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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

A GUERRA É A RESULTANTE GENOCIDA DA LÓGICA DESTRUTIVA DO CAPITAL * Dalton Rosado / CE


A GUERRA É A RESULTANTE GENOCIDA DA LÓGICA DESTRUTIVA DO CAPITAL

PARTE 1

FETICHISMO DA MERCADORIA, A
TRAGÉDIA NO SEU ÚLTIMO ATO

"O fetichismo da mercadoria significa algo mais geral: em essência, um sistema, que Marx chamou de sujeito autônomo que
reina supremo e no qual os humanos são os servos da
economia que eles mesmos criaram e que
aparece diante deles como uma
força independente"
(Anselm Jappe)

Karl Marx usou o termo fetichismo da mercadoria para fazer uma analogia do modo de produção capitalista com os totens de pedra australianos que eram erigidos e adorados pelos aborígenes.

Diante deles eram sacrificadas vidas humanas (as crianças mais belas da comunidade) para se pedir cura de doenças e a chegada das chuvas.

A subordinação fetichista dos aborígenes aos totens por eles mesmos esculpidos encontra um paralelo nas regras da mediação social regida pela produção de mercadorias sujeitando os seres humanos à sua lógica destrutiva (da sociedade e da natureza) e autodestrutiva da própria forma. Coisas que ganham vida e regem as nossas vidas.

Tal como os totens que as intempéries decompunham ao longo do tempo (tudo que é sólido desmancha no ar, disse Marx), pari passu à destruição social e do meio ambiente, a lógica da produção de mercadorias agora se decompõe por haver encontrado o seu ponto de saturação interno e externo.

A segregação social escravista odiosa que tem sido imposta nos últimos milênios somente pôde subjugar os escravizados pela força dos chicotes, ferros e espadas dos escravizadores, o que levou à criação dos exércitos regulares, com o principal e substancial reforço das armas de fogo.

Uma visão artística do fetichismo da mercadoria é dada
em Cidadão Kane: a essência humana do magnata
esvai-se entre os tesouros da humanidade que amontoa

Daí surgiu a necessidade de se introduzirem soldos militares para renumerar os profissionais da guerra, tornando a mediação social pelo dinheiro uma exigência política e econômica governamental.

O capital é genocida. A guerra, que ganhou impulso sob o capital, é a resultante genocida de sua lógica destrutiva.

A política institucional é, portanto, um instrumento da opressão e não um fórum livre do debate de ideias; e se constitui na letal, submissa e moderna resultante das relações econômicas estabelecidas pelo sistema produtor de mercadorias.

Não há boa política institucional, justamente porque não há como submeter-se a economia à política, razão pela qual os partidos que se dizem anticapitalistas mais não fazem do que enxugar gelo e perpetuar, consciente ou inconscientemente, o fetichismo da mercadoria (do qual são dependentes).

O sujeito autônomo e automático do capital reina soberano sobre as consciências humanas, submetendo-as.

Mas, como não há mal que dure para sempre, eis que é chegado agora o momento de atingimento do limite interno do sistema.

Embora cultuado por todos (ultradireita, direita, centro, centro-esquerda, sociais-democratas, marxistas tradicionais, etc.) os disputantes do poder político decrépito que lhe dá sustentação, o sistema produtor de mercadorias alcança agora o ponto a partir do qual se torna inviável.

Cada vez mais o descrédito corrói o processo eleitoral manipulado que dá de acesso a um poder segregacionista estatal, ao mesmo tempo opressor do povo porque obediente a uma lógica opressora do capital.


A política, expressão institucional do capital, vai escancarando a sua ineficácia como solução para a inconciliável contradição entre forma e conteúdo da relação social capitalista.

Desmorona o castelo de cartas sob o qual se abriga a política.

Patrões e trabalhadores se digladiam numa luta inglória pelo dinheiro. Os primeiros buscando o lucro que lhes escapa. Os segundos pelos salários que diminuem gradualmente ou desaparecem, seja:
— pela inflação;
— pela perda de direitos;
— pela substituição de mão-de-obra mais barata nas regiões mais pobres do planeta; ou, ainda,
— pelo desemprego estrutural.

As associações de classes patronais usam seus representantes políticos (em maiorias parlamentares eternas) para a justificação indefensável das perdas de direitos civis e trabalhistas (vide a reforma de previdência social no Brasil, proposta que, aliás, havia sido em 2003 a razão da cisão do PT e formação do Psol), em nome de um totem sagrado denominado sustentabilidade da relação social sob a forma-valor (dinheiro e mercadorias).

As associações de trabalhadores e os sindicatos pedem de joelhos a não-demissão de trabalhadores substituídos pelos robôs e máquinas de última geração, mesmo com a aceitação das perdas salariais crescentes.

Tal ocorre em razão da dificuldade de se chegar a bom termo de soluções de problemas em face de uma inviabilidade básica, estrutural, que não pode ser resolvida dentro dos marcos do capitalismo.

Não se trata de incrementar ou humanizar o capitalismo como solução social, mas sim de superá-lo como forma de relação social, adotando-se uma outra que venha a usar todo o saber científico e avanços tecnológicos em prol da humanidade, e não contra ela.

O capitalismo cava a sua própria sepultura (Marx).

O Dalton desta vez escolheu um novo intérprete, mais no estilo desta sua composição: o Amílcar Roqueiro.

PARTE 2

A GUERRA É A RESULTANTE GENOCIDA DA LÓGICA DESTRUTIVA DO CAPITAL

As charges são todas do imprescindível Jota Camelo

Foi o mesmo Marx quem disse nos Grundrisse (perdoem-me o eco) que, quando o trabalho vivo (dos assalariados) fosse substancialmente substituído pelo trabalho das máquinas, faria voar pelos ares toda a lógica do capital. Eis que estamos a presenciar o cumprimento do vaticínio de Marx.

Tal raciocínio decorre da conclusão marxiana de que somente o trabalho abstrato, produtor de mercadorias (e ele mesmo sendo uma mercadoria, pois os salários são expressos na mercadoria dinheiro) produz valor.

Então, quando um empresário, movido pela guerra concorrencial de mercado, substitui o trabalho vivo (dos assalariados) pelo trabalho morto (das máquinas), ele aumenta os seus lucros individualmente, mas provoca a diminuição do volume da massa de extração de mais-valia e de toda a massa de produção global de valor.


Consequentemente, a economia como um todo se deprime, seja sob a forma de impostos ou da reprodução vital da massa de valor global, e vê reduzida a sua capacidade de irrigação da máquina social. Disto resulta uma série de problemas insolúveis, quais sejam:
— crescimento da dívida pública como forma de fazer face à queda da receita fiscal e aumento dos gastos da máquina pública;
— redução drástica do atendimento das demandas sociais pelo Estado, cada vez mais endividado e pagando juros extorsivos (principalmente no caso dos países pobres, de moedas frágeis);
— redução da capacidade de indução pelo Estado do capital pela paralisia de obras de infraestrutura financiadas pelos impostos e taxas pagas pelo povo, como financiamentos, construção de estradas, de hidroelétricas e outras formas de produção de energia, de portos, aeroportos, etc.;
— emissão de moeda sem lastro, causadora de inflação que corrói os salários;
— desemprego estrutural, que reduz e elimina salários;
— redução da massa global de valor de consumo, apesar do barateamento das mercadorias (é desigual o sistema de compensação entre os dois fenômenos);
— concentração de rendas, pois somente as empresas capazes de fazer investimentos em capital fixo (das máquinas e instalações) em substituição ao capital variável (dos salários) podem sobrevier na guerra concorrencial de mercado;
— aumento da miséria social global, embora haja países que se beneficiem de tal fenômeno (é graças a isto que ocorrem as migrações para as diminutas ilhas de prosperidade);
— descrédito nas instituições estatais, principalmente as políticas;
— acentuação dos populismo de direita e de esquerda, que se apresentam como salvadores da pátria em movimentos pendulares;
— eclosão de guerras pontuais e ameaça de guerra mundial com uso de artefatos bélicos com alto poder de destruição (não nos esqueçamos de que as duas guerras mundiais do século passado foram frutos do acirramento das lutas por hegemonias econômicas resultantes da segunda revolução industrial fordista e suas depressões), etc., etc., etc.


Mas há um limite externo, de natureza ecológica, que se subdivide em três segmentos:
— exploração predatória dos recursos naturais minerais e vegetais;
— poluição dos mares, rios, lagoas, e lençóis freáticos; e
— emissão na atmosfera de gases poluentes que provocam o efeito estufa e o aquecimento global, bem como a seca e a desertificação de áreas outrora férteis.

O fetichismo da mercadoria, como lógica totalitária, quer justificar o injustificável, ou seja, em nome de falácias como manutenção de empregos, retomada do desenvolvimento econômico e desenvolvimento científico e tecnológico, nos obriga a aceitar todos os males do capital como se fossem males necessários.

Nós criamos o capital e a ele nos submetemos de modo suicida.

Só a nós cabe a tarefa de interromper a autofagia do sujeito automático da forma-valor, sua destrutibilidade e autodestrutibilidade, e somente com um processo de ação e conscientização social é que podemos conter esta marcha célere rumo à nossa própria destruição enquanto humanidade.

À tarefa, pois! (por Dalton Rosado)

sábado, 17 de abril de 2021

Marx - uma biografia em quadrinhos * Corinne Maier / Anne Simon

 

Marx - uma biografia em quadrinhos Capa comum – 19 janeiro 2018 Edição Português por Corinne Maier (Autor), Anne Simon (Autor) - No ano do bicentenário de nascimento de um dos maiores filósofos de todos os tempos, a Boitempo lança um novo título pelo selo Barricada, Marx: uma biografia em quadrinhos, da suíça Corinne Maier e da francesa Anne Simon. A HQ aborda a vida e as principais ideias do filósofo alemão, que sonhou com um mundo livre da exploração, da desigualdade e do desemprego. Além de explicar de forma leve e bem humorada conceitos como capitalismo e luta de classes, a graphic novel passa por episódios marcantes na vida de Marx, como a redação do Manifesto Comunista e a influência do pensamento de Hegel em seu desenvolvimento intelectual.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

COMUNISTAS, UNI-VOS! * Antonio Cabral Filho / RJ

COMUNISTAS, UNI-VOS!
Precisamos de uma nova concepção de esquerda. Melhor, precisamos desmistificar o que venha a ser esquerda nesse espectro de partidos burgueses que dão sustentação ao sistema capitalista, e, no entanto, se fazem passar por esquerda. Para tanto, contam com o beneplácito da imprensa “dita cuja”, que recebe muito bem para isso, ou seja, manter desinformada aquela camada de mentes massificadas necessária para o uso oportuno em benefício da dominação.

Essa esquerda vem contando ao longo da história, desde que Marx e Engels publicaram o Manifesto comunista, com a vaga idéia de que pelo fato de se denominar como tal, é o suficiente para desfrutar da credibilidade necessária na hora de manipular os oprimidos.

Lá no Manifesto Comunista está escrito que os comunistas participarão das eleições burguesas. Até aí... Mas esquerda é sinônimo de comunista? Claro que não. Para resolver isso, propagaram a palavra socialista. E em nome de uma denominação vaga, todo oportunismo tem castigado os oprimidos, os trabalhadores e demais camadas da sociedade capitalista. 

A pilantragem reside aí. Todo oportunista se faz passar por socialista. Se formos puxar pela história, vamos gastar muito fosfato para passarmos isso a limpo. Mas vamos limpar o campo. Basta diferenciarmos socialismo de comunismo. E o que é SOCIALISMO?

Bom, vamos historiar a nossa resposta, senão vão nos acusar de reducionismo. Vejamos a primeira revolução feita no mundo sob a marca do comunismo: A REVOLUÇÃO RUSSA. Ela foi comunista ou socialista? A bem da verdade, nem uma coisa nem a outra. Porque a simples tentativa de democratização das relações de poder após a tomada do aparato estatal em 1917, foi totalmente travada pela direção do POSDR – Partido Operário Social Democrata Russo, com a intervenção nos Conselhos Operários e Populares, os SOVIETS, decidindo quem poderia ou não fazer parte dos seus quadros. Esse foi o primeiro e primordial problema ocorrido na tenra revolução. O segundo foi quanto à gestão administrativa. Os SOVIETS não mandaram em nada. Todas as decisões saiam da cúpula montada pelo partido para cuidar disso. Esse foi o terreno fértil do qual saiu a NEP – Nova Política Econômica,

que deu rumos capitalistas à economia soviética, acusada em larga escala pela mídia burguesa de burocrática e estatal. E essa foi a grande contribuição do “estado soviético” para a caracterização do seu modus operandi como CAPITALISMO DE ESTADO.

A segunda experiência foi a China. Alguém tem dúvida de que é o mesmo modelo? Eu não tenho, até porque Mao foi beber na mão de Stálin.

A terceira experiência foi Cuba. Esta, desde a “crise dos mísseis”, ainda depende da ajuda externa. Não desenvolveu nada próprio. Sequer no campo militar e ainda agora não passa de uma feira de produtos de quinta vindos da China, que substituiu a URSS, em aliança com a Rússia.

Quer mais exemplos? Eu acho que basta. Em nenhum desses países, o povo decide coisa alguma, até porque o “cerco do imperialismo” funciona como espantalho para justificar a presença e repressão do “estado” a tudo que se imagina.

E aí, será que podemos perguntar: é socialismo ou comunismo? Nem uma coisa nem outra. Simplesmente capitalismo. 

No entanto, uma certa “esquerda” propaga uma carreta de valores sobre esses países. O poderio militar russo, o avanço tecnológico chinês, a saúde e a educação cubanas, justificam suas posturas pseudo-esquerdistas. Só que nada disso sustenta suas políticas de conciliação de classes nos países massacrados pelo imperialismo. Ser social-democrata lá na Europa, com os altos padrões de vida sustentados às custas das colônias, é fácil. Dizer-se socialista lá na França nas rodas intelectuais do quartier latim, é lindo. Dizer-se de esquerda por ser persona non grata nos EUA, dá voto. Mas tudo isso não vai além de um “aval” nas altas camadas gestoras do capital para ser nomeado gerente setorial das multinacionais em algum continente cheio de cobiças. A América Latina que o diga. Todos os dirigentes de esquerda dessa região são abonados por algum “Tio” europeu ou norte-americano.

Então? O que é socialismo? O que é comunismo? Para responder a isso, podemos ir aos livros, inclusive os manuais. Porque nem um nem o outro existiram até agora entre os viventes. O que chamam de socialismo, não passa de política de compensação, ou seja, o estado reduz a carga de impostos contanto que o empresariado invista em melhores condições de vida para a sociedade. Ora veja, ninguém precisa de Marx para resolver isso. Basta um Keynes. Políticas sociais sustentadas com os impostos arrecadados do setor privado só geram mais riqueza para o setor privado. E não vai além de um círculo vicioso. Ninguém precisa ser socialista nem comunista por causa disso. Qualquer populista de direita faz isso muito bem...e ainda chama patrão de companheiro.

Ao longo de toda a história política ocidental existem centenas de entidades, denominadas atualmente como ONGs, que são disfarces de partidos políticos, em sua maioria de direita. Mas a social-democracia não fica para trás. Sempre que um partido social-democrata chega ao governo, terceiriza um conjunto de serviços para suas entidades a fim de fazer caixa. Aí entram seus apaniguados, todos credenciados como “socialistas”, ou de “esquerda”. Há inclusive uns tipos que se empinam todos em posição de sentido com a mãozinha direita sobre o lado esquerdo do peito para cantar a Internacional e arrotam: “Sou comunista!”

Mas, e aí? Já podemos diferenciar quem é ESQUERDA de quem é COMUNISTA?

Vamos lá. Primeiro, o que conhecemos como ESQUERDA tem até folclore, e originado lá na França. E aconteceu porque no período da França revolucionária, os monarquistas e seus asseclas sentaram-se do lado direito do parlamento, arrastando consigo todos os estratos elitistas. Do outro lado, sentaram-se os restantes. Esses, reuniam diversos segmentos sócio-econômicos, tais como burgueses descontentes com os impostos, urbanos e rurais, pequenos ofícios e as camadas operárias. Ou seja, a ralé. Só que dentre ela tinha uma parte revolucionária, gente organizada e dirigida politicamente, pelo menos para aquele contexto: eram os Jacobinos. E assim, aquele lado em que se sentavam e atitude combativa dos Jacobinos ficaram conhecidas como uma posição política. Por isso, hoje, um bando de calça frouxa, fundilhos surrados, mãos-leves de todo tipo, se diz ESQUERDA, e até se ilustra com a palavra SOCIALISTA.

Quem não presenciou ainda um burguês gordo, corrupto e “flatolento”, gritando vivas ao socialismo? No Brasil, temos até o termo “socialaite” para se referir às burguesas mais boêmias. Mas e o que isso tudo chamado de ESQUERDA, SOCIALISMO tem a ver com ideologia? O socialismo seria uma caracterização ideológica? Será que as experiências denominadas socialistas são caracterizações ideológicas?

Vejamos: existem duas ideologias historicamente comprovadas, a capitalista e a comunista. Ambas se opõem em tudo que diz respeito à propriedade privada capitalista. Enquanto a ideologia capitalista defende a apropriação unilateral dos frutos do trabalha coletivo, a ideologia comunista propõe a distribuição desse resultado equitativamente. Daí resulta a grande questão, aonde entra o socialismo? Qual sua posição sobre a propriedade privada capitalista? Sabemos que o conceito comunista de revolução implica na expropriação da propriedade privada capitalista, e nas experiências “socialistas” conhecidas até agora tem havido, no máximo, somente uma troca de patrões. Então, qual é a essência de tais caracterizações?

E A ESQUERDA...

E em relação à esquerda nem vale a pena discutir, uma vez que a mesma se caracteriza, apenas, por fazer oposição dentro da ordem. A esquerda não existe fora da ordem burguesa, até porque isso não lhe interessa, senão ela deixaria de ser uma esquerda do sistema, dócil, adestrada, parlamentar, eleitoreira, e passaria a ser um instrumento de ruptura com o sistema capitalista, o que a transformaria numa força revolucionária a serviço do comunismo. Por isso, ninguém vai encontrar os ditos partidos de esquerda combatendo no campo da revolução proletária. Por isso, ser de esquerda virou moda, moda dos oportunistas, ludibriadores da massa explorada e oprimida, para arrumar mandatos às custas dela e nunca mais baterem cartão de ponto, nunca mais comerem marmita requentada ou viajarem de trem ou ônibus lotados, muito menos suarem suas camisas importadas às custas da peãozada. Dentre esses tipos há os que se dizem socialistas, diferenciando-se dos simplesmente de esquerda só para justificarem seus diplomas lá das universidades públicas bancadas com o suor do povo.

MAS DIZER-SE COMUNISTA...

Comunista, é coisa séria. É opor-se ao capitalismo, à propriedade privada capitalista, ao roubo da força de trabalho do operário, ao lucro fruto do roubo, enfim, opor-se à exploração do trabalho alheio. 

***

sábado, 22 de agosto de 2020

Os Limites Pós-Modernos das Idéias de Foucault * David García Colín Carrillo

*Os Limites Pós - Modernos das Idéias de Foucault

: uma crítica marxista

David García Colín Carrillo 21/08/2020

Michel Foucault foi um destacado filósofo francês do chamado pós-estruturalismo. Teve uma grande influência dentro da corrente pós-moderna de esquerda, entre a esquerda acadêmica e entre os ativistas de diversos movimentos, como o feminismo, o anarquismo e o neozapatismo. Muitos ativistas o veem como um complemento e mesmo como uma alternativa ao marxismo. No lugar da luta de classes, em que se baseia a política marxista, coloca “relações de poder”; no lugar da luta para abolir a exploração, coloca a “resistência”; o lugar do proletariado como sujeito revolucionário é ocupado por uma infinita rede de lutas particulares e isoladas contra o poder; em vez do materialismo histórico e do papel determinante das relações de produção, coloca-se o poder determinante do “discurso” na configuração do poder. Acreditamos que as proposições de Foucault de forma alguma constituem uma alternativa ao marxismo e que ambos são irreconciliáveis, como a água e o azeite. Trataremos de mostrar isso no presente artigo.

As confusas “relações de poder”

Foucault assinala que as relações humanas são determinadas por relações de poder que se configuram historicamente. Afirma que:

“As múltiplas relações de poder atravessam, caracterizam, constituem o corpo social; e estas não podem ser dissociadas, nem se estabelecer, nem funcionar sem uma produção, uma acumulação, uma circulação, um funcionamento do discurso”1.

Embora seja difícil encontrar uma definição precisa do que Foucault entende por “relações de poder”, poderíamos dizer que são relações de subordinação e domínio nas quais os participantes se enfrentam com diversas “estratégias de poder” e sob diferentes “relações de força”. A definição é tão abstrata que pode ser preenchida com qualquer um ou nenhum conteúdo de classe. Em outra parte, sustenta que “o poder não é justamente uma substância, um fluido, algo que brota disso ou daquilo, mas um conjunto de mecanismos e procedimentos, cujo papel ou função e tema, ainda que não o logrem, consistem precisamente em assegurar o poder”2. Uma formosa tautologia: o poder assegura o poder.
Para o marxismo, o poder, entendido como subordinação e domínio do homem pelo homem, tem sua origem na exploração do homem pelo homem. Ambas as formas não coincidem exatamente, mas se combinam. A exploração do trabalho alheio se combinou e se reforçou com a opressão da mulher, com a opressão de outros grupos sociais subordinados e mesmo com o racismo. As diversas formas de exploração: despótica, escravista, feudal e burguesa – e dentro delas, cada uma de suas formas histórico-concretas – configuraram, subsumiram e enfatizaram à sua maneira as diversas formas de opressão no interesse da classe dominante. No marxismo, não existe ambiguidade. Mais a frente regressaremos a este ponto.
Foucault concentrou sua atenção no estudo de como se manifestam as relações de poder em espaços como cárceres, hospitais e escolas; no contexto da cotidianidade. Supunha que o poder, antes de mais nada, se manifestava no contexto do cotidiano, contexto este que chamou de “microfísica do poder” ou de “capilaridade”. Assim, por exemplo, nos âmbitos da família existem “relações de poder” entre pais e filhos, marido e mulher, que se expressam em regras de como se devem comportar os indivíduos, regras essas em que se ocultam discursos de poder nos quais a mulher e as crianças são dominados pelo pai.

“Entre cada ponto do corpo social, entre um homem e uma mulher, em uma família, entre um professor e seu aluno, entre o que sabe e o que não sabe, passam relações de poder que não são a projeção pura e simples do grande poder do soberano sobre os indivíduos; são, melhor dizendo, o solo movediço e concreto sobre o qual esse poder se incorpora, as condições de possibilidade de seu funcionamento”3.

É como se o poder surgisse diretamente das relações individuais, como uma manifestação imediata da própria socialização humana.
Foucault realizou estudos sobre como se exerciam a pena e o castigo durante a época das monarquias absolutistas e como mudaram com a idade moderna. No primeiro caso, o castigo era brutal: torturas e suplícios, como ser queimado em praça pública pela Inquisição; essa forma de castigo expressava o poder do monarca com todo o seu despotismo absoluto. Na época da Ilustração, o castigo se tornou mais “racional”, marcado pelos critérios próprios de eficiência das ideias ilustradas, que terminaram se expressando, por exemplo, no projeto e operação das prisões modernas que controlam e administram racionalmente até os corpos dos “delinquentes”.
Foucault assinala que: “O momento em que se percebe que era, segundo a economia do poder, mais eficaz e mais rentável vigiar do que castigar. Este momento corresponde à formação, ao mesmo tempo rápida e lenta, de um novo tipo de exercício do poder no século XVIII e inícios do século XIX”4. Ademais, Foucault deu relevo aos “saberes” ou teorias que se expressam nas instituições mentais, teorias que separam os “sãos” dos “loucos”. Para Foucault, todo saber expressa uma intenção de poder. Foucault tende a visualizar a sociedade como um imenso cárcere, em que, de alguma forma, todos somos presidiários e carcereiros observados na “sala de controle” do poder.

“A delinquência, com os agentes ocultos que a buscam, mas também com o rastreio generalizado que autoriza, constitui um meio de vigilância perpétua sobre a população: um aparato que permite controlar, através dos próprios delinquentes, todo o campo social”5.

É evidente a aproximação Orwelliana.

Todos somos opressores

Mas, ao contrário da distopia de Orwell, o poder, em Foucault, está descentralizado, ou seja, que todo indivíduo é um agente ativo e passivo dele e inclusive as duas coisas ao mesmo tempo. O poder, segundo Foucault, é mais exercido que possuído. Essa ênfase no poder e em sua onipresença foi, sem dúvida, resultado do efeito duplo da derrota do movimento dos trabalhadores depois do Maio francês – nas mãos da burocracia reformista e stalinista que o traiu – como também da espantosa burocracia russa que traiu a Revolução de Outubro. A afinidade com o anarquismo é evidente em sua obscura concepção do poder em geral. Foucault, na realidade, não entendeu Marx e o confundiu com o stalinismo e os horrorosos manuais stalinistas, ou o combateu na forma da caricatura mecânica e escolástica como o expôs Althusser. À pergunta “Está alinhado com a posição marxista?” Foucault respondeu de forma sincera:

“Não o sei. Verás, não estou seguro de saber o que é o marxismo e não creio que exista como algo abstrato. De forma que, quando mencionas o marxismo, te pergunto a qual marxismo te referes […] Em outras palavras, não sei o que é o marxismo. Tento lutar com os objetos de minha própria análise, razão por que, quando uso um conceito utilizado por Marx ou pelos marxistas, um conceito útil e tolerável, para mim é indiferente. Sempre me neguei a considerar como fator decisivo estar ou não de acordo com o marxismo na hora de negar ou aceitar o que digo. Não poderia me importar menos”6.

Ou seja, a derrota política de 1968 significou para Foucault a impossibilidade virtual de realizar o comunismo, por mais desejável que este fosse:

“Na realidade, há duas espécies de utopias: as utopias proletárias socialistas, que gozam da propriedade de não se realizar nunca, e as utopias capitalistas que, infelizmente, tendem a se realizar com muita frequência”7.

Os estudos de Foucault sobre as formas históricas de exercício do poder e das ideologias que expressam não carecem de interesse. Vigiar e castigar é, sem dúvida, sua obra mais sólida em termos de sua documentação. No entanto, sua visão é superficial ao não explicar a origem e o conteúdo do poder e se limitar ao nível descritivo. O próprio Foucault confessa de certa forma essa superficialidade:

“Tratava-se de não analisar o poder no plano da intenção ou da decisão, de não procurar tomá-lo pelo lado interno, de não propor a questão (que acredito ser labiríntica e sem saída) que consiste em dizer: quem tem, então, o poder?, que tem na cabeça?, que busca quem tem o poder? Havia que se estudar o poder, ao contrário, pelo lado de sua intenção – se ela existe – se ela se investe completamente dentro de práticas reais e efetivas; estudá-lo, de certo modo, pelo lado de sua cara externa”8.

Foucault está obcecado em saber como se manifesta o poder, mas não sabe como surge porque, para ele, está sempre presente como uma manifestação metafísica. Embora Foucault assinale, incidentalmente, que as formas de pena e castigo da modernidade correspondem à ascensão da burguesia, a tendência geral de seu pensamento é explicar o poder como manifestação de um discurso que expressa “relações de poder”. “O discurso não é simplesmente aquele que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquele pelo qual, e por meio do qual se luta, aquele poder que se deseja conquistar”9. Estamos diante de um círculo vicioso que se remete do poder ao discurso e vice-versa. Isto é idealismo ou a corrente que explica a realidade por meio das ideias. O marxismo, pelo contrário, explica a sociedade a partir da realidade material e das relações sociais objetivas que se transformam historicamente. O marxismo, em sua essência, é materialista-dialético, o contraste não poderia ser mais nítido. Marx e Engels criticaram os filósofos especulativos que realizam:

“a arte de converter as cadeias reais e objetivas, que existem fora de mim, em cadeias dotadas de uma existência puramente ideal, puramente subjetiva, que ocorre somente em mim e, portanto, todas as lutas externas, sensíveis, em puras lutas especulativas”10.

É verdade que Foucault não omite o caráter histórico dessas relações de poder, mas, ao torná-las parte imanente das relações humanas, as eterniza. Foucault vê “relações de poder” em todas as partes e em todas as épocas, e a tarefa do investigador, desde o seu ponto de vista, é explicar como se manifestam na superfície. Para Foucault, somos todos sujeitos dessas relações, somos opressores e oprimidos ao mesmo tempo: o operário pelo burguês, a esposa pelo operário, os filhos pelos pais. O poder é uma “malha” hipostasiada ou inchada da qual todos fazemos parte, um caleidoscópio que se entrecruza e se alterna.
Foi essa concepção fragmentária das lutas e a incapacidade de ver o peso relativo de cada uma delas que Foucault deixou como herança à teoria da interseccionalidade. Assim, o trabalhador explorado também é um opressor, pois o poder “é exercido em rede, e, nela, os indivíduos não só circulam, como também estão sempre em situação de sofrê-lo e também de exercê-lo. Nunca são o alvo inerte ou consentidor do poder, são sempre seus retransmissores. Em outras palavras, o poder transita por meio dos indivíduos, não se aplica a eles”11. Assim, pois, Foucault converte a maioria da humanidade trabalhadora em opressora. Se as relações de poder são eternas, que sentido tem a luta contra a opressão? Se o trabalhador é tão opressor quanto o burguês, que sentido tem a luta pelo socialismo? O fato de que os trabalhadores possam se tornar presas de preconceitos machistas ou homofóbicos – situação que certamente ocorre – isso não elimina o seu papel central na produção capitalista e seu potencial para destruir pela raiz o sistema capitalista, mas como Foucault não entende de relações materiais de classe coloca o trabalhador no mesmo saco junto ao seu explorador.

A onipresença do poder

O caráter tão abstrato das “relações de poder” apaga as diferenças de classe e aquelas se confundem com a própria natureza social do ser humano. Não basta identificar e descrever o funcionamento das relações de poder, é necessário, acima de tudo, entender o seu caráter, sentido e origem. Foucault fala de como se exerce o poder, mas não sabe o que é nem de onde vem. Por mais que tentem negá-lo os antropólogos burgueses, as poucas sociedades de caçadores-coletores, que ainda não haviam sido dissolvidas ou corrompidas pelo capitalismo, apresentam relações sociais igualitárias e os assuntos comuns são resolvidos de forma comunitária. Falar aqui de “relações de poder” é uma calúnia burguesa contra a humanidade. Mas, como o conceito de poder é tão ambíguo e gelatinoso, é possível que algum discípulo de Foucault, astuto, objete que, mesmo aqui, existem relações de subordinação do indivíduo à sociedade. Realmente, não sabemos se algum neandertal se sentiu oprimido quando o clã lhe exigia cercar um mamute, deste ou daquele lado, mas, sendo o ser humano um animal social, é impossível destacar o indivíduo da sociedade e nunca será possível fazer isso. Engels escreveu em uma carta que combate as ideias de Bakunin que:

“nenhuma ação comum é possível sem a imposição a algumas pessoas de uma vontade alheia, ou seja, de uma autoridade. Seja pela vontade de uma maioria de votantes, de um comitê dirigente ou de um só homem, será sempre uma vontade imposta aos dissidentes, mas sem esta vontade única e diretora, nenhuma cooperação é possível”12.

Para o marxismo, do que se trata é de saber sob que condições históricas e econômicas esse caráter social do trabalho, ao qual se submete o indivíduo, significa opressão e sob que condições históricas é possível eliminar o caráter explorador sob o qual se realizou o trabalho social desde que surgiram a civilização e a luta de classes. O erro de Foucault se constitui em pôr um sinal de igualdade entre trabalho social e opressão, como se a única forma de socialização possível fosse de caráter opressivo.
Na realidade, os homens e as mulheres das sociedades caçadoras-coletoras gozam de uma ampla liberdade pessoal sem que exista opressão em sua integração ao seu clã ou coletividade, de fato daqui obtêm seu sentido de individualidade, que é muito diferente da decadente subjetividade capitalista. É com o nascimento da sociedade de classes que surgem simultaneamente diversas formas de opressão: a mulher se subordina ao varão proprietário e à família como forma de escravidão doméstica, os filhos se convertem em propriedades e vias de transmissão da herança, as castas nascem como uma forma de se fixar a estratificação social, o racismo surge como justificação da escravidão e da conquista imperialista. Com a divisão do trabalho, não só na economia, mas também na administração do Estado, surgem diversas instituições com sua burocracia e autonomia relativa, com todos os protocolos e regras infinitas, como tanto gostam de sublinhar os seguidores de Foucault. Com a classe dominante, surge uma ideologia dominante que se infiltra de diversas formas em todos os poros da sociedade. Nasce o “discurso de poder”, que tanto obceca os pós-modernos, como se fosse a origem da opressão quando é, na realidade, um efeito que reage dialeticamente sobre sua própria base. Por isso, o marxismo sublinha a origem, o sentido e a funcionalidade das diversas formas de opressão integradas e reforçadas pelos diversos modos de produção classistas.
Ao ser onipresente e não ter uma fonte identificável, o poder se converte em uma força metafísica ou em parte da natureza humana. É o retorno, sob novas e estridentes formas, de um dos mitos burgueses mais velhos: o homem como lobo do homem com uma natureza eterna. O aparente radicalismo se converte em uma ideia reacionária vulgar: o homem é opressor por natureza. O poder se manifesta e é exercido por puro sadismo. Para Foucault, o ser humano está em guerra perpétua: “Faltam mapas estratégicos, mapas de combate, porque estamos em guerra permanente, e a paz é, nesse sentido, a pior das batalhas, a mais furtiva e a mais mesquinha”.
Lenin havia escrito, seguindo Clausewitz, que a política é a continuação da guerra por outros meios, mas Lenin se referia à luta de classes e à tarefa de organizar as massas trabalhadoras para a construção do socialismo. Para o marxismo, a subordinação do homem pelo homem tem uma origem e história, remonta-se à divisão da sociedade em classes. Para Foucault, a opressão só tem história, mas é eterna, imanente ao próprio homem. Não há dúvida de que, para Foucault, as relações de opressão são imanentes ao ser humano. Por exemplo, em uma entrevista realizada em 1980 à pergunta: “É intrínseco à existência humana que sua organização se transforme em uma forma repressiva de poder?” Ele respondeu:

“Sim. Claro. Tão logo haja pessoas que se encontrem em uma posição – dentro do sistema de relações de poder – onde possam agir sobre outros e determinar a vida e o comportamento destes”13.

Mas essa possibilidade de agir sobre outros – concentrando riqueza na forma de propriedade privada – não existiu sempre e, portanto, a opressão não é nem um pouco intrínseca ao ser humano. Foucault fala de “mapas estratégicos”, “mapas de combate”, mas não tem nenhuma estratégia a oferecer além da fraseologia barulhenta.
Foucault tomou de Nietzsche o estilo oracular e quase-poético, a forma de escrever obscura e ambígua cheia de metáforas estridentes. É verdade que seus aforismos são provocadores, sugestivos e convidam à reflexão; no entanto, também convidam à confusão. O convite à reflexão não se realiza de forma alguma. A academia burguesa tem um olfato insuperável para promover tudo o que implique confusão e indeterminação entre a esquerda. Não é casual a difusão das modas pós-modernas, sobretudo em períodos de recuo do movimento de massas. A Escola de Frankfurt, o desconstrutivismo, Foucault etc., são parte de uma família de autores com ideias confusas que são promovidas entre a esquerda porque a deixam descabeçada, sem objetivo, sem programa.

Capilaridade ou superficialidade versus conhecimento científico

Em Foucault, a “capilaridade” do poder se converte em superficialidade descritiva que não vai além do discurso e dos protocolos que permeiam a realidade das prisões, hospitais, escolas e outros contextos institucionais e cotidianos. Trata-se de uma visão “capilar” que não encontra o enlace e o sentido dos capilares com as veias e as artérias, e destas com o coração. Que pensaríamos de um médico que não soubesse como estão os capilares relacionados ao conjunto do sistema circulatório? Como entender, por exemplo, a cotidianidade de um trabalhador e de sua família sem situá-la no contexto da exploração capitalista com suas extenuantes jornadas de trabalho, salários baixos, bairros pobres e moradias indignas?
Um dos livros fundadores do marxismo, “A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra” de Engels, descreve o entorno cotidiano dos trabalhadores londrinos de seu tempo para ilustrar a exploração capitalista sem economizar detalhes dos bairros insalubres; Lenin, desde a redação de Pravda e Iskra, publicava resenhas jornalísticas sobre as condições particulares de trabalho e luta dos trabalhadores russos, procurando sempre vincular as particularidades com as leis subjacentes do capitalismo e da luta de classes; Trotsky escreveu um livro, “Problemas da Vida Cotidiana”, para colocar em cena os problemas cotidianos dos trabalhadores russos depois da revolução.
Assim o marxismo é uma ferramenta útil para lançar luz sobre o sentido e significado do cotidiano, vinculando o particular ao geral. Evidentemente, aprofundar nesse âmbito é uma tarefa que nunca se completa e sempre pode ser enriquecida com novos estudos sobre o presente e o passado. O que queremos sublinhar aqui é que o cotidiano, como instância do particular, não pode ser entendido senão através do geral, que expressa; e, ao mesmo tempo, que as leis gerais, as tendências do capitalismo, não existem fora da realidade concreta. As ondas superficiais do mar não são mais que a manifestação imediata de correntes profundas e carecem de sentido sem elas. A aparência deixa de ser superficial quando se estabelecem seus laços com a essência. A essência revela sua profundidade quando é demonstrada em suas diversas manifestações fenomênicas. A essência e o fenômeno, o particular e o geral não são mais que as duas caras da mesma moeda. Não obstante, para o pós-modernismo, a compreensão das leis objetivas da realidade é impossível porque o homem está preso a discursos e ideologias que não pode transcender. O marxismo como ciência – como toda ciência – seria impossível sem a possibilidade de se compreender a realidade e as leis que a regem. Sem isso, a revolução socialista é impossível, pois não se pode mudar o que não se pode compreender nem controlar.
Poder-se-ia objetar que a cotidianidade dos trabalhadores não esgota as manifestações concretas das relações de poder que sofrem muitos outros setores da sociedade, a opressão de outros setores como mulheres, minorias raciais, movimento LGBTTI; efetivamente, é assim. Mas, sem saber vincular o particular ao geral, é impossível entender o lugar do particular nem o seu papel específico; sem saber vincular as diversas formas de opressão às relações dominantes de produção, não faremos mais do que uma descrição superficial do fenômeno. Não é possível, por exemplo, entender a origem de cada uma das infinitas manifestações do patriarcado e do machismo de nossos dias sem fazer uma referência, em primeiro lugar, a sua relação originária com o nascimento das classes sociais, e, também, à importância da escravidão doméstica no modo de produção capitalista (como espaço de reprodução da força de trabalho, de reprodução da ideologia dominante e de carga sobre o salário do custo das tarefas domésticas).
É inegável que existem diversas formas de opressão além da exploração de classe: discriminação por gênero, cor/etnia, orientação sexual etc., etc. Mas sem tirar a importância dessas formas de opressão, sem deixar de assinalar a importância de lutar aqui e agora contra essas injustiças, é necessário também identificar a funcionalidade dessas opressões dentro do sistema imperante e identificar a classe que, por seu papel na produção, é capaz não só de paralisar a produção capitalista, como também de colocá-la sobre outras bases, ou seja, derrubar o capitalismo e construir o socialismo; um regime de economia planificada e de democracia operária que arranque pela raiz toda forma de opressão e exploração. É claro que os trabalhadores não poderão realizar a revolução sem ganhar politicamente a todos os setores oprimidos da população. O marxismo luta pela unidade na luta e vê na fragmentação um fator favorável à reação.
O marxismo não exige anjos para lutar. A revolução se fará com homens e mulheres reais com todos os seus preconceitos. Seria ingênuo esperar que nós, os trabalhadores, não fôssemos reprodutores, em maior ou menor medida, de preconceitos machistas e de outro tipo. Mas também entendemos que esses preconceitos tendem a se desfazer por meio da luta de massas, da luta solidária que une os trabalhadores acima das fronteiras de gênero, etnia, religião e orientação sexual, contra um inimigo comum. Também sabemos que, enquanto não destruamos o capitalismo, esses preconceitos renascerão como uma hidra, como uma infecção endêmica, pois o capitalismo necessita deles para dividir a massa dos explorados com barreiras artificiais. Os trabalhadores não devemos temer o exercício do poder: nosso poder, o poder do trabalhador, a democracia proletária coordenada de forma local, regional e mundial. Nosso objetivo é destruir o poder da classe dominante, destruir seu Estado e a fonte final de seu poder: a propriedade privada dos meios de produção fundamentais. Para os marxistas, essa luta não é um simples “jogo de xadrez” que se observa de fora com pedantismo acadêmico. Posicionamo-nos claramente e declaramos publicamente nossos objetivos.
Para Foucault, a psiquiatria faz parte de um discurso de poder cujo objetivo é segregar os chamados “loucos” e controlar seu corpo e inclusive sua alma. “Não existe relação de poder sem constituição correlativa de um campo de saber, nem de saber que não suponha e não constitua, ao mesmo tempo, umas relações de poder”13.
É certo que a ciência médica não se desenvolve à margem dos interesses sociais e que muito frequentemente foi utilizada para reprimir e discriminar sistematicamente mulheres, homossexuais, negros etc. Basta apenas lembrar as teorias racistas como a frenologia ou a homossexualidade concebida como enfermidade mental. La Castañeda da época porfirista é um exemplo e também o regime stalinista, que recluía opositores políticos em instituições mentais. Tudo isso é certo, mas convém sempre ter o sentido da proporção e não ir demasiado longe. Toda verdade se converte em seu oposto além de certo ponto. Por acaso as enfermidades realmente não existem? Enfermidades mentais, como a esquizofrenia ou a depressão, são apenas inventos da medicina para controlar os indivíduos? É certo que o contexto capitalista exacerba essas enfermidades, mas não as torna menos reais. Ver a psiquiatria em seu conjunto como uma mera estratégia de poder é condenar a ciência como mito e cair no pior dos obscurantismos, uma característica muito própria da pós-modernidade. Para cúmulo da loucura pós-modernista, Foucault afirma que não só a loucura é um invento do poder, também o sexo e inclusive o próprio homem: “O homem é só uma invenção recente, uma figura que não tem nem dois séculos, uma simples dobra em nosso saber e que desaparecerá quando este encontre uma nova forma”15. O selo de identidade da pós-modernidade é confundir o conceito da realidade com a própria realidade. Evidentemente, o conceito de humanidade evoluiu – como qualquer outro conceito – mas a existência do homem não depende de seu conceito; ao contrário, o conceito se extrai da realidade por meio de um longo processo histórico. Desse subjetivismo consiste a relação com a Teoria Queer, cujo guru é Foucault, que supõe que os papeis e identidades de gênero podem ser reinventados à vontade sem transformar a realidade material. Para o marxismo, o homem se elevou acima do reino animal e da natureza realmente existentes através da transformação da natureza, a fabricação de ferramentas, processo no qual o homem se transformava e se criava a si mesmo.

Luta pelo socialismo ou nada

“Onde há poder, há resistência”16. Resistência é a forma como Foucault concebe a luta pela libertação. É o único programa político possível ao estar o poder tão descentralizado e fragmentado em todo tipo de contextos irredutíveis, ou seja, opor-se e desobedecer sem objetivo algum. Não pode existir um programa político que unifique onde não existe mais do que um mosaico desconexo de lutas parciais, pois “A sociedade é um arquipélago de poderes diferentes”16. “O poder se exerce a partir de inumeráveis pontos”18. Mas os explorados não temos a opção de resistir: resistimos todos os dias aos baixos salários, às jornadas extenuantes, aos ataques a nosso nível de vida. Isto não é um programa político.
Onde não existe uma coluna vertebral que vincule essas lutas e lhes dê um objetivo e sentido não pode existir um sujeito revolucionário, senão uma infinidade de sujeitos segregados. Onde não existe uma fonte identificável do poder, não há como combatê-lo. Mais ainda, ao ser todos e cada um dos indivíduos opressores e oprimidos, toda luta pela emancipação se converte em um absurdo ou em uma tentativa encoberta e mesquinha de exercer o poder. A alternativa política do pós-modernismo se reduz a nada. “Não sou um profeta, meu trabalho é construir janelas onde antes só havia paredes”, afirmou Foucault, omitindo-se de dizer que, na realidade, sua teoria implicava paredes que separam as lutas com muros infinitos. É necessário entender que o capitalismo é um sistema mundial, vinculado em nível global e que, portanto, as lutas parciais também devem ser entendidas como uma luta mundial dos oprimidos contra o capital. As lutas isoladas por si mesmas serão infrutíferas.
Para o marxismo, o que sustenta as lutas parciais é a existência do sistema capitalista, e o programa que permite unificá-las é o que deriva das próprias contradições objetivas do sistema; o sujeito revolucionário deriva do lugar central que desempenha o proletariado na produção. Não existe aqui nenhum capricho nem amor abstrato pelo trabalhador, mas um estudo objetivo da realidade e da luta de classes. No entanto, as ideias de Foucault desarmam os trabalhadores. Não é casualidade que, em um informe desclassificado da CIA, chamado “França, a deserção dos intelectuais de esquerda”, essa agência do imperialismo visse com bons olhos a difusão das ideias de Foucault entre a intelectualidade de esquerda em prejuízo do marxismo, simplesmente porque o pós-modernismo é inofensivo aos olhos da classe dominante, uma classe que, certamente, tem clareza em seus objetivos:

“Ainda mais efetivos em minar o marxismo foram, no entanto, aqueles intelectuais que, apresentando-se como estudiosos do marxismo nas ciências sociais, acabaram repensando e rejeitando toda a tradição. […] Em sua maior parte, concluíram que as noções marxistas da estrutura do passado – das relações sociais, dos padrões dos acontecimentos e de sua influência no longo prazo – são simplistas e inúteis. No campo da antropologia, a influente escola estruturalista de Claude Lévi-Strauss, Foucault e outros realizou praticamente a mesma tarefa. Embora as metodologias do estruturalismo e dos Anais agora atravessem um mal momento (os críticos as acusam de ser demasiado difíceis para ser entendidas por gente normal), acreditamos que sua tarefa demolidora da influência marxista nas ciências sociais provavelmente perdure como sua contribuição profunda à academia moderna, tanto na França quanto em outros países da Europa ocidental”19.

Vimos que as ideias de Foucault não constituem de forma alguma uma opção ao marxismo revolucionário, nem tampouco ameaça alguma ao sistema capitalista e à luta contra a exploração e à opressão. Não é porque as ideias de Foucault sejam confusas e de contornos indefinidos; eternizem a opressão ao considerar que esta faz parte da natureza humana; obscureçam a exploração capitalista em um mar abstrato de “relações de poder”, afogando a luta de classes do proletariado dentro de um conjunto indeterminado de infinitas opressões; considerem a opressão parte de um discurso em vez de uma realidade objetiva; nos ofereça subjetivismo em vez de um estudo científico do capitalismo e de suas contradições; não ajude em nada a buscar a unidade entre os explorados e oprimidos ao dividir as lutas em inumeráveis “arquipélagos de resistência”; converta as vítimas da opressão em agentes igualmente opressores. Oferece “resistência” em vez de luta contra a exploração. Os que consideram que Foucault é uma opção deveriam atender ao que o próprio Foucault assinalou a respeito: “Desde o momento em que se concebe o poder como um conjunto de relações de força, não pode haver nenhuma definição programática de um estado ótimo de forças […] Escute, escute… Não é tão difícil! Não sou um profeta, não sou um organizador, não quero dizer às pessoas o que devem fazer. Não vou dizer-lhes: isto é bom para ti, aquilo não”20. Mas os explorados necessitamos de um programa, necessitamos de clareza teórica, compreender como o capitalismo funciona, quais são suas contradições e leis, a natureza da luta de classes e o potencial revolucionário dos trabalhadores. Isso foi estudado como ninguém mais pôde fazê-lo, por Marx, Engels, Lenin e Trotsky. Necessitamos da arma da teoria para criar a organização que canalize as lutas que já estão abalando o sistema na crise mais profunda de sua história. Necessitamos de seriedade, clareza e organização. O marxismo é, hoje mais do que nunca, uma arma insubstituível.

TRADUÇÃO DE FABIANO LEITE.
PUBLICADO EM LUCHADECLASES.ORG

Notas:
1 Foucault, M. Microfísica del poder, México, Siglo XXI, 2019, p. 139.
2 Foucault, M. Seguridad, territorio, población, México, FCE, 2006, p.16.
3 Foucault, M. Microfísica del poder, México, Siglo XXI, 2019, p. 183.
4 Foucault, M. Vigilar, castigar. Nacimiento de la prisión, Argentina, Siglo XXI, 2002, pp. 298-299.
5 Foucault, M. Vigilar, castigar. Nacimiento de la prisión, Argentina, Siglo XXI, 2002, p. 279.
6 Entrevista, 1980, en: otrasvoceseneducacion.org/archivos/208610
7 Foucault, M. La verdad y las fuentes jurídicas, Barcelona, Gedisa, 1996, p. 114.
8 Foucault, Defender la sociedad, México, FCE, 2002, p. 37.
9 Foucault, El orden del discurso, Venezuela, TusQuets, 2002, p.15.
10 Marx, C., Engels, F., La sagrada familia, México, Grijalbo, 1971, p. 149.
11 Foucault, Defender la sociedad, México, FCE, 2002, p. 38.
12 Engels a Pablo Lafargue, en: Marx, Engels, Lenin, Acerca del anarquismo y el anarcosindicalismo, Moscú, Progreso, 1976, p.39.
13 Entrevista, 1980, en: otrasvoceseneducacion.org/archivos/208610
14 Foucault, M. Vigilar, castigar. Nacimiento de la prisión, Argentina, Siglo XXI, 2002, p.30.
15 Foucault, Las palabras y las cosas, Argentina, Siglo XXI, 1968, p. 9.
16 Foucault, M. Historia de la sexualidad, Vol I, La voluntad de saber, México, Siglo XXI, 1999, p. 57.
17 Foucault, M. Las mallas del poder, en Estética, ética y hermenéutica, Obras esenciales, Vol III, Barcelona, Paidós, 1999, p. 239.
18 Foucault, M. Historia de la sexualidad, Vol I, La voluntad de saber, México, Siglo XXI, 1999, p. 114.
19 Alan Woods, “Marxismo frente a política de identidad” en: https://marxismo.mx/marxismo-frente-a-la-politica-de-identidad/
20 Entrevista, 1980, en: otrasvoceseneducacion.org/archivos/208610
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segunda-feira, 16 de março de 2020

MARX - ACIMA DE TUDO, UM REVOLUCIONÁRIO * Frederico Engels - Inglaterra

MARX - ACIMA DE TUDO, UM REVOLUCIONÁRIO
Frederico Engels

El 14 de marzo de 1883 falleció en Londres, Inglaterra, Karl Marx. Fue uno de los pensadores más importantes de su tiempo. Sus teorías marcaron a fuego el siglo XX donde diversos movimientos revolucionarios de todo el mundo lo reivindicaron y cambiaron para siempre la historia.
Aquí elegimos recordarlo con las palabras que dijo en su funeral su amigo y colega de muchos años, Federico Engels.

*_"_* El 14 de marzo, a las tres menos cuarto de la tarde , dejó de pensar el más grande pensador de nuestros días. Apenas le dejamos dos minutos solo, y cuando volvimos, le encontramos dormido suavemente en su sillón, pero para siempre.

Es de todo punto imposible calcular lo que el proletariado militante de Europa y América y la ciencia histórica han perdido con este hombre. Harto pronto se dejará sentir el vacío que ha abierto la muerte de esta figura gigantesca.

Así como Darwin descubrió la ley del desarrollo de la naturaleza orgánica, Marx descubrió la ley del desarrollo de la historia humana: el hecho, tan sencillo, pero oculto bajo la maleza idológica, de que el hombre necesita, en primer lugar, comer, beber, tener un techo y vestirse antes de poder hacer política, ciencia, arte, religión, etc.; que, por tanto, la producción de los medios de vida inmediatos, materiales, y por consiguiente, la correspondiente fase económica de desarrollo de un pueblo o una época es la base a partir de la cual se han desarrollado las instituciones políticas, las concepciones jurídicas, las ideas artísticas e incluso las ideas religiosas de los hombres y con arreglo a la cual deben, por tanto, explicarse, y no al revés, como hasta entonces se había venido haciendo. Pero no es esto sólo. Marx descubrió también la ley específica que mueve el actual modo de producción capitalista y la sociedad burguesa creada por él . El descubrimiento de la plusvalía iluminó de pronto estos problemas, mientras que todas las investigaciones anteriores, tanto las de los economistas burgueses como las de los críticos socialistas, habían vagado en las tinieblas.

Dos descubrimientos como éstos debían bastar para una vida. Quien tenga la suerte de hacer tan sólo un descubrimiento así, ya puede considerarse feliz. Pero no hubo un sólo campo que Marx no sometiese a investigación -y éstos campos fueron muchos, y no se limitó a tocar de pasada ni uno sólo- incluyendo las matemáticas, en la que no hiciese descubrimientos originales. Tal era el hombre de ciencia. Pero esto no éra, ni con mucho, la mitad del hombre. Para Marx, la ciencia éra una fuerza histórica motriz, una fuerza revolucionaria. Por puro que fuese el gozo que pudiera depararle un nuevo descubrimiento hecho en cualquier ciencia teórica y cuya aplicación práctica tal vez no podía preverse en modo alguno, era muy otro el goce que experimentaba cuando se trataba de un descubrimiento que ejercía inmediatamente una influencia revolucionadora en la industria y en el desarrollo histórico en general. Por eso seguía al detalle la marcha de los descubrimientos realizados en el campo de la electricidad, hasta los de Marcel Deprez en los últimos tiempos.

Pués Marx éra, ante todo, un revolucionario. Cooperar, de este o del otro modo, al derrocamiento de la sociedad capitalísta y de las instituciones políticas creadas por ella, contribuir a la emancipación del proletariado moderno, a quién él había infundido por primera vez la conciencia de su propia situación y de sus necesidades, la conciencia de las condiciones de su emancipación: tal era la verdadera misión de su vida. La lucha era su elemento. Y luchó con una pasión, una tenacidad y un éxito como pocos. Primera Gaceta del Rin, 1842; Vorwärts de París, 1844; Gaceta Alemana de Bruselas, 1847; Nueva Gaceta del Rin, 1848-1849; New York Tribune, 1852 a 1861; a todo lo cual hay que añadir un montón de folletos de lucha, y el trabajo en las organizaciones de París, Bruselas y Londres, hasta que, por último, nació como remate de todo, la gran Asociación Internacional de Trabajadores, que era, en verdad, una obra de la que su autor podía estar orgulloso, aunque no hubiera creado ninguna otra cosa.

Por eso, Marx éra el hombre más odiado y más calumniado de su tiempo. Los gobiernos, lo mismo los absolutistas que los repulicanos, le expulsaban. Los burgueses, lo mismo los conservadores que los ultrademócratas, competían a lanzar difamaciones contra él. Marx apartaba todo esto a un lado como si fueran telas de araña, no hacía caso de ello; sólo contestaba cuando la necesidad imperiosa lo exigía. Y ha muerto venerado, querido, llorado por millones de obreros de la causa revolucionaria, como él, diseminados por toda Europa y América, desde la minas de Siberia hasta California. Y puedo atreverme a decir que si pudo tener muchos adversarios, apenas tuvo un solo enemigo personal. Su nombre vivirá a través de los siglos, y con él su obra. *_"_*

Federico Engels - Londres/Inglaterra
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terça-feira, 19 de julho de 2016

O Que É Ser De Esquerda * Antonio Cabral Filho - RJ

O QUE É SER DE ESQUERDA


SER DE ESQUERDA É SER COMUNISTA.
 E pronto! 

Vamos dar um basta a todo tipo de confusão lançada sobre este conceito. O ideário comunista não foi inventado por Karl Marx nem por Bakunin ou Kropotkin, líderes do pensamento crítico revolucionário europeu do século 19. Mas pelos movimentos operários europeus desde o séculos anteriores às revoluções de 1792 e 1848. As lutas por melhores condições de trabalho, a redução da jornada de trabalho, a defesa de regulamentações de seguridade social tais como descanso semanal remunerado, auxílio doença, indenização por acidente de trabalho, enfim, é que deram origem ao que Karl Marx e Friedrich Engels foram elaborar depois, gerando tudo que conhecemos hoje como Marxismo.

( Cuidado Com o Diversionismo Ideológico
O QUE É SER ESQUERDA HOJE
Este livro só serve para escamotear a discussão. Trata-se do pensamento  de uma corrente neoliberal brasileira oriunda do PCB e liderada pelo Deputado Federal Roberto Freire, do PPS - Partido Popular Socialista, uma linha auxiliar do PSDB e do neoliberalismo atual.)

Além disso, o termo ESQUERDA ganhou força no interior dos movimentos sociais durante a década da Revolução Francesa, a partir da divisão política gerada no parlamento, onde os Girondinos - que defendiam as camadas mais ricas - sentavam-se à direita do presidente da mesa e os Jacobinos - que defendiam as camadas populares - à esquerda. Logo, desde então, ESQUERDA virou sinônimo de defensor dos interesses dos mais necessitados, carentes, e consequentemente, da maioria. Portanto, quem quiser tergiversar que o faça, mas nem Marx nem Engels e muito menos os anarquistas, são proprietários da definição.

Bom, feito isso, gostaria de convidar tod@s a conferir o que digo, lendo o 18 Brumário de Luis Bonaparte, obra de Karl Marx, onde estão narradas todas escaramuças de Girondinos e Jacobinos e a constatação feita por Marx sobre o papel das transformações sociais em nossas cabeças, com a Tese: "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legas e transmitidas pelo passado."
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