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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

O ultraimperialismo estadunidense e A Divina Comédia de Dante Alighieri * Luis Eustáquio Soares - Pátria Latina

O ultraimperialismo estadunidense e A Divina Comédia de Dante Alighieri.

Luis Eustáquio Soares - Pátria Latina

“O homem, em realidade, não é, como afirma a lírica aparência da sociedade capitalista, um ser isolado, mas um ser social, cuja vida está ligada por milhares de fios aos outros homens e ao conjunto do processo social.” György Lukács, Crítica, p.361.
Onde o sol não luz

Qual é a lei geral da história? Marx a formulou assim: “O ser social determina a consciência humana” (MARX, 2008, p. 58). E o que é o ser social hoje? É o modo de produção capitalista mundialmente estabelecido como imagem e semelhança do Pentágono, espelhado em cada ato de compra e venda dolarizado, que amalgama e molda o mundo realmente existente, entrelaçando instituições, crenças, modos de ser, estar e viver, com base na militarização geral das relações sociais.
Em relação ao planeta do dólar nas alturas, o poema-livro, clássico da literatura mundial, A Divina Comédia de Dante Alighieri, se atualizado, pode ser bastante sugestivo para o entendimento do sistema cultural, político e econômico do ser social contemporâneo, agitado por guerras, golpes, divisões e alienações dolarizadas – um verdadeiro inferno planetarizado. Refiro-me ao seguinte verso do Canto I, de “O Inferno”, que assim se diz: “tal que aconteceu que a fera inquieta, /vindo contra mim a pouco e pouco,/ me empurrava para onde o sol não luz” (ALIGHIERI, 1979, p.11).

A voz lírica, nos versos citados, alude a uma loba faminta, insaciável, que impulsiona o poeta para onde “o sol não luz”, isto é, para o inferno. Mais adiante, no mesmo Canto I, o poeta Virgílio, guia de Alighieri, assim descreveu a loba faminta: “porque essa loba por cuja causa tu gritas/não deixa passar pessoa alguma por seu caminho,/ mas a impede, a fim de a devorar;/ e tem natureza tão má e cruel,/ que nunca sacia a fome que a abrasa,/ e depois de ter comido tem mais fome que antes./ Muitos são os animais com quem se ajunta,/ e mais seriam ainda, até que venha o Veltro, / que fará morrer a loba com dor” (ALIGHIERI, 1979, p. 15).

Comparo a loba faminta de Dante ao ultraimperialismo estadunidense, porque, como este, além da natureza má e cruel, se alia a outras feras, vale dizer: a oligarcas de todas as estirpes, latifundiários, juízes, procuradores, fundamentalistas das diversas religiões, fascistas, nazistas, lúmpens, pastores, influencers, identitaristas e ,ao fim e ao cabo, a todos e todas que acatam conscientes ou inscientes seu veredito: o inferno para a humanidade genérica, condenada a um mundo onde “o sol não luz”.

E esse mundo “onde o sol não luz” deve ser analisado em conformidade ao método do materialismo histórico, que deve assumir a seguinte perspectiva (desde que os EUA lançaram duas bombas atômicas em duas cidades japonesas, impondo-se como o soberano que passou a decidir o estado de exceção do capital em escala planetária): o mundo realmente existente, seu ser social, é o do capitalismo à imagem e semelhança do ultraimperialismo estadunidense.

Ora, isso diz tudo e não diz nada, criticarão, porque não explica a situação da América Latina, da África, da Ásia e tampouco questões mais imediatas e nem por isso menos importantes como a violência de gênero, o racismo. Trata-se de uma crítica procedente, sendo por isso que o método do materialismo histórico primeiro deve objetivar a totalidade do ser social realmente existente, porque estamos todos dentro dela e todos somos determinados por ela, uma vez que somos seres de relações sociais e estas são sim as do modo de produção capitalista dolarizado e militarizado.

Entretanto, é preciso ao mesmo tempo investigar as particularidades regionais, assim como as que dizem respeito à violência de gênero e persistência estrutural do racismo; e, para tal, é necessário dialeticamente analisar cada formação econômico-social, considerando sua história específica, a fim de entender, por exemplo, como a América Latina, a África, a Ásia ocupam a posição que ocupam em um mundo sobredeterminado pelo faroeste ianque.

De qualquer forma, uma coisa é certa: a escrita cuneiforme encontrada em placas no Iraque tem mais a dizer sobre a nossa realidade específica que a programação da TV Globo, quintessência da alienação.

As três formas inseparáveis de alienação do capitalismo.
Se o ser social é o que precede a consciência, então não há nada a fazer? A consciência humana estará sempre refém da realidade que a determina? É evidente que não, embora outra premissa se imponha de modo irrecusável, qual seja: para mudar o mundo é preciso objetivá-lo, conhecê-lo em seus múltiplos aspectos, econômicos, políticos, militares, culturais, tendo em vista a realidade tal como é e não como se suponha que seja; a realidade do modo de produção capitalista, na era do complexo industrial-militar-cultural dolarizado do ultraimperialismo estadunidense.
Antes de analisá-lo, o ultraimperialismo ianque, é preciso fazer a pergunta básica: o que é o capitalismo? É o modo de produção mundial de alienação, em tempo real, também chamado de sistema integrado de fetichismo da mercadoria. E o que é a alienação? É sempre, em qualquer caso, o aviltamento do trabalho e não existe nada mais aviltado e humilhado que o trabalho alienado, porque confirma a sua própria condição de extorquido, desumanizado.

Existem três formas inseparáveis e objetivas de alienação no modo de produção capitalista: a alienação que diz respeito à relação estrutural e antagônica entre o capital e o trabalho, a alienação mercantil e a alienação relativa à divisão social desigual do trabalho.

São alienações intercambiáveis e imanentes à civilização burguesa, pois, como evidenciou Marx na segunda edição alemã de O capital, o capitalismo é um sistema que funciona de cabeça para baixo porque nele o capital, que não produz nada, é o dono de tudo; e o trabalho, que produz tudo, não é dono de nada.
A primeira forma de alienação do capitalismo é a que diz respeito, assim, às relações sociais antagônicas e interdependentes entre os donos dos meios de produção, os burgueses; e aqueles que só têm a sua força de trabalho, as suas vidas, para sobreviver, entregando-as aos donos do mundo – a classe operária.

A alienado em primeiro grau no sistema do capital é a do trabalho, da classe operária, por estar ao mesmo tempo alienada dos produtos de seu trabalho, das mercadorias que produz, e de si mesma, por gastar o tempo de seu trabalho para outrem – para os burgueses, que também são alienados, mas de uma forma distinta, de segundo grau, por não serem efetivamente os produtores de suas riquezas, o que os transforma em alienados em relação aos trabalhadores que os enriquecem.

A primeira forma de alienação da civilização burguesa evidencia, como salientaram Marx e Engels em A sagrada família, que no capitalismo a alienação é a regra, embora essa regra sempre beneficie os burgueses, sendo a condição objetiva da desumanização da classe operária.

Os primeiros se enriquecem com a alienação, tornando-se semideuses; e os segundos, diferentemente, tornam-se miseráveis no interior de um sistema que os extorque, condenando-os a serem os produtores de um mundo que sempre se voltará contra eles, inexoravelmente.

Esse é o motivo pelo qual fundamentalmente são os trabalhadores que estão na obrigação de se desalienarem, razão por que não existe nada mais importante na vida, sob qualquer ponto de vista, que o trabalho desalienado, chamado por Marx e Engels de trabalho revolucionário, no Manifesto comunista.
Se o capitalismo é um sistema de dupla alienação, a do burguês e do operário, tudo o mais que advém nele e dele é alienação. Uma delas, a segunda forma, diz respeito às relações mercantis, cuja fórmula, projetada por Marx em O capital, é esta: M-D-M (D, dinheiro; M, mercadoria) e, ato contínuo, D-M-D, dinheiro, mercadoria, dinheiro. A civilização burguesa é um sistema universal de relações entre mercadorias e dinheiro, essa mercadoria das mercadorias, razão por que se constitui antes de tudo como uma civilização em que tudo tende a se tornar mercadoria – e tudo é tudo mesmo!

Ora, se a relação entre capital e trabalho, como primeira e dupla forma de alienação do modo de produção capitalista, está na base de um sistema de relações alienadas, a mercantil, essa segunda forma, consagra no cotidiano a primeira, universalizando relações alienadas entre mercadorias e ao mesmo tempo impulsionando e ratificando a terceira, qual seja: a da divisão desigual internacional do trabalho – vale dizer, para ser redundante, do trabalho alienado atomizado em nome da produtividade do capital.

Como demonstraram Marx e Engels em A ideologia alemã, a divisão do trabalho pôs em campos desiguais e muitas vezes opostos a cidade em relação ao do campo, assim como o trabalho intelectual e o manual, separando indústria, comércio e agricultura, ao mesmo tempo em que conformou formas de pensar, valores e estilos de vida coextensivos aos pontos de vista separados alienadamente um do outro; e desigualmente posicionados no que diz respeito aos ramos da indústria, do comércio e da agricultura.

O patriarcalismo inaugurou a divisão entre trabalho masculino e feminino, ao mesmo tempo em que substituiu uma formação econômico-social matrilinear por outra, patrilinear. O modo de produção escravista impôs a divisão entre trabalho livre e o trabalho escravizado, assim como o modelo medieval ratificou relações sociais de produção divididas por estamentos piramidais, separando nobres de plebeus. O mercantilismo, no período de expansão colonial europeia, dividiu o mundo entre colonizadores e colonizados, assim como o modo de produção capitalista se estruturou e se estrutura pela divisão antagônica entre as classes, a burguesa e a operária.

A divisão social do trabalho é um efeito do desenvolvimento das forças produtivas. No interior do modo de produção capitalista, Marx, sempre Marx, identificou a sua lei, ao mesmo tempo o seu calcanhar de Aquiles: a tendência de queda da taxa de lucro, tornando a civilização burguesa historicamente condenada a se findar. Por quê? Porque a formação orgânica do capital, sob a forma de capital constante ( meios de produção e matérias-primas) torna os custos da produção cada vez mais caros, diminuindo tendencialmente os custos do trabalho.

O burguês e o trabalhador são classes antagônicas. Entretanto, em um sistema em que a alienação é a regra, são também classes alienadamente interdependentes. Ao acumular riquezas, o capital lança cada vez mais o mundo do trabalho para a miséria, esse inferno dantesco. Isso torna os custos do capital cada vez mais altos, acirrando a concorrência entre capitalistas e gerando a superprodução de mercadorias.

Tudo funciona como se a segunda forma de alienação, a das relações mercantis, entrasse em curto-circuito porque o capitalista não produz mais-valor por geração espontânea e tampouco pelo avanço da tecnologia e, assim, do plus-valor ou mais-valor relativo. A interdependência alienada entre o capital e o trabalho está fadada à crise por culpa da própria alienação do capitalista que, como dono dos meios de produção, só conhece a lógica da acumulação de capital.

E, é bom que se diga, essa não é uma questão moral. Não depende de o capitalista frear sua voracidade de acumular. É uma questão de alienação. A consciência de classe do capitalista é necessariamente alienada porque, de outro modo, deixará de ser capitalista e assumirá, como fez Engels, um filho de capitalista, a posição do trabalho contra o próprio capital.
A consciência de classe para os donos dos meios de produção é inevitavelmente alienada porque o capital é a quintessência da alienação e não existe sem esta. Somente a classe trabalhadora está na obrigação de adquirir consciência de classe, o que significa necessariamente deixar de ser alienada e tomar para si o mundo que efetivamente é seu.

O sistema burocrático integrado do ultraimperialismo estadunidense.

E então por que o capitalismo ainda não acabou? Precisamente por causa da emergência de uma burocracia que se desenvolveu com o objetivo de salvar o capitalismo de si mesmo, gerenciando-o por meio da manipulação da terceira forma de alienação da civilização burguesa, a da divisão social internacional do trabalho alienado. Lênin, em Imperialismo: etapa final do capitalismo, analisou de forma consequente o perfil dessa burocracia, associando-a à emergência do capital monopólico – é a burocracia imperialista.

E o que é o capital monopólico? Antes de tudo, antes de ser o capital privado dos grandes trustes, antes de ser o capital bancário inseparável do capital industrial, é o capital do Estado monopólico imperialista ou do Estado, com sua superestrutura jurídica, militar, administrativa, dedicado a salvar o capitalismo de si mesmo, explorando a divisão internacional desigual do trabalho, a fim de saquear as matérias-primas e o trabalho dos povos.

Entretanto, na era do capitalismo liberal, dominado pela Inglaterra, o Estado pré-monopólio britânico tinha como parâmetro a Companha Britânica das Índias Orientais, fundada em 1600, tendo persistido até 1874, data que inaugurou não apenas o começo do surgimento do capital monopólico e assim a emergência do imperialismo, mas também a crise do sistema colonial capitalista e liberal inglês, que teve como grande êxito a derrota da China entre 1839 e 1860, usando como subterfúgio, para derrotar e humilhar o Império Celeste, duas guerras do ópio e a guerra religiosa, a de Taiping.

A partir de 1874, duas burocracias monopólicas, disciplinadas para manipular a divisão internacional do trabalho em escala planetária, iniciaram não apenas uma colaboração nos bastidores, mas também uma concorrência sem tréguas. Refiro-me à burocracia monopólica alemã e à norte-americana, vanguardas, no período, da administração de seus respectivos Estados monopólicos, com a vantagem da burocracia do Estado monopólico estadunidense.

E por quê? A primeira vantagem está relacionada, em diálogo com Michel Foucault de Nascimento da biopolítica, com fato de que a burocracia do Estado monopólico alemã ser ordoliberal e a estadunidense ser anarcoliberal. No primeiro caso, existia uma separação entre o Estado monopólico e os monopólios privados em formação. No segundo, por sua vez, já não há diferença alguma entre as duas instâncias, porque tudo se torna uma porta-giratória, não fazendo mais sentido sequer falar em capitalismo, em termos clássicos, com o protagonismo dos donos dos meios de produção, porque tudo é ao mesmo tempo superestrutura estatal e iniciativa privada.

A figura do filantropo, a começar pelas gerações dos Rockfeller, é exemplar nesse contexto. Afinal de contas, o que são um Bill Gates, um Jeff Bezos, Zuckerberg, Elon Musk? São empresários, donos de meios de produção? Sem a chuva de dólares do Federal Reserve, existiriam? Que função ocupam esses burocratas como agentes do ultraimperialismo estadunidense? E o que é afinal este último? É a prova cabal de que a lei do fim histórico e estrutural do capitalismo, o da tendência da queda da taxa de lucro, simplesmente é cientificamente verdadeira.

O capitalismo não funciona sem um Estado racista, de perspectiva colonial ou imperialista.. Rosa Luxemburgo deu um passo adiante de Marx, a propósito. Em A acumulação do capital retomou o tema da crise estrutural do capital, esse alienado ao quadrado, para argumentar acertadamente que a civilização burguesa não duraria um dia sequer, se tivesse que depender apenas da extorsão do tempo de trabalho do operário para extrair o mais-valor e, por tabela, o lucro.

Para a espartaquista, a acumulação primitiva do capital não o antecede apenas, como asseverou Marx, porque a rigor é sua regra geral, transversalmente. Sem o sangue dos povos e o saqueio da natureza o capitalismo simplesmente, alienadamente sólido, desmancharia no ar. É por isso que a civilização burguesa, em seu período de dominação europeia, nunca dependeu apenas de si, tendo conseguido desenvolver suas forças produtivas à custa do sistema colonial europeu e, portanto, da África, da América Latina, da Ásia, Oceania.

As duas guerras mundiais do passado século foram o resultado trágico do último suspiro do capitalismo, gerenciado pela burocracia europeia, inapta para garantir a acumulação ampliada do capital porque se concentrou em gastar energia para conter as lutas de classe que ocorreram no interior da Europa. EUA, por sua vez, não conheceram lutas de classes internas ( a não ser episodicamente), pois a anteciparam, controlando-as com antecedência.

Para analisar esse último argumento, o diálogo com o filósofo das modernidades europeia, estadunidense e latino-americana, Bolívar Echeverría, é imprescindível. Em seu livro Crítica de la modernidad capitalista, o teórico equatoriano descreveu a modernidade estadunidense como uma espécie de metamodernidade ou modernidade da modernidade europeia, pois se desenvolveu ocupando sempre uma posição de observadora privilegiada de tudo que ocorria na Europa, com dois objetivos entrelaçados: 1. Evitar que a agitação das lutas de classe europeias, como a Revolução Francesa de 1789, as revoltas populares de 1848, a Comuna de Paris de 1871, dentre outras, ocorressem ou influenciassem a classe operária norte-americana; 2. Manipular as contradições e conflitos interclasses da Europa para superá-la no âmbito da concorrência capitalista, assumindo, assim, a hegemonia da gestão anarcoliberal do capital mundialmente estabelecido, o que efetivamente tornou-se possível após o fim da Segunda Guerra Mundial.

O ultraimperialismo estadunidense, sendo a metamodernidade, é também o metaimperialismo europeu. Emergiu e se tornou hegemônico salvando o capitalismo de si mesmo, ao se transformar em metacapitalismo, posição alcançada por meio de superestrutura burocrática, ao mesmo tempo militar, econômica, política, cultural, acadêmica.

As duas guerras do ópio, assim como a guerra religiosa de Taiping, por meio das quais a Inglaterra conseguiu submeter a milenar China, no século XIX, são as duas inspirações fundamentais de EUA para submeter a humanidade, expandindo-as de tal modo que tudo, qualquer coisa, tenda a se transformar em cavalo de Troia de ópio (logo, de alienação) e de guerra santa, manipulando e editando sem cessar religiões, seitas, crenças, valores, identidades.

As duas guerras mundiais do passado século foram um grande negócio para os EUA, garantindo-lhes a reprodução ampliada de seu Estado monopólico, para, antes do final da Segunda, com o Acordo de Bretton Woods de junho de 1944, tornarem-se de fato o centro do sistema financeiro mundial, tendo o dólar como moeda de referência, ao mesmo tempo de troca e de reserva.
Com isso, apenas com isso, com o dólar como moeda de troca e de reserva, puderam finalmente comprar o trabalho dos povos, impondo o seu próprio modelo de capitalismo, à sua imagem e semelhança: o capitalismo estilo Pentágono, devotado a impor a reprodução ampliada de seu capital por meio de golpes, guerras, saqueios, acumulação por despossessâo, sempre sorrindo para a foto, como se fora o justo, o civilizado, o democrático, o correto, o ético, o herói de seu sistema integral de publicidade e, assim, de mentiras.

E não bastasse isso, moldou instituições ditas internacionais como cavalos de Troia de sua hegemonia, como tem sido o cavalo de Troia ONU, OMC, FMI, BM, OEA, OMS, União Europeia, OTAN, Tribunal de Haia, FEM, Bancos Centrais, espelhando-as nos fluxos sem fim e sem teto do dólar nas alturas, ao mesmo tempo opiáceo e religião da humanidade, ancorado no “I am” de sua indústria cultural, igualmente “sem teto” para mentir, tergiversar, editar, reeditar, transformando-se no centro mundial de produção de fetichismos e, assim, de alienações.

Se nem tudo que reluz é ouro, por outro lado, tudo que a superestrutura burocrática do anarcoliberalismo ianque toca torna-se inevitavelmente cavalos de Troia, como são seus cavalos de Troia identitários, esses novos marines fetichizados como militantes negros, homoafeticos, femininos. Sem contar os cavalos de Troia teóricos, como multiculturalismo, estudos culturais, pós-colonialismo, decolonialismo, ancestralidadade, usados como referências inclusive e até sobretudo para estabelecer intercâmbios acadêmicos de sul para o sul.

Por exemplo, não é incomum, no contemporâneo, que o campo teórico designado como ancestralidade seja a referência epistemológica para o intercâmbio acadêmico entre o Brasil e a África, sem, supostamente, a presença estadunidense. Afinal, a função dessa superestrutura mundial do ultraimperialismo, estilo cavalo de Troia, inclusive teórica, não é outra senão esta: sugerir que tudo parta da gente, como ato de vontade própria, como se não fosse made in Usa, embora, em um campo teórico como o citado domine as seguintes palavras de ordem do sistema de alienação estadunidense: fuga da história e, assim, da luta de classes, sobretudo a da soberania nacional, a soberania dos povos, em nome de uma fetichista terra prometida romantizada, ancorada em um passado remoto anterior ao sistema colonial europeu.

E o sistema colonial, capitalista e ultraimperialista estadunidense, não vem ao caso? Sim, vem, empurrando-nos, de modo sub-reptício, para a terra prometida ancestral, no contexto em que o inimigo passa a ser a China, por trazer consigo um processo de industrialização que deve ser combatido em nome do respeito à natureza. Conveniente, não? Stay-behind– e nessa posição tudo se torna conveniente!

Esse sistema cavalo de Troia integral do ultraimperialismo ianque funciona como uma sociedade cavalo de Troia ocupando lugar da sociedade real, historicamente situada, dos povos. Se o que está em jogo, com a emergência do imperialismo, é a manipulação da divisão social desigual e internacional do trabalho, para empurrar a reprodução ampliada do capital para frente, como funciona a tecnologia de poder do ultraimperialismo ianque no interior dessa terceira forma de alienação do capitalismo?

Funciona retomando a divisão do trabalho que separou as cidades dos campos. Há no sistema de cavalo de Troia integral ianque os cavalos de Troia do tipo urbano, criados no interior do Partido Democrata e das instituições globalistas, como a Comissão Europeia e o Fórum Econômico Mundial; e os cavalos de Troia do Partido Republicano, de reedição sem teto do faroeste como cavalo de Troia dos neonazistas ucranianos, dos bolsonaristas no Brasil, do Estado Islâmico na Eurásia, da extrema direita e do fundamentalismo religioso por todo o planeta, incluindo o neopentacostalismo, em que cada Igreja funciona igualmente como cavalo de Troia dedicada à guerra santa de expulsar o demônio da soberania nacional plena.
E como a divisão social do trabalho está relacionada com as forças produtivas e, assim, também, com o avanço da ciência e das tecnologias, na época da automação, da digitalização, da nanotecnologia, da biotecnologia novos cavalos de Troia estão se conformando, no front de batalha contra a humanidade, inaugurando a era da colonização genética de todos os seres vivos do planeta.

Não podemos subestimar esse novo cenário. A atual pandemia é também o seu atual teatro de guerra e, se o mundo realmente existente é este do ultraimperialismo ianque, o da produção planetária de fetichismos urbanos e camponeses, respectivamente opiáceos bélicos e guerras santas, não nos resta outra alternativa, retomando Dante Alighieri, agora do Canto III de “Inferno”, senão esta: “Deixai toda a esperança vós que entrais” (ALIGHIERI, 1979, p. 27).

Parece que nesse quesito Rússia novamente é a vanguarda, mais que a China, razão por que a seguinte frase de Putin significa o começo do fim de toda e qualquer esperança nos cavalos de Troia do Ocidente: “O barco já partiu e não há mais retorno”.
Como líder do mundo multipolar, que é e deve ser cada vez mais, aprenda isso, Lula: abandone toda a esperança no Ocidente, estendendo esse abandono total da esperança aos líderes europeus, pois são os “pecadores” do oitavo círculo de A divina Comédia de Dante; os dos falsários, hipócritas e corrompidos, estando a serviço do sistema burocrático do nono círculo: o do ultraimperialismo estadunidense, o mesmo que acaba de condenar Cristina Kirchner a 6 anos de cadeia, tornando-a inelegível para sempre, assim como o mesmo que acaba de destituir Pedro Castillo no Peru, mantendo-o no cárcere.

E tudo funciona em tempo real, com a Internet como cavalo de Troia, não sendo por acaso que assim Wikipédia descreva o líder popular peruano: “José Pedro Castillo é um professor, líder sindical e político peruano que serviu como presidente do Peru de 2021 a 2022”.

Sim, “tudo escrito e prescrito”, para lembrar uns versos de Drummond, “em nebuloso estatuto” de um mundo regido por regras.
Quais?

Referências:
ALIGHIERI, Dante. A divina comédia. Rio de Janeiro: Otto Pierre Editores, 1979.
ECHEVERRÍA, Bolívar. Crítica de la modernidad capitalista. La Paz, 2011.
ENGELS, Friedric; MARX, Karl. A ideologia alemã. Trad. Rubens En­derle, Nelio Schneider, Luciano Cavini Martorano. São Paulo: Boitempo, 2007.
_____. A sagrada família. Trad. Marcelo Backes. São Paulo: Boitempo, 2003;
FOUCAULT, Michel. Nascimento da biopolítica. Tradução: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
LENIN, Vladimir Ilytch. Imperialismo, etapa superior do capitalismo. São Paulo: Global, 1979.
LUXEMBURO, Rosa. La acumulación del capital, Ciudad del Mexico: Editorial Grijalbo, 1967.
MARX, Karl. KARL, Marx. O 18 de Brumário e Cartas a Kugelmann. Trad. Leandro Konder e Renato Guimarães. 4.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
______. Contribuição à crítica da economia política. Trad. Florestan Fernandes. São Paulo: Expressão Popular, 2008.
———. Pósfácio à 2º Edidição. In.: O capital. Livro I. Trad. Rubens En­derle. São Paulo: Boitempo, 2017, p.91.
______. O capital. Livro III. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitem­po, 2017.
SOARES, Luis Eustáquio. A sociedade do controle integrado: Franz Kafka e Guimarães Rosa. Vitória: Edufes, 2014.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. Tradução Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo, 2010.

[1] Um operário da educação brasileira.

domingo, 24 de abril de 2022

TERRORISMO EM NOVA YORK * Observatório Proletários / Brasil

TERRORISMO EM NOVA YORK
Não sei se a intenção do cineasta é promover o tiosam, mas me parece mais um empurrãozinho na islamonofia. Confiram. Eu quero estar errado...

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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

"LA PESTE EN COLOMBIA COMO EN EL LIBRO DE ALBERT CAMUS "LA PESTE" * Colombiano indignado

"LA PESTE EN COLOMBIA COMO EN EL LIBRO DE ALBERT CAMUS "LA PESTE"

Muchos jóvenes se preguntan cómo es posible que todo esto esté sucediendo en Colombia, o por qué la gente no hace nada, si somos la mayoría. Con todo respeto, la lectura de este libro, puede explicar por qué no actuamos como deberíamos.

Los sucesos comienzan en una ciudad llamada Oran, en Argelia, cuando un joven doctor tropezó con una rata muerta en el descanso de su escalera. Como no había ratas en su casa, pensó que se trataba de una broma y lo único que hizo fue apartarla y notificarle al conserje. Al día siguiente, éste último fue quien le notificó al doctor que el bromista había dejado otras tres ratas muertas; pero, ambos siguieron su camino.

A partir de allí el libro relata las distintas reacciones de los ciudadanos al ver los montones apilados de ratas muertas. Unos exclamaban:

– ‘A mi casa no han llegado’.

Otros decían:

– ‘Son cosas que pasan’.

Algunos se frotaban las manos alegremente afirmando que las ratas, finalmente, estaban saliendo de su escondite. Otros se marchaban sigilosamente, pero la mayoría –como en Colombia– siguió con sus vidas inmersas en el día a día y viendo cómo crecían los montones de ratas. Nadie hizo mucho.

Las ratas desaparecieron como llegaron, de forma imprevista y la ciudad respiró, hasta que apareció el primer muerto; quien, para asombro del lector, fue el conserje que encontró las tres ratas.

Poco a poco, la sorpresa se convirtió en miedo y ésta en pánico, cuando la gente comenzó a morir como las ratas; pero, aun así, nadie hacía mucho. Cuando eso llega, apenas en las primeras treinta páginas, Albert Camus, se incorpora al relato para hacer las siguientes reflexiones:

"La plaga no está hecha a la medida del hombre, por lo tanto el hombre piensa que la plaga es irreal, es un mal sueño que tiene que pasar".

"Nuestros conciudadanos, a este respecto, eran como todo el mundo; pensaban en ellos mismos; dicho de otro modo, eran humanidad: no creían en las plagas".

La gente se dice:

– ‘Esto no puede durar, es demasiado estúpido’.

“Pero esto no impide que dure”, –porque– “la estupidez insiste siempre”.

 Han pasado los años en que la peste de la indiferencia en Colombia ha permitido y sigue permitiendo que los podridos poderes que nos gobiernan sigan matándonos en vida y físicamente como ratas y nada pasa porque esta peste todo lo trivializa. Y sin embargo algunos piensan:

–"en el 2022 terminará esta pesadilla". Pero, terminará siempre y cuando los Colombianos entendamos que, este asunto de sacar a Colombia del infierno en el que ha estado sumida, es responsabilidad absoluta de todos nosotros.

Acabará cuando comprendamos que vivir en Democracia y ser ciudadanos de una Nación, es cosa muy seria. Seremos de nuevo un País, solamente cuando entendamos que no podemos continuar sentados en nuestras casas esperando al "líder de la oposición" para que nos saque del atolladero.

Los pueblos que hoy son libres y prósperos no tienen un líder, porque el "líder" de un País civilizado es su pueblo indignado, que un buen día decidió no aceptar más vejámenes y salió a la calle sin miedo a reivindicar sus derechos o como mínimo a solidarizarse con aquellos que ponen el cuerpo en la lucha por una mejor sociedad para TODOS. Podemos hacer que cambien las cosas. Si no lo hacemos este año, la estupidez continuará insistiendo hasta que el ciclo termine, pero con nosotros.

Cuando Colombia le duela y le importe a cada Colombiano, entonces, seremos todos líderes y acabaremos con La Peste.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

COMUNISTAS, UNI-VOS! * Antonio Cabral Filho / RJ

COMUNISTAS, UNI-VOS!
Precisamos de uma nova concepção de esquerda. Melhor, precisamos desmistificar o que venha a ser esquerda nesse espectro de partidos burgueses que dão sustentação ao sistema capitalista, e, no entanto, se fazem passar por esquerda. Para tanto, contam com o beneplácito da imprensa “dita cuja”, que recebe muito bem para isso, ou seja, manter desinformada aquela camada de mentes massificadas necessária para o uso oportuno em benefício da dominação.

Essa esquerda vem contando ao longo da história, desde que Marx e Engels publicaram o Manifesto comunista, com a vaga idéia de que pelo fato de se denominar como tal, é o suficiente para desfrutar da credibilidade necessária na hora de manipular os oprimidos.

Lá no Manifesto Comunista está escrito que os comunistas participarão das eleições burguesas. Até aí... Mas esquerda é sinônimo de comunista? Claro que não. Para resolver isso, propagaram a palavra socialista. E em nome de uma denominação vaga, todo oportunismo tem castigado os oprimidos, os trabalhadores e demais camadas da sociedade capitalista. 

A pilantragem reside aí. Todo oportunista se faz passar por socialista. Se formos puxar pela história, vamos gastar muito fosfato para passarmos isso a limpo. Mas vamos limpar o campo. Basta diferenciarmos socialismo de comunismo. E o que é SOCIALISMO?

Bom, vamos historiar a nossa resposta, senão vão nos acusar de reducionismo. Vejamos a primeira revolução feita no mundo sob a marca do comunismo: A REVOLUÇÃO RUSSA. Ela foi comunista ou socialista? A bem da verdade, nem uma coisa nem a outra. Porque a simples tentativa de democratização das relações de poder após a tomada do aparato estatal em 1917, foi totalmente travada pela direção do POSDR – Partido Operário Social Democrata Russo, com a intervenção nos Conselhos Operários e Populares, os SOVIETS, decidindo quem poderia ou não fazer parte dos seus quadros. Esse foi o primeiro e primordial problema ocorrido na tenra revolução. O segundo foi quanto à gestão administrativa. Os SOVIETS não mandaram em nada. Todas as decisões saiam da cúpula montada pelo partido para cuidar disso. Esse foi o terreno fértil do qual saiu a NEP – Nova Política Econômica,

que deu rumos capitalistas à economia soviética, acusada em larga escala pela mídia burguesa de burocrática e estatal. E essa foi a grande contribuição do “estado soviético” para a caracterização do seu modus operandi como CAPITALISMO DE ESTADO.

A segunda experiência foi a China. Alguém tem dúvida de que é o mesmo modelo? Eu não tenho, até porque Mao foi beber na mão de Stálin.

A terceira experiência foi Cuba. Esta, desde a “crise dos mísseis”, ainda depende da ajuda externa. Não desenvolveu nada próprio. Sequer no campo militar e ainda agora não passa de uma feira de produtos de quinta vindos da China, que substituiu a URSS, em aliança com a Rússia.

Quer mais exemplos? Eu acho que basta. Em nenhum desses países, o povo decide coisa alguma, até porque o “cerco do imperialismo” funciona como espantalho para justificar a presença e repressão do “estado” a tudo que se imagina.

E aí, será que podemos perguntar: é socialismo ou comunismo? Nem uma coisa nem outra. Simplesmente capitalismo. 

No entanto, uma certa “esquerda” propaga uma carreta de valores sobre esses países. O poderio militar russo, o avanço tecnológico chinês, a saúde e a educação cubanas, justificam suas posturas pseudo-esquerdistas. Só que nada disso sustenta suas políticas de conciliação de classes nos países massacrados pelo imperialismo. Ser social-democrata lá na Europa, com os altos padrões de vida sustentados às custas das colônias, é fácil. Dizer-se socialista lá na França nas rodas intelectuais do quartier latim, é lindo. Dizer-se de esquerda por ser persona non grata nos EUA, dá voto. Mas tudo isso não vai além de um “aval” nas altas camadas gestoras do capital para ser nomeado gerente setorial das multinacionais em algum continente cheio de cobiças. A América Latina que o diga. Todos os dirigentes de esquerda dessa região são abonados por algum “Tio” europeu ou norte-americano.

Então? O que é socialismo? O que é comunismo? Para responder a isso, podemos ir aos livros, inclusive os manuais. Porque nem um nem o outro existiram até agora entre os viventes. O que chamam de socialismo, não passa de política de compensação, ou seja, o estado reduz a carga de impostos contanto que o empresariado invista em melhores condições de vida para a sociedade. Ora veja, ninguém precisa de Marx para resolver isso. Basta um Keynes. Políticas sociais sustentadas com os impostos arrecadados do setor privado só geram mais riqueza para o setor privado. E não vai além de um círculo vicioso. Ninguém precisa ser socialista nem comunista por causa disso. Qualquer populista de direita faz isso muito bem...e ainda chama patrão de companheiro.

Ao longo de toda a história política ocidental existem centenas de entidades, denominadas atualmente como ONGs, que são disfarces de partidos políticos, em sua maioria de direita. Mas a social-democracia não fica para trás. Sempre que um partido social-democrata chega ao governo, terceiriza um conjunto de serviços para suas entidades a fim de fazer caixa. Aí entram seus apaniguados, todos credenciados como “socialistas”, ou de “esquerda”. Há inclusive uns tipos que se empinam todos em posição de sentido com a mãozinha direita sobre o lado esquerdo do peito para cantar a Internacional e arrotam: “Sou comunista!”

Mas, e aí? Já podemos diferenciar quem é ESQUERDA de quem é COMUNISTA?

Vamos lá. Primeiro, o que conhecemos como ESQUERDA tem até folclore, e originado lá na França. E aconteceu porque no período da França revolucionária, os monarquistas e seus asseclas sentaram-se do lado direito do parlamento, arrastando consigo todos os estratos elitistas. Do outro lado, sentaram-se os restantes. Esses, reuniam diversos segmentos sócio-econômicos, tais como burgueses descontentes com os impostos, urbanos e rurais, pequenos ofícios e as camadas operárias. Ou seja, a ralé. Só que dentre ela tinha uma parte revolucionária, gente organizada e dirigida politicamente, pelo menos para aquele contexto: eram os Jacobinos. E assim, aquele lado em que se sentavam e atitude combativa dos Jacobinos ficaram conhecidas como uma posição política. Por isso, hoje, um bando de calça frouxa, fundilhos surrados, mãos-leves de todo tipo, se diz ESQUERDA, e até se ilustra com a palavra SOCIALISTA.

Quem não presenciou ainda um burguês gordo, corrupto e “flatolento”, gritando vivas ao socialismo? No Brasil, temos até o termo “socialaite” para se referir às burguesas mais boêmias. Mas e o que isso tudo chamado de ESQUERDA, SOCIALISMO tem a ver com ideologia? O socialismo seria uma caracterização ideológica? Será que as experiências denominadas socialistas são caracterizações ideológicas?

Vejamos: existem duas ideologias historicamente comprovadas, a capitalista e a comunista. Ambas se opõem em tudo que diz respeito à propriedade privada capitalista. Enquanto a ideologia capitalista defende a apropriação unilateral dos frutos do trabalha coletivo, a ideologia comunista propõe a distribuição desse resultado equitativamente. Daí resulta a grande questão, aonde entra o socialismo? Qual sua posição sobre a propriedade privada capitalista? Sabemos que o conceito comunista de revolução implica na expropriação da propriedade privada capitalista, e nas experiências “socialistas” conhecidas até agora tem havido, no máximo, somente uma troca de patrões. Então, qual é a essência de tais caracterizações?

E A ESQUERDA...

E em relação à esquerda nem vale a pena discutir, uma vez que a mesma se caracteriza, apenas, por fazer oposição dentro da ordem. A esquerda não existe fora da ordem burguesa, até porque isso não lhe interessa, senão ela deixaria de ser uma esquerda do sistema, dócil, adestrada, parlamentar, eleitoreira, e passaria a ser um instrumento de ruptura com o sistema capitalista, o que a transformaria numa força revolucionária a serviço do comunismo. Por isso, ninguém vai encontrar os ditos partidos de esquerda combatendo no campo da revolução proletária. Por isso, ser de esquerda virou moda, moda dos oportunistas, ludibriadores da massa explorada e oprimida, para arrumar mandatos às custas dela e nunca mais baterem cartão de ponto, nunca mais comerem marmita requentada ou viajarem de trem ou ônibus lotados, muito menos suarem suas camisas importadas às custas da peãozada. Dentre esses tipos há os que se dizem socialistas, diferenciando-se dos simplesmente de esquerda só para justificarem seus diplomas lá das universidades públicas bancadas com o suor do povo.

MAS DIZER-SE COMUNISTA...

Comunista, é coisa séria. É opor-se ao capitalismo, à propriedade privada capitalista, ao roubo da força de trabalho do operário, ao lucro fruto do roubo, enfim, opor-se à exploração do trabalho alheio. 

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sexta-feira, 26 de junho de 2020

CONSCIÊNCIA DE CLASSE * Valdi Gonçalves Pinto - PA

CONSCIÊNCIA DE CLASSE:
O QUE DEVEMOS FAZER PARA QUE VOLTE A SER CONSTRUÍDA A CONSCIÊNCIA DE CLASSE DOS TRABALHADORES

A principal e mais atual ou moderna estratégia de dominação de classe da burguesia, está estruturada no desarme ideológico dos dominados, que para serem o que são é necessário que não tenham qualquer perspectiva de desenvolvimento da sua consciência de classe, condição essa que, por sua vez e para tal, só é possível ocorrer se existir um projeto ideológico de sociedade alternativo a sociedade vigente, para que assim os trabalhadores possam acreditarem ou terem a esperança de que poderiam viver em um mundo melhor, só possível de ser construído por meio da emancipação social deles próprios, o que consequentemente acarretaria na abolição da sociedade de classe e opressora atual.

Por isso projetos de sociedades opressoras e/ou fracassados são postos insistentemente como única alternativa possível ao capital, ao mesmo tempo que o socialismo é associado aos regimes burocráticos do leste europeu que nem de longe poderiam serem considerados democracias operárias socialistas, coisa que o movimento de massas nem sequer imagina que existiu. Mas essa associação à tudo que seja negativo, não é feita apenas aos ex-estados burocráticos do Leste Europeu, (entendidos e difundidos incorretamente como exemplos e modelos de socialismo), mesmo porque nem sequer existem mais, o que dificulta a que essa associação produza o efeito que pretendem.

 ALIENAÇÃO CONTRA A CLASSE TRABALHADORA

Assim, qualquer movimento político ou governo defendido pelo setor mais organizado da classe trabalhadora como inclusive governos pró-capitalistas minimamente reformistas, como os petistas no Brasil e os chavistas na Venezuela, são boicotados pelos grandes grupos capitalistas e pelo imperialismo para serem vistos como projetos fracassados e incapazes de funcionar, por serem vistos como socializantes, mesmo quando na verdade são estratégias de conciliação de classes para garantir a existência do capitalismo por meio de esmolas da classe dominante. O importante para eles é a desconstrução dos movimentos sociais e de qualquer forma de luta que inspire a auto-organização progressiva da classe trabalhadora.

Assim é necessário que deixemos claro que todos os movimentos sociais e organizações da esquerda, são representações dos diferentes níveis de consciência da classe trabalhadora e que para o mesmo avançar e para essas organizações de fato serem as representações políticas da classe trabalhadora, é necessário que seja difundido pelas mesmas uma saída ou uma resposta ideológica de classe radicalmente alternativa ao capital e que seja capaz de se tornar a única esperança da classe, capaz de erradicar definitivamente o capital, sem nenhuma possibilidade de degeneração, como já ocorreu no passado e por essa razão passou a ser negado pela classe como uma fonte geradora de esperança. Só assim a consciência de classe poderá ressurgir entre os trabalhadores.


Valdi Gonçalves Pinto - PA
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domingo, 12 de abril de 2020

Direita X Esquerda * Elias de França - CE


DIREITA X ESQUERDA
CONSCIÊNCIA DE CLASSE X ALIENAÇÃO
(Elias de França - Crateús - Ce)

A dicotomia direita x esquerda não é responsável pela divisão da sociedade. Ao contrário, é uma consequência dessa divisão/estratificação. Todas as formas de sociedade que existiram e que puderam ser conhecidas por nós, hoje, apresentavam grandes segregações sob diversos pretextos: por nacionalidade, clã, credo, raça, cultura, status social (no Feudalismo) e, a partir dos tempos pós iluministas, perfil econômico.

Girondinos e Jacobinos (que deram origem a tal dicotomia durante a revolução francesa, em função do lado em que sentavam no parlamento) eram ambos partidos revolucionários, norteados por ideais iluministas e que depuseram o rei Luís XVI, mas, no ensejo em que ocuparam o poder, guilhotinaram uns aos outros, deixando o governo com o tirano Napoleão Bonaparte, que saiu matando  a tudo e a todos, mundo a fora, em nome do liberalismo econômico. Mas o que distinguia mesmo jacobinos e girondinos era sua respectiva classe social, em que estes representavam a elite econômica (alta burguesia), enquanto aqueles a plebe, os artistas e artesãos.

A sociedade brasileira, como todas as outras, é completamente dividida, fundamentalmente pelo perfil econômico de seus cidadãos e - pior - apresentando, nos dias atuais, polaridades esdrúxulas até, como sul/sudestinos x norte/nordestinos, cristãos fundamentalistas x cristãos progressistas/não cristãos, LGBTIs x heterossexuais, "coxinhas" x "mortadelas", militares x civis...

Assumir posicionamento classista de direita ou de esquerda, pois, nada mais é do que manifestar-se conscientemente quanto a sua pertença de classe social. Tal consciência ou alienação dessa pertença é que define politicamente as bandeiras de cada um. A pessoa alienada de sua pertença tende a assumir a defesa de bandeiras contrárias aos interesses de sua classe social. Neste grupo podemos situar os trabalhadores que apoiaram o golpe/2016, a quem o saudoso Tim Maia definiria como "pobres de direita". Já os que tem consciência de sua pertença classista costumam posicionarem-se politicamente empunhando suas causas, pleitos e reivindicações ao clamor de suas necessidades socioeconômicas, sem se deixarem levar pelas manipulações midiáticas ou do senso comum.

A consciência, pois, é o luzeiro da ação política do sujeito histórico. Para tanto,  há que ser construída nos parâmetros da criticidade, o ser social se reconhecendo em pertença, atuando no mundo com os seus, transformando a realidade. Sob a ótica do grande Paulo Freire, CONSCIÊNCIA com AÇÃO equivale a CONSCIENTIZAÇÃO, perceber-se e reconhecer-se quem se é, com quem e onde é, para, daí, desenvolver em utopia o ideal do onde chegar e, com os seus pares, fazer acontecer.

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