Mostrando postagens com marcador Subterrâneos da liberdade uma obra clássica universal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Subterrâneos da liberdade uma obra clássica universal. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal * Pedro Cesar Batista - DF

 Subterrâneos da liberdade, uma obra clássica universal

Pedro César Batista.DF


Homenagem aos 175 anos do Manifesto Comunista

 

Neste carnaval, de 2023, o primeiro depois de uma cruel pandemia, com um governo fascista e genocida, dediquei-me a concluir a concluir a leitura de Subterrâneos da liberdade, de Jorge Amado.  


O autor baiano foi um gigante das letras, chegou a ser deputado constituinte pelo Partido Comunista do Brasil – PCB, em 1946. Deixou uma bibliografia que sua leitura possibilita conhecer a autêntica idiossincrasia nacional, com seus recortes regionais, na maioria dos títulos. A luta pela terra para morar, em Salvador, ou para trabalhar e viver no enfrentamento ao latifúndio junta-se ao amor de Gabriela, D. Flor, Capitães de Areia e tantos outros, entre as dezenas de romances que escreveu.


Ler Subterrâneos da Liberdade no momento atual foi como se vivesse esse tempo. Um tempo sem fim, com suas contradições e repetições, como tragédia ou comédia, como Marx destacou sobre as fases da história. As semelhanças com os dias atuais são evidentes. Seja pela postura criminosa e desumana de setores da sociedade, pelo oportunismo e traição de certos grupos que se autointitulam de esquerda ou o compromisso que ainda se vê em certos grupos e ativistas revolucionários, lobos solitários ou não, mas que seguem confiantes que é possível construir uma sociedade socialista, especialmente ao mirarem-se em exemplos de outros povos.


O autogolpe de Getúlio Vargas, em 1937, com a implantação do Estado Novo não pegou ninguém de surpresa. O romance mostra uma atualidade assombrosa. Jânio Quadros tentou repetir o mesmo, não conseguiu. Bolsonaro repetiu o gesto e ainda segue organizando suas milícias fascistas com esta finalidade.


O livro tem como personagem central o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes, que esteve preso entre 1935 e 1945, e somente aparece nas últimas páginas do último volume, quando realizam seu julgamento público. A burguesia nacional, sócia dos EUA, que dava as ordens na polícia política do Estado Novo, definiu que Prestes seria o único a ter o julgamento público e aberto aos populares. Era preciso desmoraliza-lo, mostrar ao povo que ele era um criminoso comum, com as acusações forjadas que o acusavam, assim, acreditaram que ele teria sua moral destruída para sempre. O que nunca conseguiram, nem conseguirão, apesar de que as mentiras contra os comunistas seguem sendo propagadas atualmente como fizeram em toda a história nacional e mundial.


Subterrâneos da liberdade traz fatos históricos universais, como a Guerra Civil espanhola, a ocupação da Tchecoslováquia por Hitler, depois de ser entregue pela França e a Inglaterra. O acordo de não agressão entre a URSS e a Alemanha e o debate que isso provocou dentro do partido. A posição dos EUA e demais países ocidentais em apoio ao nazismo, que eles afirmavam ser necessários para livrar a humanidade dos comunistas, Os crimes dos nazifascistas assassinando famílias inteiras na Espanha. Um período muito parecido com os tempos atuais, como a propagação em apoio aos nazistas ucranianos.


A resistência revolucionária dos militantes do PCB, abnegados e dedicados a libertação e emancipação humana, enfrentando a fome, a perseguição, a violência, covarde e desumana dos cachorros do Estado Novo, capazes de açoitar bebes na frente do pai, enquanto a mãe era estuprada seguidamente pelos policiais; o enforcamento de Claudionor pelo fazendeiro, para que os lavradores não mais lutassem pelas terras; o assassinato de Inácia, esmagada pelas patas dos cavalos junto com o bebe que carregava na barriga; o arquiteto famoso tentando salva-la e o companheiro da bela negra, Dorothéu, tocava para Inácia, com sua gaita, a Internacional, enquanto ela sorria e dava seus últimos suspiros, antes de falecer. Ao mesmo tempo, em um luxuoso hotel, de frente a praia em Santos, a festa a fantasia para o Ministro do Trabalho, organizada pela elite paulista seguia comemorando a violência da polícia, que deixara quase uma dezena de mortos entre os grevistas.


A ousadia, a coragem, a dignidade dos comunistas brasileiros, diante de toda violência e crueldade impostas pela burguesia e os latifundiários, que sustentavam o Estado Novo, não os desencorajavam, nem desanimavam, nem os impedia de seguir organizando, estudando e propagando uma nova sociedade, comunista, baseada no exemplo do que era a URSS, liderada por Josef Stalin. A ousadia e disposição revolucionária deixava os lacaios do imperialismo mais violentos.

A pequena burguesia e a intelectualidade, com seus luxos sustentados por banqueiros, sócios dos EUA ou de aventureiros aliados a Hitler, oriundos do meio do povo, evidenciavam a falta de caráter, humanidade e a estupidez reinante entre os carreiristas e oportunistas, preocupados em ganhar dinheiro, status e manter seus privilégios. As festas, os bacanais e a orgia reinante entre eles, os casamentos de interesse, a compra e venda de atos e decisões do Estado a partir das ordens dos donos de riquezas.


O romance não deixa de mostrar que a base de toda ação revolucionária dos comunistas é o amor. Amor pelo povo, amor entre os seus familiares, a família comunista, homens e mulheres, que priorizam o trabalho permanente, arriscado, mortal e penoso para organizar e conscientizar os trabalhadores para efetivar a conquista da plena dignidade humana, a emancipação verdadeira, baseada no amor, na justiça e no respeito pelo entre a espécie humana. 


Zé Gonçalo, o gigante, negro condenado a muitos anos de prisão por defender o povo indígena na Bahia, seguiu para a floresta no Mato Grosso, onde organizou os caboclos e enfrentou a violência do latifúndio. No romance recomeça sua militância em São Paulo, seguindo sua jornada gloriosa e revolucionária, ao atuar na reorganização de um núcleo de base em uma célula de bairro.

Ruivo, perdeu um pulmão para a tuberculose, sempre febril, mas nunca desistiu, nem quando sofreu as mais cruéis torturas da polícia do DOPS. Tranquilo, um dirigente que encantava todos. Mesmo doente foi transferido com outros revolucionários para a prisão em Fernando de Noronha.


Mariana, viu seu pai, operário militante, morrer em seus braços. Com ele e sua mãe aprendeu cedo a importância da disciplina, da dedicação e a importância dos estudos. A única a conseguir se manter na clandestinidade, sem ser presa, até a última páginas, quando, durante o julgamento de Prestes, quem nunca havia visto pessoalmente, depois de um forte discurso do Cavaleiro da Esperança saudando o 20º aniversário da Revolução Russa, que deixou a polícia e o juiz completamente atordoados, restando-lhes sempre a violência que despejaram contra Prestes, ela grita um Viva Luís Carlos Prestes. 


A bravura dos comunistas, que, mesmo enfrentando as mais duras adversidades, nunca deixaram de combater pela dignidade humana. O romance também a superficialidade e mesquinhez da pequena burguesia, preocupada com os salões de festas, champanhe, luxos e em garantir que a violência contra o povo não coloque em risco seus privilégios.


Subterrâneos da liberdade é uma leitura obrigatória para entender como a negação da luta revolucionária se apoderou de grupos ditos de esquerda, pequenos burgueses, que agem de acordo com o programado pelos verdadeiros donos do poder, o imperialismo e seus agentes internos.


Se Jorge Amado renegou o livro, o problema é dele, pois esta obra é magnifica, gloriosa, um clássico da literatura universal, sintetiza a resistência e utopia de todos os povos na busca da plena liberdade, da verdadeira dignidade e emancipação humana. 


Viva Luís Carlos Prestes!


PS. Subterrâneos da liberdade é um romance, ficção que reproduz a realidade de um período de 5 anos do Estado Novo, mas que tem tudo a ver com os dias atuais. Leitura necessária.


O AUTOR

PEDRO CESAR BATISTA

jornalista, escritor e poeta. Secretário Executivo do Comitê Antiimperialista General Abreu e Lima. E-mail: pcbatis@gmail.com

***