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sábado, 21 de maio de 2022

A Rússia reescreve a arte da guerra híbrida * Pepe Escobar

A Rússia reescreve a arte da guerra híbrida


– A guerra híbrida está a ser combatida sobretudo no terreno económico-financeiro – e o indicador de sofrimento do ocidente coletivo só poderá agravar-se.


Pepe Escobar [*]


Cena em Kherson depois de libertada.

Então, porque é que o vendedor ambulante de armas, reciclado como o chefe do Pentágono Lloyd "Raytheon" Austin, imploraria literalmente desde finais de Fevereiro para que os seus telefonemas fossem atendidos pelo ministro da Defesa russo, Shoigu, até o seu desejo ser finalmente satisfeito?


Agora está confirmado por uma das minhas principais fontes de informação. O telefonema foi uma consequência direta do pânico. O Governo dos Estados Unidos quer, por todos os meios, desfazer a pormenorizada investigação russa – e da acumulação de provas – sobre os laboratórios americanos de armas biológicas na Ucrânia, tal como sublinhei num artigo anterior.


Esta chamada telefónica aconteceu exatamente após uma declaração oficial russa ao Conselho de Segurança da ONU, a 13 de Maio: utilizaremos os artigos 5 e 6 da Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas para investigar os "experimentos" biológicos do Pentágono na Ucrânia.


Isto foi reiterado pelo sub-secretário-geral da ONU responsável pelo desarmamento, Thomas Markram, mesmo quando embaixadores de países membros da NATO previsivelmente negavam a evidência recolhida como “desinformação russa”.


Shoigu podia prever o telefonema com grande antecedência. A Reuters, limitando-se a citar o proverbial "oficial do Pentágono", disse que a chamada alegadamente de uma hora de duração não levou a nada. Disparate. Austin, segundo os americanos, pediu um "cessar-fogo" – o que deve ter dado origem a um escarninho sorriso de gato siberiano no rosto de Shoigu.


Shoigu sabe exatamente para que lado sopra o vento – tanto para as Forças Armadas Ucranianas como para os UkroNazis. Não se trata apenas da derrocada do Azovstal – e do colapso de todo o exército de Kiev.


Vários caldeirões estão a ser criados no Donbass.

Após a queda de Popasnaya – a crucial fortaleza ucraniana, a mais fortificada no Donbass – as forças russas e de Donetsk/Lugansk romperam defesas ao longo de quatro diferentes vetores, para norte, noroeste, oeste e sul. O que resta da frente ucraniana está a desmoronar-se – rapidamente, com um caldeirão maciço subdividido num labirinto de mini-caldeirões: um desastre militar que o governo dos EUA já não pode contornar.


Agora, em paralelo, podemos também esperar uma revelação total – em grande velocidade – da trapaça das armas biológicas do Pentágono. A única "oferta que não se pode recusar" que resta ao governo estado-unidense seria apresentar algo tangível aos russos para evitar uma investigação completa.


Isso não vai acontecer. Moscovo está plenamente consciente de que vir a público com o trabalho ilegal sobre armas biológicas proibidas é uma ameaça existencial para o Departamento de Estado dos EUA. Especialmente no momento em que documentos apreendidos pelos russos mostram que a Big Pharma – via Pfizer, Moderna, Merck e Gilead – estavam envolvidas em vários “experimentos”. Revelar plenamente todo o labirinto, desde o princípio, era um dos objetivos declarados de Putin.


Mais “medidas “técnico-militares”?


Três dias após a apresentação na ONU, a direção do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros efetuou uma sessão especial para discutir “as realidades radicalmente cambiantes da geopolítica que se desenvolveram em consequência da guerra híbrida contra o nosso país desencadeada pelo ocidente – sob o pretexto da situação na Ucrânia – sem precedente em escala e ferocidade, incluindo o ressuscitar na Europa de uma visão de mundo racista na forma de russofobia cavernícola, uma corrida aberta para a “abolição” da Rússia e tudo o que é russo”.


Assim, não é de admirar que "o agressivo curso revisionista do Ocidente exija uma revisão radical das relações da Rússia com os Estados hostis".


Devemos esperar "uma nova edição do Conceito de Política Externa (Foreign Policy Concept) da Federação Russa" que sairá em breve.


Este novo Conceito de Política Externa tratará do que o ministro dos Estrangeiros, Lavrov, certa vez enfatizou numa reunião em homenagem à 30ª Assembleia do Council on Foreign and Defese Policy: os EUA declararam uma Guerra Híbrida total à Rússia. A única coisa que falta, neste momento, é uma declaração de guerra formal.


Para além da névoa da desinformação que encobre a candidatura da Finlândia e da Suécia – chamem-lhes os Burros e os Nórdicos Mais Burros – para aderir à NATO, o que realmente importa é outro exemplo de declaração de guerra: a perspetiva de mísseis com ogivas nucleares estacionados realmente perto das fronteiras russas. Moscovo já advertiu os finlandeses e os suecos, polidamente, que isto seria tratado através de "medidas técnico-militares". Foi exatamente isso que Washington – e os comparsas da NATO – foram informados que aconteceria antes do início da Operação Z.


E, naturalmente, isto vai muito mais fundo, envolvendo também a Roménia e a Polónia. Bucareste já tem lançadores de mísseis Aegis capazes de enviar Tomahawks com ogivas nucleares à Rússia, enquanto Varsóvia recebe os mesmos sistemas. Para ir direto ao assunto, se não houver uma desescalada, todos ele acabarão por receber o cartão de visita hipersónico do Sr. Khinzal.


Enquanto isso, a Turquia, membro da NATO, joga um jogo de destreza, emitindo a sua própria lista de exigências antes mesmo de considerar o jogo dos nórdicos. Ancara não quer mais sanções na sua compra de S-400s e, ainda por cima, quer ser incluída novamente no programa F-35. Será fascinante ver o que His Master’s Voice vai inventar para seduzir o Sultão. Os nórdicos empenharem-se numa "posição clara e inequívoca" para se auto-corrigirem em relação ao PKK e ao PYD não é claramente suficiente para o Sultão, que apreciou turvar ainda mais as águas salientando que a compra de energia russa é uma questão "estratégica" para a Turquia.


Neutralizando o pavor & choque financeiro


Neste momento é evidente que a Operação Z em curso visa a potência unipolar do Hegemon, a expansão infinita da NATO vassalizada e a arquitetura financeira mundial – uma combinação entrelaçada que transcende amplamente o campo de batalha da Ucrânia.


A histeria dos pacotes de sanções em série do Ocidente acabou por disparar os movimentos contra-financeiros até agora bastante bem sucedidos da Rússia. A Guerra Híbrida está a ser travada predominantemente no campo de batalha económico/financeiro – e o mostrador de dor para o Ocidente coletivo só vai aumentar: inflação, preços mais elevados das commodities, ruptura de cadeias de abastecimento, custo de vida em explosão, empobrecimento das classes médias e, infelizmente para grandes extensões do Sul Global, pobreza e fome.


No futuro próximo, à medida que emergirem indícios internos, será apresentado um caso convincente de que a liderança russa chegou mesmo a apostar no jogo financeiro ocidental – com o roubo flagrante de mais de 300 mil milhões de dólares de reservas russas.


Isto implica que já anos atrás – digamos, pelo menos a partir de 2016, com base em análises de Sergey Glazyev – o Kremlin sabia que isto iria inevitavelmente acontecer. Como a confiança continua a ser um fundamento rígido de um sistema monetário, a liderança russa pode ter calculado que os americanos e os seus vassalos, conduzidos pela russofobia cega, jogariam todas as suas cartas de uma só vez quando chegasse o abalo – demolindo totalmente a confiança global no "seu" sistema.


Devido aos infinitos recursos naturais da Rússia, o Kremlin pode ter tido em conta que a nação acabaria por sobreviver ao pavor & choque financeiro – e até aproveitar-se dele (incluindo a valorização do rublo). A recompensa é demasiado doce: abertura do caminho para O Dólar Condenado (The Doomed Dollar) – sem ter de pedir ao Sr. Sarmat que apresente o seu cartão de visita nuclear.


A Rússia poderia até mesmo entreter a hipótese de obter um poderoso retorno sobre esses fundos roubados. Uma grande quantidade de bens ocidentais – num total de 500 mil milhões de dólares – podem ser nacionalizados, se o Kremlin assim o quiser.


Assim, a Rússia está a vencer não só militarmente mas também, em grande medida, geopoliticamente – 88% do planeta não se alinha com a histeria do NATOstão – e, claro, na esfera económica/financeira.


Isto é de facto o campo de batalha chave da Guerra Híbrida, onde o Ocidente coletivo está a levar um cheque mate. Um dos próximos passos fundamentais serão BRICS expandidos a coordenarem a sua estratégia de contornar o dólar.


Nada do que é dito acima deveria minimizar a repercussões interligadas, ainda por avaliar, da rendição em massa dos neo-nazis do Azov no centro do Ukronazistão, o Azovstal.


A mítica“ narrativa” ocidental acerca de heróis que combatem pela liberdade, imposta desde Fevereiro pelos media do NATOstão, desabou num único golpe. Sinal para o silêncio trovejante por toda a frente da guerra de informação do ocidente, onde nenhum rafeiro tentou sequer cantar aquela nojenta canção "vencedora" da Eurovisão.


O que aconteceu, no fundo, é que o creme de la creme dos neonazis treinados pela NATO, "aconselhados" pelos melhores peritos ocidentais, armados até à morte, entrincheirados em profundos bunkers anti-nucleares de betão nas entranhas de Azovstal, foi pulverizada ou forçada a render-se como ratos encurralados.


A Novorossiya como um divisor de águas


Novorússia, mapa de 1897.

O Estado-Maior russo estará a ajustar as suas táticas para a grande sequência no Donbass – como os melhores analistas e correspondentes de guerra russos debatem incessantemente. Terão de enfrentar um problema inescapável: à medida que o exército russo metodicamente tritura o – desagregado – exército ucraniano no Donbass, um novo exército da NATO está a ser treinado e armado na Ucrânia ocidental.


Assim, existe o perigo real de, conforme os objetivos finais a longo prazo da Operação Z – que só são partilhados pela liderança militar russa – Moscovo corra o risco de deparar-se, dentro de poucos meses, com uma encarnação móvel e melhor armada do exército desmoralizado que está agora a destruir. E isto é exatamente o que os americanos querem dizer com o "enfraquecimento" da Rússia.


Tal como estão as coisas, há várias razões pelas quais a realidade de uma Novorossiya pode revelar-se um divisor de águas (game-changer) positivo para a Rússia. Entre elas:


1. O complexo económico/logístico desde Kharkov até Odessa – ao longo de Donetsk, Lugansk, Dnepropetrovsk, Zaporozhye, Kherson, Nikolaev – está intimamente ligado à indústria russa.


2. Ao controlar o Mar de Azov – já um “lago russo” de facto – e a seguir o Mar Negro, a Rússia terá controle total das rotas de exportação para regiões produtoras de cereais de classe mundial. Prémio extra: exclusão total da NATO.


3. Tudo acima sugere uma condução concertada para o desenvolvimento de um complexo integrado agro-indústria pesada – com o bónus extra do forte potencial turístico.


Neste cenário, uma Ucrânia remanescente de Kiev-Lviv, não incorporada na Rússia, e naturalmente não reconstruída, seria na melhor das hipóteses sujeita a uma zona de exclusão aérea mais ataques seletivos de artilharia/ mísseis/ drones caso a NATO continuasse a entreter ideias divertidas.


Isto seria uma conclusão lógica para uma Operação Militar Especial centrada em ataques de precisão e uma ênfase deliberada em poupar vidas civis e infraestruturas, enquanto metodicamente incapacita o espectro militar/ logístico ucraniano. Tudo isto leva tempo. Contudo, a Rússia pode ter todo o tempo do mundo, pois todos nós continuamos a ouvir o som do Ocidente coletivo a enfraquecer.

20/Maio/2022


https://resistir.info/p_escobar/g_hibrida_20mai22.html


Clica no atalho acima para ver os mapas, na fonte.

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quarta-feira, 9 de março de 2022

DE NAPOLEÃO A LENINGRADO, OS OCIDENTAIS NÃO CONHECEM A RÚSSIA * Augusto Zamora R

 DE NAPOLEÃO A LENINGRADO, OS OCIDENTAIS NÃO CONHECEM A RÚSSIA

Augusto Zamora R.*


O Grande Imperador, farto da 'desobediência' de Alexandre I, Czar de Todas as Rússias, na sua guerra com o Império Britânico, decidiu cortar para o perseguir. Dentro de sua arrogância como mestre da Europa Ocidental, ele organizou um exército de 690.000 soldados, recrutados de metade da Europa (incluindo a Espanha) para invadir a Rússia. Os números combinavam com ele. A Rússia era, então, uma grande potência, mas pobre em recursos, atrasada e sem aliados na Europa, ou seja, seria incapaz de resistir ao espírito e ímpeto do Grande Armée, um enorme exército, até então invencível e o mais experiente e armado da península euro-asiática. Certo de sua vitória, porque os números não mentem, Napoleão invadiu o Império Russo. Sua contraparte oficial era o oposto dele. 


O general e príncipe Mijáil Kutúzov era um homem idoso, sobretudo para a sua época (67 anos), e caolho, devido a doença. Consciente da superioridade francesa, Kutuzov evitou o confronto direto. Ele projetou uma estratégia de terra arrasada e retirada que foi mortal para o invasor francês. Na famosa batalha de Borodino (imortalizada por Tchaikosvky em sua Abertura de 1812, e por Tolstoi em Guerra e paz). 300.000 soldados lutaram quase igualmente. O Grande Armée sofreu 28.000 baixas para 44.000 dos russos. Kutuzov não ganhou, mas ganhou. Ele não ganhou taticamente; Ele venceu estrategicamente. Abatido militarmente, privado de suprimentos, esgotado pela fome e doenças, sem munição, o Grande Armée foi forçado a iniciar uma das retiradas mais trágicas da história, severamente perseguido pelo exército russo. Na Batalha de Maloyaroslavets, Kutuzov deu o golpe final. Apenas 30.000 soldados retornaram. Clausewitz disse dele, referindo-se à sua estratégia contra Napoleão: "Esses esforços dão ao príncipe Kutuzov a maior glória". Napoleão nunca se recuperará da colossal derrota. No final, os números eram apenas isso, números.


Um século e meio depois, outro ocidental chamado Adolph Hitler fez cálculos semelhantes aos de Napoleão. Ele calculou que seu exército de quatro milhões de soldados, experientes e armados até os dentes, poderia conquistar a União Soviética em quatro meses, o país herdeiro do Império Russo que Lenin havia transformado em uma república socialista. A "Operação Barbarossa", iniciada em junho de 1941, seguiu quase exatamente o mesmo caminho da Grande Armée, embora tenha durado mais. Quase dois terços dos exércitos nazistas foram destruídos pelo Exército Vermelho. Isso significou o fim do delírio dos Mil Anos do Reich e do assalto a Berlim pelas tropas do marechal da União Soviética e do general Georgy Zúkov, o grande arquiteto da derrota nazista. Por trás dessas derrotas terminais estavam dois elementos. Primeiro, a arrogância sobre sua própria capacidade em comparação com a da Rússia. Dois, desprezo pela capacidade de combate, resistência e inteligência da Rússia e dos militares russos. De Kutuzov a Zukov.


Tem outro episódio. O assalto a Leningrado. Diante de seu fracasso, Hitler decidiu impor o atroz cerco à cidade fundada por Pedro, o Grande, originalmente chamada de Petrogrado. Hitler reuniu um seleto grupo de personagens para elaborar uma estratégia brutal para matar Leningrado de fome até a rendição. Bloqueado pelos nazistas em todos os lugares, exceto no pequeno lago Ladoga, era impossível enviar provisões suficientes para os habitantes da cidade sitiada. O local produziu uma das maiores tragédias humanas de um conflito repleto delas. Quase um milhão de pessoas morreram de fome em Leningrado. Um milhão. Mas Leningrado não desistiu e resistiu ao cerco nazista, que durou 872 dias.


O comércio dos governos do galinheiro europeu, seguindo as ordens de seus patrões gringos, desenhando com perverso e infinito prazer -que os assessores de Hitler invejariam-, as sanções comerciais, econômicas e financeiras contra a Rússia, buscando com perverso prazer como pode causar o maior e mais doloroso dano possível, não é muito diferente daquele projetado pelos nazistas para levar Leningrado à rendição. Afinal, no passado e hoje, as duas equipes de tecnocratas fizeram a mesma coisa: mergulhar em todas as brechas para ver onde, como e de que maneira a Rússia e seu espírito de resistência poderiam ser destruídos, para que os sitiados, em suas desespero, rendeu Leningrado. 


No delírio patológico e insano de aniquilar tudo o que é russo neste Ocidente dito 'civilizado', chegaram-se a níveis tão grotescos e absurdos como excluir gatos de origem russa das competições felinas; proibir uma árvore russa de concorrer como Árvore Europeia do Ano; demitir o diretor de uma orquestra sinfônica por ser russo; proibir um seminário sobre Dostoiévski por ser russo; cancelar óperas em Moscou e excluir atletas russos, incluindo Jogos Paralímpicos, de todos os torneios que foram e serão. Se eles não saem e matam russos em massa, é porque não podem. Hitler ficou aquém. 


Outras medidas dão para rir alto. A Rolls Royce não vai mais vender seus carros (aaarg!, com a quantidade que os russos compravam). Ikea fecha (debacle! Na Rússia as pessoas não terão nada para sentar). O Airbind os bloqueia (uuuuy, eles não vão mais visitar os países no poleiro). Uber fecha (os taxistas russos estão festejando)... Alguém percebe o quão ridículo eles estão fazendo? Mais baixo você pode cair, mas não mais idiota. Superar os ocidentais nesses transes será absolutamente impossível. Mas, lembre-se, o governo francês disse a suas empresas para não fugirem da Rússia. Danone e Leroy Merlin ficam. E Nestlé. Coca Cola e Burger King também permanecem (os russos são salvos).Apple parou de vender seus telefones, mas apenas um dia...


A Coreia do Sul exigiu uma carta de isenção dos EUA e continua a negociar com a Rússia independente de tudo. A oportunidade é de ouro para colocar carros, telefones, chips e etc., na Rússia, ocupando os espaços abandonados pelos galinheiros. A Índia está no mesmo barco, assim como a China, o Paquistão, o Irã e os países do Golfo. Nenhum país do Sudeste Asiático aderiu às sanções, exceto Japão e Cingapura. Nem México, Brasil e Argentina. Nenhum africano foi ouvido. A Turquia também não. Não sérvio. Mas o jornalismo fecal que nos inunda diz que a Rússia está isolada e morta. 


As perguntas que nos fazemos desta caixa na Lua são: Onde está essa espiral paranóica, abusiva, delirante e ridícula que leva contra a Rússia e o que é russo? Onde, em que lugar, estavam os quatro neurônios que os políticos geralmente têm, quando são moderadamente inteligentes? (algo que não existe, por exemplo, na Comunidade de Madrid). Nós não sabemos que nuvem tóxica aqueles que promovem essas políticas estão inalando, porque, se eles acreditam que por esses meios eles vão entregar a Rússia, nós lhes dizemos para sentar e esperar. 

A Rússia não iniciou operações militares na Ucrânia porque Putin, naquele dia, recebeu o café da manhã errado e, para não demitir o cozinheiro, enviou os tanques para a Ucrânia. Sim, de brincadeira não é bom, mas muito pior é o que está pingando, como um cano de esgoto, todos os dias, pela mídia de propriedade de oligarcas ocidentais que, sendo ocidentais, não são oligarcas, mas empresários. Que eles são donos de quase tudo - inclusive da mídia - não importa se são ocidentais. E, hoje em dia, em processo de branqueamento do miasma ucraniano, se, aliás, são ucranianos, menos ainda. Porque na Ucrânia de fantasia que os banheiros dos noticiários pintam, a Ucrânia é uma democracia perfeita, sem corrupção nem oligarcas. Nessa fantasia, eles não são mais oligarcas e corruptos. São campeões da liberdade, dignos de estátuas como a de Nova York.


A Rússia invadiu a Ucrânia porque os governos ucranianos, desde 2014, declararam a Rússia o estado inimigo. A partir daquele ano, o exército ucraniano foi “limpo” de oficiais treinados na União Soviética, como não confiáveis, e foi reformado de cima a baixo. Para garantir seu objetivo de construir forças armadas ultranacionalistas e neonazistas, seus oficiais e soldados foram recrutados de organizações nacionalistas e neofascistas ucranianas. A doutrina militar ensinada nas academias ucranianas era uma lavagem cerebral, dirigida por conselheiros americanos e do poleiro, para criar uma máquina para matar russos, porque os russos, diziam e repetiam, eram os inimigos mortais da Ucrânia e da Ucrânia, com seus aliados. da OTAN, teve que se preparar para o seu extermínio. Essa é a explicação por que, hoje, a Rússia exige a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia. Porque ninguém quer dormir com uma organização de assassinos ao lado deles. A Rússia não deixará a Ucrânia até que o exército neonazista seja desmantelado. A soberania da Rússia sobre a Crimeia também deve ser assumida. Essa península foi e continuará sendo russa e é lógica elementar considerar um evento irreversível resolvido. 


A classe dominante ucraniana, composta por oligarcas podres e políticos corruptos, acreditava ser o canto do cisne dos atlantistas. Que eles não tenham medo ou respeito pela Rússia, que procurem ferrar a Rússia, que se declarem inimigos da Rússia, porque se a Rússia tentasse algo contra eles – contra eles, não contra o povo da Ucrânia, que desconhecia o que eles eram fazendo com seu país - a OTAN estaria lá para defendê-los e fazer a Rússia pagar por sua audácia. Os próprios babacas acreditaram na história e é assim que eles são agora. Chorando porque a OTAN vem em seu socorro e a OTAN diz a eles que chatice. Essa confusão com a Rússia é a terceira guerra mundial e eles podem se virar sozinhos. Que, para encobrir o embaraço – e não o descaramento – vão enviar-lhes armas inúteis e muito, muito alarido de desinformação, mas que, no campo de batalha, a Ucrânia fornece a bucha de canhão. Então, nós ucranianos, oligarcas podres e políticos corruptos os chamamos às armas! Tens de vir! (Porque temos nosso capital fora e agora somos os heróis da OTAN). 


Colocado aqui, o poleiro atlanticista tem apenas três caminhos. Um: escalar o conflito e nos levar a uma guerra mundial nuclear. Dois: enviar armas para a Ucrânia, o que prolongará semanas e meses, inutilmente e perversamente, o sofrimento da população, pois essas armas não causarão grandes danos nem mudarão o curso da guerra. Ou, três, colocar os loucos que querem sangue (sangue de outras pessoas, é claro, não o seu) em um hospital psiquiátrico e sentar-se para negociar um acordo de segurança abrangente com a Rússia. 


Putin chamou a postura do poleiro de "teatro do absurdo". É. Ele também alertou que "se eles [as autoridades ucranianas] continuarem fazendo o que fazem, colocam em dúvida o futuro da organização política da Ucrânia", ou seja, a Ucrânia pode desaparecer como país. Existem os botões. Um verde, de paz. Outro vermelho, guerra (os do PP não devem votar). Sobre a entrega à Rússia pela fome, você verá. A Rússia é a segunda maior potência energética do planeta, o maior exportador mundial de trigo e o segundo de cereais. A produção de cereais em 2021 foi de 123 milhões de toneladas, das quais 77 milhões são de trigo. Foram exportados 35 bilhões de dólares em produtos agrícolas (leite, óleos e gorduras, carnes, peixes). Em suma, paralisando a Rússia por energia, negativo. Renda-se pela fome, negativa também.  


Então, onde a OTAN confronta uma superpotência nuclear, uma superpotência agroalimentar, uma superpotência energética e uma superpotência espacial? Fora do teatro do absurdo em que se instalou, só resta declarar guerra total (nuclear) ou simplesmente sentar-se para negociar e aceitar as condições da Rússia. Qualquer coisa que seja dita em contrário é um uso nefasto da população ucraniana para apenas adiar o inevitável, que é aceitar o quadro de negociação russo. A verdade é que a humanidade quer a paz. A OTAN é o problema. Um problema sério. E, não se esqueça: Leningrado não se rendeu. A Rússia não se renderá. A Rússia não se renderá. Eles devem, portanto, no galinheiro, descer à realidade e sentar-se. negociar

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