a romper as correntes e destruir as amarras, assim como apontadas por Karl Marx. Não faltam exemplos de lutas e vitórias, como a revolução no Haiti, que impôs a derrota ao colonizador; a resistência de Palmares, no Brasil; as lutas de libertação comandadas por Bolívar; as revoluções bolchevique, comandada por Lênin, que reuniu quase 20 nações e formou a União da Repúblicas Socialistas Soviéticas, a Chinesa, liderada por Mao Tse Tung, a vietnamita, com Ho Chi Min a frente, a cubana, com Fidel, Chê e Camilo, a Sandinista, iniciada por Carlos Fonseca; as lutas pela independência e contra o colonizador na África, a bolivariana na Venezuela, iniciada pó Hugo Chávez; as lutas operárias e camponesas em todo o mundo. Todas essas lutas são fontes de inspiração em busca da humanização da humanidade. Todas essas ações mostraram que somente quando se há disposição e consciência de classe é possível avançar na construção do humanismo.

Assim como Prometeu ousou roubar o fogo de Zeus, que até hoje segue iluminando nossos passos, precisamos entender o passado, compreender que cada ação na história, para dar resultado leva séculos, as lutas entre as classes antagônicas são inevitáveis e o combustível do desenvolvimento social. Se a burguesia no passado defendeu o humanismo, o conquistou, mas apenas para sua classe, usando as grandes massas exploradas como mão de obra barata para assegurar o elevado padrão de vida que a minoria usufrui. Somente quando seguirmos os exemplos revolucionários vitoriosos ou não, mas que nos apontam a direção na construção de relações verdadeiramente humanizadas, poderemos fazer a ruptura que a história cobra e exige. O futuro será humanizado e justo se os injustiçados e vítimas da desumanização capitalista se dispuserem a destruir o egoísmo, a propriedade privada dos meios de produção e acender mais alta a tocha do fogo de Prometeu.  Então será possível um novo tempo, verdadeiramente digno e que assegure a emancipação humana, em sua plenitude, o que somente será possível em uma etapa superior de organização social, o socialismo. Não há novidades na história, apenas precisamos fazer a revolução que é preciso, dar vida a um novo tempo.

Pernada: direito que concedia aos nobres o direito de núpcias com suas servas - 1850. Engels, Guerras camponesas na Alemanha, p.68
https://novaescola.org.br/conteudo/1835/erasmo-de-roterda-o-porta-voz-do-humanismo
https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/humanismo.htm
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/revolucao-cientifica-seculo-xvii.htm
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sábado, 25 de julho de 2020

Solidariedade à Revolução Bolivariana realiza plenária nacional * Pedro César Batista/DF

Solidariedade à Revolução Bolivariana realiza plenária nacional


Comitês de Solidariedade à Revolução Bolivariana no Brasil realizaram uma plenária nacional na tarde desde sábado, 25, para debater o enfrentamento aos ataques que os EUA praticam contra a Venezuela e outros países no mundo e quais tarefas realizar em defesa da soberania e autodeterminação venezuelana.

No encontro, os participantes foram unânimes em destacar a necessidade de fortalecer a defesa do direito da Venezuela decidir seu destino, neste momento que seu povo enfrenta o criminoso bloqueio econômico, a intensa guerra midiática, que propaga mentiras pelos meios de comunicação, as sabotagens econômicas e o ataque de grupos mercenários e serviçais do governo norte americano, que financia e organiza a ofensiva contra a soberania da pátria de Bolívar e Chávez.  

A plenária contou com a participação de representantes dos Comitês e ativistas da solidariedade internacionalista de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Pernambuco, Ceará, Pará, Roraima, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Amapá, Alagoas e Mato Grosso do Sul. 

Entre outras questões, decidiu-se que é preciso atuar de forma unitária e coesa a nível nacional com a propagação da denúncia sobre os crimes que os governos dos EUA e outros países, como o Brasil, cometem contra a Venezuela, ao fomentarem a desestabilização econômica e ameaçando uma invasão militar.

A Venezuela tem a maior reserva petrolífera do mundo, o verdadeiro motivo dos EUA, com presidente Trump querendo roubar mais esta nação, assim com o tem feito em dezenas de países ao longo da história.

A reunião decidiu fortalecer os comitês, incentivar sua criação nos estados onde ainda não existem, criar uma rede permanente dos comitês e militância da solidariedade à Revolução Bolivariana no Brasil, atuando de forma articulada em ações comuns na defesa de um povo que, historicamente, tem praticado uma relação de amizade e solidariedade com todos os povos do mundo.

Os comitês seguirão ao lado do governo e do povo venezuelanos, exigindo o respeito a Venezuela, que precisa ter a sua autodeterminação e soberania respeitadas por todos os países. O encontro rechaçou a posição serviçal e belicista do governo Bolsonaro, que atua como um provocador contra o povo irmão. 

Criou-se no final uma comissão que elaborará a síntese do debate e deliberações para o devido encaminhamento, assim fortalecer a solidariedade brasileira na defesa da Revolução Bolivariana e contra os crimes do imperialismo na Venezuela e na América Latina. 


Comitê anti-imperialista General Abreu e Lima

Pedro Cesar Batista-DF

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quarta-feira, 15 de julho de 2020

A Crueldade Capitalista e a COVID-19 em Brasília * Pedro César Batista/DF

A crueldade capitalista e a covid-19 em Brasília


 



Cresce diariamente o número de contágios e mortes provocadas pela covid-19 na capital federal, acompanha o país. A localidade que tem mais casos é Ceilândia, onde o “presidente” esteve logo no início da quarentena no DF, visitando uma feira, comendo churrasquinho e espalhando o vírus. O “presidente” havia acabado de chegar dos EUA, com um grande número de contaminados. Por ordem judicial, o jagunço da morte, apresentou dois exames com outros pseudônimos.

Nos últimos dias vivi a situação de uma pessoa com sintomas do corona.

Fui ao Posto de Saúde da 612 sul, lá rapidamente fui atendido por um médico, que me orientou a tomar um remédio para as dores, excetuando o AAS, assim como, informei-lhe dos medicamentos usados por um casal de amigos que foi contaminado. O médico disse que não havia protocolo médico, mas que tomar não causaria nenhum problema.
Comecei a me medicar com um antibiótico, um anti-inflamatório e analgésico. Deveria fazer imediatamente o exame. Eram duas as possibilidades. Fazer no HRAN e aguardar pelo menos 20 dias para ter o resultado. O outro caminho seria fazer em um laboratório particular.

Hoje fui a um laboratório privado, o preço do exame R$350,00, para isso enfrentei uma fila de mais de duas horas, mesmo com o mal-estar, dores e tontura. A fila era enorme. Quando fui preencher a ficha, conversei com a atendente, fizemos rapidamente as contas. Ela havia entrado no trabalho 7h da manhã, no momento que estava sendo atendido era perto de 17h. Portanto, ela estava cerca de dez horas seguidas trabalhando. Comentei-lhe, se estou cansado, aguardando este tempo para ser atendido,  imagina você. Perguntei-lhe indiscretamente qual era o seu salário. Ela não quis falar. Perguntei diferente: 20 exames pagam o seu salário. Ela fez as contas na hora e me respondeu: - bem menos. Menos de um dia de serviço para o patrão pagar o salário da trabalhadora.

No tempo que estive lá, mais de 100 pessoas preencheram fichas e coletaram material para o exame. Um trabalho exaustivo e tenso, com a trabalhadora fazendo a limpeza do balcão, da prancheta e da caneta a cada novo atendimento.

Brasília está com 980 óbitos e 73.654 pessoas contaminadas, o Brasil já conta com mais de 74 mil mortos e mais de 1 milhão e 800 mil contaminados. A propaganda estatal diz que tem exames na rede pública, o que não é completamente verdade. Uma pessoa que precisa de tratamento por apresentar os sintomas da covid, somente saberá sua real situação depois de passar o tempo necessário para que tenha os primeiros cuidados. Completa-se a este assustador quadro a lotação quase total dos leitos de UTI nas redes pública e privada de saúde na capital federal.

Isto é o capitalismo e seus agentes. Aprofundam a exploração da classe trabalhadora, mantem o Estado privilegiando os Bancos e o grande capital, não faz testes massivos para saber a real situação da contaminação do covid-19 em Brasília e no Brasil.

Se na capital do país está assim, o que esperar do interior do Brasil, que tem na presidência um mercador da morte, que desestimula a medicina, a ciência e nega a pandemia?

A vida e a dignidade humana não têm valor no capitalismo, o que vale é o lucro, quem pode consumir, servir aos interesses de acumulação dos parasitas burgueses.

Por outro lado, os países socialistas asseguram a sua população integralmente saúde, os cuidados necessários e a defesa da vida. Destaca-se Cuba, que tem espalhado solidariedade, coragem e amor, mesmo sofrendo ataques criminosos dos EUA, como o mais longo bloqueio econômico da história.

Por isso, justamente por todos terem igualdade e dignidade no acesso aos serviços públicos os capitalistas mentem e propagam inverdades seguidamente acerca do socialismo, sinônimo de vida, enquanto o capitalismo é o mesmo que a covid-19, mata impiedosamente.

Pedro César Batista/DF

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O Grito da Batalha: Quem Espera Nunca Alcança * Pedro César Batista - DF


“O grito da batalha: Quem espera, nunca alcança! ”



Pedro César Batista - DF

Unidade de Classe contra o opressor e seus lacaios.

A classe dominante conseguiu muitos aliados no meio dos explorados. Repete-se regularmente que não há mais luta de classes, que é preciso avançar na defesa dos interesses e empoderamento de categorias e setores, o que permitirá melhorar o capitalismo, dando-lhe uma face mais humana, e assim avançar na busca de outra sociedade, onde não exista mais explorados e exploradores.

Não faltam organizações e militantes que atuam exclusivamente em busca da hegemonia, protagonismo e empoderamento, na maioria das vezes com a perspectiva eleitoral, eleger seus quadros e ocupar espaço dentro do estado burguês. Não questionam o modelo de produção ou distribuição da sociedade capitalista, atuam apenas em torno de seus interesses específicos.

Em tempo de paz, no lugar de avançar a consciência de classe, possibilitar aos setores produtivos o protagonismo da história, fortaleceu-se uma concepção de empreendedorismo, individualismo, consumismo e da luta de setores identitários, sem destacar que a sociedade é formada pelos detentores dos meios de produção, controladores das armas, leis e do Estado, e pelos que vendem o seu trabalho, manual ou intelectual, dedicam sua energia e inteligência para produzir e prestar serviços que são apropriados pelos ricos que ficam cada vez mais ricos, ao mesmo tempo que os pobres mais pobres se tornam. Para estes deixam o sonho em comprar um novo modelo de automóvel, possuir altos salários e integrar a classe dominante, usufruir e consumir produtos e serviços produzidos por eles mesmos. Uma poderosa máquina de propaganda alimenta esta ilusão.

O empoderamento individual e de grupos setoriais substituiu a busca pela transformação da sociedade, a construção do poder popular e a conquista da revolução, a ruptura entre explorados e exploradores. Torna-se comum trabalhadores traírem sua classe em busca do status e micro poder, que nada altera as relações sociais e econômicas entre as classes.

Os partidos ligados aos interesses da classe trabalhadora, no lugar de forjar uma consciência baseada na história do desenvolvimento humano, propagam a ilusão de que basta votar, fortalecer sua corrente e hegemonizar movimentos que se avançará rumo a emancipação da classe trabalhadora. Lembram os encantadores de serpente, mágicos de quinta categoria ou pastores falastrões, que curam qualquer doença. Ilusionistas da crendice popular e falta de consciência sobre as contradições que permitem fazer a sociedade se desenvolver.

O desejo é cada um ter uma organização para dizer que é sua. Fazer um movimento para dizer que é seu. Ter uma corrente ou segmento que esteja sob a sua direção. Não levantam a bandeira da emancipação de classe, criam seguidores que aplaudem e repetem o que seus chefes afirmam. Verdadeiros oportunistas e demagogos se espalham. São substituídos pela revolta inconsciente da juventude, rebeliões de massas que não mais se sujeitam a opressão burguesa, apesar de muitos sonharem em substituir os senhores, não em destruí-los.

Aproveitando-se da despolitização, falta de coesão e consciência entres a classe trabalhadora a burguesia avança, fortalece seus setores mais violentos e reacionários, realiza cruéis ataques aos direitos sociais, políticos e econômicos conquistados ao longo de lutas na história. Neste quadro, usam, inclusive, a pandemia para dividir, desarticular e eliminar a resistência dos pobres contra os poderosos.

Paz entre nós, guerra aos senhores, afirma verso de A Internacional, que segue tão atual quanto necessária para derrotar os parasitas que se nutrem de nosso sangue, suor e trabalho. Por isso, forjar a união e organização da classe trabalhadora é a garantia de avançar na história e derrotar os inimigos de classe, começando pelos fascistas que estão no poder.
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