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sábado, 18 de julho de 2020

Carta aos amigos e amigas do exterior * Frei Beto/MG

Carta aos amigos e amigas do exterior

Por Frei Betto

17/07/2020

 

Queridos amigos e amigas:

 

No Brasil ocorre um genocídio! No momento em que escrevo, 16/7/2020, a Covid-19, surgida aqui em fevereiro deste ano, já matou 76 mil pessoas. Já são quase 2 milhões de infectados. Até domingo, 19/7/2020, chegaremos a 80 mil vítimas fatais. É possível que agora, ao você ler este apelo dramático, já cheguem a 100 mil.

 

Quando lembro que na guerra do Vietnã, ao longo de 20 anos, 58 mil vidas de militares usamericanos foram sacrificadas, tenho o alcance da gravidade do que ocorre em meu país (Brasil). Esse horror causa indignação e revolta. E todos/as sabemos que medidas de precaução e restrição, adotadas em tantos outros países, poderiam ter evitado tamanha mortandade.

 

Esse genocídio não resulta da indiferença do governo Bolsonaro. É intencional. Bolsonaro se compraz da morte alheia. Quando deputado federal, em entrevista à TV, em 1999, ele declarou: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil”.

 

Ao votar a favor do impeachment da presidente Dilma, ofertou seu voto à memória do mais notório torturador do Exército, o coronel Brilhante Ustra.

 

Por ser tão obcecado pela morte, uma de suas principais políticas de governo é a liberação do comércio de armas e munições. Questionado à porta do palácio presidencial se não se importava com as vítimas da pandemia, respondeu: “Não estou acreditando nesses números” (27/3/2020, 92 mortes); “Todos nós iremos morrer um dia” (29/3/2020, 136 mortes); “E daí? Quer que eu faça o quê?” (28/4/2020, 5.017 mortes).

 

Por que essa política necrófila? Desde o início ele declarou que o importante não era salvar vidas, e sim a economia. Daí sua recusa em decretar lockdown, acatar as orientações da OMS e importar respiradores e equipamentos de proteção individual. Foi preciso a Suprema Corte (STF) delegar essa responsabilidade a governadores e prefeitos.

 

Bolsonaro sequer respeitou a autoridade de seus próprios ministros da Saúde. Desde fevereiro o Brasil teve dois, ambos demitidos por se recusarem a adotar a mesma atitude do presidente. Agora, à frente do ministério, está o general Pazuello, que nada entende de questão sanitária; tentou ocultar os dados sobre a  evolução dos números de vítimas do coronavírus; empregou 38 militares em funções importantes do ministério, sem a requerida qualificação; e cancelou as entrevistas diárias pelas quais a população recebia orientação.

 

Seria exaustivo enumerar aqui quantas medidas de liberação de recursos para socorro das vítimas e das famílias de baixa renda (mais de 100 milhões de brasileiros) jamais foram efetivadas.

 

As razões da intencionalidade criminosa do governo Bolsonaro são evidentes. Deixar morrer os idosos, para economizar recursos da Previdência Social. Deixar morrer os portadores de doenças preexistentes, para economizar recursos do SUS, o sistema nacional de saúde. Deixar morrer os pobres, para economizar recursos do Bolsa Família e de outros programas sociais destinados aos 52,5 milhões de brasileiros que vivem na pobreza e aos 13,5 milhões que se encontram na extrema pobreza. (Dados do governo federal).

 

Não satisfeito com tais medidas letais, agora o presidente vetou, no projeto de lei sancionado a 3/7/2020, o trecho que obrigava o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, templos religiosos e instituições de ensino. Vetou também a imposição de multas para quem descumprir as regras e a obrigação do governo de distribuir máscaras para os mais pobres, principais vítimas da Covid-19, e aos presos (750 mil). Esses vetos, no entanto, não anulam legislações locais que já estabelecem a obrigatoriedade do uso de máscara.

 

Em 8/7/2020, Bolsonaro derrubou trechos da lei, aprovada pelo Senado, que obrigavam o governo a fornecer água potável e materiais de higiene e limpeza, instalação de internet e distribuição de cestas básicas, sementes e ferramentas agrícolas, para aldeias indígenas. Vetou também verba emergencial destinada à saúde indígena, bem como facilitar o acesso de indígenas e quilombolas ao auxílio emergencial de 600 reais (100 euros ou 120 dólares) por três meses. Vetou ainda a obrigação de o governo oferecer mais leitos hospitalares, ventiladores e máquinas de oxigenação sanguínea a povos indígenas e quilombolas.

 

Indígenas e quilombolas têm sido dizimados pela crescente devastação socioambiental, em especial na Amazônia.

 

Por favor, divulguem ao máximo esse crime de lesa-humanidade. É preciso que as denúncias do que ocorre no Brasil cheguem à mídia de seu país, às redes digitais, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, e ao Tribunal Internacional de Haia, bem como aos bancos e empresas que abrigam investidores tão cobiçados pelo governo Bolsonaro.

 

Muito antes de o jornal The Economist fazê-lo, nas redes digitais trato o presidente por BolsoNero – enquanto Roma arde em chamas, ele toca lira e faz propaganda da cloroquina, remédio sem nenhuma eficácia científica contra o novo coronavírus. Porém, seus fabricantes são aliados políticos do presidente…

 

Agradeço seu solidário interesse em divulgar esta carta. Só a pressão vinda do exterior será capaz de deter o genocídio que assola o nosso querido e maravilhoso Brasil.

 

Fraternalmente,

*

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Notas introdutórias sobre Bolsonaro * André Almeida - BA

Notas introdutórias sobre Bolsonarismo:

quando o fascista se olha no espelho

 

Os discursos de ódio da extrema direita nos trouxeram até aqui. Eles tentam em todo momento justificar que não são iguais. E que também não somos iguais a eles. Realmente, não somos! Enquanto progressistas valorizamos a vida, o ser humano e toda capacidade objetiva e subjetiva de tornar o sujeito melhor. Diante disso, a Arte, a Ciência e a Filosofia não cabem nos ambientes virtuais e sociais deles, pois eles no campo político só sabem repetir frases prontas como papagaios. No campo científico são como avestruzes, pois colocam sua cabeça dentro dos buracos e repetem o mantra negacionista. No que compete a Filosofia quanto na Arte se apresentam como tartarugas, tendo como horizonte se escondem no casco. 


Os seguidores do bolsonarismo são subservientes ao que o seu líder messiânico defende. Não se importam com verdades, mas em criá-las em suas fábricas de Fake News. Esses aos quais classificamos como fascistas se olham no espelho, porém acusam o outro de tudo aquilo que eles observam refletido. Suas falas nada mais são do que sua face oculta, pq só quem não aceita a si mesmo por compreender o quanto nefasto ao mundo torna-se é capaz de criar uma ideia de si que não condiz com a realidade, sem fazer uma autocrítica. Não podemos observar acontecendo ao nosso redor e normalizar e legitimar tal feito. O papel do historiador é problematizar o passado para compreender o presente. Em outros é preciso problematizar o presente para compreender suas relações com o passado. E assim fazer com que as pessoas se lembrem daquilo que pretendem esquecer.


Dessa forma, a História é uma das Ciências mais odiadas pelos fascistas. Ela realiza um Raio – X da sociedade ao longo do tempo. E põe nas retinas aquilo que as pessoas gostariam de esquecer. No nosso caso, tratamos das relações do governo bolsonarista, com o fascismo e suas características de diálogo. Entre elas podemos destacar: o armamentismo, o totalitarismo, o culto a raízes que nunca existiram de fato, a imposição ou tentativa de impor oposição a crítica e problematizações ao governo, a obsessão por conspirações, a crença em um líder, o controle e repressão a sexualidade a imposição da ação sem reflexão com sua linguagem repetitiva de inimigos internos e externos, enfim um ódio a democracia e tudo que ela venha a expressar ou representar!


Além disso, mesmo sendo intolerante o bolsonarismo projeta isso nos outros, ou seja, tudo aquilo que eles defendem estar nos outros, nas verdade encontra-se em si mesmos! Como exemplo podemos citar que ao idolatrar ditaduras. Eles defendem que grupos querem implantá-las. Diante disso, com fascistas não podemos dialogar, mas destruí-los. Os fascistas não querem entender o movimento da História. Eles sempre estão criando narrativas que partem do movimento, porém não para compreendê-lo, e sim para recriá-lo como farsa. Enquanto historiador relembrarei o pensamento de Darcy Ribeiro:

“Não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles"



André Almeida - professor de História, Coordenador Pedagógico e vice-coordenador da APLB-Sindicato de Teixeira de Freitas/BA

Twitter: @GerminalAndre Instagram: germinal.historia


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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Bolsonaro e o Reino da Tortura * Antonio Cabral Filho - RJ

Bolsonaro e o Reino da Tortura
Não fosse suficiente idolatrar torturador, assassino, fascista, o currículo do "bozzalnardo" se enriquece a cada dia com os aportes que ele consegue extrair do "caldeirão do bruxo Brilhante Ulstra",
-o torturador agredindo jovens pelas ruas do país-

como no último espasmo em que receitou cloroquina pra direita, tubaína pra esquerda e propina para o "centrão".

História da Tubaína
Para quem não sabe, nós brasileiros temos uma estranha mania de carnavalizar tudo.  Por exemplo, no ambiente escolar ninguém, mas ninguém mesmo, liga quando um menino maltrata uma menina, geralmente de modo a ofendê-la exatamente num campo em que a mesma não tenha sucesso em se defender: por exemplo, se ela for gorda. Chamá-la de gorducha, saco de banha, maria-mole etc. Devido à condição física, ela prefere ficar calada, engolir seco e deixar correr. O que ocorre nesse tipo de caso? É um "BULLYING", mas nem a escola nem o professor, sequer o inspetor de aluno e, na maioria dos casos, nem a família, toma a defesa do ofendido. 

É assim que se cresce e se chega à vida adulta carregando traumas. É assim que se "normaliza" uma aberração. Assim se torna o abuso sexual coisa normal, o assédio como algo natural e o tapa na cara da menina como "coisa de homem". Por isso, a TUBAÍNA é conhecida no Brasil inclusive como "brincadeira" de criança, realizada com a maior naturalidade e aplicada como castigo aos coleguinhas que perdem nas molecagens.

Mas qualquer um pode pesquisar que vai encontrar a TUBAÍNA na história, desde a Idade Média, inclusive na INQUISIÇÃO, como método de tortura, a chamada TORTURA DA ÁGUA. Ela consiste na colocação de um funil na boca da pessoa e o torturador vai colocando água, de modo a cortar a respiração do torturado, até chegar ao máximo, concluindo com a morte por asfixia. 

Na História do Brasil os métodos de tortura são muito populares. O "pau-de-arara por exemplo, o "telefone" , em fim, muitos métodos de tortura se tornaram até "normais", devido a essa mania de carnavalizar as aberrações, a ponto de se ver no dia-a-dia a criançada brincando e aplicando esses métodos de tortura uns nos outros.

Todos sabemos que tudo isso forma uma imensa lama na tragédia brasileira, onde ofender as pessoas por suas característica étnicas, raciais, culturais e até sociais, faz parte uma "pseudo cultura" que hoje, melhor do que nunca, podemos ver cristalizada em política, e vociferada pelo porta-voz do ódio, personificado no "energúmeno eleito presidente" por seus iguais. 

Diante disso, não podemos nos calar e deixar correr frouxo tamanhas monstruosidades.

Antonio Cabral Filho - RJ
poeta e escritor brasileiro.
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