quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Um Líder Negro No Socialismo Dos Pampas * Coletiva . RS

Um Líder Negro No Socialismo Dos Pampas
Coletiva.net
https://www.coletiva.net/artigos/um-lider-negro-no-socialismo-dos-pampas,127351.jhtml
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Video Youtube
https://www.youtube.com/watch?time_continue=113&v=okVB4wfaaq8 
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domingo, 14 de outubro de 2018

ORGANIZAR-SE * Antonio Cabral Filho - Rj

*ORGANIZAR-SE*


Vejam meus irmão o que é a necessidade de ORGANIZAR-SE. Percebam que não depende de nossa vontade individual, mas de exigências reais. 
As condições objetivas - situação social, econômica, psicológica - sobrepoem-se às condições subjetivas - nossa predisposição. Quando chega a esse patamar, somos obrigados a nos organizar. E nesse momento, não importa a forma que vamos escolher. Não tem que ser um PARTIDO POLÍTICO específico. Basta que encontremos o meio necessário de nos agruparmos com pessoas do nosso padrão social de maneira que nos permita a AUTO DEFESA  de um conjunto de pessoas. Nesse momento aquelas formas já conhecidas, como partidos legalizados, sindicatos, associações de bairro, entidades culturais etc, não se mostram seguras, pois são abertas a todo tipo de gente, nem sempre de confiança. Daí é que surge a necessidade de NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO. Elas devem surgir da necessidade real de todos nós. Lembro que ninguém precisa ser marxista, leninista, comunista para se defender. Devemos respeitar a realidade, geralmente imposta pelo autoritarismo patronal, vinda através de suas forças políticas, tais como líderes prepotentes e partidos fundamentalistas.
Por isso, quero sugerir-lhes a leitura da carta abaixo:
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CARTA AOS PROFESSORES

Próximo à data em que se comemora o Dia do/a Professor /Professora, faço um depoimento no sentido de colaborar para o debate entre meus pares, estudantes e as pessoas que defendem a DEMOCRACIA, com todo o respeito ao contraditório


Eu sou Malvina Tuttman, Professora Titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - Unirio, com 50 anos de pleno exercício profissional no magistério, na educação básica e na educação superior.

Como uma cidadã e na qualidade de educadora apaixonada defendo a democracia plena. Com a mesma veemência, combato o fascismo e o nazismo em todas as suas manifestações. Meus alunos e alunas são, certamente, testemunhas dessa minha forma coerente de estar no mundo.

No atual momento, o nosso país já vive situações alarmantes, que se assemelham, e servem como sinais de muita atenção, ao que houve de mais terrível na história mundial contemporânea: o nazismo.

Também, naquela época, por volta de 1939, as pessoas não acreditaram que seria possível ocorrer o holocausto – o assassinato de milhões de pessoas que eram consideradas “indesejáveis”, motivado por diferenças étnicas,  religiosas e, por vezes, sócio-políticas, como os negros, os ciganos, os judeus, os gays, os deficientes físicos entre outras minorias. 

Fica claro que os valores novamente estão perdendo o valor do humano, estão sendo banalizados, dando espaço para discursos de ódio, semelhantes aos que deram origem ao nazismo e ao fascismo, fazendo surgir no Brasil o fenômeno chamado “bolsonarismo”.

No atual momento das eleições de 2018, não se trata, como em anos anteriores, de fazer opção por um partido político. Trata-se da democracia versus uma escolha de um governo totalitário.

Portanto, é preciso união para fortalecer e manter o afeto, a solidariedade, o respeito ao diverso, a liberdade de expressão que caracterizam a democracia, e que são princípios defendidos pela maior parte da população brasileira, evitando, enquanto há tempo, um retrocesso social e político em nosso país.  Ainda é possível evitar que o Brasil entre, vergonhosamente, para a história como o país que retoma o fascismo como forma de governo, em pleno século XXI.

Por isso, voto em Haddad e Manuela para a presidência do Brasil e em Eduardo Paes e Comte Bittencourt para governar o Estado do Rio de Janeiro e, assim, preservar a DEMOCRACIA no nosso país

 Muita esperança no nosso dia, e para além dele. 

Beijos,

Professora Malvina Tuttman - Rj
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domingo, 30 de setembro de 2018

Guerra do Vietnam: Heranças * Antonio Cabral Filho - RJ

Guerra do Vietnam: Heranças
História da Guerra do Vietnam
https://www.history.com/topics/vietnam-war/vietnam-war-history 
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10 Coisas a Saber Sobre a Guerra do Vietnam
https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150430_vietna_guerra_fatos_pai 
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domingo, 23 de setembro de 2018

Revolução Cubana: Caminhos * Antonio Cabral Filho - RJ

Revolução Cubana: Caminhos
Filmes
1 - Documentário UERJ
https://www.youtube.com/watch?v=YGwoPwqdKOk 
2 - Revolução Cubana: Antecedentes
https://www.youtube.com/watch?v=oC0_nQGp078 
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Artigo de Moniz Bandeira - RJ
https://jornalggn.com.br/noticia/fidel-castro-a-revolucao-cubana-e-a-america-latina-por-moniz-bandeira 
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A Batalha de Argel: Lições * Antonio Cabral Filho - RJ

A Batalha de Argel: Lições 
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Precisamos conhecer um pouco da história de processos revolucionários, tais com o da Argélia, o de Cuba e na medida do possível, o do Vietnam.
Minha sugestão é começar pela Argélia. E nessa experiência verificar os aspectos positivos e negativos. Por exemplo, o fator "Movimento de Massas", o componente "organizativo", as relações entre os campos político e militar na organização revolucionária. 
A Batalha de Argel tem tudo isso. Quero convidar a todos para assistir ao filme
https://www.youtube.com/watch?v=PB-xK_ViPck 
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Visto o filme, convido-os a uma reflexão, após uma atenta leitura analítica sobre o mesmo
http://espacosocialista.org/portal/2008/12/a-batalha-de-argel-manual-da-revolucao-em-23-licoes/ 
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado - Lênin - RU

*Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado*
Vladmir Illitch Ulianov
LÊNIN
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A Assembléia Constituinte decreta:

I

1) Fica proclamada na Rússia a República dos Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses. Todo o Poder, tanto na capital como nas províncias, pertence a estes Sovietes.

 2) A República Soviética da Rússia é organizada, sobre a base da união voluntária de nações livres, como Federação de Repúblicas Soviéticas Nacionais.

II

Tendo-se determinado como missão essencial abolir toda a exploração do homem pelo homem, suprimir por completo a divisão da sociedade em classes, esmagar de modo implacável a resistência dos exploradores, estabelecer a organização socialista da sociedade e alcançar a vitória do socialismo em todos os países, a Assembléia Constituinte, decreta, também:

1) Fica abolida a propriedade privada da terra. Declara-se patrimônio de todo o povo trabalhador toda a terra, com todos os edifícios, o gado de trabalho, as ferramentas e demais acessórios agrícolas.

2) Se ratifica a lei soviética sobre o controle operário e o Conselho Superior de Economia Nacional, com o objetivo de assegurar o Poder do povo trabalhador sobre os exploradores e como primeira medida para que as fábricas, minas, ferrovias e demais meios de produção e de transporte passem por inteiro a ser propriedade do Estado operário e camponês.

3) Se ratifica a passagem de todos os bancos para a propriedade do Estado operário e camponês, como uma das condições da emancipação das massas trabalhadoras do jugo do capital.

4) Fica estabelecido o trabalho obrigatório para todos, com o fim de eliminar as camadas parasitas da sociedade.

5) Se decreta o armamento dos trabalhadores, a formação de um Exército Vermelho socialista de operários e camponeses e o desarmamento completo das classes proprietárias, com o objetivo de assegurar a plenitude do Poder das massas trabalhadoras e eliminar toda a possibilidade de restauração do Poder dos exploradores.

III

1) Ao expressar sua determinação inquebrantável de arrancar a humanidade das garras do capital financeiro e do imperialismo, que inundaram a terra de sangue na guerra atual, a mais criminosa de todas, a Assembléia Constituinte se solidariza totalmente com a política aplicada pelo Poder dos Sovietes, consistente em romper os tratados secretos, em organizar a mais extensa confraternização com os operários e camponeses dos exércitos atualmente em guerra e em obter, custe o que custar, por meio de procedimentos revolucionários, uma paz democrática entre os povos, sem anexações nem contribuições, sobre a base da livre autodeterminação das nações.

2) Com o mesmo fim, a Assembléia Constituinte insiste na completa ruptura com a bárbara política da civilização burguesa, que fundamentava a prosperidade dos exploradores de umas poucas nações predestinadas sobre a escravidão de centenas de milhões de trabalhadores na Ásia, nas colônias em geral e nos pequenos países.  A Assembléia Constituinte saúda a política do Conselho de Comissários do Povo, que proclamou a completa independência da Finlândia (2), que começou a retirar as tropas da Pérsia (3) e declarou a liberdade de autodeterminação da Armênia (4)

3) A Assembléia Constituinte considera a lei soviética da anulação dos empréstimos contraídos pelos governos dos tzares, dos proprietários de terra e da burguesia como um primeiro golpe desferido no capital bancário, financeiro internacional e expressa sua confiança de que o Poder dos Sovietes seguirá firmemente este caminho, até a completa vitória da rebelião operária internacional contra o jugo do capital.

IV

Eleita, com base nas candidaturas dos partidos organizadas antes da Revolução de Outubro, quando o povo não podia ainda rebelar-se, em sua totalidade, contra os exploradores, nem conhecia toda a força de resistência dos mesmos na defesa de seus privilégios de classe, nem havia abordado na prática a criação da sociedade socialista, a Assembléia Constituinte consideraria profundamente errado, inclusive do ponto de vista formal, contrapor-se ao Poder dos Sovietes.

De fato, a Assembléia Constituinte considera que hoje, no momento da luta final do povo contra seus exploradores, não pode haver lugar para estes últimos em nenhum dos órgãos de Poder. O Poder deve pertencer total e exclusivamente às massas trabalhadoras e seus representantes plenipotenciários, os Sovietes de deputados operários, soldados e camponeses.

Ao apoiar o Poder dos Sovietes e os decretos do Conselho de Comissários do Povo, a Assembléia Constituinte considera que suas funções não vão além de estabelecer as bases fundamentais da transformação socialista da sociedade.

Ao mesmo tempo, em seu propósito de criar uma aliança efetivamente livre e voluntária e por conseqüência, mais estreita e duradoura entre as classes trabalhadoras de todas as nações da Rússia, a Assembléia Constituinte limita sua missão a criar as bases fundamentais da Federação de Repúblicas Soviéticas da Rússia, deixando, aos operários e camponeses de cada nação, a liberdade de decidir, com toda independência, em seu próprio Congresso de Sovietes investido de plenos poderes, se desejam, e em que condições, participarem do governo federal e das demais instituições federais soviéticas.

*COLABORAÇÃO: LUIS CELSO - AC*

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O Fim do Império * Chris Hedges - USA

*O Fim do Império*
Chris Hedges 
https://www.truthdig.com/articles/the-end-of-empire/
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O fim do Império, por Chris Hedges
1/10/2017, Chris Hedges, Thruthdig

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O império norte-americano está chegando ao fim. A economia dos EUA está sendo drenada por infindáveis guerras no Oriente Médio e expansão militar super estendida sobre o mundo. O império verga sob o peso de déficits crescentes, além dos efeitos devastadores desindustrialização e de acordos comerciais globais.
Nossa democracia foi capturada e destruída por empresas que só fazem exigir impostos cada vez menores, desregulação cada vez maior e impunidade ampla, geral e irrestrita para todos os tipos imagináveis de fraudes financeiras, tudo isso enquanto as mesmas empresas saqueiam trilhões do Tesouro dos EUA à guisa de 'resgates'.
A nação perdeu o poder e o respeito sem os quais já não consegue interessar aliados na Europa, na América Latina, na Ásia e na África para que abracem o 'projeto' norte-americano. Acrescente-se a isso a destruição crescente provocada pela mudança climática, e aí está a receita para uma distopia emergente.
Supervisionando esse desastre, nos mais altos cargos dos governos federal e estadual está uma coleção insuperável de imbecis, de artistas conservadores, de ladrões, oportunistas e generais belicistas. E, claro, para que não restem dúvidas: essa lista está cheia, sim, de Democratas.
O império continuará a capengar, perdendo influência sempre, até que o dólar seja abandonado como moeda mundial de reserva, o que lançará os EUA em depressão incapacitante e instantaneamente obrigará a fazer cortes massivos na máquina militar.
A menos que brote a revolta popular repentina e disseminada, o que nada sugere que esteja iminente, a espiral mortífera parece impossível de deter, o que significa que os EUA que conhecemos já não existirão dentro de dez anos, no máximo vinte. O vácuo global que deixamos será preenchido pela China, que já se estabelece como potência econômica e militar gigante, ou, talvez, surja um mundo multipolar partilhado entre países como Rússia, China, Índia, Brasil, Turquia, África do Sul e uns poucos outros. Ou talvez o vácuo seja preenchido, como escreve o historiador Alfred W. McCoy em seu livro In the Shadows of the American Century: The Rise and Decline of US Global Power, por "uma coalizão de empresas transnacionais, forças militares multilaterais como a OTAN e uma liderança financeira internacional auto-selecionada em Davos e Bilderberg", a qual "forjará um nexo supranacional que se imporá sobre quaisquer nações ou impérios."
Seja qual for o parâmetro, do crescimento financeiro e investimento em infraestrutura a alta tecnologia, inclusive dos supercomputadores, armas espaciais e ciberguerra, em todos esses campos os chineses já superaram os EUA, ou superarão em breve. "Em abril de 2015 o Departamento de Agricultura dos EUA sugeriu que a economia dos EUA cresceria perto de 50% nos 15 anos seguintes, e que a China, em 2030, teria triplicado e estaria bem perto de ultrapassar os EUA" – lembrou McCoy. Em 2010 a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, no mesmo ano tornou-se a primeira nação em manufatura, deslocando do posto os EUA, que dominaram a manufatura no planeta durante um século.
O Departamento da Defesa lançou relatório sóbrio, intitulado "At Our Own Peril: DoD Risk Assessment in a Post-Primacy World" [Por nossa conta e risco: Departamento de Defesa avalia riscos num mundo pós-primazia dos EUA]. Segundo esse relatório, os militares norte-americanos "já não estão em posição inalcançável, na relação com outros competidores estatais," e "já não podem (...) gerar automaticamente superioridade militar local consistente e sustentável de longo alcance." McCoy prevê que o colapso chegará por volta de 2030.
Impérios em decadência abraçam o que se pode descrever como suicídio disfarçado. Cegados pela própria húbris e incapazes de lidar com a realidade do evanescimento do próprio poder, recolhem-se a um mundo de fantasia onde não entra nenhum fato duro ou desagradável. Substituem diplomacia, multilateralismo e política por ameaças unilaterais e o grosseiro argumento da guerra.
Esse autoengano coletivo deixou passar sem protestar quando os EUA cometeram o maior tropeço estratégico de sua história, que foi como o golpe de misericórdia que matou o império – a invasão do Afeganistão e do Iraque. Os arquitetos da guerra na Casa Branca de George W. Bush e a seleta de idiotas úteis na imprensa e na academia que lhe serviam de líderes de torcida sabiam bem pouco sobre os países que invadiam, foram inacreditavelmente crédulos e ingênuos quanto aos efeitos da guerra industrial e foram completamente ludibriados pelo feroz revide que viria e veio. Declararam, e provavelmente acreditavam que fosse verdade, que Saddam Hussein teria armas de destruição em massa, embora não houvesse qualquer prova. Insistiram que a democracia seria implantada em Bagdá e dali se espalharia pelo Oriente Médio. Garantiram aos cidadãos que os soldados dos EUA seriam saudados como libertadores, por iraquianos e afegãos agradecidos. Prometeram que a renda do petróleo cobriria os custos da reconstrução, insistiram que o ataque militar duro e direto – "choque e pavor" – restauraria a hegemonia dos EUA na região a dominação no mundo. Foi o oposto disso. Como Zbigniew Brzezinski viu, essa "guerra unilateral de escolha contra o Iraque precipitou uma muito disseminada deslegitimação da política externa dos EUA."
Historiadores de impérios chamam a esses fiascos militares, traço sempre presente no período final dos impérios, de exemplos de "micromilitarismo". Os atenienses envolveram-se em micromilitarismo durante a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), invadiram a Sicília, perderam 200 navios e milhares de soldados e dispararam revoltas por todo o império. A Grã-Bretanha fez o mesmo em 1956 quando atacou o Egito num disputa pela nacionalização do Canal de Suez e rapidamente teve de bater em retirada, humilhada, o que empoderou uma sequência de líderes nacionalistas árabes como Gamal Abdel Nasser do Egito, e condenando à extinção o mando dos britânicos sobre as poucas colônias que lhes restavam. Nenhum desses impérios jamais se recobrou.
"Se impérios em ascensão são frequentemente judiciosos, até racionais, no uso que dão às forças armadas para conquistar e controlar domínios distantes, impérios decadentes apresentam a tendência a dar shows de poder, sonhando com duros golpes de mestre militares que de algum modo lhes devolveriam prestígio e poder" – McCoy escreve. "Frequentemente irracionais, mesmo de um ponto de vista militar, essas operações micromilitares podem gerar a gastos hemorrágicos ou a derrotas humilhantes que só aceleram a decadência já em curso."
Impérios precisam de mais do que força para dominar outras nações. Precisam de uma mística. Essa mística – uma máscara para o saque, a repressão e a exploração – seduz algumas elites nativas, que passam a se dispor a fazer o jogo da potência imperial ou, pelo menos, permanecem passivas. E garantem a pátina de civilidade e até mesmo de nobreza para justificar em casa o quanto manter o império custa em sangue e em dinheiro.
O sistema parlamentar de governo que a Grã-Bretanha replicou, na aparência, nas colônias, e a introdução de esportes bretões como polo, críquete e corridas de cavalos, além de vice-reis elaboradamente fardados e a pompa da realeza, alicerçavam-se no que os colonialistas diziam que seria a invencibilidade da marinha e do exército deles mesmos. A Inglaterra conseguiu manter coeso seu império entre 1815 e 1914, antes de ser forçada à retirada. A ruidosa retórica dos EUA sobre democracia, liberdade e igualdade, com muito basquetebol, beisebol e Hollywood, além da deificação que fazemos dos militares, hipnotizou e arrastou grande parte do mundo, como um só rebanho, no alvorecer da 2ª Guerra Mundial. Por trás das cortinas, claro, a CIA usava seu saco de truques sujos para orquestrar golpes, manipular urnas, assassinar líderes, em campanhas de propaganda, suborno, chantagem, intimidação e tortura. Nada disso funciona hoje.
Sem mística, todo o processo engripa. Passa a ser difícil encontrar subalternos absolutamente servis para administrar o império – como vimos acontecer no Iraque e no Afeganistão. Fotografias de abusos físicos e de humilhação sexual impostos a prisioneiro árabes em Abu Ghraib incendiaram o mundo muçulmano e o processo de alistar recrutas para a al-Qaida, depois para o Estado Islâmico. O assassinato de Osama bin Laden e de muitos outros líderes jihadistas, inclusive de pelo menos um cidadão norte-americano, Anwar al-Awlaki, abertamente zombou do conceito de Estado de Direito. As centenas de milhares de mortos e milhões de refugiados que fogem de nossas guerras no Oriente Médio, além da ameaça constante dos drones militarizados, expuseram os EUA como estado terrorista. No Oriente Médio, os militares dos EUA exercitaram uma tendência a praticar atrocidades em grande escala, a violência indiscriminada, mentiras, erros escandalosos, ações já haviam levado à derrota dos norte-americanos no Vietnã.
A brutalidade longe de casa equivale à crescente brutalidade em casa. Policiais da polícia militarizada matam a tiros norte-americanos negros pobres quase sempre desarmados, e assim enchem um sistema de cadeias e penitenciárias onde semivivem inacreditáveis 25% do total de prisioneiros que há no mundo, embora a população dos EUA não ultrapasse 5% da população mundial. Incontáveis cidades dos EUA estão em ruína. O sistema de transporte público está em pedaços. Nosso sistema educacional está em declínio agudo, para ser privatizado. A dependência de opiáceos, o suicídio, os massacres de massa por atiradores locais, a depressão e a obesidade mórbida são pragas que acometem uma população já lançada no mais profundo desespero.
A desilusão profunda e a ira que levaram à eleição de Donald Trump – uma reação contra o golpe de estado feito pelas empresas contra a nação, e a miséria que aflige pelo menos metade do país – destruíram o mito de uma democracia em funcionamento. Tuítos e a própria retórica do presidente celebram o ódio, o racismo, a intolerância e ameaçam os fracos e vulneráveis.
Em discurso da tribuna da ONU, o presidente ameaçou varrer outra nação da face da Terra em ato de genocídio. Em todo o mundo os EUA somos objeto de ódio e ridicularizados. O que o futuro reserva aos norte-americanos já está aparecendo numa onda de filmes distópicos, que já nem tentam propagandear a virtude norte-americana ou o excepcionalismo ou o mito do progresso da humanidade.
"O descarte final dos EUA como potência global dominante pode vir muito mais depressa do que se imagina" – escreveu McCoy. "Apesar da aura de onipotência que com frequência os impérios projetam, muitos deles são supreendentemente frágeis, sem sequer a força inerente com que podem contar até os estados-nação mais humildes. Na verdade, rápido olha à história dos impérios deve nos obrigar a ver que até o maior deles é suscetível de fracassar e colapsar por causas diversas, sendo as pressões fiscais quase sempre um fator essencial. Pela melhor parte de dois séculos, a segurança e a prosperidade da própria pátria foi o principal objetivo da maioria dos estados estáveis, o que fazia da aventuras estrangeiras e imperiais opção descartável, à qual se reservavam nunca mais de 5% do orçamento doméstico. Sem a riqueza que cresce quase organicamente dentro de uma nação soberana, os impérios são predadores afamados em sua ânsia incansável por saque ou lucro – como o demonstra o tráfico de escravos no Atlântico, a febre belga da borracha no Congo, o tráfico do ópio na Índia Britânica, o estupro da Europa pelo Terceiro Reich."
Quando os ganhos encolhem ou colapsam, diz McCoy, "os impérios tornam-se quebradiços."
"Sua ecologia do poder é tão delicada que, quando as coisas começam a ir realmente mal, os impérios desmoronam com velocidade de profanação: em Portugal, apenas um ano; dois anos, para a União Soviética; oito anos para a França; 11 anos para os otomanos; 17 anos para a Grã-Bretanha e, como tudo sugere fortemente, apenas 27 anos para os EUA, contados daquele ano crucial de 2003 [quando os EUA invadiram o Iraque]" – escreve ele.
Muitos dos cerca de 70 impérios que o mundo conheceu ao longo da história padeceram a falta de liderança competente nos anos do declínio final, e cederam o poder a monstruosidades como os imperadores Calígula e Nero, romanos, por exemplo. Nos EUA, as rédeas da autoridade podem já ter caído nas mãos de um, numa linha de demagogos depravados.
"Para a maioria dos norte-americanos, os anos 2020s serão lembrados, muito provavelmente, como década de desmoralização, com preços subindo, salários estagnados e competitividade internacional desaparecendo" – McCoy escreve. A fim do dólar como moeda global de reserva tornará os EUA incapazes de pagar pelos seus déficits monstros com a venda de papéis do Tesouro –, os quais, àquela altura, já estarão drasticamente desvalorizados. Os preços dos importados subirão massivamente. O desemprego explodirá. Os confrontos domésticos em torno do que McCoy chama de "questões sem substância" alimentará um perigoso hipernacionalismo reacionário que pode facilmente se converter num fascismo norte-americano.
Uma elite desacreditada, desconfiada, mesmo paranoica em tempos de declínio, verá inimigos em todos os cantos. O conjunto de instrumentos criados para a dominação global – vigilância por todos os lados, a evisceração das liberdades civis, técnicas sofisticadas de tortura, polícia militarizada, sistema prisional massivo, milhares de drones e satélites militarizados – serão empregados dentro de casa. O império colapsará e a nação se autoconsumirá, ainda no tempo que nossa geração tem para viver, se não arrancarmos o poder das garras dos que comandam o estado dos financistas e empresários.

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sábado, 7 de outubro de 2017

Atualidades MR8 * Luiz Celso * AC

Atualidades MR8
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MR8 - Movimento Revolucionário Oito de Outubro

Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) foi uma organização política de ideologia comunista que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira e tinha como principal objetivo a luta contra a repressão da ditadura, com o objetivo final de criação de uma pátria socialista. Surgida em 1964 no meio universitário da cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, com o nome de Dissidência do Rio de Janeiro (DI-RJ) foi depois rebatizada em memória ao dia em que Ernesto "Che" Guevara foi capturado, na Bolívia, em 8 de outubro de 1967.

-Iara Iavelberg, companheira de Carlos Lamarca-

Hoje dedica-se a participar do movimento político popular e a editar o jornal Hora do Povo. Também é responsável pelo Partido Pátria Livre, fundado em 2009.

Resultado de uma cisão de universitários com o Partido Comunista Brasileiro, a DI-RJ (a partir de 1967, MR-8) atuou em várias ações do movimento estudantil e do início da luta armada, em 1968. Desarticulada pela repressão da ditadura no início de 1969, seus sobreviventes ainda em liberdade juntaram-se aos integrantes da Dissidência Comunista da Guanabara (DI-GB), atuante desde 1966 nas manifestações políticas sob a liderança de Vladimir Palmeira, e juntas, reconstituíram um "novo" MR-8. A organização, então já atuando como um grupo de guerrilha urbana, tornou-se nacional e internacionalmente conhecida com seu papel preponderante no sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado em conjunto com a Ação Libertadora Nacional (ALN), de São Paulo. A ação foi realizada, em princípio, para libertar seu líder, Vladimir Palmeira, preso desde o ano anterior, e fazer propaganda política, chamando a atenção internacional para a ditadura militar instituída no Brasil. 

-Presos políticos trocados pelo embaixador-

Foi para fins deste sequestro que a organização rebatizou-se como MR-8, de maneira a desmoralizar e confundir a ditadura militar, que meses antes havia anunciado publicamente a destruição do grupo (no caso, era a Dissidência de Niterói. Oito de Outubro era o nome de um jornal publicado por esta organização). 

No rastro do sequestro do embaixador, os integrantes do grupo foram duramente perseguidos e reprimidos, resultando na morte e prisão de muitos militantes, que levou à quase extinção da organização. Mesmo assim, nos anos seguintes, as operações armadas do MR-8, com roubos, assaltos a bancos e supermercados, prosseguiram no Rio. No MR-8 militava Iara Iavelberg, então companheira do ex-capitão Carlos Lamarca e em 1971, com a quase completa desmantelação da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), da qual ele era um dos dirigentes, o MR-8 passou a contar com a militância do líder guerrilheiro. Em setembro daquele ano, porém, Lamarca foi morto no interior da Bahia, seguindo-se à morte de Iara em Salvador, pouco menos de um mês antes. 

A maioria dos militantes se retirou para o Chile em 1972, sendo o grupo reestruturado posteriormente com outras orientações. A preferência por ações armadas deu lugar à atuação política, e o MR8 foi abrigado no MDB, tendo Orestes Quercia como principal liderança. O grupo passa a editar o periódico Hora do Povo. 

Além de Carlos Lamarca e Iara Iavelberg, militaram no MR-8 Fernando Gabeira, Franklin Martins, Cid Benjamin, Cláudio Torres da Silva, Vera Silvia Magalhães, (todos participantes do sequestro de Elbrick), César Benjamin, Stuart Angel Jones, Daniel Aarão Reis Filho, Miguel Ferreira da Costa, João Lopes Salgado, Reinaldo Silveira Pimenta, Félix Escobar Sobrinho, Marilene Villas-Boas Pinto, Lucas Gregorio, Márcia Ferreira da Costa, Franklin de Mattos, entre outros, vários deles mortos durante a luta contra a ditadura e alguns ainda vivos.

O MR8 continua atuando até os dias de hoje, agregado a diversas organizações políticas e sociais, como, por exemplo, corrente dentro do PMDB; sindicais (inicialmente na CGT, atualmente na CGTB); e estudantis, tendo seus militantes participado de diversas diretorias da UNE. O seu braço juvenil é a Juventude Revolucionária Oito de Outubro (JR-8). Parcela expressiva de seus membros ajudaram a fundar o Partido Pátria Livre em 2009.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens * Antonio Cabral Filho - RJ

8º Encontro Nacional 
do Movimento dos Atingidos por Barragens
Resoluções confira...
http://www.mabnacional.org.br/
Discurso de Lula
http://www.mabnacional.org.br/noticia/lula-participa-da-abertura-do-8-encontro-nacional-do-mab-no-rio-janeiro 
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BRASIL DE FATO
brasildefato.com.br 
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sábado, 12 de agosto de 2017

Margarida Maria Alves: DA LUTA EU NÃO FUJO * Antonio Cabral Filho - RJ

Margarida Maria Alves

Trabalhadora Rural
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 MARGARIDA MARIA ALVES
Mártir da Luta pela Terra
ALAGOA GRANDE – PB * 12/08/1983

Margarida Maria Alves nasceu em Alagoa Grande em 05 de agosto de 1933. Mulher forte, camponesa de cerne, de fé profunda, líder no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, PB.

Margarida entrou de cheio no compromisso social na defesa das terras e da dignidade do povo, mesmo frente a todas as ameaças e consciente do alto risco. “Até na hora que se acordava, na cama, relata seu marido Severino, era conversando sobre sindicato, os direitos dos trabalhadores, dos pobres”. “Da luta não fujo”, repetia ela.

- “Não sei quando irão me matar, não sei onde, sei que vão me matar, mas enquanto eu estiver viva, eu lutarei pelos direitos dos trabalhadores”.         

- “Os poderosos estão nos perseguindo. Nós não tememos, e vamos à luta até o fim. Porque é melhor morrer na luta, do que morrer de fome. Fiquem certos, os trabalhadores, de que não fugimos da luta. É mais fácil vocês saberem que nós tombamos, do que saberem que corremos. Os poderosos estão dizendo que estamos invadindo as suas propriedades; invadindo estão eles, invadindo os nossos direitos, invadindo o salário justo. Eles estão negando água e pão, estão fazendo opressão à diretoria e aos trabalhadores. A prepotência nos massacra demais: mas uma certeza eu tenho: que isso não faz a gente esmorecer. Nós não queremos o que é de ninguém: nós queremos o que é nosso. Precisamos nos unir cada vez mais. Sabemos que somente com nossa união e a nossa organização a gente vai conseguir os nossos direitos”.

- “Companheiros, eu quero pedir a vocês, quando voltarem para casa, que se lembrem e rezem por aqueles que estão lutando, enfrentando ameaças, por aqueles que estão lutando, enfrentando o revolver. Nós não podemos calar diante desta multidão”.

Foi assassinada por um matador de aluguel com uma escopeta calibre 12, no dia 12 de agosto de 1983, aos 50 anos; o tiro atingiu o rosto, deformando sua face. No momento do disparo ela estava em frente a sua casa, na presença do marido e dos filhos. O crime foi considerado politico e comoveu não só a opinião pública local e estadual, mas a nacional e internacional, com ampla repercussão em organismos políticos de defesa dos direitos humanos.

Seu testemunho tem feito florescer muitas “margaridas” de consciência e de coragem, sobretudo entre as mulheres lavradoras.

Sua memória e suas Causas continuam vivas nas lutas das mulheres de todo o Brasil.

Companheiras, mulheres de todo Brasil, trabalhadoras do campo, da floresta, das águas, mulheres trabalhadoras das cidades, SEGUEM EM MARCHA!

Se trata da MARCHA DAS MARGARIDAS, que acontece em vários lugares do país.

Mulheres dos diversos cantos deste Brasil; indígenas, quilombolas, extrativistas se põem a caminho por um desenvolvimento sustentável e democrático. Se põem a caminho para a capital federal para dialogar com o governo sobre suas reivindicações.

“Seguimos lutando para fazer o Brasil avançar no combate à pobreza, no enfrentamento à violência contra as mulheres, na defesa da soberania alimentar e nutricional e na construção de uma sociedade sem preconceitos de gênero, de cor, de raça e de etnia, sem homofobia e sem intolerância religiosa. Seguimos denunciando, reivindicando, propondo e negociando ações e politicas públicas que contribuam na construção de um Desenvolvimento Sustentável com Democracia, Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade”.

“É MELHOR MORRER NA LUTA QUE MORRER DE FOME”.

Texto elaborado por Tonny, da Irmandade dos Mártires da Caminhada.
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domingo, 4 de junho de 2017

sábado, 5 de novembro de 2016

Esquerda x Direita: As Organizações Políticas Brasileiras * Antonio Cabral Filho - Rj

Esquerda x Direita: 
As Organizações Políticas Brasileiras
"Árvore Genealógica dos Partidos Brasileiros

https://bazardecomentarios.wordpress.com/2016/09/06/a-arvore-genealogica-dos-partidos-brasileiros/ "
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Encontrei este artigo fazendo uma busca sobre o imenso arcabouço das organizações políticas brasileiras e simpatizei-me com ele por vários motivos. O primeiro foi pelo aspecto didático, produzindo inclusive um "organograma" da história dos partidos políticos brasileiros desde tempos remotos. O segundo motivo de me agradar por ele é que não aborda o assunto de modo impessoal, sem citar os devidos responsáveis, ou seja, o autor vai dando nome aos bois, partido por partido, coligação por coligação, divulgando, para bem ou para mal, quem é quem, na falcatruagem toda. E o terceiro aspecto que ressalto do artigo é que informa ao leitor leigo em política qual é o conteúdo ideológico dos respectivos partidos e líderes, ou seja, ele diz quem é de direita - patronal - e quem é de esquerda - trabalhador.

Pensando um pouco mais sobre o artigo, não vejo nele o objetivo de denunciar ninguém, nem mesmo os partidos burgueses, defensores da ideologia capitalista, e muito menos o peleguismo dos partidos chamados por ele de esquerda, que colaboram com os patrões a torto e a direito, causando imensos prejuízos à classe trabalhadora brasileira.

Creio que o autor do artigo tenha passado ao largo dessa questão por razões didáticas, almejando, quem sabe, falar sobre isso num artigo futuro. Mas com o devido respeito que ele e todos merecem quando se fala em política, não podemos sair pela tangente em questões fundamentais da vida de cada um de nós. Falar sobre a real situação do país e por conseguinte do seu organismo espiritual - os partidos políticos brasileiros - requer sinceridade intelectual de todos nós. 
É necessário ressaltar que a sociedade moderna, fundada sobre o conceito de democracia, estado de direito, liberdade, igualdade, se faz representar através de suas organizações sociais, desde as associações comunitárias dos direitos difusos, passando pelas organizações de ofícios, chegando aos sindicatos e partidos políticos, ou seja, constituindo o que se conhece como "Sociedade civil". E faz-se necessário também esmiuçar essa sociedade, destrinça-la, dissecar suas entranhas e mostrar lá na sua alma qual é o seu "espírito" fundamental. Não é fundamental lembrar que vivemos numa sociedade baseada na exploração da força de trabalho alheia para acúmulo de riqueza individual, pessoal, ou seja, capitalista, e que esse tipo de sistema social gera a divisão da sociedade em classes antagônicas, o empresariado - capitalista, burguês, parasita - e o proletariado - aquele que vive da venda de sua força de trabalho. Todos sabem disso e sabem também que entre essas duas classes antagônicas da nossa sociedade existe uma camada de trabalhadores que resiste a se render ao trabalho assalariado e se joga na atividade autônoma, variando desde os profissionais liberais - advogados, administradores, engenheiros, médicos, professores, e os trabalhadores dos setores tecnicos, que abarcam desde os profissionais de segurança, taxistas, fretistas, pedreiros, bombeiros, empregadas domésticas e desqualificados em geral; estes vão formar o imenso exército de camelôs das grandes capitais brasileiras, sobretudo em momentos de queda do emprego.

 Ninguém tem dúvida do conteúdo explosivo dos interesses entre todos nós. Empresário quer ganhar mais e nós, trabalhadores, também. Portanto, é uma sociedade de "LUTA DE CLASSES", aonde nossos interesses vão nos levar às barricadas em defesa de nossas aspirações. 
Isso é patente, visível, claro para todos as pessoas produtivas, envolvidas na atividade cotidiana do trabalho. E  embora muitos digam que a esquerda divide as pessoas e joga umas contra as outras, a realidade mostra o contrário: o capitalista monta sua empresa nas costas do empregado e alguém quer que esqueçamos essa realidade, quer que sonhemos que somos todos IGUAIS em tudo e na vida, quer que chamemos o PATRÃO de irmão, como São Francisco de Assis chamava aos passarinhos. Aí não dá. A divisão da sociedade em classes antagônicas é uma consequência da divisão da sociedade em interesses imediatos, mobilizados pelo patrimônio em jogo, chamado CAPITAL. O empresário precisa empatar alguma importância em dinheiro para instalar a sua empresa e só vai recuperar isso através da exploração do trabalho alheio e não de si próprio. Daí, ele vira o inimigo número UM do seu empregado, e se torna aquele que vai levá-lo à morte. Ou seja, quando alguém concorda em vender a sua força de trabalho, que é algo vital para cada um de nós, o que resta de nós(?), senão o corpo sugado e sem forças(?). Portanto, é a morte. Logo, quem divide a sociedade não é a esquerda e sim a direita, os patrões através da busca do lucro cada vez mais fácil. 

Dito isto, agora posso convidar a todos para uma reflexão sobre as organizações políticas brasileiras. Muitos ou pelo menos a maioria considera que os Partidos Políticos são, realmente, a organização política em que o "político" atua. Mentira! É aí que mora o perigo. Tenho certeza que quase todos já ouviram falar em "Sociedades Secretas", seitas, organizações clandestinas, grupos terroristas etc. É nessa lama que reside o problema das ideias que cada um vem expressar nos partidos políticos. Quando vemos um sujeito bem alimentado, cheio de diplomas universitários, bem vestido e bem falante, precisamos ter em mente que esse sujeito não saiu de casa pronto, orientado pela família, disposto a expressar os valores que seus pais lhe incutiram ao longo do seu crescimento físico e intelectual, durante o qual foram gastos alguns milhares de reais para que ele se tornasse aquilo. Não. A realidade é outra. Todos nós, indistintamente, buscamos um meio de estruturar as ideias, seja para o bem ou para o mal. É próprio do ser humano. Ele é um ser gregário, ele precisa do coletivo, que é aonde ele ai alimentar os outros com as suas ideias e será alimentado com as devidas contribuições dos seus companheiros de modo a crescer intelectualmente. Isso não acontece com uma pessoa que queira atuar sozinha. Isso só é possível no coletivo, no grupo, o qual toma forma de ORGANIZAÇÃO a partir de um certo nível de atuação. É patente também que todo grupo tem uma ideologia, resultante daqueles princípios que todos nós acreditamos, seja de direita seja de esquerda. E é essa IDEOLOGIA que vai aparecer publicamente quando nos expressarmos para a sociedade. Por exemplo, quando víamos o LULA discursar no Estádio da Vila Euclides lá na São Paulo dos anos 80, sabíamos que ele expressava a ideologia de um grupo que está ainda por trás dele; não, não é o PT. É um grupo fechado, clandestino, é uma organização política real, que produz os líderes, produz os partidos e direciona as ideias. O mesmo ocorre com um Bolsonaro, que canta de galo como se fosse dono do próprio focinho, e não apenas um pau-mandado de uma máfia.  Mas a realidade ele sabe muito bem: se não fizer o que "Seu Chefe" mandar, sofre um raspão por aí e já era. É disso que eu quero lhes falar, das "Organizações Políticas Brasileiras": a primeira, de âmbito mundial, a Maçonaria. Ela atua em todas as religiões, em todas as forças armadas, em todos os ramos de atividade econômica, e em todos os partidos políticos, de direita e de esquerda. O seu objetivo é espionar, criar intrigas, jogar uns contra os outros em função dos seus interesses, nem que pra isso tenha que assassinar alguns. É uma organização que atua em defesa do capitalismo. A segunda OPB que existe no Brasil e atua desde a segunda guerra mundial, é a AIB - Ação Integralista Brasileira, que alguns preferem escamotear dizendo que "isso acabou, foi coisa do Plínio Salgado". Mentira! Confiram as ideias dos Bolsonaros e de todo racista com o Programa da AIB, encontrável em qualquer panfleto dos partidos de direita, disfarçado em expressões como "os melhores filhos da pátria, defensores da família, das tradições, da propriedade privada e da livre iniciativa"; podem conferir. Ou mesmo no site da organização. Como resultado dessas duas raízes, vamos encontrar organizações políticas em todos os setores da sociedade, desde as religiões, passando pelas forças armadas, as atividades econômicas, chegando aos partidos, dos mais antigos até ao mais recentemente criado, um tal de NOVO. Podem conferir o seu ideário na internet. A ponta mais ousada do pensamento direitista no Brasil fica por conta dos nazistas, vanguardeado pelo clã bolsonaro. Ele é o encarregado de representar no parlamento as ideias e propostas da extinção de todos os tipos humanos além dos BRANCOS PUROS, pois almejam um mundo à imagem e semelhança dos seus olhos azuis. Vale ressaltar que a defesa dos princípios capitalistas por esse espectro ideológico de direita, não poupa a vida de ninguém, sequer dos seus integrantes, quando vacilam em alguma coisa e muito menos dos seus opositores, sejam membros do campo democrático burguês sejam do campo operário popular, e nesses casos a execução é sumária: posso perguntar quem matou Eduardo Campos?...
Quanto aos mortos nas últimas eleições nas periferias brasileiras, aonde as "milícias" governam encobertas por esse manto negro dos interesses, nem precisa se preocupar com os nomes,  mas com as razões, as disputas por territórios ainda em consolidação da hegemonia.
Bom. Até aqui falei sobre a direita, mas não é apenas ela que se organiza nas sombras, às escondidas, como uma espécie de "Crime Organizado", uma vez que como disse acima, somos um ser gregário, que busca o coletivo, e como tal também somos obrigados a nos organizar, senão como vamos encarar o "outro lado"? Não dá, não é mesmo? Acontece que não podemos nos confundir com as organizações da direita, dos patrões, defensores do capitalismo e da opressão sobre os trabalhadores. Não podemos nos organizar como milícias, tomando dinheiro do povo, assaltando os trabalhadores, vendendo drogas à juventude, apodrecendo as pessoas, degradando o "Ser Humano". É preciso ter em mente que a meta do proletariado é uma sociedade comunista, baseada no trabalho de todos em benefício de todos. Quem defende o contrário é capitalista e deve se juntar aos nazistas et caterva, facilitando a identificação de quem é quem...
Alguns partidos brasileiros são chamados de um monte de coisas, inclusive de COMUNISTAS. São eles o PCB, o PCdoB, o PT, e nesse rol entra por tabela até o PDT e o PSB. Mas eu quero me abster de fazer lero-lero sobre esses partidos, e gostaria apenas de convidar os amigos a observarem a atuação de todos eles, gostaria que verificassem os seus compromissos, as suas alianças, gostaria que identificassem as suas lideranças dentro do quadro de classes sociais brasileiras. Vejam se há algum operário eleito deputado por um partido desses, vejam se algum desses partidos, inclusive o PT, está fora das coligações com partidos patronais, vejam se eles se dirigem diretamente aos trabalhadores. E antes que percam muito do seu precioso tempo, lhes adianto: nenhum deles vive sem propinas, sem corrupção, sem mensalão. Então, como são COMUNISTAS? Quem lhes chama de comunista tem apenas o interesse de queimar a palavra, exatamente como fazem com quem se opõe às ditaduras militares são chamados de terroristas. Essas duas palavras, comunista e terrorista, são as expressões preferidas de todo nazista para encobrir suas ações clandestinas. 

Mas no Brasil atual, a esquerda possui um monte de brincalhões se dizendo socialista, comunista, revolucionário etc. Enchem os pulmões nos atos públicos com seus discursos vagos, sem identidade de classe, frouxos, devido à incapacidade de se identificarem enquanto trabalhadores. Tem vergonha da própria palavra, creio até que se sentiriam ofendidos se fossem chamados de PROLETÁRIOS e lotam as ruas e as passeatas para tirarem  fotos com faixas, cartazes e jovens sem esclarecimento da verdadeira realidade do que seja SER DE ESQUERDA. Dão meia hora de aula de doutrinação nos pobres coitados e botam na rua pra carregar bandeiras, usando-os como massa de manobra, para servirem de "buxas" na hora da repressão. Esse tipo de agrupamento dito de esquerda está repetindo o que os partidos VELHOS - PCB, PCdoB e PT - já fizeram de errado. Vou lista-los aqui: PCO - Partido da Causa Operária; PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado; PSOL - Partido Socialismo e Liberdade. 
Não vou fazer o trabalho do x-9 dedurando os seus nomes secretos, organização isso, coletivo aquilo, articulação pororó etc. Isso fica para a direita gerar emprego aos seus viralatas. Mas quero chamar a atenção de todo jovem, homem ou mulher, de todo trabalhador qualificado ou não e de todas as idades: sem organização fechada, clandestina, centralizada, baseada nos princípios do marxismo puro, sem frações, compromissada com os interesses do povo oprimido, internacionalista, não tem saída. Não adianta comemorar a Revolução Russa todo ano, a tomada da Bastilha, a Revolução Cubana, o 8 de Março  e defender a libertação das mulheres, a revolução sexual reicheana etc, sem estar organizado. Bem como não adianta criar partidos legais para eleger parlamentares  e fortalecer o sistema burguês lhe fornecendo mais colaboradores, pois vão todos se unir para explorar os trabalhadores, como ocorre com o Brasil atual, onde o mais mísero sindicato lambe as botas do menor patrão para extrair subsistência às custas dos trabalhadores.
A nossa única saída é a revolução proletária, através da organização revolucionária, do estudo e da atuação responsável, sob os princípios do marxismo puro, repito, sem essas ditas contribuições de tanta gente que se diz "marxista" hoje em dia. A saída é Marx e nada mais! Podemos começar lendo Esquerdismo - doença infantil do comunismo, de Vladimir Illitch Lênin.
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Assalariados Urbanos: Proletariado....* Antonio Cabral Filho - Rj

Assalariados Urbanos:
Proletariado ou Nova Classe Média?

A proposta de debate acima é do historiador Augusto Buonicore, publicada no site Página 13, da corrente petista Articulação de Esquerda.
Segundo ele, "

Na segunda metade do século XX ganhou força o debate sobre quais fronteiras separariam a classe operária das demais camadas de trabalhadores assalariados, especialmente os “colarinhos brancos”. Em outras palavras: o que é o proletariado moderno?
"
Que tal conferir...
http://www.pagina13.org.br/classes-sociais/assalariados-urbanos-proletariado-ou-nova-classe-media/#.WBiIUC0rLIU 
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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Norteamericanos Sem Utopia / Fredric Jameson * LavraPalavra - Agosto 2016

Norteamericanos Sem Utopia
Fredric Jameson explica
Acesse
https://lavrapalavra.com/2016/08/19/fredric-jameson-recrutamento-universal-e-o-exercito-dos-cidadaos/#more-5155 

Por Fredric Jameson, via Verso, traduzido por Oleg e Anna Savitskaia
O ensaio pioneiro de Fredric Jameson Uma Utopia Americana questiona radicalmente os costumeiros standard esquerdistas do que constitui uma sociedade emancipada. “Se”, pergunta Jameson “os negócios, as profissões, a religião, até mesmo os sindicatos (e muito menos os correios ou a máfia) são veículos inadequados para a dualidade do poder, o que pode então ser deixado no capitalismo tardio como uma instituição já organizada capaz de assumir o paralelo e em última análise revolucionário papel do qual depende unicamente a mudança social radical?”
Este é o momento para mencionar o candidato final, o único subsistema restante que pode funcionar de uma maneira verdadeiramente revolucionária. É uma idéia que deve ter-me ocorrido pela primeira vez há muitos anos, inspirada por uma imagem de um dos nossos maiores cartunistas políticos. Acho que deve ter sido durante o primeiro ano da presidência de Eisenhower, se não ainda durante a campanha, quando os últimos vestígios do New Deal ainda sobreviviam na campanha malfadada de Truman pela medicina socializada baseada no modelo inglês e canadense. Ike, presumivelmente vestindo uniforme militar completo, empoleira-se informalmente na beira da mesa no Gabinete Oval e observa em tom de conversa, “Bem, se eles querem a medicina socializada, eles precisam somente entrar no Exército como eu”. Esta é de fato precisamente a estratégia que proponho, a receita para uma nova forma de dualidade do poder.   
A seguir apresentaremos um trecho da versão revisada e expandida do ensaio de Jameson incluído em Uma Utopia Americana: o Poder Dual e o Exército Universal, uma coletânea editada por Slavoj Žižek.  - https://lavrapalavra.com/2016/08/19/fredric-jameson-recrutamento-universal-e-o-exercito-dos-cidadaos/#more-5155