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domingo, 19 de maio de 2024

SIONISMO: ARMA DO IMPERIALISMO * Harpal Brar

SIONISMO: ARMA DO IMPERIALISMO
Nota:

Recebemos e divulgamos este panfleto escrito pelo ativista indiano-britânico Harpal Brar, do CP-MLGB, que foi proibido na Grã-Bretanha. É urgente lê-lo e difundir a voz. Agradecemos aos companheiros da CPML-GB por disponibilizá-lo.
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O sionismo não é um projeto judaico; é uma construção imperialista – um instrumento para perpetuar a dominação imperialista no Médio Oriente. O seu principal objectivo é garantir a continuação do controlo imperialista das reservas de petróleo e gás da região.

O Estado sionista de Israel é uma adaga apontada ao coração do movimento democrático-revolucionário do povo árabe. Ao mesmo tempo, subjugou mentalmente uma grande proporção dos judeus do mundo – pessoas que antigamente se encontravam nas primeiras fileiras de todos os movimentos democráticos e socialistas.

Devido à supressão da verdade histórica sobre o sionismo, as massas em geral, incluindo as massas judaicas, desconhecem a verdadeira natureza desta ideologia perniciosa, que é racista, anti-semita e reaccionária na sua essência.

Como fruto malformado das intrigas imperialistas e da ideologia sionista enlouquecida, o Estado israelita construído artificialmente está fadado a revelar-se um aborto histórico. Sendo uma empresa colonial que surgiu numa altura em que o colonialismo já tinha ultrapassado o seu prazo de validade, Israel está fadado ao colapso devido à resistência das massas palestinianas e à fadiga trazida à população colonizadora judaica pela guerra sem fim.

Este panfleto é a nossa pequena contribuição para expor e derrotar esta ferramenta viciosa do imperialismo.

Por Harpal Brar

terça-feira, 21 de março de 2023

O FASCISMO QUER RESSURREIÇÃO * Observatório Proletário / Brasil

O FASCISMO QUER RESSURREIÇÃO
NOTA
Não tenhamos dúvidas de que o nazismo, disfarçado de mil e uma maneiras, inclusive como "bolsonarismo", sempre tentou ressuscitar-se. Desde seu seu mais antigo "cemitério" chamado Europa, onde já foi enterrado diversas vezes, ele não encontra repouso suficiente, graças às exigências que seu dono - O CAPITALISMO - lhe faz o tempo todo, para manter o ritmo da máquina de calcular na checagem dos dividendos. Só por isso, e nada mais, o nazismo, em suas mais variadas expressões, ainda agoniza às margem das valas rasas.

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TEXTOS DE JOSÉ FUCS

Com a discussão sobre um possível flerte do presidente Jair Bolsonaro e de parte de seus apoiadores com o autoritarismo e o fascismo na ordem do dia, turbinada pelo inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a realização de atos considerados antidemocráticos, um novo livro dedicado ao integralismo promete esquentar ainda mais o debate sobre a questão.

Intitulado O Fascismo em Camisas Verdes - do Integralismo ao Neointegralismo, o livro vai além da história do movimento criado pelo político e escritor Plínio Salgado, em 1932, e procura relacioná-lo com o presidente, os bolsonaristas e os grupos de extrema direita que surgiram no País nos últimos anos.

Numa manobra arriscada, os historiadores Odilon Caldeira Neto e Leandro Pereira Gonçalves, professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) e autores de outros títulos sobre o tema, misturam acontecimentos longínquos, cuja análise é favorecida pela ação do tempo, com fatos atuais, cujos desdobramentos ainda estão por se revelar em toda a sua extensão.

Em nome da atualidade da obra, cujo lançamento da edição digital está marcado para a próxima terça-feira, eles resolveram encarar o desafio, mesmo sem ter o distanciamento que costuma permitir uma melhor compreensão dos acontecimentos históricos e do papel desempenhado por seus protagonistas.

Ao final, porém, podem ter chegado a conclusões precipitadas, ao concluir que Bolsonaro carrega os genes do integralismo e do fascismo, presentes também nos grupos neointegralistas. Mesmo levando em conta que, de um jeito ou de outro, Bolsonaro está participando do jogo democrático, eles o colocam na extrema-direita do espectro ideológico, lado a lado com os neointegralistas, defensores da mudança do regime, com a adoção do chamado Estado integral, formado por representantes de categorias profissionais, como pregava Plínio Salgado nos velhos tempos.

Para os autores do livro, Bolsonaro já deu diversas demonstrações ao longo de sua trajetória política que o afastam até do que eles classificam de direita radical e o aproximam dos integralistas e da extrema direita, como o apoio ao regime militar, o anticomunismo, o antidemocratismo e o conservadorismo na área de costumes. A crítica à "velha política", presente em seu discurso de campanha e hoje deixada de lado, em razão da aliança firmada com o Centrão, é outro ponto que reforça, na visão dos autores, sua identificação com os integralistas em seus primórdios, quando se levantavam contra as forças políticas tradicionais.

É preciso levar em conta, porém, que a política econômica liberal praticada pelo ministro Paulo Guedes pouco ou nada tem a ver com o nacionalismo e o protecionismo defendidos pelos integralistas ou neointegralistas. São, aliás, motivo de rusgas com Bolsonaro. O mesmo se pode dizer em relação à aproximação do Brasil com os Estados Unidos e com Israel, promovida pelo atual governo, alvo de críticas contundentes dos neointegralistas. Ao contrário da maior parte dos grupos que reivindicam a herança do integralismo, que sempre cultivou um sentimento antissemita, principalmente as correntes mais identificadas com o advogado e escritor cearense Gustavo Barroso, Bolsonaro também, ao que se sabe, não costuma colocar os judeus como a razão de todos os males do mundo.

Hoje em dia, o termo fascismo perdeu muito de seu significado original. Os traços autoritários de Bolsonaro e de muitos de seus seguidores podem ser observados a olho nu. Provavelmente, as ideias e as posturas de Bolsonaro tenham pontos em comum com as dos integralistas. Agora, também há divergências, que o afastam do grupo. Carimbar o presidente como fascista pode ser compreensível no jogo político, por parte de seus adversários. Agora, do ponto de vista histórico, ainda é algo que está por se confirmar.

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Em meio à percepção de que o presidente Jair Bolsonaro e parte de seus apoiadores representam uma versão tupiniquim do fascismo no século 21, que prospera entre seus adversários, um novo livro se propõe a iluminar o debate sobre o tema.

Escrito pelo jornalista Pedro Doria, colunista do Estadão, com o título Fascismo à Brasileira e lançamento marcado para esta quinta-feira, 17, em palestra virtual do autor, o livro procura avaliar as diferenças e semelhanças entre o bolsonarismo, o integralismo e o fascismo, a partir da história da Ação Integralista Brasileira (AIB) e do movimento criado em 1915 na Itália por Benito Mussolini, ditador que comandou o país com mão de ferro por 23 anos, de 1922 a 1945.

Fundada em 1932 pelo político, escritor e jornalista Plínio Salgado (1895-1975) e extinta em 1937, com a decretação do Estado Novo por Getúlio Vargas, a AIB foi uma versão nacional do movimento fascista italiano. Em seu auge, segundo Doria, chegou a ter um milhão de filiados e foi o maior movimento fascista do mundo fora da Europa e o maior grupo de direta do País, até a eleição de Bolsonaro e o surgimento do bolsonarismo.

Embora tenha a pretensão de fazer a ponte do bolsonarismo com o integralismo e o fascismo, a obra tem como ponto alto a pesquisa que Doria realizou sobre a vida e a trajetória pessoal, intelectual e política de Salgado, até hoje venerado por seus seguidores. Destacam-se também os relatos sobre a interação de Salgado, chefe absoluto do integralismo, com personalidades do País e do exterior e com correligionários que o acompanharam na construção e nas atividades da AIB - em especial, o historiador Gustavo Barroso, comandante das milícias do movimento e líder da ala antissemita, e o jurista Miguel Reale, responsável pelo Departamento de Doutrina, no qual detalhou a estrutura do que seria um Estado integralista, centrado na eleição de representantes de categorias profissionais, em linha com o corporativismo fascista.

'Galinhas verdes'

Numa narrativa envolvente, rica em detalhes, Doria conta como foi o encontro de Salgado com Mussolini, no Palazzo Venezia, em Roma, em 1930, que selou sua admiração pelo fascismo, dois anos antes da fundação da AIB. "O encontro com Mussolini foi apenas o momento histórico em que tomei a decisão", escreveu o líder integralista a um amigo, semanas depois, de acordo com o autor.

Doria relata também como foi a primeira marcha da AIB, realizada em São Paulo, em 23 de abril de 1933, quando Salgado e os demais dirigentes do movimento vestiram pela primeira vez as célebres camisas verdes, e o conflito ocorrido na Praça da Sé, também na capital paulista, em 1934, quando milhares de militantes que iriam participar de uma manifestação integralista foram recebidos à bala por apoiadores da Frente Única Antifascista, instalados em prédios da região - incidente que ficou conhecido como a "Revoada das Galinhas Verdes".

O livro traz também dois episódios pouco conhecidos da vida de Salgado. Um era a sua ligação com o banqueiro Alfredo Egydio de Souza Aranha, fundador do Banco Federal de Crédito, embrião do atual Itaú Unibanco, que foi uma espécie de mecenas para ele e pagou as despesas de sua viagem à Europa, quando se encontrou com Mussolini. O outro, a leitura de seus poemas na Semana de Arte Moderna de 1922, quando reforçou sua relação com os poetas Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo, com quem criaria o Movimento Verde-Amarelo, que permaneceram seus grandes amigos até a sua morte.

Estado mínimo

A ligação do integralismo e do fascismo com o bolsonarismo é tratada apenas no início do livro e no capítulo final, sem que o autor chegue a uma conclusão definitiva. Em resposta à pergunta "Bolsonaro é fascista?", Doria responde: "Depende de como se define a palavra fascista. É a única resposta possível".

Nas primeiras passagens da obra, porém, Doria afirma que "os afetos do bolsonarismo são fascistas". Também diz que Bolsonaro e sua tropa de choque formam um movimento de "extrema direita", porque "não há forças à sua direita no Congresso". Por outro lado, afirma que "Bolsonaro foi eleito" e que "esta não é uma diferença irrelevante". Diz ainda que "buscar o Estado mínimo e promover o fascismo são incompatíveis" e que "o liberalismo defendido por (Paulo) Guedes (ministro da Economia) é uma ideologia de destruição do Estado que tem por objetivo impedir que ele se torne fascista". Talvez, em meio à polarização predominante neste campo hoje no País, ficar "em cima do muro" seja um avanço.
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sábado, 17 de dezembro de 2022

NAZISMO CONDENADO NA ONU * Missão Verdade.RT

NAZISMO CONDENADO NA ONU

O nazismo está ressurgindo e parece não incomodar os Estados Unidos e outros países onde até o Führer realizou extermínios.

Foi o que demonstrou esta quinta-feira, 15 de dezembro, quando a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução apresentada pela Rússia e chamada 'Lutar contra a glorificação do nazismo, neonazismo e outras práticas que contribuem para exacerbar as formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e formas conexas de intolerância', em que 50 votaram contra e 10 se abstiveram.


A maioria dos países que votaram contra são europeus. Estados Unidos, Ucrânia, Reino Unido, Canadá, Espanha, Áustria, Bélgica, Croácia, República Tcheca, França, Hungria, Letônia, Polônia e Portugal, entre outros, são alguns deles. Enquanto isso, as delegações que se abstiveram foram as do Afeganistão, Equador, Mianmar, Palau, Panamá, Papua Nova Guiné, Samoa, Coréia do Sul, Suíça e Turquia.

Esta resolução, desde que foi adotada, é votada anualmente pelos países membros do organismo multilateral. Este ano, o documento foi co-patrocinado pelo Azerbaijão, Belarus, Venezuela, Camboja, Coréia do Norte, República Centro-Africana, Cuba, Guiné Equatorial, Laos, Mali, Nicarágua, Paquistão, África do Sul, Sudão, Síria e Vietnã.

Sem dúvida, esse processo toma o pulso de como o nazismo está sendo aceito nos países europeus, o que coincide com a posição que eles assumiram contra a operação militar especial russa que busca desnazificar a Ucrânia.

Por isso, não surpreende que tenha aumentado a profanação e destruição de monumentos erguidos em homenagem aos que lutaram contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

"O resultado da votação deste ano é simplesmente escandaloso. Pela primeira vez na história da ONU, os ex-membros do Eixo votaram contra um documento que condenava o nazismo e confirmava a santidade dos resultados da Segunda Guerra Mundial. Copa do Mundo ”, disse o vice-representante permanente da Rússia na ONU, Gennadi Kuzmin, 
informou a RT .

domingo, 24 de abril de 2022

TERRORISMO EM NOVA YORK * Observatório Proletários / Brasil

TERRORISMO EM NOVA YORK
Não sei se a intenção do cineasta é promover o tiosam, mas me parece mais um empurrãozinho na islamonofia. Confiram. Eu quero estar errado...

VIDEO 1
VIDEO 2
VIDEO 3
VIDEO 4
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sexta-feira, 11 de março de 2022

GUERRAS E DIREITO INTERNACIONAL * José Rafael Pérez Castillo / VEN

GUERRAS E DIREITO INTERNACIONAL
Exibição nazista ucraniana

Por: José Rafael Pérez Castillo Março de 2022

O direito internacional público é, em uma definição simples, o conjunto de regras que regem a relação entre os Estados, sob os princípios de soberania, autodeterminação, respeito mútuo, equidade e justiça. Este direito internacional se expressa através de tratados, acordos, convenções, jurisprudências, etc., que para serem aplicados devem e devem ser acordados e assinados por cada Estado. É uma espécie de “deve ser” dos Estados. Cada Estado tem um conjunto de obrigações com o resto da comunidade internacional (entendido por “comunidade internacional, não uma parcialidade de Estados, mas de TODOS os Estados), e, da mesma forma, cada Estado tem deveres e obrigações de respeitar as normas. Até aqui tudo parece bem, mas acontece que no desenvolvimento prático das relações entre os Estados nem sempre a Lei é respeitada. O Direito Internacional, que deveria pautar o comportamento das elites que governam cada Estado, não é justamente a principal fonte que impõe respeito, e digo “impor” em seu sentido amplo de “forçar” alguns Estados a compartilhar e permitir a vontade de outros estados. De tal forma que, a meu ver, a fonte das relações e mudanças mundiais não é o Direito Internacional, é, em uma equação invertida e infeliz, a guerra e a violência que historicamente têm sido a fonte das relações entre Estados.

DERROTAR OTAN

 Assim, em cada conflito, em cada guerra, o Estado vitorioso ou os Estados vitoriosos estabelecem as normas, ou seja, estabelecem qual é o Direito Internacional aplicável. "A violência é a parteira da história ", disse Marx. Muitos advogados e "especialistas" ficarão surpresos com esse critério, mas os fatos históricos estão aí. As pessoas mentem e podem tentar distorcer os fatos, mas os fatos não mentem. Apenas para citar alguns exemplos, um distante, ano de 1648: a chamada paz da Vestfália em que terminou a guerra de 30 anos na Alemanha e a guerra de 80 anos entre Espanha e Holanda. Um dos grandes vencedores, a França impôs o tratado. E outro exemplo mais próximo e mais atual: os acordos de Bretton Woods em 1944, já com a Alemanha subjugada e com a Segunda Guerra Mundial favorecendo militarmente os aliados (EUA, Reino Unido, URSS, França) em que 44 "países" definiram as regulamentos. É importante indicar que a URSS e vários países da chamada "órbita soviética" compareceram, mas não assinaram o acordo e muitos países do chamado "terceiro mundo" eram colônias e não tinham representação própria ( A Índia, por exemplo, era uma colônia britânica). Em 1945 foi criada a ONU, substituindo a Liga das Nações. Em ambos os casos, os vencedores, os mais beneficiados, e principalmente os EUA, impõem o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM), e muito importante, estabelecem como e quais países periféricos devem produzir e exportar (entre eles a Venezuela). ). O FMI tem o poder de estabelecer políticas e diretrizes obrigatórias para os países membros (são mais de 180 países membros).Os EUA são o único país que tem poder de veto no FMI. O mesmo acontece na ONU, cinco países (EUA, Rússia, França, Reino Unido e China) têm poder de veto, e apesar de a carta da ONU estabelecer um conjunto de princípios para a resolução de conflitos e terem sido criadas instituições em matéria económica e financeira como a OMC e outros e em questões jurídicas o CIJ e o TPI, muitos dos quais o que eles fazem é reforçar a submissão de países periféricos, países do sul global ou países subdesenvolvidos (como você quiser chamá-los), a Ganância, arrogância, arrogância e a motivação do lucro sem fim perseguido pela elite mundial não foram suficientes para ele. 

DERROTAR USA

Dessa forma, os EUA controlam todos os países da periferia e controlam a Europa, que trocou sua segurança pela subjugação. Os EUA administram a Europa militarmente através da OTAN (eles dirigem o comando militar, os europeus devem pagar entre 2% e 3% do seu PIB à OTAN, encheram todo o continente de bases militares); Eles controlam uma grande parte da economia europeia através do FMI e do Banco Mundial. Assim temos que pularam a linha, atravessaram a barreira imposta por eles mesmos desencadeando um verdadeiro caos universal, sem respeito pelos direitos dos outros. Na chamada “guerra fria” EUA, França e Reino Unido devastaram a África, houve invasões na América Latina. A URSS não ficou muito atrás e invadiu a Hungria em 1956, a Tchecoslováquia em 1968 e o Afeganistão em 1979. "Só o poder limita o poder" , disse Maquiavel. Assim, os EUA pensaram em intimidar a URSS colocando mísseis na Turquia em 1962 e os soviéticos responderam instalando mísseis em Cuba com destino à Flórida. Mas a história é teimosa. Com a dissolução da URSS, que colocou um contrapeso ao poder dos EUA, os EUA, invocando a doutrina do "destino manifesto" segundo a qual estão predestinados a conduzir a Terra como bem entendem e à sua imagem e semelhança, sem limites éticos, guerras desencadeadas. Foi assim que em 1999 a OTAN bombardeou a Iogoslávia, sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, chutando o fraco Direito Internacional desenhado por eles mesmos. Já no Vietnã eles arrasaram aldeias e plantações usando napalm, na Iugoslávia usaram urânio enriquecido (proibido como arma letal), atacaram alvos civis (proibidos por convenções internacionais) como RÁDIO e TV sérvios; atacaram a embaixada chinesa (protegida pelo princípio da extraterritorialidade). Uma guerra promovida e dirigida pelo chamado "trio açougueiro de Belgrado" formado por Bill Clinton (então presidente dos Estados Unidos), Al Gore (vice-presidente) e Joe Biden (chefe do senado), com esta guerra, como afirmou o sociólogo alemão Jutta Ditfurhla, a OTAN seguiu o plano de afastar a Rússia da competição global e enviar à China um sinal de alerta. Foi então, e ainda é hoje, continuou, sobre as diferentes rotas para a Ásia Central, as rotas para as matérias-primas, também pelos Balcãs. O objetivo são os enormes recursos naturais na forma de ouro, urânio e até 30.000 toneladas de petróleo que se encontram entre a Turquia e a China e os territórios ao redor do Mar Cáspio. Desta forma, a Rússia é cercada, ao mesmo tempo em que cria uma ponte da Europa Ocidental para o Oriente Próximo e Médio. 

De tal forma que o tenso contra a Rússia não é novo. O insaciável crescimento econômico dos EUA baseado em um sistema financeiro sem suporte, bem como gastos militares incomuns que se estendem aos outros países em sua órbita, desencadearam uma enxurrada de intervenções e guerras que devastaram a África, o Oriente Médio ampliado ou parte da Ásia. O caso africano é emblemático, um continente devastado nos dois séculos anteriores pelo Reino Unido, Bélgica, Alemanha, França, Holanda, e hoje continua sendo palco de uma guerra sem fim disfarçada de conflitos étnicos e lutas tribais e religiosas, mas o que se esconde é a luta infernal dos EUA, Rússia, China, Reino Unido e França pelo controle, saque e roubo de mais de sessenta (60) tipos de minerais, um terço (⅓) das reservas minerais do mundo que inclui platina, ouro, coltan, cobalto, tântalo, diamantes, prata. Os invasores-assassinos-estupradores que neocolonizam a África garantem que essas guerras não transcendam. As Guerras Esquecidas (como indiquei em um artigo anterior). Mas no momento em que este artigo está sendo escrito ou lido, milhares de crianças estão morrendo sem eco em uma opinião pública racista e classista, cujo umbigo do mundo é o norte da Europa Central e os EUA.

LABORATÓRIOS MILITARES UCRANIANOS


A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL ?

Dissemos que é a guerra que determina a aplicação do Direito Internacional e não o contrário. A guerra tem causas essencialmente econômicas (controle de território, recursos, tecnologia, mercados etc.), mas sempre se coloca uma máscara de hipocrisia ética, que se repete em textos, na mídia e nas redes sociais.

Estupidez repetida, disse Galeano. Assim temos que é falso que a causa da Primeira Guerra Mundial tenha sido o assassinato do arquiduque austríaco Franz Ferdinand em Sarajevo em 1914, a verdade é que fazia muito tempo que aquela guerra havia começado, A revolução industrial foi caracterizada por uma série de mudanças: novas fontes de energia (petróleo e eletricidade), novos setores produtivos (químico, siderúrgico e alimentício), surgiram novas potências como EUA e Japão que se juntaram às já existentes (Grã-Bretanha, Alemanha, França). A Alemanha ganhou terreno econômico da Grã-Bretanha devido à natureza mais competitiva e moderna de sua indústria e tornou-se o líder econômico indiscutível. Ao mesmo tempo, tentou por todos os meios arrancar os mercados tradicionais da Inglaterra, tanto européia (Bélgica, Holanda, Rússia) quanto das colônias africanas, tornando-se um sério rival comercial. Durante o século XIX, a Grã-Bretanha e a França compartilharam grande parte do mundo. No início do século seguinte, o peso econômico da Alemanha superava o de ambos. No entanto, esse poder não correspondia ao pequeno número de suas posses no sudoeste e leste da África, Togo e Camarões, bem como alguns arquipélagos no Pacífico. A Alemanha exigia uma nova realidade colonial, algo que a Grã-Bretanha e a França tentaram impedir. Dois episódios começaram a Grande Guerra. Eles ocorreram entre 1904 e 1911 no Marrocos, uma área sob as aspirações coloniais francesas que a Alemanha usou para obter seus próprios benefícios coloniais. Eram conhecidas como "crises marroquinas", Sérvia, Bulgária e Grécia também já estavam em guerra contra Turquia e Áustria em 1912 e em 1913 a Bulgária por sua vez enfrentou Sérvia e Grécia disputando territórios do decadente Império Otomano. A Segunda Guerra Mundial não começou com a invasão alemã da Polônia. Já em 1931 a Alemanha interrompeu o pagamento da dívida de guerra com a França, o Reino Unido e a Bélgica, em atenção que o Tratado de Versalhes quase deixou os alemães de joelhos. A pacífica e católica Polônia, antes de ser invadida pelos alemães e soviéticos, invadiu a Lituânia e a Tchecoslováquia e anexou territórios de ambos os países. A intervenção dos EUA naquela guerra é suspeita, pois depois de ter sido vendedor de armas para os britânicos e alemães, entrou no conflito em dezembro de 1941 e lançou duas bombas atômicas destrutivas contra o Japão em agosto de 1945, com os alemães já rendidos à URSS em maio de 1945. Em outras palavras, a história oficial é sempre uma mentira. Quando três ou quatro décadas se passarem e a guerra Ucrânia (+OTAN)-Rússia for estudada, ainda mais se essa guerra desencadear os demônios de uma guerra maior, a historiografia dirá que a causa foi o expansionismo russo ou os delírios de Putin para conquistar a Europa, ou a outra versão dirá que foi o expansionismo da OTAN e a segurança da Rússia. O trio de netos Sara, Sarita e Lucas poderá afirmar que ambos os critérios não são causas, são consequência de uma verdadeira causa: após a Segunda Guerra Mundial houve uma profunda mudança na geopolítica, que consistiu no fato de que o dois centros de poder Foram os EUA e a URSS. Durante o conflito, os antigos centros de poder, encabeçados por Londres, Berlim e Paris, e atrás deles Roma, foram definitivamente deslocados. Madri e Istambul não contavam mais. Em 1992, quando a União Soviética foi desmantelada, muitos observadores identificaram que os Estados Unidos estavam se tornando a grande potência global, uma espécie de hiperpotência, algo que na realidade só havia sido de 1945 a 1949, quando só ele possuía a forma mais avançada de destruição, militar, bomba nuclear. A China, por sua vez, que sempre foi a cabeça de seu próprio sistema internacional, deixou sua posição de líder após perder uma guerra definitiva contra o Japão em 1894 e, em meados do século, após os desastres da Segunda Guerra Mundial , enfrentou uma sangrenta guerra civil que terminou com a vitória do Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tse Tung, e a república dividida em dois Estados. A República Popular da China estava se tornando rapidamente, sem hesitação ou pausa –desde as reformas governamentais introduzidas por Deng Xiaoping, a partir de 1978–, em uma potência econômica crescente. Foi reformado industrialmente, com apoios muito evidentes na indústria e no desenvolvimento científico advindo da reforma universitária de 1979, que teve como ponto central a sua desideologização e a plena introdução dos principais desenvolvimentos científicos e tecnológicos mundiais, também empreendeu uma modernização militar e uma gestão rigorosa da economia. Lembremos que um grande número de empresas americanas e europeias mudou suas sedes para a China aproveitando a desregulamentação ambiental e trabalhista. A China, por sua vez, aproveitou a tecnologia estrangeira e seu conhecimento industrial ancestral. É aí que se deve situar o início do que se poderia chamar de terceira guerra mundial. Pois bem, é a partir do crescimento da China e, em silêncio, da recuperação da Rússia, que produziu o desespero americano ao se sentir disputada sua supremacia. Os EUA precisavam urgentemente de uma razão, um fato para justificar sua contínua expansão e atacar as duas potências emergentes. O almirante Cebronski, braço direito de Bush, afirmou, como membro do chamado PNAC (Projeto para o Novo Século Americano), um relatório intitulado; reconstruir as defesas da América, "uma nova catástrofe comparável à de Pearl Harbour permitirá que os EUA sejam empurrados para uma guerra pela hegemonia definitiva mundo” Bush era então candidato e Cebronski definiu que “uma guerra sem fim”. Então veio o 11 de setembro de 2001 e já sabemos o que aconteceu. De acordo com essa teoria, não importa quem ganha uma guerra, mas sim iniciá-la e prolongá-la pelo maior tempo possível. Trata-se de destruir Estados, proclamar líderes e presidentes, colocar mercenários e assim ter o controle e saquear todos os recursos (a história mostra: Afeganistão, Líbia, Síria, Iraque, Iêmen, Sudão, Palestina, etc). Todos sabemos que essa loucura implacável dos EUA produziu guerras no Oriente Médio e na África, cometendo atrocidades aplaudidas pela União Européia nesse tipo de relação simbiótica que permite aos europeus endossar os excessos e ultrajes dos americanos. Inquéritos subsequentes sobre os argumentos apresentados pelos EUA para iniciar guerras na Líbia, Síria, Iraque, etc. provaram ser falsos. Essas guerras chegaram ao paroxismo com apologistas na Europa e países ajoelhados na América Latina. A Academia Sueca juntou-se a este coro internacional que presta homenagem à guerra ao atribuir o Prémio Nobel da Paz a Barak Obama por ter bombardeado, causando milhares de mortos, sete países (Afeganistão, Iémen, Iraque, Paquistão, Somália, Líbia e Síria), e não satisfeito por ter sido o presidente que expulsou e perseguiu o maior número de migrantes. São apenas guerras para garantir posições e cercar a Rússia e a China. A luta pela hegemonia não está enraizada na guerra Ucrânia(+OTAN)-Rússia, aqui o que está em disputa é o controle financeiro, militar e econômico da Europa, especialmente da Alemanha. O fornecimento de gás a baixo custo para a Alemanha pela Rússia significa acordos, amizade e reciprocidade, e isso separa os EUA da tutela europeia. A causa da guerra teve um parêntese na guerra fria, basicamente uma disputa ideológica. Agora recuperou sua verdadeira natureza. Podemos dizer que a hegemonia estadunidense, desafiando e esmagando instituições internacionais, controlando o sistema financeiro à vontade, manipulando informações com controle midiático, aplicando chantagem com sanções não estabelecidas no Direito Internacional (somente a ONU tem poderes para aplicar sanções que são apenas uma desculpa para roubar os recursos dos países sancionados) foi um fracasso retumbante. É esta falha que hoje permite o surgimento de novos poderes, que para não serem ingênuos, podem ser iguais ou piores que o anterior, pois afinal os poderes são relativamente “bons” enquanto não são hegemônicos. A independência de Taiwan é boa para os EUA, mas a independência da região de Donbas é ruim; enquanto a independência de Taiwan é ruim para a China, mas a independência de Donbas é boa para a Rússia. Esse tipo de desordem internacional não permite o desenvolvimento dos países periféricos, ao contrário, apenas reforça seu atraso. Por outro lado, o epicentro econômico mundial deslocou-se para a região da Ásia-Pacífico. O sistema que rege desde o fim da Segunda Guerra Mundial até esta data está morrendo, e como diz Aznavour em uma música "para o chão sem demora você tem que vir". Nesse ponto, o Direito Internacional Público e todas as suas instituições (ONU, FMI, TPI, OMC, etc.) se mostram, simplesmente, inúteis, mas eventos inesperados e desesperados de natureza catastrófica podem acontecer para manter a hegemonia e outros para alcançar a supremacia. A guerra Rússia-Ucrânia (+OTAN) reviveu o maniqueísmo, ao estilo de um jogo de beisebol, a grande maioria das pessoas tenta ocupar seu espaço como apoiadores da Ucrânia ou da Rússia. Sistema levantado da mídia e cujo objetivo principal é esconder as verdadeiras causas da guerra. Deste lado do mundo, a grande maioria diz apoiar a Ucrânia, sem motivos convincentes, pois bem, o esnobismo também pesa. Tanto os EUA como a UE têm uma grande parcela de responsabilidade pelo fato de a Ucrânia ter claramente forças nazistas e de ter apreendido recursos fundamentais do poder político, permitindo que um governo resultado de um golpe de estado tenha realizado milhares de de ações violentas contra a população ucraniana não mais pró-russa, mas com passaporte russo, ou incentivando constantemente a entrada da Ucrânia na OTAN comprovam, entre outras razões, a tese da manutenção da hegemonia. E que um ex-ministro das Relações Exteriores do país mais poderoso da União Européia, Gerhard Schröder, é o presidente do conselho de administração da maior companhia petrolífera da Rússia; ou que Hunter Biden, filho de Joe Biden, é o chefe do conselho de administração da empresa de exploração e distribuição de gás Burisma Huldings, uma empresa que saqueia o gás ucraniano. Indica claramente a posição e o afeto de Washington pelo atual governo ucraniano e também o acúmulo de interesses que existem no conflito. Tendemos a nos colocar de um lado, independentemente da análise global. O cérebro está confortável e se adapta e permite, como diz meu querido amigo, o psiquiatra Yaracuyano Manuel Ortíz, que "os duendes caminhem pela mente".

Aqueles "goblins", fantasmas, moinhos de vento que se instalam nas pessoas e as fazem ver inimigos invisíveis. Eles acreditam que estão sendo atacados por um comunismo inexistente, já que tanto a Rússia quanto a China são a quintessência do capitalismo neoliberal. A Venezuela não está muito atrás, a propósito. Essa invenção de fantasmas para evitar ver o verdadeiro inimigo não é nova. Uma entrevista com Muhammad Ali (Cassius Clay) em 1968 vem à mente quando um jornalista lhe pergunta por que ele não quer ir para a Guerra do Vietnã, na qual estão os inimigos dos EUA, o perigo "amarelo" para a América do Norte, Ali respondeu: “Não conheço nenhum vietnamita, não vi nenhum vietnamita, nunca estive no Vietnã, nenhum vietnamita me ofendeu ou me chamou de negro como você me chama. Então, como vou matar vietnamitas?”. As causas das guerras hoje estão longe de ser ideológicas ou uma extensão da Guerra Fria, como afirmam muitos “internacionalistas” famosos. Quem concebe essas guerras dessa forma, mais do que fria, literalmente tem o cérebro congelado. Se lermos o discurso de Bush minutos antes de invadir o Iraque e o discurso de Putin antes de invadir a Ucrânia, perceberemos uma semelhança surpreendente: os clichês de "ser ameaçado", "a segurança de nosso povo", e o mais risível: "a proteção de civis e objetos civis. 

ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS:

-1-Esta guerra não mudará o estilo de vida de bilhões de pessoas que permanecerão na pobreza, falta de educação e serviços fundamentais.2- É o começo (tomando como data a ascensão da China) do fim do império americano, o que não será tão fácil. 3-A Alemanha vai tentar se distanciar do jugo americano. 4-Os EUA, por pressão e provocação devido à guerra, aparentemente conseguem paralisar o gasoduto Nord Strteam 2, mas por causa das empresas que estão envolvidas na sua construção (a russa Gazprom, a francesa Engie, a austríaca OMV, a alemã Wirtensllanll Dea e Uniper e a britânica Shell) e a grande quantidade de dinheiro investido e o dinheiro a ser ganho, esse gasoduto certamente será concluído. 5-A implementação de mecanismos de pagamento (neutralizar SWIFT e o estabelecimento de outras moedas que não o dólar, aliás, já avançado) e mecanismos de câmbio serão reforçados no eixo China-Rússia-Índia-Irã e outros. 6-A Europa sofrerá os efeitos da falta de abastecimento de alimentos, matérias-primas e energia por parte da Rússia e da Ucrânia. 7-A disputa continuará, em grau superlativo, pelo controle de mercados e tecnologia. 8- Nascimento de outras instituições ou reforma da ONU, FMI, BM, OMC e até FIFA. 9- Aumento dos lucros da indústria militar com a venda de armas de
todo tipo e natureza 10- Paralisar questões como clima e caos ambiental, acesso a serviços públicos e educação da maioria na agenda internacional. 11-Na Venezuela, os atritos com os EUA e a Colômbia continuarão, este último país possui bases militares da OTAN em seu território e apoiou abertamente a Ucrânia-OTAN neste conflito e também é um parceiro extracontinental; Por sua vez, o presidente Nicolás Maduro expressou seu apoio inequívoco à Rússia, o que significará maior assistência econômica e militar, apoio que pode aumentar as tensões, por um lado, mas também pode servir como um “escudo dissuasivo” contra possíveis agressões. ( leia o relatório de inteligência das Forças Armadas Argentinas sobre a tentativa de invasão da Venezuela em 2019).-

Apostar na paz e na cessação de TODAS AS GUERRAS, apesar de parecer ingênuo e utópico, ainda é um slogan válido. Diante da estupidez de ser pró-Rússia, pró-Ucrânia, pró-OTAN, pró-EUA; sejamos pró PAZ, pró Justiça, pró desmilitarização, pró Soberania, pró desenvolvimento tecnológico, pró HUMANIDADE.

 Contra o assassinato de meninos, meninas e outras pessoas na África. Contra o massacre de líderes sociais na Colômbia. Contra a repressão e perseguição de migrantes em qualquer parte do mundo. Contra roubo e saque de recursos naturais e matérias-primas na África, Oriente Médio e América Latina. Finalmente, por um mundo justo.

José Rafael Pérez Castillo / VEN

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Onde Há Racismo Não Há Democracia * Observatório Proletários - BR

Onde Há Racismo
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(
"Quando eu morrer
Não me enterrem
Ao Lado De Um Negro"
Pastor Charles Fox Panham,
fundador das Igrejas Assembléia de Deus.
)
Não Há Democracia

sábado, 30 de maio de 2020

*Paranóia ou mistificação, porque é tão difícil combater Bolsonaro?* # Roberto Ponciano/Lauro Lima * Observatório Proletarios-BR


*Paranóia ou mistificação, porque é tão difícil combater Bolsonaro?*
 
Roberto Ponciano e Lauro Lima

Já vi muito texto falando que Bolsonaro não é um lunático, isto é mentira. Ele é um psicótico, paranóico, oligofrênico, e ele comanda uma paranóia coletiva. O fascismo tem esta pré-condição para se instalar como projeto de dominação. Freud dizia que o fascismo era uma histeria coletiva, uma alucinação de massas. Reich, outro psicanalista, dizia que era uma epidemia de praga psíquica, que só tinha sido possível a ele se instalar na Alemanha porque um imenso exército de recalcados, frustrados, explorados, infelizes, sem perspectiva tinha sido criado, e aí, como cogumelos na chuva, o ódio nazista proliferou. Theodor Adorno baseando-se em Freud, afirmava que o fascismo é uma condição atávica de desumanização, é uma paranóia coletiva de frustrados e recalcados dessubjetivados, colocados nesta condição pela exploração capitalista, que ao transformá-los em docéis instrumentos fabris, parafusos de uma engrenagem (lembram, Chaplin, “Tempos Modernos?), os rebaixa a uma condição primitivia, onde as pulsões sadomasoquistas de morte dominam a psiquê humana, individul e coletiva.

O indivíduo é desumanizado, a individualização transforma-se na desindividulização, e o ser se vê esvaziado. A separação do homem da natureza, e de sua natureza, o transforma num autômato hostil aos outros homens.

O fascismo, o nazismo criam o mal absoluto, que é extremamente difícil de combater por ser estrutural. Se querem entender o mal estrutural, assistam ao “Menino do pijama listrado”, o único que se coloca na pele do outro é o menino filho do oficial nazista. O melhor retrato do mal absoluto é a mãe do menino, esposa do chefe do campo de concentração. Ela sabe de tudo, mas finge não saber (assim como bons cristãos, devotos de São Messias Bolsonaro fingem não saber que ele defende a tortura e o extermínio). O marido era bom pai, bom marido e tinha um bom emprego com oficial nazista. Judeus queimados num campo de concentração era um detalhe que tinha de ser eliminado da psiquê, assim, como jovens negros assassinados nas favelas todo dias é um detalhe a ser ignorado, pela nossa “felicidade” de crasse mérdia. Eichmann é o  retrato absoluto do mal estrutural. Funcionário chefe da ferrovia que levava aos judeus a Auschwitz, ele dizia que nunca havia matado um judeu e que seu único trabalho era que os trens não saíssem atrasados. Inclusive, disse orgulhoso em seu julgamento, que nunca um trem saiu fora do horário para os campos de concentração.
O fascismo, o nazismo só funciona partindo-se da desumanização do outro, da criação do inimigo imaginário. Adorno/Horkheimer, em seus “Elementos do antisemitismo”, in “Dialética do esclarecimento”, mostram como funciona a criação destes inimigos imaginários. Rebaixam-se as pessoas a um estado de animismo primitivo mágico, retira-se delas qualquer centelha de racionalidade. Lembram de Damares, na reunião ministerial, uma mulher em estado bruto de primitivismo mágico selvagem? Não se iludam achando que nela só há estratégia, ela é aquele ser esquizofrênico, mesmo que acredita na existência física literal do Diabo. Da mesma maneira que Eichmann era um nazista fanático, que acreditava na realidade paralela criada pelo nazismo; Damares é a personificação da realidade lunática paralela do nazismo tupiniquim. Ela não é mentirosa. É mitômana. Vive num mundo à parte, mas acredita que ele é real. Nela, estratégia de dominação confunde-se com credo fascista disfarçado de evangelismo. Os melhores inquisidores não eram perigosos só por serem inteligentes e ou bom estrategistas, eram perigosos por terem fé cega na Inquisição. Os nazistas realmente acreditavam no Reich de 1000 anos e em Hitler.

Este desgoverno é "A paranóia em estágio delirante." Damares, Bolsonaro, Weintraub e Cia são um bando de psicopatas com um discurso o tempo todo paranóico, e tão somente apelando pro emocional, não possuem nada de racionalidade em suas narrativas. O discurso do fascismo para as grandes massas nunca vai pro lado racional, pois o fascismo não dialoga com a massa de desesperados, humilhados, recalcados, naufragados, sofridos através de um discurso de razão. Apela para o simbólico, para o emocional e para o medo. Medo e raiva, transformam-se na necessidade de catarse e vingança, através da criação de um inimigo imaginário. Ainda citando Adorno/Horckeimer, basta você substituir o judeu errante, criatura mitológica, o bicho-papão de adultos que recusaram-se a crescer, (exatamente porque as condições para seu crescimento espiritual como pessoas lhes foram negadas) pelo inimigo imaginário que você desejar: comunistas, petistas, putas, gays, mulheres… o que você desejar.

O discurso sádico anal do fascismo é historicamente sempre misógino, porque a mulher representaria o útero, a reconciliação, a natureza humana, a fragilidade, a humanização. Não existe fascismo ou nazismo que não seja misógino em sua essência.

Homens castrados e frustrados com discursos fálicos armamentistas são característica básica do nazismo. Quando mulheres aderem ao nazismo e ao fascismo, primeira coisa que atacam é a condição feminina, não é à toa que o discurso nazista-bolsonarista no Brasil é declaradamente antifeminista = misógino.

Assim, o pobre dominado se veste na fantasia do senhor, na dialética do senhor e do escravo. Ele na sua impotência de dominados, delira que é dominante e necessita dar vazão a seus impulsos neuróticos, necessita castrar/matar os inimigos imaginários. E o tânatos (Freud), a pulsão de morte. Os impulsos sádicos anais são descarregados num festim coletivo diabólico no inimigo imaginário a ser dizimado. Assim, o pobre, humilhado, escravizado, se vê como senhor ao exterminar fisicamente seu inimigo imaginário, é o momento em que seu desejo de potência, castrado e castrador, se realiza perseguindo, linchando, matando. É uma volta bestial ao sacrifício primitivo.

E o inimigo passa a ser qualquer um que seu Messias determinar. Todo processo nazista ou fascista se personifica na figura de um líder carismático messiânico que substituiu a figura paterna castradora e violenta. O comportamento das massas fascistas em sua violência é um transe psicótico coletivo. Neste estado de loucura, não há diálogo racional que os persuada.

Há limites para a Razão e para o Esclarecimento. Em Dialética do esclarecimento, Adorno e Horkheimer discursaram exatamente sobre isto. Há um perigoso preconceito nas Ciências Sociais, erigido em dogma, de que o discurso, o logos, a “luz” é suficiente para deter tragédias ou desastres. É a fé cega no esclarecimento, preconceito científico que vem tanto do platonismo, quanto do iluminismo e do positivismo. Platão dizia que o mal era insubstancial, assim, ninguém seria mal por opção, chegando a luz, a escuridão se dissiparia (o escuro não é o contrário da luz, mas sua ausência), o mal é a ausência do bem. Este discurso chega ao iluminismo e, através da ideia científica positivista de Comte, às ciências sociais, como leis do Progresso. O desastre do nazismo criou a crítica a esta ideia. No Brasil, de verdade, discutimos pouco esta crítica. O fascismo é uma construção de estruturas, não se o combate só com discursos racionais, até porque ele leva a um estado de “ausência de subjetividade”,  a um não-esclarecimento. Não é possível dialogar com um fascista. Na verdade, combater o fascismo significar combater e destruir suas estruturas, o que é uma verdade básica que teremos que reaprender.
No Brasil, por exemplo, um discurso democratista confundiu-se com um discurso democrático. Não existe democracia sem autoridade e inclusive, sem o uso da força contra os inimigos da democracia. Na Alemanha, qualquer apologia ao fascismo é crime contra o Estado punido com prisão. Um discurso libertário liberal esqueceu da dialética das estruturas reais.

Assim, por exemplo, não combatemos o curandeirismo messiânico e a picaretagem, com a desculpa da liberdade religiosa, e retrocedemos para uma era pré-medieval, na qual concedemos canais de televisões para picaretas que vendem feijões mágicos e pregam morte aos gays. Um discurso tautológico e circular que pretendeu democracia sem autoridade (medo e ranço da esquera de discutir a questão da hierarquia e da autoridade depois de 20 anos de ditadura), e esqueceu de uma premissa básica, a tolerância com os intolerantes é defesa da intolerância.

Dizer que o fascismo e o nazismo tupiniquins, que se instalam frente aos nossos olhos, é uma paranóia coletiva, não significa dizer que nossos inimigos sejam burros ou incompetentes políticamente.

O bolsonarismo usou e abusou das redes sociais e de estratégias muito mais avançadas de comunicação com as massas, do que as nossas, para nos derrotar em 2018. Isto foi facilitado por três questões.

1. Nosso negacionismo e primitivismo nas redes sociais, face a uma rede bolsonarista profissionalizada, montada desde o exterior com apoio e financiamento do movimento internacional fascistóide de Steve Bannon.

2. Os limites éticos da esquerda, que sim, devem ser respeitados, mas o não entendimento que aceitar certos embates no campo do adversário nos levariam a derrotas (amplificar fake news “criticando-as, por exemplo – a esquerda re-compartilhava coisas como “a mamadeira de piroca, achando que as pessoas passariam o fake news pela luneta da razão).

3. Não entender o discurso emocional atávico de Bolsonaro e tentar desmontá-lo com apelos à racionalidade.
Existe uma parcela da população brasileira, que hoje deve variar entre 20% e 30% presa no processo de paranóia coletiva do nazismo bolsonarista. Não vai ser um apelo à razão que vai nos fazer ganhar esta parcela da população.

Devemos estudar o discurso nazifascista de bolsonaro e ver formas mais eficazes de tentar miná-lo junto a esta parcela fanatizada, mas, acima de tudo, temos que destruir as estruturas que financiam e estruturam o discurso fascista. As redes de fake news, as redes miraculosas de picaretagem midiática, todo o sistema estruturado do fascismo no Brasil, que hoje conta inclusive com institutos que formam lideranças fascistas jovem custeando estudo e formação para eles.

Com ou sem Bolsonaro conseguir êxito ou não no seu intento golpista, o nazi-fascismo no Brasil estruturou-se como partido orgânico e movimento e veio para ficar por um longo tempo.

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sexta-feira, 1 de maio de 2020

CORONAVÍRUS, BOLSONARO….E DAÍ ! * Maurício Caleiro - SP


CORONAVÍRUS, BOLSONARO….E DAÍ
 
A cada dia vai ficando mais claro que o Brasil, sob Bolsonaro, vai lidar com a Convid-19 do modo como as elites historicamente lidam com os problemas que afligem a toda a população: dando tratamento privilegiado aos ricos, assistindo a classe média e deixando a grande maioria de pobres à própria sorte - o que, no caso da Covid-19, significa condenação à morte, muitas vezes precedida de muito sofrimento.

Vejamos três casos:

Rio - Multiplicam-se os casos e os óbitos nas favelas, onde nem o Samu nem a PM estariam indo e corpos já apodreceriam ao relento, segundo reportagem de hoje d'O Globo;

SP - Duplicou o número de casos nas maiores favelas da Zona Sul e aumentaram 50% as mortes na Brasilândia, área muito populosa, indício que confirmaria o prognóstico de uma explosão de contágio na Zona Norte nas próximas semanas;

Amazonas -  Em Manaus e em Belém, não só o sistema hospitalar já se encontra esgotado, mas também o sistema funerário. Nem os enterros coletivos adotados na primeira cidade têm sido suficientes para dar conta da demanda, o que açula o temor real de termos uma nova Guayaquil, com corpos nas ruas, sob as altas temperaturas da região.

É triste, é inaceitável, mas de modo algum é exceção. O esgotamento da rede hospitalar é realidade em diversas regiões.

O diagnóstico dos especialistas é que a diminuição dos índices de isolamento social - iniciada após o comportamento e as falas irresponsáveis de Bolsonaro - tornou impossível precisar quando exatamente será o pico de casos e qual o tamanho da mortandade.

O certo é que maio deve ser um mês catastrófico, sobretudo nas periferias e favelas.

Com números oficiais que os cientistas consideram de 7 a 8 vezes menores do que os reais, a bem-sucedida operação-subnotificação comandada pelo Planalto deve lograr repetir, ainda, uma das práticas recorrentes da elite brasileira: jogar o lixo para debaixo do debate, impedindo conflitos e impossibilitando que o povo do país venha a saber qual a verdade sobre sua própria tragédia.


MAURÍCIO CALEIRO - SP
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domingo, 14 de outubro de 2018

ORGANIZAR-SE * Antonio Cabral Filho - Rj

*ORGANIZAR-SE*


Vejam meus irmão o que é a necessidade de ORGANIZAR-SE. Percebam que não depende de nossa vontade individual, mas de exigências reais. 
As condições objetivas - situação social, econômica, psicológica - sobrepoem-se às condições subjetivas - nossa predisposição. Quando chega a esse patamar, somos obrigados a nos organizar. E nesse momento, não importa a forma que vamos escolher. Não tem que ser um PARTIDO POLÍTICO específico. Basta que encontremos o meio necessário de nos agruparmos com pessoas do nosso padrão social de maneira que nos permita a AUTO DEFESA  de um conjunto de pessoas. Nesse momento aquelas formas já conhecidas, como partidos legalizados, sindicatos, associações de bairro, entidades culturais etc, não se mostram seguras, pois são abertas a todo tipo de gente, nem sempre de confiança. Daí é que surge a necessidade de NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO. Elas devem surgir da necessidade real de todos nós. Lembro que ninguém precisa ser marxista, leninista, comunista para se defender. Devemos respeitar a realidade, geralmente imposta pelo autoritarismo patronal, vinda através de suas forças políticas, tais como líderes prepotentes e partidos fundamentalistas.
Por isso, quero sugerir-lhes a leitura da carta abaixo:
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CARTA AOS PROFESSORES

Próximo à data em que se comemora o Dia do/a Professor /Professora, faço um depoimento no sentido de colaborar para o debate entre meus pares, estudantes e as pessoas que defendem a DEMOCRACIA, com todo o respeito ao contraditório


Eu sou Malvina Tuttman, Professora Titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - Unirio, com 50 anos de pleno exercício profissional no magistério, na educação básica e na educação superior.

Como uma cidadã e na qualidade de educadora apaixonada defendo a democracia plena. Com a mesma veemência, combato o fascismo e o nazismo em todas as suas manifestações. Meus alunos e alunas são, certamente, testemunhas dessa minha forma coerente de estar no mundo.

No atual momento, o nosso país já vive situações alarmantes, que se assemelham, e servem como sinais de muita atenção, ao que houve de mais terrível na história mundial contemporânea: o nazismo.

Também, naquela época, por volta de 1939, as pessoas não acreditaram que seria possível ocorrer o holocausto – o assassinato de milhões de pessoas que eram consideradas “indesejáveis”, motivado por diferenças étnicas,  religiosas e, por vezes, sócio-políticas, como os negros, os ciganos, os judeus, os gays, os deficientes físicos entre outras minorias. 

Fica claro que os valores novamente estão perdendo o valor do humano, estão sendo banalizados, dando espaço para discursos de ódio, semelhantes aos que deram origem ao nazismo e ao fascismo, fazendo surgir no Brasil o fenômeno chamado “bolsonarismo”.

No atual momento das eleições de 2018, não se trata, como em anos anteriores, de fazer opção por um partido político. Trata-se da democracia versus uma escolha de um governo totalitário.

Portanto, é preciso união para fortalecer e manter o afeto, a solidariedade, o respeito ao diverso, a liberdade de expressão que caracterizam a democracia, e que são princípios defendidos pela maior parte da população brasileira, evitando, enquanto há tempo, um retrocesso social e político em nosso país.  Ainda é possível evitar que o Brasil entre, vergonhosamente, para a história como o país que retoma o fascismo como forma de governo, em pleno século XXI.

Por isso, voto em Haddad e Manuela para a presidência do Brasil e em Eduardo Paes e Comte Bittencourt para governar o Estado do Rio de Janeiro e, assim, preservar a DEMOCRACIA no nosso país

 Muita esperança no nosso dia, e para além dele. 

Beijos,

Professora Malvina Tuttman - Rj
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