Órgão Oficial da Liga Marxista Internacional. Direção editorial: Roberto Bergoci. Nasce preocupado com os caminhos do proletariado em geral, porém, especialmente, o brasileiro.
sábado, 22 de junho de 2024
NOITE LONGA * Pedro Cesar Batista/DF
quarta-feira, 20 de setembro de 2023
SIMPÓSIO INTERNACIONAL RUBEN DARIO EL ARCHICO Y LA VIDA * Observatório Proletários/Brasil
SIMPÓSIO INTERNACIONAL RUBEN DARIO EL ARCHICO Y LA VIDA
domingo, 3 de outubro de 2021
As três mortes de Chê Guevara * Flavio Tavares / RS
AS TRÊS MORTES DE CHÊ GUEVARA
As mortes de Che Guevara: 1. O disparo em Cuba 2. A agonia no Congo 3. A execução na Bolívia O título deste livro não resume só uma imagem ou metáfora: quando um sargento boliviano, trêmulo e sob o estímulo da aguardente, metralhou o prisioneiro ferido, Che Guevara já estava morto havia muito. Começou a morrer em Cuba e agonizou no Congo. É o que se relata aqui, com base em pesquisas e testemunhos que remontam a 1961, quando Flávio Tavares conheceu Ernesto Che Guevara, ao cobrir, como jornalista, a Conferência Econômica da OEA, em Punta del Este. Meio século após a execução de 1967, o mito ressurge numa nova história concreta, narrada a partir de depoimentos da mãe, dona Celia, do comandante Benigno (que lutou a seu lado em Cuba, no Congo e na Bolívia), de um coronel boliviano que combateu a guerrilha e de um major aprisionado pelos guerrilheiros, além de outros. Este livro penetra num terreno oculto que as biografias de Che Guevara não abordam: por que ele deixa Cuba e vai ao Congo, depois à Bolívia, em improvisações que o levam ao fracasso? As respostas aqui estão, no ritmo profundo e leve que deu a Flávio Tavares o Prêmio Jabuti em 2000 e 2005 e fez dois grandes escritores do século XX elogiarem Memórias do esquecimento, seu livro inicial.
quarta-feira, 16 de junho de 2021
BIOGRAFIA DE ERNESTO CHE GUEVARA A 93 AÑOS DE SU NATALICIO * Ricardo De La Cruz / VE
BIOGRAFIA DE ERNESTO CHE GUEVARA A 93 AÑOS DE SU NATALICIO
Ernesto Guevara De La Serna, mas conocido como Ernesto Che Guevara nació en Rosario,Argentina Provincia de Santa Fé el 14 de Junio de 1928, hijo de Ernesto Guevara Lynch y Celia De La Serna nacio en el seno de una familia humilde.
Ernesto Che Guevara, fue medico, graduado en la Universidad de Buenos Aires en 1947, estuvo en conpañía de Alberto Granado en pleno viaje desde Mexico hasta Argentina.
En 1955, el Che Guevara conocía a nuestro líder histórico de nuestra Revolución Cubana Fidel Castro Ruz, luego de haber encabezado la Toma del Cuartel Moncada el 26 de Julio de 1953.
El 2 de Diciembre de 1956, El Che Guecara junto con Fidel,Raúl,Camilo Cienfuegos,Melba Hernández,Ramiro Valdés,Aidee Santamaria eran 82 tripulantes del desembarco del yate Granma.
En 1957, El Che junto con Fidel y sus hombres estaban en la provincia de Sierra Maestra dándole losnúltimos detalles para derrocar la dictadura del Gemeral Fulgencio Batista que era aliado de los yankees.
Trás la huída de Batista el 28 de Diciembre de 1958,Fidel junto con el Che,Camilo Cienfuegos Raúl lograban tomar las provincias y entraron hasta La Habana el 1 de Enero de 1959 donde triunfa nuestra Revolución Cubana y fue Ministro de Industria nombrado por Fidel Castro Ruz.
En octubre de 1962,Ernesto Che Guevara denunciaba sovre la crisis de los misiles, conocía al líder sovietico Nikita Krushev.
En 1964,Ernesto Che Guevara participa en la Asamblea General de las Naciones Unidas, rechazando al imperialismo yankee y en apoyo al pueblo heroico de Vietnam.
En 1965 Ernesto Che Guevara escribía una carta de despedida a Fidel y de ahí pierde la nacionalidad cubana y se dirigía hacia él Sur del continente y llegaba a Bolivia para luchar contra la dictadura del General René Barrientos.
El 8 de Octubre de 1967, Ernesto Che Guevara es detenido en el Higuerote y posteriormente lo asesinan a manos de la CIA para tumbar la dictadura del General Barrientos.
Fidel le decía un discurso de despedida para el Che Guevara:
"Si queremos expresar como han surgido a las nuevas generaciones queremos que sean como el Ché.
Los hombres y las mujeres ,los niños y los jovenes seguimos el ejemplo que sean como el Che".
El legado de Ernesto Che Guevara está mas vigente que nunca en los rincones de América Latina y El Caribe por siempre y para siempre!!
Que Viva Ernesto Che Guevara !!
Que Viva Fidel Que Viva Raúl!!
Que Viva Camilo Cienfuegos!!
Que Viva Melva Hernandez Viva Ramiro Valdés!!
Que Viva José Martí!!
Que Viva Miguel Diaz Canel-Bermudez!!
Que Viva Simón Bolívar!!
Que Viva Nuestro Comandante Hugo Rafael Chávez Frías!!
Que Viva Nuestro Presidente Nicolás Maduro Moros!!!
Que Viva Augusto César Sandino!!
Que Viva Comandante Daniel Ortega Saavedra!!
Que Viva Rosario Murillo!!
Que Viva Evo Morales Que Viva Luis Arce!!
Que Viva La Patria Grande!!
Que Viva Nuestra Revolución Bolivariana!!
Que Viva Nuestra Revolución Cubana!!
Que Viva Nuestra Revolución Popular Sandinista!!
Que Viva Nuestra Revolución Democrática y Cultural!!
Abajo el imperialismo yankee!!
Viva El Socialismo Bolivariano del Siglo XXI!!
LEALES SIEMPRE TRAIDORES NUNCA!!
INDEPENDENCIA Y PATRIA SOCIALISTA!!
VIVIREMOS Y VENCEREMOS !!
HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!
PALABRA QUE SI!!
Redactado por: Ricardo Julio De La Cruz Castro.
Dirigente Revolucionario,Bolivariano,Martiano,Guevarista,Feminista,Humanista,Antiimperialista,Chavista de verďad de verdad, Solidario,Activo,Disciplinado.
sábado, 17 de abril de 2021
Marx - uma biografia em quadrinhos * Corinne Maier / Anne Simon
Marx - uma biografia em quadrinhos Capa comum – 19 janeiro 2018 Edição Português por Corinne Maier (Autor), Anne Simon (Autor) - No ano do bicentenário de nascimento de um dos maiores filósofos de todos os tempos, a Boitempo lança um novo título pelo selo Barricada, Marx: uma biografia em quadrinhos, da suíça Corinne Maier e da francesa Anne Simon. A HQ aborda a vida e as principais ideias do filósofo alemão, que sonhou com um mundo livre da exploração, da desigualdade e do desemprego. Além de explicar de forma leve e bem humorada conceitos como capitalismo e luta de classes, a graphic novel passa por episódios marcantes na vida de Marx, como a redação do Manifesto Comunista e a influência do pensamento de Hegel em seu desenvolvimento intelectual.
sábado, 23 de janeiro de 2021
Leonel Brizola, um patriota e revolucionário * Aurélio Fernandes / RJ
Leonel Brizola, um patriota e revolucionário
21/06/2004, Rio de Janeiro
Por Aurelio Fernandes*
Novas ilhas, novos rios, novos vulcões fazem de nosso
continente uma nova geografia.
Queremos nova agricultura, outras forças juvenis, uma
sociedade mais pura, novos protagonistas da história, que
está nascendo e que temos o dever de construir.
Quem pode estar contra a nova vida?
Celebremos a chegada de Leonel Brizola no cenário da
América como uma deslumbrante encarnação de nossas
esperanças.
Estamos cansados da rotina de miséria, de ignorância, de
injustiça econômica.
Abramos o caminho àquele que encarna hoje a possível
construção do futuro. Pablo Neruda - 1959
Brizola foi uma das grandes lideranças nacionalistas revolucionárias do Brasil no final do século XX e no limiar do século XXI. Caracterizou sua atuação política pela crítica impiedosa ao modelo econômico do capitalismo dependente e suas perdas internacionais e a concentração do poder dos meios de comunicação de massa. Personificou a radicalização dos movimentos populares e classistas nas lutas populares pelas chamadas “reformas de base” na primeira metade da década de 60 no período imediatamente anterior ao Golpe de 64 e a defesa de um desenvolvimento nacional voltado para as maiorias dentro de uma perspectiva socialista.
Oriundo de uma família de camponeses pobres do interior do Rio Grande do Sul, viaja aos 12 anos para a cidade de Porto Alegre, onde concilia vários empregos – jardineiro, vendedor, topógrafo, etc – com os estudos, conseguindo se formar em Engenharia em 1949, aos 27 anos. Em 1945 filia-se ao Partido Trabalhista Brasileiro - PTB - atuando em sua juventude, Ala Moça do PTB, e elegendo-se deputado estadual em 1947. Aproxima-se das lideranças políticas de Getúlio Vargas, líder histórico do trabalhismo brasileiro e de João Goulart, futuro presidente do Brasil, casando com sua irmã, Neusa Goulart, que conheceu como militante na juventude do PTB.
Em 1951, Leonel Brizola sofre uma grande derrota política ao perder a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre devido a divisões internas no PTB. Em 1952 é nomeado Secretário de Obras do Rio Grande do Sul e retorna à Assembléia Legislativa daquele estado em 1954. No ano seguinte, disputa novamente a Prefeitura da capital gaúcha. Desta vez, vence a eleição e desenvolve um governo identificado com políticas voltadas para a educação popular, o saneamento, o transporte público e apoiado pela maioria da população.
Como reflexo de sua atuação na prefeitura, Brizola não teve nenhuma dificuldade nas eleições de 1958, quando se elegeu governador do Rio Grande do Sul com mais de 55% dos votos válidos. Marca sua gestão pelo compromisso com a educação, construindo mais de 6000 escolas, e pela
implementação de políticas baseadas na lógica de desenvolvimento voltada para as maiorias, que o levou a enfrentamentos diretos com multinacionais estadunidenses localizadas naquele estado. Seu governo criou a Caixa Econômica Estadual e conquistou o controle acionário do Banco do Rio Grande do Sul. Criou a empresa mista Aços Finos Piratini, articulou a instalação da Refinaria de Petróleo Alberto Pasqualini e estatizou a Companhia Rio Grandense de Telecomunicações, subsidiária da multinacional estadunidense International Telephone and Telegraph (ITT), e a Companhia de Energia Elétrica Riograndense, filial da multinacional estadunidense American and Foreign Power Company. Essas encampações foram consideradas pelo governo estadunidense um precedente muito perigoso na América Latina e um mau exemplo para Cuba, que ainda não nacionalizara nenhuma empresa estrangeira. O presidente Kennedy declara: esse homem não é um amigo dos Estados Unidos.
Além disso, incentivou a ampliação da mobilização popular no sentido de ampliar os limites da democracia representativa. Ao assumir o governo, Brizola foi à sede do Departamento de Ordem Política e Social e ordenou a queima dos fichários políticos e de todo o arquivo da polícia política. Durante seu governo sindicatos, associações de moradores, bairros e vilas, agricultores sem terra, professores e estudantes tiveram seus direitos democráticos e constitucionais garantidos. Brizola cria a Secretaria do Trabalho com o objetivo de garantir o direito dos trabalhadores e implementa a reforma agrária estimulando a formação do Movimento dos Agricultores Sem Terra – Máster.
Em 1961 participa da delegação brasileira na Conferência da Organização dos Estados Americanos, em Punta del Leste, Uruguai, onde conhece Ernesto “Che” Guevara. Durante o evento, Brizola é o único delegado a aplaudir, de forma entusiasta, a intervenção de Che quando este denuncia o papel do imperialismo estadunidense na América Latina. Brizola rompe com a delegação brasileira quando esta apóia a resolução contra Cuba, mas não parte de Punta sem antes se despedir de Che.
Posteriormente, em agosto, quando da renúncia do Presidente Jânio Quadros, Brizola lidera um movimento de resistência à tentativa golpista de impedir a posse constitucional do Vice presidente João Goulart, que se encontrava fora do país em visita à Republica Popular da China. Através da “cadeia da legalidade”, Brizola convoca o povo brasileiro a resistir ao golpe. O III Exército, o mais poderoso do país, adere à resistência democrática, milhares de pessoas em todo o país se mobilizam para a resistência e em Porto Alegre Brizola distribui armas ao povo. A firmeza de Brizola e o crescente apoio popular e militar à legalidade, retardou a conspiração da direita e garantiu a posse de João Goulart.
A “Campanha da Legalidade” fez de Brizola um líder nacional. Em 1962, pela primeira vez, Brizola foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, com uma votação recorde - 269 mil votos (cerca de 1/3 dos votos válidos). Como deputado federal, atuou veementemente na defesa da implantação da reforma agrária e pela distribuição de renda no Brasil. Seu mandato foi marcado pela articulação da Frente de Mobilização Popular, formada por parlamentares, sindicalistas, estudantes, militares nacionalistas, camponeses obres e sem terra, dirigentes comunitários dos vários movimentos sociais e políticos populares e classistas, que tinha como principal objetivo pressionar para a realização das Reformas de Base que incluíam fundamentalmente a reforma agrária, a reforma bancária, a restrição a remessa de lucros, o combate a especulação imobiliária e a reforma universitária.
Ao observar a resistência dos conservadores e do imperialismo estadunidense às transformações em curso, Brizola convoca, através de uma rede de programas de rádio e do jornal Panfleto, o povo a se organizar em Grupos de Onze em defesa das Reformas de Base. Nos Grupos de Onze se encontram lutadores e lutadoras sociais das mais variadas organizações de esquerda - comunistas, socialistas e nacionalistas revolucionários dos mais variados matizes – que iniciaram
um embrionário processo de construção de uma vanguarda compartida da revolução brasileira em torno ao jornal Panfleto.
Uma vanguarda, liderada por Brizola, que na luta pelas Reformas de Base radicaliza as bandeiras de afirmação nacional do nacionalismo - o protecionismo à indústria, a intervenção estatal, a formação do mercado interno, a democracia política e social - dentro de uma visão antiimperialista, revolucionária e popular e sustenta e aprofunda as lutas por uma transformação social de caráter estrutural e de orientação socializante capaz de abrir caminho para o poder popular e para o socialismo.
No Comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964, Brizola defende a convocação de Assembléia Constituinte de operários, camponeses, sargentos, marinheiros e homens autenticamente identificados com as Reformas de Base que substituísse o Congresso reacionário e abertamente golpista. Porém, a dinâmica golpista foi mais rápida e o confronto entre este projeto de desenvolvimento voltado para as maiorias e os interesses das classes dominantes e do imperialismo norte-americano resultou na instauração do regime militar.
Brizola propõe a Jango que o nomeie Ministro da Justiça e ao General Ladário Telles Ministro da Guerra para coordenar a resistência. Mas Jango descarta essa possibilidade e desarticula o apelo legalista que ainda existia na oficialidade e nas massas populares. Com a deposição do presidente João Goulart pelo Golpe de 1964, Leonel Brizola cai na clandestinidade antes de partir para o exílio no Uruguai. Aos 42 anos vai viver o mais longo exílio vivido por um político brasileiro.
Nos primeiros anos de exílio Brizola e outros remanescentes dos Grupos de Onze organizam o Movimento Nacionalista Revolucionário, uma tentativa de resistência armada ao regime. A derrota da tentativa de insurreição popular no Rio Grande do Sul e das guerrilhas de Uberlândia e Caparaó demonstraram o quanto o campo popular estava desarticulado pela repressão e fez com que Brizola, que desde o início não acreditava na tese foquista e defendia a tese de insurreição popular, abandonasse a tese de luta armada contra o regime.
Em 1978, o presidente-general Ernesto Geisel inicia a estratégia de “abertura, lenta, gradual e segura” pela qual tudo “mudaria” para que não ocorressem mudanças profundas na estrutura de poder e no modelo econômico do país. A linha dura do regime montou uma lista negra proibindo o retorno de oito exilados: Brizola, Luís Carlos Prestes, Miguel Arraes, Paulo Freire, Francisco Julião, Paulo Shilling, Márcio Moreira Alves e Gregório Bezerra.
Esta lista indicava aquelas lideranças políticas que encarnavam de modo explícito a alegação dos setores de linha dura que afirmavam que seu retorno poderia levar o Brasil de volta à situação de “caos e subversão” que redundou no golpe militar de 64. Somente com a vitória da campanha da anistia Brizola retorna ao Brasil.
As vésperas da anistia Brizola se exila nos Estados Unidos e começa a articular dentro e fora do Brasil um leque expressivo de lutadores e lutadoras sociais e políticos em torno da proposta de retomada da sigla PTB. Isso resultou no Encontro de Lisboa, em junho de 1979, onde os adeptos do projeto de refundação do PTB assumiram claramente a perspectiva do trabalhismo como caminho brasileiro para uma sociedade democrática e socialista. Esta articulação reunia desde deputados estaduais, federais e senadores do MDB, até militantes oriundos de organizações da nova esquerda que se envolveram na luta armada contra a ditadura a partir do AI-5, passando por militantes dissidentes do PCB, do velho PSB, até aqueles oriundos das primeiras tentativas de resistência armada em Caparaó e Uberlândia.
O PTB seria um partido que herdaria as tradições do nacionalismo democrático, mas as modernizaria e as superaria, propondo claramente o socialismo como meta. Um partido popular que se regeria por princípios democráticos, por militância ativa e permanente e que rejeitaria ser uma simples sigla eleitoral.
O perigo de uma sigla com profundo referencial na consciência popular nas mãos de uma liderança popular como Leonel Brizola, protagonista e liderança das lutas populares pelas reformas de base fez com que a ditadura militar, através de artifícios jurídicos, entregasse a sigla para políticos profissionais conservadores, levando Brizola a fundar o Partido Democrático Trabalhista que assumiu a continuidade do projeto histórico do velho PTB.
Brizola foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1982 e sua primeira administração foi marcada pelo investimento de cerca de 40% do orçamento para a criação de 500 CIEP’s, os Centros Integrados de Educação Pública, baseados em um projeto pedagógico integral e renovador que foram idealizados por Darcy Ribeiro, com prédios projetados por Oscar Niemeyer e chamados por Paulo Freire de maior projeto educacional da América Latina. Além disso, Brizola assume uma política de defesa dos direitos humanos das populações pobres do estado e investe na defesa dos direitos dessas maiorias investindo nas mais variadas políticas públicas nas áreas de favelas. O povo do Rio de Janeiro apelida esses centros integrados de Brizolões.
Em 1984, Brizola se engaja na campanha nacional por eleições diretas para a presidência, a campanha das Diretas-Já, organizando o maior comício dessa campanha no estado do Rio de Janeiro. O projeto é derrotado em um Congresso Nacional conservador e, apenas em 1989, Brizola participa da primeira eleição direta à Presidência da República no Brasil desde o golpe militar de 1964, ficando em terceiro lugar, com uma diferença de 0,5% da votação nacional para Lula. No segundo turno apóia Lula, que foi derrotado por Fernando Collor.
Com posições firmes em defesa dos interesses do povo trabalhador, sempre defendendo a soberania nacional e denunciando a concentração dos meios de comunicação de massa, no ano seguinte, pela segunda vez, Brizola conquista o governo do Rio de Janeiro. Cria a Secretaria Extraordinária de Programas Especiais retomando a política educacional baseada nos CIEP’s e apostando no aprofundamento de seu aspecto político-pedagógico. Compromissado com a formulação e implementação de políticas públicas de combate à discriminação racial e de ação compensatória na defesa das populações discriminadas cria a Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Negras – SEDEPRON.
Brizola disputou novamente a Presidência da República em 94, mas desgastado principalmente por uma campanha difamatória sistemática da Rede Globo - que tem o monopólio dos meios de comunicação no Brasil - contra seu segundo governo no Rio de Janeiro e pelo ascenso do pensamento neoliberal, obtém apenas 3,2% dos votos válidos. Seu partido, o PDT, passa por um processo de lutas internas pelo qual outras lideranças partidárias, influenciadas pelo neoliberalismo, tentam levar o partido a se “modernizar” em uma perspectiva de ruptura com seu projeto histórico nacional, popular e antiimperialista e enfrentam a obstinação de Brizola na defesa desse projeto.
Após realizar campanha sistemática contra as privatizações e as políticas neoliberais do Governo Fernando Henrique (1995 a 2002), Brizola foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva em 1998. Os eleitores brasileiros conduziram Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Em 2000, aos 78 anos, com seu partido totalmente tomado pelas lutas internas vê-se obrigado a disputar a importante prefeitura do Rio de Janeiro e é derrotado.
Nesse período questiona a implantação das urnas eletrônicas no processo eleitoral, pois tendo sido vitima de uma tentativa de fraude eletrônica na totalização dos votos em 82, espanta-se com a facilidade com que é aceita a implantação das urnas eletrônicas sem que o voto seja impresso. Brizola sustenta que a não existência do voto impresso inviabiliza a possibilidade de realizar efetivas auditorias que garantam a transparência e a lisura do processo.
Em 2002, critico dos posicionamentos centristas do PT, articula uma Frente Trabalhista como alternativa às candidaturas de Lula e José Serra e disputa a eleição para o senado no Rio de
Janeiro, perdendo para o candidato apoiado pelas seitas pentecostais. No segundo turno apóia Lula de forma entusiasta, mas imediatamente se frusta perante a indicação de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston e deputado federal eleito pelo PSDB, para o Banco Central, e com a continuidade do essencial da política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. No primeiro semestre de 2003, capitaneado por Brizola, o PDT rompe com o Governo Lula e aprofunda suas criticas à continuidade do modelo econômico neoliberal.
No dia 21 de Junho de 2004 Brizola morre de infarto no Rio de Janeiro. Um dia antes articulava em sua casa apoios à candidatura do PDT à prefeitura do Rio de Janeiro. Em seu enterro ocorreram manifestações populares massivas de pesar no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul com palavras de ordem do tipo “Brizola guerreiro do povo brasileiro” ou “Se Cuba tem Fidel, o Brasil tem Leonel”. Essas manifestações representaram o reconhecimento de um líder nacionalista de esquerda que, por manter sua biografia fiel aos interesses populares e nacionais, foi cerceado de todas as formas para não alcançar a Presidência.
Segundo o jornal espanhol El Pais, “O velho leão da esquerda brasileira morreu na segunda feira no Rio” Na Grã-Bretanha, o jornal The Independent publicou: “Brizola foi o defensor dos mais pobres entre os pobres do Brasil”. Fidel Castro, lamentou a morte de Brizola: "Em tempos difíceis como os que a humanidade enfrenta atualmente, Brizola será referência obrigatória para os lutadores nacionalistas e antiimperialistas", dizendo ainda que Brizola "desde muito jovem se destacou pelas suas firmes posições nacionalistas e foi, sem dúvida nenhuma, um dos precursores do avanço político e democrático presente hoje no Brasil".
A biografia patriótica e revolucionária de Brizola nos torna conscientes de que para romper os laços que submetem as nações e a população brasileira e latino-americana à exploração e à opressão do grande capital será inevitável o choque frontal com o imperialismo, e que somente avançando - e não recuando ou conciliando - poderemos defender e aprofundar as conquistas populares no Brasil e em todo o continente latino-americano.



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