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sexta-feira, 21 de maio de 2021

102 ANOS DE FUNDAÇÃO DA III INTERNACIONAL * Roberto Bergoci / SP

102 ANOS DE FUNDAÇÃO DA III INTERNACIONAL 
ROBERTO BERGOCI / SP


No dia 24 de janeiro de 1919, o Comitê Central do Partido Comunista Russo (novo nome do Partido Bolchevique), junto das direções dos partidos comunistas de diversos países que estavam na Rússia Soviética, como Partido Socialista Operário norte- americano, Partido Comunista húngaro, polonês, alemão, letão, austríaco, finlandês e mais a Federação Socialista Balcânica, lançam um impactante chamado ao primeiro congresso da nova internacional revolucionária dos trabalhadores. Estava nascendo a III Internacional, ou Internacional Comunista. O chamado lançado pelos partidos comunistas, explicita a necessidade imperiosa de uma nova internacional, que correspondesse à nova etapa que adentrava a sociedade burguesa, marcada profundamente pela formação e acirramento dos monopólios e dos cartéis de grandes grupos capitalistas. Essa etapa da sociedade burguesa foi caracterizada de forma clássica por Vladimir I. Lenin, no livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, de 1917.
Após a completa degeneração da II Internacional e dos partidos socialdemocratas reformistas que a compunham, sobretudo o partido socialdemocrata alemão de Karl Kaustsky, que havia apoiado a Primeira Guerra Mundial imperialista, os revolucionários internacionalistas fortemente influenciados pela revolução russa de 1917, dirigida por Lenin e Trotsky, percebem a importância da criação de uma nova internacional, que combateria mundialmente o capitalismo de forma orgânica e centralizada.
Segundo o chamado de fundação da III Internacional:
“Os partidos e organizações abaixo-assinados consideram como uma necessidade imperiosa a reunião do primeiro congresso da nova Internacional revolucionária. Durante a guerra e a revolução, não somente se manifestou a completa bancarrota dos velhos partidos socialistas e socialdemocratas e com estes a da II Internacional, como também a incapacidade dos elementos centristas da velha socialdemocracia na ação revolucionária. Ao mesmo tempo se distinguem os contornos de uma verdadeira Internacional revolucionária”.
Os doze pontos elaborados pela direção da Internacional, descrevem as táticas e condutas dos partidos socialistas e comunistas que a integravam. No chamado, fica patente a necessidade da derrubada do capitalismo, que adentrava numa época de crises agudas e decomposição e que a tarefa do proletariado revolucionário era a tomada do poder pelos trabalhadores contra a burguesia decadente internacionalmente.
O 1.º Congresso da nova Internacional, se reuniu na Rússia soviética, entre os dias 2 e 6 de março de 1919 e se deu em meio à Guerra Civil que o imperialismo levava adiante contra a pátria revolucionária. No discurso de abertura do Congresso, Lenin afirmava: Por mandato do Comitê Central do Partido Comunista Russo, declaro aberto o primeiro congresso da Internacional. Antes de mais nada, lhes peço que nos levantemos para honrar a memória dos melhores representantes da III Internacional: Karl Liebcknecht e Rosa Luxemburgo”. Esses dois gigantes do proletariado haviam sido assassinados recentemente pela socialdemocracia alemã. Os bolcheviques, sobretudo Lenin e Trotsky, sabiam muito bem que sem a expansão da revolução proletária pelos principais países da Europa, a revolução poderia ser estrangulada pelas forças do capital imperialista, pois a Rússia soviética continuaria isolada em meio ao mar capitalista.
Segundo retrospecto de Lenin no 3.º Congresso da Internacional: “Compreendíamos perfeitamente que a vitória da revolução era impossível [em nosso país] sem o apoio da revolução internacional e mundial. Tanto antes como depois da revolução, pensávamos: ou a revolução acontece, se não imediatamente, pelo menos muito em breve nos outros países mais desenvolvidos do ponto de vista capitalista, ou então estaremos condenados a perecer”.
Dessa forma, como bem disse Zinoviev: “Desde seu nascimento a III Internacional liga seu destino ao da Revolução Russa”.
Diferente da I Internacional de Marx e Engels, que possuía um caráter de frente única entre diversas tendências do movimento operário, como comunistas, socialistas, anarquistas, sindicalistas,  etc., e da II Segunda Internacional, que era uma espécie de federação de partidos socialdemocratas e socialistas, a Terceira funcionava de acordo com os critérios do centralismo democrático, defendido por Lenin em sua concepção de partido operário. Ou seja, baseado na experiência da Revolução de Outubro de 1917 e na nova etapa da mundialização do capital imperialista, a III Internacional foi formada como um partido mundial da revolução socialista, um agente e guia internacional da derrubada do capitalismo.
Os primeiros quatro congressos da Internacional Comunista significaram um profundo avanço programático para a luta dos trabalhadores. Nestes estão inseridos a luta contra o oportunismo, o sectarismo, o ultra esquerdismo, a Frente Única, além de importantes resoluções quanto à questão da mulher, dos negros, da luta dos povos semicoloniais e coloniais, mas também do trabalho dos comunistas nos sindicatos e nas fábricas.
Na resolução sobre a tática, por exemplo, votada no Terceiro Congresso em junho de 1921, se percebe uma atualidade irretocável: “(...) é necessário tomar cada necessidade das massas como ponto de partida da luta revolucionária, que em seu conjunto poderá constituir a corrente poderosa da revolução social. Porém, para realizar essa tarefa, os partidos comunistas devem propor as reivindicações cuja realização constituem uma necessidade imediata e urgente para a classe operária e devem defender essas reivindicações nas lutas de massas, sem se importar em saber se são compatíveis ou não à exploração agiota da classe capitalista”.

A degeneração stalinista
O período do Termidor soviético, conforme definido por Leon Trotsky no capítulo V do livro A Revolução de Traída de 1936, como “a vitória da burocracia sobre as massas”, foi cruel para a sobrevivência da Internacional Comunista. O agravamento das condições de saúde de Lenin, o isolamento do Estado operário sabotado economicamente pelo mundo capitalista, os estragos causados pela Guerra Civil, o abatimento das massas, entre outros fatores, favoreceu o avanço da burocratização do Estado operário soviético, do Partido Comunista Russo, mas também e, fundamentalmente, da Internacional.
A política reacionária do “socialismo em um só país”, que expressava o conservadorismo da casta burocrática encabeçada por Stalin, dominou a política da Internacional Comunista desde a morte de Lenin. Em 1927, a política de colaboração de classes levada adiante pela burocracia, levou à derrota da revolução chinesa: Stalin e toda a direção da Internacional burocratizada submeteu o partido comunista chinês ao nacionalismo burguês do Kuomitang, dirigido por Chiang Kai-Shek, que em seguida promoveu um massacre contra os revolucionários.
Nessa época, a burocracia rompendo com a da Frente Única, votada no IV Congresso da Internacional, passou a defender as Frentes Populares, que amarravam o proletariado às burguesias ditas “progressistas”, levando à diversas derrotas dos trabalhadores. Em seguida, nos anos de 1930, dando um giro qualitativo, a direção termidoriana entra no seu “terceiro período”, caracterizado por um ultra esquerdismo extremado, não menos nocivo que seu apoio às Frentes Populares.
Igualando a socialdemocracia ao fascismo, a “teoria” stalinista do “social-fascismo” se negava, mesmo na iminência do perigo nazista, em articular a frente única do Partido Comunista alemão com os trabalhadores socialdemocratas, facilitando dessa forma a subida de Hitler ao poder e abrindo anda mais o caminho para a Segunda Guerra Mundial, levando Trotsky a declarar morta a Internacional Comunista e a criar a IV Internacional, baseada nos quatro primeiros congressos da Terceira.
Após a Segunda Guerra Mundial Stalin, levando adiante a política de coexistência pacifica com o imperialismo, dissolveu oficialmente a III Internacional, mostrando à burguesia mundial sua disposição em ser um freio contra a revolução proletária e um dos sustentáculos da ordem burguesa.
Apesar da burocratização e traição stalinista, a III Internacional além de extremamente atual e necessária, ficará para sempre como um exemplo de combate e da necessidade da luta internacional intransigente do proletariado revolucionário contra a burguesia e o imperialismo, um verdadeiro legado de nossos heroicos camaradas que a fundaram, sobretudo os bolcheviques dirigidos por Lenin e Trotsky. Neste sentido, reivindicamos seus quatro primeiros congressos como patrimônio da classe trabalhadora mundial!

A necessidade do combate internacional contra o capitalismo
O internacionalismo proletário, ou seja, a união internacional dos trabalhadores para a sua luta política contra o capital, constitui-se num dos princípios fundamentais do socialismo cientifico. Surge mesmo, do caráter cada vez mais internacionalizado da economia capitalista e das suas forças produtivas, muito diferente da sociedade feudal ou agrária pré-capitalista, que mantinha uma estrutura fragmentada baseada em pequenos Estados, além de relações sociais e políticas estreitas, que impediam de fato o desenvolvimento das forças produtivas.
De acordo com Marx e Engels:
“Impelida pelas necessidades de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo terrestre. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte.” (Manifesto Comunista de 1848). Dessa forma, se o regime capitalista tende para a mundialização de suas relações de produção e se o capital desloca geograficamente e constantemente suas contradições, a luta dos trabalhadores possui em essência um caráter internacional contra a burguesia.
Podemos observar este fato empiricamente nos dias atuais, na chamada “globalização neoliberal”. Na atual fase do capitalismo, marcada pela completa desregulamentação da circulação de capitais por parte dos Estados burgueses modernos, as grandes empresas multinacionais têm deslocado constante e permanentemente seus empreendimentos pelo globo, em busca de baixos salários, condições degradantes de labor, benefícios fiscais por parte dos Estados nacionais e etc., que na prática e em última instância barateiam os custos de produção e incrementam as condições de concorrência por parte dos grandes monopólios. Mas do outro lado da moeda, põem os operários na defensiva, acirram a concorrência entre os proletários de diversos países e precarizam e degradam as condições mais básicas de sobrevivência dos trabalhadores, sobretudo nos países dependentes e semicoloniais da Ásia, África e América Latina.
Um acontecimento histórico atual, que deixa bem claro o fato de que, no capitalismo, as lutas de classes, assim como as relações de produção burguesas e as forças produtivas, ultrapassam seus limites nacionais, mesmo no terceiro mundo onde ocorrem lutas nacionalistas e anti-imperialistas.  Na Venezuela, por exemplo, é possível observar de forma clara e objetiva, como as forças do capitalismo internacional atuam em conjunto para levar adiante seus interesses de pilhagem colonial entre as diversas facções da burguesia imperialista. Se não for socorrida pelo proletariado internacional, em primeiro lugar da América Latina, as massas venezuelanas terão sérias dificuldades em resistir ao criminoso assédio imperialista, articulado internacionalmente. O exemplo venezuelano possui todo um valor pedagógico para os trabalhadores: a burguesia, apesar de suas contradições, sempre que necessário e quando se trata de defender seus interesses de classe atua para si em nível internacional contra os trabalhadores e estes só podem responder de forma efetiva também na arena da luta de classes internacional.
Essa rotatividade internacional do capital está diretamente conectada à fase imperialista da economia mundial burguesa, onde predomina a exportação de capital em detrimento à de mercadorias. Como nos diz Lenin: “O que caracteriza o antigo capitalismo, onde reinava a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo atual, onde reinam os monopólios, é a exportação de capitais.” (Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo).
Assim sendo, a burguesia, apesar das profundas contradições em seu interior, utiliza como escudo contra a luta nacional dos trabalhadores, a internacionalização das forças produtivas e o deslocamento de suas contradições no interior dos Estados nacionais para a arena da economia mundial. Dessa forma, a luta dos trabalhadores para ter êxito contra o capital necessita ser internacional. Como diz o filósofo trotskista George Novack, citado no livro de Alicia Sagra, História das Internacionais Socialistas, editora Sunderman, de 2005:
“O internacionalismo não é um dogma, nem um sonho, nem uma ideia sentimental, impossível de realizar. Para os materialistas, o internacionalismo é o reconhecimento e a compreensão da realidade e das necessidades da civilização contemporânea. Estas bases materiais sociais da economia mundial constituem os verdadeiros fundamentos do internacionalismo marxista.”.
A atual e profunda crise orgânica pelo qual passa a sociedade burguesa em todo o mundo exige uma resposta também mundializada dos trabalhadores. O grande capital imperialista tem implementado, na prática, uma ofensiva histórica contra o proletariado em todos os países. Em nível mundial, a burguesia tem estabelecido um novo padrão de acumulação, baseado num rebaixamento internacional acentuado do padrão de vida das massas e na espoliação selvagem de sua existência. A lógica disso é que, o capital tem conseguido nivelar relativamente e por baixo, a taxa de exploração internacional dos trabalhadores.
Este processo contrarrevolucionário se acentuou sobremaneira, com a restauração capitalista na União Soviética e na China, resultando numa ofensiva brutal tanto econômica e política, como ideológica, contra o operariado de todos os países.
No entanto, todos os mecanismos de contenção da resistência operária, estão absolutamente comprometidos devido ao aprofundamento irreversível da crise global e universalizante, que atinge o regime burguês em seu conjunto. O regime de acumulação neoliberal colocado em marcha após a derrocada das políticas econômicas keynesianas, está falido e esgotado, sendo vetor de profundas e constantes instabilidades no coração da ordem burguesa.
Com a completa mundialização das forças produtivas do capital, esgota-se assim suas possibilidades de expansão, restando ao capital lançar mão de suas forças destrutivas contra a própria humanidade. Mas por outro lado, as condições materiais para a emancipação dos trabalhadores e do conjunto da humanidade estão dadas.
Se os trabalhadores vivem uma crise de direção revolucionária, devemos afirmar com base na realidade objetiva que a burguesia vive crise pior. Toda a superestrutura da sociedade burguesa está contaminada pela profunda crise orgânica do regime capitalista, diminuindo decisivamente as condições das classes dirigentes deslocarem suas contradições profundas e insolúveis, como lançavam mão num passado distante.
O proletariado tem a vantagem de se encontrar do lado certo da maré histórica. Como toda a história tem mostrado, os períodos que antecederam os grandes embates das lutas de classes, foram precedidos por épocas contrarrevolucionárias. Depois do desgaste dos principais mecanismos de contenção burgueses, o próximo período será o do ascenso operário, que necessita urgentemente superar a crise de direção.
Batalhar pela criação dos partidos revolucionários em cada país é tarefa de suma importância para o proletariado em seu embate de vida ou morte contra a burguesia no terreno nacional, mas não basta: a atual época histórica cobra mais do que em qualquer outro período, a criação do partido mundial da revolução, arma decisiva para o proletariado em sua luta pela derrubada do capitalismo internacionalmente. Como o grande revolucionário russo Leon Trotsky nos ensinou em suas teses publicadas no Epílogo da edição de Sunderman de 2012, de A Revolução Permanente (de 1930):
“A revolução socialista não pode ser concluída nos marcos nacionais. Uma das principais causas da crise da sociedade burguesa reside no fato de que as forças produtivas por ela engendradas tendem a ultrapassar os limites do Estado nacional. Daí as guerras imperialistas de um lado, e a utopia dos estados Unidos burgueses da Europa do outro. A revolução socialista começa no terreno nacional, desenvolve-se na arena internacional e termina na arena mundial. Por isso mesmo, a revolução socialista se converte em revolução permanente, no sentido novo e mais amplo do termo: só termina com o triunfo definitivo da nova sociedade em todo o nosso planeta.”.
Diante da enfermidade de morte que atinge cronicamente a sociedade burguesa senil, que nada tem mais a oferecer à humanidade, a não ser desemprego, fome, guerras e destruição, se faz cada vez mais atual o chamado dos dois gigantes do proletariado internacional Marx e Engels, no Manifesto Comunista“ Trabalhadores de todos os países, uni-vos!”

ROBERTO BERGOCI - SP
texto publicado originalmente no jornal
GAZETA REVOLUCIONÁRIA
100 anos da fundação da III Internacional: a atualidade do partido mundial da revolução para barrar o caminho da barbárie imperialista!
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

O Brasil rumo ao precipício: socialismo ou barbárie * Roberto Bergoci / SP

 O Brasil rumo ao precipício: socialismo ou barbárie

Por Roberto Bergoci


  Com uma taxa de desemprego oficial acima dos 14,6%, a subocupação ultrapassando os 30% da força de trabalho no país, desinvestimentos e fugas de capitais recordes (como no caso da multinacional Ford, mas não só) vemos agravar o desastre social que a cada dia se potencializa no Brasil de Bolsonaro-Paulo Guedes-Militares, deixando patente o verdadeiro fracasso do austericidio neoliberal que tomou conta do mundo há mais de 40 anos, como o regime de acumulação da burguesia "alternativo" ao fracasso da utopia "keynesiana". Somado às consecutivas altas exorbitantes dos preços dos alimentos, gás de cozinha e outros itens básicos de consumo popular, que segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ultrapassou os 16,41% nos últimos 12 meses (maior inflação dos preços de alimentos desde 1992), expressão da estrutura dependente, subdesenvolvida, reflexa e voltada para fora, de nossa economia, certamente entramos em tempos turbulentos do regime burguês brasileiro. O avanço do processo de queima de trilhões das reservas internacionais pelos mafiosos que dirigem a política econômica em beneficio dos grandes magnatas, aumento da divida pública em relação ao PIB e perda de dinamismo da economia, são potentes combustíveis para o alastrar da crise.  A generalização da crise estrutural do capitalismo mundial, que por aqui se expressou pelo fim do “boom de commodities”, estabeleceu um caldo de cultura caótico tanto econômico, como politico e socialmente. As políticas de arrocho neoliberais, posto em marcha por aqui pelo capital financeiro, demais frações oligopólicas  das classes dirigentes dos países imperialistas e as burguesias "brasileiras", desde os anos 1990, baseadas na valorização cambial, elevadas taxas de juros, sucateamento de estratégicas empresas estatais, privatizações, austeridade permanente, enxugamento da máquina pública, sucessivos superávits primários para privilegiar o parasitismo da divida pública, decomposição do mercado interno, etc; tem recrudescido o processo avançado de desindustrialização do país, desestruturação do parque industrial e reprimarização da economia nacional, fazendo o país caminhar para o retrocesso de quase 100 anos em suas forças produtivas e no padrão de acumulação. O Brasil já sofreu períodos históricos de grande vulto, em relação a regressão econômica e social, quando do fim dos ciclos da cana, do minério e do café, algo típico do capitalismo tardio, dependente, de via colonial e atrófico, voltado para complementar os países centrais e sem um projeto nacional autônomo próprio.

 No entanto, a gravidade do atual momento em que vivemos se baseia no fato de que, tal retrocesso em nosso nível industrial e de forças produtivas, se combina com uma sociedade altamente urbanizada, em que as contradições socioeconômicas beiram o insuportável para as massas. Uma coisa é o Brasil de economia primária-exportadora nos primórdios século XX, com uma população predominantemente rural; outra bem diferente, é um país retroceder a praticamente tal estágio econômico quando mais de 84% de seu povo habita os centros urbanos, demandando inserção no mercado de trabalho, serviços públicos, etc., num contexto de maquinização do campo, que impossibilita absorção de grandes contingentes de força de trabalho humana. O resultado disso será inevitavelmente o recrudescimento do pauperismo, decomposição social, proletarização da pequena  burguesia, "lupenização" de vastas parcelas da classe operária e demais trabalhadores, aprofundamento das políticas de repressão policial, encarceramento em massa da juventude periférica e fechamento do regime político, como forma de controle social (o atual projeto de autonomia em relação aos estados, envolvendo as Polícias Militares e Civil é expressão deste fato). 

 Em suma, vivemos no Brasil a combinação dialética de diversos elementos para uma profunda explosão social e das lutas de classes. O preço a se pagar por se manter na esteira da dependência e do subdesenvolvimento, fatores estruturais do capitalismo híper-tardio brasileiro, tem sido alto demais para as massas trabalhadoras. 

 A revolução socialista brasileira é mais do que urgente; de fato, é uma questão de sobrevivência para nosso povo envolto ao agigantamento da barbárie, produto do capitalismo senil. Superar o mero fato existencial de estar na condição de uma "classe em si", como massa bruta para a exploração, e avançar no sentido de se constituir como um sujeito revolucionário independente, com interesses históricos próprios e um programa de transformação radical de nossa sociedade, capaz de nos colocar na condição emancipatória de uma "classe para si", é a missão mais importante de nossa época.  

 Construir uma vanguarda revolucionária no país, que batalhe incansavelmente para se enraizar nas massas trabalhadoras, com um programa da revolução brasileira, manejando a guerra ideológica sem tréguas contra a burguesia; e fortalecer um movimento operário, sindical e popular de base e autenticamente classista, é tarefa para agora, da nossa geração.

 O capitalismo vive um beco sem saída e não tem mais para onde expandir suas forças e nem deslocar suas contradições como no passado. Os atuais acontecimentos que atingem em cheio o regime político em pleno coração do monstro imperialista, ou seja, os EUA, é reflexo dessa crise geral que como um tumor em metástase, se espalha pelo organismo social burguês como um todo. A regra do regime dos exploradores em franca decadência é a destruição em larga escala de massas humanas, forças produtivas, meio ambiente, etc. Diante de atual quadro, somente pode existir dois caminhos para a humanidade trabalhadora: revolução permanente ou barbárie permanente! 

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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Brasil rumo ao colapso e a necropolitica de Bolsonaro - FNMT.BR

Brasil rumo ao colapso e a necropolitica de Bolsonaro

O termo “necropolitica”, ou “política da morte”, foi popularizado pelo filósofo, historiador e professor universitário camaronês, Achille Mbembe, e designa sobretudo as formas de genocídio social por parte do Estado, contra o exército de reserva de trabalhadores considerados “sobrantes”, na ótica assassina da acumulação capitalista. Ou seja, estamos falando das parcelas mais empobrecidas da classe trabalhadora na contemporaneidade neoliberal, expulsas do mercado de trabalho pelos efeitos das revoluções industriais e tecnológicas e sem condições de serem inseridas produtivamente na lógica do capital em declínio, portanto, população “excedente”, de acordo com os critérios do “deus” mercado.
O avanço do vírus covd-19 no Brasil, que segundo o ministério da saúde já contagiou 30.425 e matou 1.924 pessoas, tem deixado escancarado até para os mais ingênuos, o real caráter genocida do capitalismo brasileiro, agravado pelo governo do proto-fascista Jair Bolsonaro. Na prática, a classe dominante brasileira, de passado escravocrata e abertamente criminoso, mantém intocado seu espírito tacanho, assassino e servil aos interesses do capital imperialista estrangeiro.
O governo Bolsonaro é a expressão mais acabada da burguesia semicolonial brasileira, que sacudida pelo terremoto da crise mundial do capitalismo e pelo avanço sem controles do vírus letal, planeja exterminar uma porção enorme dos seus escravos modernos, que podem ser substituídos nos armazéns do exército de reserva operário. O número de desempregados no Brasil atinge mais de 12 milhões de pessoas e os subempregados (desempregados disfarçados) somam mais de 38 milhões de seres humanos (G1, 31-03-2020).
A sabotagem contra o isolamento social devido ao coronavirus, levado adiante por Bolsonaro, significa que os capitalistas “brasileiros” preocupados com seus lucros, planejam um verdadeiro extermínio em massa da população. A troca promovida por Bolsonaro no ministério da saúde, substituindo seu ex-amigo Luiz Henrique Mandetta, pelo mercador de doenças Nelson Teich, sinaliza que nos próximos dias a quarentena pode ser afrouxada, o que se concretizada, resultará num colapso sanitário e social no país inteiro.
Nelson Teich, empresário do setor de saúde suplementar, possui grandes afinidades ideológicas com o capitão miliciano. Num vídeo no site Oncoguia de 2019, Teich deixa patente seu viés malthusiano, completamente alinhado com o que representa o governo Bolsonaro, quando discute sobre quem tem “direito a viver ou morrer” num sistema de saúde, de acordo com a lógica do dinheiro. Para Teich, diante de uma suposta situação envolvendo os cuidados entre um jovem e uma pessoa idosa, a última deveria ser deixada para morrer, pois segundo ele não é mais “produtiva” e rentável quanto a jovem. O comentário do agora ministro da saúde bolsonarista não deixa de acender um alerta sobre o que planeja Bolsonaro e os capitalistas para o povo brasileiro nos próximos dias:
Pra ela [pessoa idosa] melhorar eu vou gastar praticamente o mesmo dinheiro que eu vou gastar pra investir num adolescente que tá com um problema. […] Só que esta pessoa é um adolescente que vai ter a vida inteira pela frente e a outra é uma pessoa idosa, que pode estar no final da vida”.
Tal fala é simplesmente estarrecedora e pela lógica macabra do agora ministro, toda a população idosa do Brasil—mais de 30 milhões de pessoas—corre sérios riscos de serem deixados à própria sorte.
Bolsonaro aliás, bem recentemente, declarou ao vivo no programa de seu amigo direitista José Luiz Datena, que “cada um deve cuidar de seus idosos” e que o “Estado não tem obrigação nenhuma” com essa parcela da população brasileira; uma lógica criminosa e genocida, que diga-se de passagem, é defendida por toda a burguesia mundial.
As classes dominantes brasileiras agem na prática como bons urubus, sobretudo os criminosos do sistema financeiro, aproveitando-se dos efeitos que o choque psicológico do coronavirus trouxe à população,  sistematizando todo um conjunto de ataques e pilhagens, como o aprofundamento da reforma trabalhista, recrudescimento do assalto aos fundos públicos, benesses aos empresários, etc., enquanto empobrece ainda mais os trabalhadores e os colocam diante do risco de morte pelo contágio da pandemia viral.
Uma verdadeira “política da morte” (necropolitica), estamos presenciando no Brasil de Bolsonaro, marcado pelo acirramento sem precedentes da crise capitalista, que ameaça levar o país à barbárie.
Diante da traição vergonhosa por parte dos sindicalistas vendidos, é preciso articular diretamente nos locais de trabalho, nas universidades, escolas, nas favelas e bairros periféricos, comitês de emergência visando garantir o abastecimento de alimentos e outros insumos necessários à população; e organizar a luta direta contra os ataques dos capitalistas numa grande campanha de mobilização, que comece nos bairros e cidades, espalhando pelo país.
Os trabalhadores brasileiros não podem aceitar serem buchas de canhão para a burguesia. Diante da iminente quebra ou afrouxamento do isolamento (isolamento que deve ser estendido a todos os setores não essenciais, além de que, condições de segurança devem ser garantidas a todos os trabalhadores em operação no país), que sem dúvida levaria o povo pobre à mortandade extremada, defendemos a organização de uma greve geral radical no país.
Somente os trabalhadores organizados podem barrar o verdadeiro colapso e caos social que se anuncia no horizonte e ameaça a própria sobrevivência das parcelas mais empobrecidas de nossa classe.
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sábado, 16 de novembro de 2019

Manifesto aos Povos da América Latina * Roberto Bergoci - SP

Manifesto aos Povos da América Latina 
Em defesa de uma Latino América 
Anti-Imperialista e Socialista !



 1-O imperialismo estadunidense e seus vassalos burgueses da direita latinoamericana, vem levando adiante uma verdadeira agenda política de terra arrasada em praticamente todo o nosso continente. Os golpes de Estado militares, jurídicos ou parlamentares que presenciamos desde a última década em países como Honduras, Paraguai, Haiti, Brasil e Bolívia; ou mesmo as campanhas golpistas contra a Venezuela, Cuba e Nicarágua, são parte de uma sórdida campanha implementada pelos falcões genocidas da Casa Branca em conluio com as burguesias nacionais de nossos países e suas forças de repressão, tradicionais peões dos EUA na região. 


2-Os verdadeiros motivos para tais empreitadas golpistas e de severos ataques contra nossos povos, podem ser explicados pelo aprofundamento em todo o globo, da crise estrutural pelo qual tem passado o regime capitalista. Como têm ocorrido há 500 anos, nossas pátrias latinas, condicionadas (por) e dependentes do grande capital estrangeiro predatório, sempre são chamadas a socorrerem os lucros das metrópoles imperialistas. E o preço a se pagar por isso, tem sido caro demais para nossos povos: aprofundamento da dependência; aumento do desemprego e do subemprego; superexploração de nossa força de trabalho; miséria; embrutecimento; morte prematura de nossa gente; perca de nossas imensas riquezas naturais; soberania sacrificada e etc., etc. 


3-O aprofundamento da crise capitalista internacional é de fato, o caldo de cultura por trás das tensões geopolíticas envolvendo o imperialismo estadunidense e gigantes regionais, que possuem protagonismo para além de suas fronteiras, como China e Rússia; estes últimos por sua vez, tem se tornado importantes atores geopolíticos na América Latina desde a última década, desafiando até certo ponto, o imperialismo ianque em seu auto-considerado “quintal”.  Países como Venezuela, Equador, Cuba, Brasil e Bolívia por exemplo, são até o momento, importantes parceiros comerciais dos dois gigantes regionais, fator que não pode ser tolerado pelos gringos do Norte, sob pena de perderem suas posições econômicas, políticas e culturais em Nossa América, fato que ameaça sobremaneira sua odiosa hegemonia. 


4-Depois do completo fracasso da mal chamada “Primavera Árabe” e após serem derrotados em países como Síria, Ucrânia e Irã, os EUA apontam suas armas geopolíticas de forma mais agressiva contra a América Latina, visando expulsar China e Rússia do continente e recrudescer um novo neocolonialismo na região. A ordem é estabelecer a ferro e fogo, através dos golpes de Estado fascistizantes e caos social, uma nova “Doutrina Monroe”, ou seja, a “América Latina para os americanos imperialistas” explorarem. Para isso, os escravagistas do Norte tem contado com os prestimosos auxílios de seus servis colaboradores como Jair Bolsonaro, Lenin Moreno, Sebastian Piñera, Juan Guaidó, Ivan Duque, Mauricio Macri, Jeanine Áñez, Luis Camacho e etc., sob o beneplacido da Organização dos Estados Americanos (OEA), de fato, “Ministério de  Colônias dos EUA”, como nos ensinou o grande revolucionário Fidel Castro. O resultado disso tem sido o aprofundamento sem igual dos ataques neoliberais em todos os países, como a supressão dos sistemas de seguridade social, das conquistas trabalhistas, pilhagem dos recursos energéticos e minerais, privatização de empresas públicas estratégicas e militarização de toda a região, para garantir essa verdadeira reestruturação do capitalismo dependente latinoamericano, baseado num novo e mais precário patamar de acumulação contra os trabalhadores, uma espoliação colonial selvagem.  


Os Povos de Nossa América Resistem! 


5-Se a exploração e opressão tem aumentado, mais ainda a brava resistência dos trabalhadores em diversos países latinoamericanos. Honduras, Haiti, Equador, Chile e Bolívia, viveram ou estão vivendo verdadeiras insurreições populares contra os governos da ultra direita neoliberal. Em Honduras a luta popular não dá tréguas desde o golpe jurídico-parlamentar que depôs o presidente Manuel Zelaya em 2009. Em Haiti, país protagonista da primeira revolução vitoriosa de escravos, as massas trabalhadoras lutam bravamente contra a situação desumana que o grande capital imperialista, auxiliado pelas burguesias nativas quer lhes impor. Na Argentina, a mobilização popular pôs fim ao governo fantoche de Mauricio Macri; e na Venezuela, seu combativo povo tem derrotado bravamente todas as seguidas tentativas golpistas por parte da Casa Branca e da CIA. 


6-Recentemente presenciamos um levante popular de grandes dimensões no Equador. Os trabalhadores indígenas equatorianos, em histórica e combativa marcha colocaram  o traidor Lenín Moreno contra as cordas, que acuado, teve de fugir como rato às pressas, transferindo a sede do governo de Quito para Guayaquil. Este agente interno de Trump e dos interesses de Wall Street, foi obrigado a recuar diante da radicalização das massas e somente se manteve no cargo devido a crise de direção dos trabalhadores equatorianos. 

7-No Chile, país laboratório da primeira experiência neoliberal no mundo, pelas mãos assassinas do fascista Augusto Pinochet, teleguiado pelos famosos “ Chicago Boys” como Milton Friedman, resiste heroicamente há semanas. Os trabalhadores protagonizaram importante greve geral no país, além de levarem adiante um verdadeiro processo pré-revolucionário contra o neofascista Sebastian Piñera, levantando palavras de ordem pelo fim da Constituição golpista parida pelos gorilas de Pinochet, responsável pelo super empobrecimento das massas, suicídios recordes de idosos etc. Mais do que nunca, se faz necessário neste país, a criação de um partido revolucionário com profundo enraizamento nas massas, abrindo possibilidades em canalizar o forte levante popular para a destruição do Estado burguês. 


8-Na Bolívia, após o covarde golpe militar e empresarial contra o governo nacionalista de Evo Morales do MAS (Movimento ao Socialismo), financiado pelo imperialismo, oligarquias nativas e igrejas evangélicas fundamentalistas, as massas trabalhadoras e povos indígenas do Altiplano historicamente discriminados pela burguesia separatista e racista da “Meia Lua”, tem protagonizado exemplares levantes classistas que estremece as elites locais. A parlamentar golpista Jeanine Áñes, auto proclamada “presidente” do país tem sido completamente rechaçada pelos combativos trabalhadores bolivianos, que em heroicos combates, marchando à La Paz com paus e pedras, gritam rebeldemente“Agora é guerra civil!”, fazendo tremer os ratos golpistas. 


Unificar as lutas em todo o continente 


9- Está aberto uma verdadeira temporada de levantes populares em toda a América Latina, como produto da decomposição do capitalismo mundial. O que estamos presenciando pode ser um prelúdio de grandes embates históricos de nossos povos contra o imperialismo e a ultra direita burguesa colonizada. A atual ofensiva neoliberal se levada adiante, deixará sobre o continente uma vasta marca de miséria e barbárie, tendo de ser combatida de forma revolucionária por todos os trabalhadores latino americanos numa luta internacional, continental sem tréguas. 


10-As gigantescas e poderosas classes trabalhadoras de Brasil e México precisam entrar em ação. Estes dois gigantes latinoamericanos, que possuem dimensões continentais, forças produtivas avançadas e ambos uma classe trabalhadora poderosa, podem arrastar o continente para uma verdadeira corrente anti-imperialista modificando decisivamente a correlação de forças na região e no conflito entre as classes em luta. Para isso é imperativo que os trabalhadores de tais países ultrapassem suas direções conciliadoras, presas ao horizonte eleitoreiro, quando, de acordo com as novas regras do jogo, as burguesias americanas na prática, chutaram pelos ares o legalismo e buscam saídas extremas para sua crise aguda, expressada nos atuais golpes de Estado. 


11- Está posto como tarefa de suma importância para nossos povos, centralizar e aproximar dentro do possível as mais expressivas lutas atuais e vindouras em nossa região. O combate contra as burguesias nativas, contra as políticas neoliberais, somente podem ser efetivas, no contexto geral da luta anti-imperialista, que precisa ser transformada em revolução socialista, unificando toda a grande nação Latino-Americana: se o inimigo do Norte planeja nos trazer o caos, nós faremos de Nossa América um, dois, três Vietnãs de combate revolucionário, como nos ensinou Guevara! 


12- O capitalismo mundial entrou num beco sem saída. Como uma vez afirmaram Marx e Engels, o regime burguês parece o feiticeiro que perdeu o controle de sua magia, que agora se volta contra toda a humanidade. Fazemos um sincero chamado a todos os povos da América latina, para nos juntarmos nessa verdadeira epopeia emancipatória, que é nossa revolução anti-imperialista e socialista. Arregacemos já as mangas e marchemos com pés firmes em direção a nossa libertação. O futuro nos pertence! 


Ianques tiren sus manos de nuestro continente e de los recursos de nuestros pueblos !!! 

TENDÊNCIA REVOLUCIONÁRIA COMUNISTA  INTERNACIONAL