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domingo, 5 de junho de 2022

O Nazifascismo Explícito da Direita na Internet * Guilherme Monteiro Jr. / ES

 O Nazifascismo Explícito da Direita na Internet

Guilherme Monteiro Jr. / ES


Este é um artigo que eu nem pensava em escrever, mas vendo a gravidade e a severidade deste tema, me vi sem opção. Cada vez mais a direita, ou a direita alternativa, vem se mostrando a tua verdadeira face na Internet, uma face completamente nazifascista, racista, especista, xenófoba, euroatlantista, neoliberal extrema, capitalista extrema, antiesquerdista, anticomunista, antissocialista, macartista, pinochetista e bolsonarista, e isso não é apenas no Brasil, mas sim, no mundo todo, principalmente na Internet e nos ambientes virtuais.


Não é difícil ver pessoas de direita atacando a esquerda e culpando a esquerda por tudo de mal que acontece no mundo, e sempre passando pano para os genocídios e mortes provocados pelo direitismo, capitalismo e neoliberalismo; mas só conseguindo ver os supostos genocídios e mortos provocados pelo esquerdismo, socialismo e comunismo. Ao mesmo tempo que acusam a esquerda e os comunistas e socialistas de “genocídio” e de “matança”, a própria direita faz declarações genocidas e de morte em vários lugares como “comunista bom é comunista morto”, “enforque todos os comunistas”, “condenar todos os esquerdistas a morte”, “vamos fuzilar a esquerda de todo o mundo” entre outros, mas os mesmos não toleram sequer ver a esquerda tentando justificar os supostos “genocídios” e “mortes” provocadas pela esquerda e pelo socialismo e pelo comunismo.


Vemos como que a direita atual é literalmente nazifascista, e até mesmo psicopata, sociopata, narcisista, psicótica e mentalmente doente. Não apenas nas redes sociais, mas também na mídia de massa, na mídia popular, na Wikipedia, no Google, na Internet e no Big Tech como um todo. A direita, assim como os antiteístas, podem usar os argumentos que quiserem e as justificativas que quiserem, já que ambos, a direita e os antiteístas, tem a ideologia dominante (o capitalismo) do lado deles (a direita), e os antiteístas tem a “ciência” (ou ciência ™) do lado deles. Mas não aceitam que seus opositores, a esquerda e os religiosos-espirituais usem dos argumentos que quiserem.


Cada vez mais a direita vem mostrando abertamente o seu nazifascismo, assim como websites como Facebook, Instagram, Google, Quora, Reddit e Wikipedia, além de outras corporações do Big Tech, ajudam nesse meio, sempre censurando a esquerda, os religiosos-espirituais e os que defendem a Rússia ou que são contra a OTAN, Norte Global, capitalismo e neoliberalismo. E promovendo literalmente nazifascismo neoliberal, populismo de direita, euroatlantismo, russofobia, cinofobia, anticomunismo extremo, antissocialismo extremo, antiesquerdismo extremo etc. E sem sequer a oportunidade da esquerda se defender, e quando a esquerda se defende ela é cancelada, humilhada, deletada e banida das mesmas. O mesmo para os religiosos-espirituais se defendendo do antiteísmo extremo, ateísmo extremo, neopositivismo, cientificismo extremo, evidencialismo científico e secularismo extremo que o Big Tech promove junto do nazifascismo neoliberal a fins.


Eu falo isso pois já passei por isso várias e várias vezes, e é difícil de me defender dos mesmos, não se pode nem mesmo discordar de “think tanks” que fazem propaganda anticomunista, antissocialista e antiesquerdista que você já é cancelado, humilhado, deletado e banido, ou mesmo discordar da “ciência” (ou ciência ™), não importando o quão bom sejam seus argumentos ou quão bom você seja em argumentar e o quão bem você entende sobre esse assunto. Eu poderia me estender e falar também sobre a dita “divulgação científica” e o quão nazifascista neoliberal, fanática científica, fanática ateia, neopositivista e antiteísta é a mesma, ou mesmo do nazifascismo do judiciário, o nazifascismo da polícia, o nazifascismo das prisões ou mesmo o nazifascismo da cultura popular, mas isso não é foco deste artigo.


O meu maior medo nesse meio é que realmente a esquerda, assim como a religião-espiritualidade, sejam completamente reprimidas e colocadas como “ilegais” no mundo inteiro. Literalmente criando um cenário bem parecido, ou mesmo igual ou até mesmo pior, com o meu cenário hipotético que eu batizei de The United Nations World Order (TUNWO), A Ordem Mundial das Nações Unidas em português, que é baseada em um sonho que eu tive, provavelmente consequência de tanto a situação atual em que vivemos no Brasil e no mundo me afetar, mas é só ler meus comentários/ensaios sobre o TUNWO para entender do que se trata, por isso não vou me alongar muito sobre isso.


Enfim, não estamos muito longe de um mundo em que ser de esquerda ou ser religioso-espiritual, seja motivo de ser preso ou mesmo de ser condenado a pena de morte. Só de pensar na gravidade e seriedade que é este tema, precisamos reagir o mais rápido possível. Pois enquanto a direita e os antiteístas estão destruindo o planeta Terra e criando cada vez mais “tecnologias”, “progresso”, “ciência” e “evidências” para a destruição da Terra e dos planetas ao redor ou próximos da Terra, precisamos agir o mais rápido possível, e lembrando que termos como “tecnologias”, “progresso”, “ciência” e “evidências” são bem relativos e subjetivos também. Precisamos lutar pela criação da República Socialista Mundial e colocar todas nossas pautas de esquerda e pautas comunistas e socialistas em prática. E o quão mais rápido fazermos isso, melhor será para nós.


E sobre aquilo de “onde o socialismo/comunismo deu certo?” e sobre “socialismo/comunismo não deu certo”, isso é algo bem relativo e subjetivo, pois tudo depende do conceito de “dar certo”, pois se você for ver no sentido de serem experiências socialistas que deram a ideia da construção de uma sociedade comunista, e de todas as conquistas do socialismo/comunismo, tanto a nível político, social e afins, socialismo/comunismo não apenas deram sim certo, como também funcionam e são totalmente possíveis de serem alcançados. E toda a vez que alguém te falar algo como “onde o socialismo/comunismo deu certo?” ou “socialismo/comunismo não deu certo”, retruque a mesma falando “defina “dar certo”, ou “o que é “dar certo” para você” ou mesmo “onde o capitalismo deu certo?” ou “capitalismo não deu certo”. E se falarem das supostas mortes do socialismo/comunismo, apenas fale “você ao menos se preocupa com as mortes do capitalismo?”, “por que dessa obsessão pelas mortes do socialismo/comunismo?”, “se você realmente se preocupasse com genocídio e mortes, você seria anticapitalista e um crítico duro do capitalismo”, “você ao menos sabe quantas pessoas o capitalismo mata por ano?”, “você ao menos se preocupa com o que acontece com o Sul Global?” e afins.


Devemos sim combater o nazifascismo da direita, que já passa de neofascismo e de nazifascismo e atinge os níveis de nazifascismo mesmo. Eu até poderia escrever sobre o antiteísmo e de como o antiteísmo é literalmente nazifascista e eugenista, mas isso é um tema para um outro artigo. De qualquer forma, os antiteístas são sim tão fanáticos ou até mesmo mais fanáticos que os “religiosos” que eles dizem opor, e eles trocam “Deus” por figuras seculares, como a “ciência” (ou ciência ™), cultura popular, mídia popular, ficção científica, política (principalmente política de direita), capitalismo, dinheiro e afins. Aonde que os seus ídolos são os ditos “cientistas”, “divulgadores científicos”, “experts” e/ou políticos de direita. Onde que defendem pautas bem totalitárias e com implicações bem de pesadelo, como eugenia cognitiva, determinismo, darwinismo social, cientificismo militante, evidencialismo científico, cientificismo cognitivo, eugenia do século XXI, neopositivismo, centrismo científico (ou centrismo científico), política “baseada em evidência” etc. E tem vários pensadores ateus e cientificistas que defendem abertamente pautas eugenistas cognitivas e neopositivistas, e que os ditos “divulgadores científicos” e “experts” deviam moldar a sociedade, e que as pessoas não deviam fazer pesquisa por conta própria, mas sim acreditar em tudo que os “divulgadores científicos” e “experts” falam. O que torna a ciência, a tecnologia, o progresso, o ateísmo e o antiteísmo como ideologias e religiões. Por isso da necessidade do marxismo do século XXI e do marxismo do terceiro milênio nos dias atuais.


Eu até poderia falar também sobre a mídia popular e da cultura popular e do quão nazifascista é a mesma, principalmente suas empresas, suas produtoras, as suas mídias sociais e fandoms. Mas não me vejo na necessidade de escrever um artigo sobre isso. Pois os meus ensaios-comentários sobre este tema já são o bastante. Apesar que vale mencionam que a mídia popular e a cultura popular são moldadas pela ideologia dominante e pelo Big Tech, onde que a mídia popular e a cultura popular são basicamente o ópio das massas do século XXI, ou mesmo o ópio das massas do terceiro milênio. E isso já está mais do que claro hoje em dia. Basta olhar como que os fandoms são e como que os fãs de certos tipos de mídia popular e de cultura popular são para perceber bem isso. Como é o caso do fandom de The New Order: Last Days of Europe, a fandom de Hearts of Iron 4, a fandom de 40K, os fandoms de jogos de estratégia, a maioria dos fandoms de videogames, e a maioria dos fandoms de séries de televisão e de filmes.


Cada vez mais o marxismo do século XXI e o marxismo do terceiro milênio se tornam necessários e importantes nos dias atuais. E o nazifascismo da direita faz isso uma obrigação e um dever, principalmente neste mundo de Big Tech, cultura popular, mídia popular, transumanismo clássico, microchips humanos, nanotecnologia, quarta revolução industrial, IA, singularidade tecnológica e a fins. Devemos fazer a crítica marxista dos mesmos. Por isso da necessidade do marxismo do século XXI e o marxismo do terceiro milênio.


Devemos agir o mais rápido possível e não podemos desistir ou parar. Vamos lutar pela causa revolucionária e fazer o nosso melhor para tornar a República Socialista Mundial em realidade e acabar com o nazifascismo da direita de uma vez por todas.

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sábado, 21 de maio de 2022

A Rússia reescreve a arte da guerra híbrida * Pepe Escobar

A Rússia reescreve a arte da guerra híbrida


– A guerra híbrida está a ser combatida sobretudo no terreno económico-financeiro – e o indicador de sofrimento do ocidente coletivo só poderá agravar-se.


Pepe Escobar [*]


Cena em Kherson depois de libertada.

Então, porque é que o vendedor ambulante de armas, reciclado como o chefe do Pentágono Lloyd "Raytheon" Austin, imploraria literalmente desde finais de Fevereiro para que os seus telefonemas fossem atendidos pelo ministro da Defesa russo, Shoigu, até o seu desejo ser finalmente satisfeito?


Agora está confirmado por uma das minhas principais fontes de informação. O telefonema foi uma consequência direta do pânico. O Governo dos Estados Unidos quer, por todos os meios, desfazer a pormenorizada investigação russa – e da acumulação de provas – sobre os laboratórios americanos de armas biológicas na Ucrânia, tal como sublinhei num artigo anterior.


Esta chamada telefónica aconteceu exatamente após uma declaração oficial russa ao Conselho de Segurança da ONU, a 13 de Maio: utilizaremos os artigos 5 e 6 da Convenção sobre a Proibição de Armas Biológicas para investigar os "experimentos" biológicos do Pentágono na Ucrânia.


Isto foi reiterado pelo sub-secretário-geral da ONU responsável pelo desarmamento, Thomas Markram, mesmo quando embaixadores de países membros da NATO previsivelmente negavam a evidência recolhida como “desinformação russa”.


Shoigu podia prever o telefonema com grande antecedência. A Reuters, limitando-se a citar o proverbial "oficial do Pentágono", disse que a chamada alegadamente de uma hora de duração não levou a nada. Disparate. Austin, segundo os americanos, pediu um "cessar-fogo" – o que deve ter dado origem a um escarninho sorriso de gato siberiano no rosto de Shoigu.


Shoigu sabe exatamente para que lado sopra o vento – tanto para as Forças Armadas Ucranianas como para os UkroNazis. Não se trata apenas da derrocada do Azovstal – e do colapso de todo o exército de Kiev.


Vários caldeirões estão a ser criados no Donbass.

Após a queda de Popasnaya – a crucial fortaleza ucraniana, a mais fortificada no Donbass – as forças russas e de Donetsk/Lugansk romperam defesas ao longo de quatro diferentes vetores, para norte, noroeste, oeste e sul. O que resta da frente ucraniana está a desmoronar-se – rapidamente, com um caldeirão maciço subdividido num labirinto de mini-caldeirões: um desastre militar que o governo dos EUA já não pode contornar.


Agora, em paralelo, podemos também esperar uma revelação total – em grande velocidade – da trapaça das armas biológicas do Pentágono. A única "oferta que não se pode recusar" que resta ao governo estado-unidense seria apresentar algo tangível aos russos para evitar uma investigação completa.


Isso não vai acontecer. Moscovo está plenamente consciente de que vir a público com o trabalho ilegal sobre armas biológicas proibidas é uma ameaça existencial para o Departamento de Estado dos EUA. Especialmente no momento em que documentos apreendidos pelos russos mostram que a Big Pharma – via Pfizer, Moderna, Merck e Gilead – estavam envolvidas em vários “experimentos”. Revelar plenamente todo o labirinto, desde o princípio, era um dos objetivos declarados de Putin.


Mais “medidas “técnico-militares”?


Três dias após a apresentação na ONU, a direção do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros efetuou uma sessão especial para discutir “as realidades radicalmente cambiantes da geopolítica que se desenvolveram em consequência da guerra híbrida contra o nosso país desencadeada pelo ocidente – sob o pretexto da situação na Ucrânia – sem precedente em escala e ferocidade, incluindo o ressuscitar na Europa de uma visão de mundo racista na forma de russofobia cavernícola, uma corrida aberta para a “abolição” da Rússia e tudo o que é russo”.


Assim, não é de admirar que "o agressivo curso revisionista do Ocidente exija uma revisão radical das relações da Rússia com os Estados hostis".


Devemos esperar "uma nova edição do Conceito de Política Externa (Foreign Policy Concept) da Federação Russa" que sairá em breve.


Este novo Conceito de Política Externa tratará do que o ministro dos Estrangeiros, Lavrov, certa vez enfatizou numa reunião em homenagem à 30ª Assembleia do Council on Foreign and Defese Policy: os EUA declararam uma Guerra Híbrida total à Rússia. A única coisa que falta, neste momento, é uma declaração de guerra formal.


Para além da névoa da desinformação que encobre a candidatura da Finlândia e da Suécia – chamem-lhes os Burros e os Nórdicos Mais Burros – para aderir à NATO, o que realmente importa é outro exemplo de declaração de guerra: a perspetiva de mísseis com ogivas nucleares estacionados realmente perto das fronteiras russas. Moscovo já advertiu os finlandeses e os suecos, polidamente, que isto seria tratado através de "medidas técnico-militares". Foi exatamente isso que Washington – e os comparsas da NATO – foram informados que aconteceria antes do início da Operação Z.


E, naturalmente, isto vai muito mais fundo, envolvendo também a Roménia e a Polónia. Bucareste já tem lançadores de mísseis Aegis capazes de enviar Tomahawks com ogivas nucleares à Rússia, enquanto Varsóvia recebe os mesmos sistemas. Para ir direto ao assunto, se não houver uma desescalada, todos ele acabarão por receber o cartão de visita hipersónico do Sr. Khinzal.


Enquanto isso, a Turquia, membro da NATO, joga um jogo de destreza, emitindo a sua própria lista de exigências antes mesmo de considerar o jogo dos nórdicos. Ancara não quer mais sanções na sua compra de S-400s e, ainda por cima, quer ser incluída novamente no programa F-35. Será fascinante ver o que His Master’s Voice vai inventar para seduzir o Sultão. Os nórdicos empenharem-se numa "posição clara e inequívoca" para se auto-corrigirem em relação ao PKK e ao PYD não é claramente suficiente para o Sultão, que apreciou turvar ainda mais as águas salientando que a compra de energia russa é uma questão "estratégica" para a Turquia.


Neutralizando o pavor & choque financeiro


Neste momento é evidente que a Operação Z em curso visa a potência unipolar do Hegemon, a expansão infinita da NATO vassalizada e a arquitetura financeira mundial – uma combinação entrelaçada que transcende amplamente o campo de batalha da Ucrânia.


A histeria dos pacotes de sanções em série do Ocidente acabou por disparar os movimentos contra-financeiros até agora bastante bem sucedidos da Rússia. A Guerra Híbrida está a ser travada predominantemente no campo de batalha económico/financeiro – e o mostrador de dor para o Ocidente coletivo só vai aumentar: inflação, preços mais elevados das commodities, ruptura de cadeias de abastecimento, custo de vida em explosão, empobrecimento das classes médias e, infelizmente para grandes extensões do Sul Global, pobreza e fome.


No futuro próximo, à medida que emergirem indícios internos, será apresentado um caso convincente de que a liderança russa chegou mesmo a apostar no jogo financeiro ocidental – com o roubo flagrante de mais de 300 mil milhões de dólares de reservas russas.


Isto implica que já anos atrás – digamos, pelo menos a partir de 2016, com base em análises de Sergey Glazyev – o Kremlin sabia que isto iria inevitavelmente acontecer. Como a confiança continua a ser um fundamento rígido de um sistema monetário, a liderança russa pode ter calculado que os americanos e os seus vassalos, conduzidos pela russofobia cega, jogariam todas as suas cartas de uma só vez quando chegasse o abalo – demolindo totalmente a confiança global no "seu" sistema.


Devido aos infinitos recursos naturais da Rússia, o Kremlin pode ter tido em conta que a nação acabaria por sobreviver ao pavor & choque financeiro – e até aproveitar-se dele (incluindo a valorização do rublo). A recompensa é demasiado doce: abertura do caminho para O Dólar Condenado (The Doomed Dollar) – sem ter de pedir ao Sr. Sarmat que apresente o seu cartão de visita nuclear.


A Rússia poderia até mesmo entreter a hipótese de obter um poderoso retorno sobre esses fundos roubados. Uma grande quantidade de bens ocidentais – num total de 500 mil milhões de dólares – podem ser nacionalizados, se o Kremlin assim o quiser.


Assim, a Rússia está a vencer não só militarmente mas também, em grande medida, geopoliticamente – 88% do planeta não se alinha com a histeria do NATOstão – e, claro, na esfera económica/financeira.


Isto é de facto o campo de batalha chave da Guerra Híbrida, onde o Ocidente coletivo está a levar um cheque mate. Um dos próximos passos fundamentais serão BRICS expandidos a coordenarem a sua estratégia de contornar o dólar.


Nada do que é dito acima deveria minimizar a repercussões interligadas, ainda por avaliar, da rendição em massa dos neo-nazis do Azov no centro do Ukronazistão, o Azovstal.


A mítica“ narrativa” ocidental acerca de heróis que combatem pela liberdade, imposta desde Fevereiro pelos media do NATOstão, desabou num único golpe. Sinal para o silêncio trovejante por toda a frente da guerra de informação do ocidente, onde nenhum rafeiro tentou sequer cantar aquela nojenta canção "vencedora" da Eurovisão.


O que aconteceu, no fundo, é que o creme de la creme dos neonazis treinados pela NATO, "aconselhados" pelos melhores peritos ocidentais, armados até à morte, entrincheirados em profundos bunkers anti-nucleares de betão nas entranhas de Azovstal, foi pulverizada ou forçada a render-se como ratos encurralados.


A Novorossiya como um divisor de águas


Novorússia, mapa de 1897.

O Estado-Maior russo estará a ajustar as suas táticas para a grande sequência no Donbass – como os melhores analistas e correspondentes de guerra russos debatem incessantemente. Terão de enfrentar um problema inescapável: à medida que o exército russo metodicamente tritura o – desagregado – exército ucraniano no Donbass, um novo exército da NATO está a ser treinado e armado na Ucrânia ocidental.


Assim, existe o perigo real de, conforme os objetivos finais a longo prazo da Operação Z – que só são partilhados pela liderança militar russa – Moscovo corra o risco de deparar-se, dentro de poucos meses, com uma encarnação móvel e melhor armada do exército desmoralizado que está agora a destruir. E isto é exatamente o que os americanos querem dizer com o "enfraquecimento" da Rússia.


Tal como estão as coisas, há várias razões pelas quais a realidade de uma Novorossiya pode revelar-se um divisor de águas (game-changer) positivo para a Rússia. Entre elas:


1. O complexo económico/logístico desde Kharkov até Odessa – ao longo de Donetsk, Lugansk, Dnepropetrovsk, Zaporozhye, Kherson, Nikolaev – está intimamente ligado à indústria russa.


2. Ao controlar o Mar de Azov – já um “lago russo” de facto – e a seguir o Mar Negro, a Rússia terá controle total das rotas de exportação para regiões produtoras de cereais de classe mundial. Prémio extra: exclusão total da NATO.


3. Tudo acima sugere uma condução concertada para o desenvolvimento de um complexo integrado agro-indústria pesada – com o bónus extra do forte potencial turístico.


Neste cenário, uma Ucrânia remanescente de Kiev-Lviv, não incorporada na Rússia, e naturalmente não reconstruída, seria na melhor das hipóteses sujeita a uma zona de exclusão aérea mais ataques seletivos de artilharia/ mísseis/ drones caso a NATO continuasse a entreter ideias divertidas.


Isto seria uma conclusão lógica para uma Operação Militar Especial centrada em ataques de precisão e uma ênfase deliberada em poupar vidas civis e infraestruturas, enquanto metodicamente incapacita o espectro militar/ logístico ucraniano. Tudo isto leva tempo. Contudo, a Rússia pode ter todo o tempo do mundo, pois todos nós continuamos a ouvir o som do Ocidente coletivo a enfraquecer.

20/Maio/2022


https://resistir.info/p_escobar/g_hibrida_20mai22.html


Clica no atalho acima para ver os mapas, na fonte.

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