Mostrando postagens com marcador combate ao fascismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador combate ao fascismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de julho de 2021

Hoje são livres os que resistem * Marcio Sotelo Felippe

HOJE SÃO LIVRES OS QUE RESISTEM

MARCIO SOTELO FELIPPE 

Em um artigo publicado em 1944, A república do silêncio, Sartre escreveu que os franceses nunca foram tão livres quanto no tempo da ocupação alemã. Um chocante e brilhante paradoxo que só a grande Filosofia, como exercício de pensar fora do senso comum, é capaz de produzir. Por que os franceses eram livres se todos os direitos haviam sido aniquilados pelos alemães e não havia qualquer liberdade de expressão? Como se podia ser livre sob a cerrada opressão do invasor que fiscalizava os gestos mais triviais do cotidiano? Porque, dizia Sartre, cada gesto era um compromisso. A resistência significava uma escolha e, pois, um exercício de liberdade. Significava não renunciar à construção de sua própria existência quando os invasores queriam moldá-la, reduzindo-a a objeto passivo e sem forma.


Em linguagem retórica e poética Rosa de Luxemburgo disse algo semelhante: quem não se movimenta não percebe as correntes que o aprisionam.


Sartre era existencialista: a existência precede a essência. Isto significa que não há algo anterior à existência que impeça um ser humano de tomar livremente as decisões que construirão o seu futuro. Isto dá ao humano a plena imputabilidade pelos seus atos. O que ele faz da sua existência é culpa ou mérito exclusivamente seu. O que ela é hoje resulta de decisões que tomou no passado, e o que será resultará das decisões que toma no presente.


A experiência francesa durante a ocupação alemã guarda certa similitude com o Brasil de hoje. Na França parte da sociedade (muito maior do que os franceses gostam de admitir) foi complacente ou colaborou com o invasor que massacrava seu povo e aniquilava os mais elementares direitos dos franceses. Hoje, parte da sociedade brasileira assiste inerte, é complacente, apoia ou apoiou usurpadores que vão reduzindo a pó o pouco de direitos e garantias de um povo já miserável.


Na França colaborava-se por ser fascista ou filofascista. Por egoísmo social. Por ressentimento. Por ódio de classe. Para pequenas vinganças privadas, para atingir um inimigo pessoal. Colaborava-se por ausência de qualquer sentimento de solidariedade social. A colaboração com o invasor desvelava a mais baixa extração moral. Quanto a nós, tomo como paradigma uma cena do cotidiano que presenciei dia desses. Duas mulheres ao meu lado conversavam. Uma disse que seu filho de 13 anos era fã do Bolsonaro. A outra, algo espantada, faz uma crítica sutil, perguntando se ela não conversava com o filho sobre política. A resposta: “acho bonito que meu filho seja politizado nessa idade”. Com isto, quis dizer que não importava de que modo seu filho estava precocemente se politizando.


Pode-se razoavelmente supor que ela, mulher, ignore que Bolsonaro disse que há mulheres que merecem ser estupradas? Que saudou, diante de todo país, em rede nacional de televisão, o mais célebre torturador da ditadura militar? Que declarou que prefere o filho morto se ele for homossexual? Como ignorar isso tudo é altamente improvável, porque seria supor que tal mulher vive em uma bolha impenetrável em plena era das redes sociais, podemos concluir, com Sartre, que escolheu o sórdido para si e para seu filho. O que resultará dessa escolha não poderá ser imputado a Deus, ao destino, aos fatos da natureza ou a qualquer fórmula vaga e estúpida do tipo “a vida é assim”, mas a ela mesma e a seus pares brancos de classe média que tem atitudes semelhantes.


Do mesmo modo como a parcela colaboracionista da sociedade francesa escolheu a opressão do invasor estrangeiro, parcela da sociedade brasileira escolheu o retrocesso, o obscurantismo e a selvageria.


Foi em massa às ruas em nome do combate à corrupção apoiando um processo político liderado por notórios corruptos.


Regozija-se com o câncer e com o AVC do adversário politico, demonstrando completa ausência de qualquer traço de fraternidade e respeito ao próximo.


Suas agruras e dificuldades econômicas e sociais transformam-se em ódio justamente contra os excluídos e em apoio às ricas oligarquias que controlam a vida política do país (das quais julgam-se espelhos), a fórmula clássica do fascismo.


Permanece indiferente, omissa ou dá franco apoio ao aniquilamento de direitos, ao fim, na prática, da aposentadoria para milhões de brasileiros, à eliminação dos direitos trabalhistas, à entrega do patrimônio nacional a grandes empresas estrangeiras.


Seu ódio transforma em esgoto as redes sociais.


Não há como prever o que acontecerá a esta sociedade. Uma convulsão social poderá desalojar os usurpadores do poder, ou poderemos seguir para o cadafalso como povo. A História sempre é prenhe de surpresas. O que é certo, no entanto, tomando a frase de Sartre, é que somente poderão dizer no futuro que foram livres, no Brasil pós-golpe de 2016, os que agora estão se comprometendo e resistindo. É uma trágica liberdade de tempos sombrios, mas se nos foi dado viver neste tempo, que vivamos com a dignidade que somente os seres livres podem ostentar.


Hoje são livres os que resistem.


Márcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Manifesto Mobilização Já! * Observatório Proletários - BR

*MANIFESTO MOBILIZAÇÃO JÁ!*
 
Companhir@s,

Todos estão convidados a tomar atitude contra o ataque fascista-neoliberal - que nada mais é que a política desenvolvida pelo falido modo de produção capitalista a ser substituído pelo modo de produção socialista -  aos nossos direitos, seja enquanto brasileiros, cidadãos e trabalhadores.

O ataque ao patrimônio nacional através das privatizações é algo nunca visto em nenhum lugar do mundo, e aqui foi mais grave por contar com a colaboração entreguista da imensa maioria do empresariado brasileiro - envolvendo indústrias, comercio, mídia, judiciário, parlamentares, igrejas de diversas correntes, forças armadas e empresas de segurança.

O saque devastador contra nossos direitos de cidadania é a forma encontrada pelo neoliberalismo de extinguir tudo que conhecemos como Seguridade Social, resultado de décadas de conquistas acumuladas através das lutas femininas, juvenis, étnicas  e raciais ocorridas em nosso país desde a Ditadura Cívico-militar de 1964. Tudo isso é fruto da crise do modo de produção capitalista que nos expropria com a ajuda do Estado/governo para conseguir manter elevados seus altos níveis de lucro, que cai continuamente devido a sua crise existencial...

 
-EXEMPLO DE ATO RELÂMPAGO-

A extinção de nossos direitos trabalhistas com a aplicação da "contra-reforma trabalhista" é somente o glacê do imenso "bolo-pacote" servido a todos nós trabalhadores, agora sem Previdência, Aposentadoria e Carteira Assinada, liberando o empresariado para nos escravizar sem risco nenhum perante leis e Estado/governos.

Mas para garantir tudo isso, apenas a aprovação no parlamento e o respaldo do judiciário não bastam.   Eles necessitam de "Forças Repressivas" auxiliares aliadas aos seus partidos e às Forças Armadas convencionais. Esse é o papel dos grupos fascistas formados por milicianos, bolsonaristas de diversas camadas sociais, religiosos fundamentalistas e por pessoas do lumpen-proletariado marginalizadas - mais popularmente conhecidas como POBRES DE DIREITA.

BOLSOMINIOS POSTOS PRA CORRER EM PORTO ALEGRE

E O QUE FAZER PARA NOS DEFENDER?

Primeiro, nos organizar. E quando falamos disso, logo vem à cabeça a preocupação com as formas tradicionais de Organização: associações de moradores de bairros/favelas/ocupações etc; pastorais religiosas, entidades culturais, étnicas, de gênero etc; findando em sindicatos e partidos políticos. É aí onde mora o perigo. Todos sabemos que todas essas formas de organização estão VICIADAS. Seja por sua utilização pelos políticos profissionais seja pelos vínculos com ESTADO/GOVERNOS. Além disso, há mais um fator preocupante que é a espionagem dentro delas feita pelas forças inimigas do povo trabalhador.

-DEFINIÇÃO DE ESQUERDA-

PORTANTO O QUE NOS RESTA?

1 - 
Construir novas Formas de Organização. 

Formas de Organização estas que nos possibilitem banir o modo de produção capitalista e construir o modo de produção socialista,

 no qual todos contribuem de acordo com suas possibilidades e usufruem segundo suas necessidades. 

Por isso, estamos propondo a formação de uma Frente de defesa dos trabalhadores, revolucionária, contra o eleitoralismo, contra o racismo, a homofobia, o meritocratismo, o desemprego e a fome.

Nossa iniciativa deve começar realizando ATOS CURTOS E RÁPIDOS, centrados no FORA BOLSONARO, por eleições livres e diretas já, com revogação das privatizações desde 2016 e de todas as contra-reformas neoliberais.

2 - 
Construir comitês populares de auto-defesa e de auto-gestão por bairros, favelas, ocupações, locais de trabalho e estudo.

CONSTRUINDO O ESTADO DO PROLETARIADO

...