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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

O «neoliberalismo progressista» e a esquerda conservadora * Nuria Alabao/NUSO

O «neoliberalismo progressista» 
e a esquerda conservadora
Nuria Alabao/NUSO

Alguns setores progressistas sentem nostalgia pela velha política de classe diante dos novos movimentos feministas e identitários. Será esse realmente um posicionamento de esquerda para transformar algo do mundo atual?

É habitual que surjam discursos conservadores na esquerda em tempos de fragilidade das lutas sociais. Eles estão sempre presentes, mas só ganham relevância quando perdemos força. Se as praças estão tomadas ou há manifestações, okupações ou greves – em tempos de força –, quem vai se preocupar em discutir o sujeito do feminismo ou se o ativismo antirracista ou lgtbi+ é «neoliberal»? Infelizmente, estamos em meio a um desses momentos de discussões abstratas de interesse questionável.

Uma delas é a que faz referência ao termo «neoliberal» como adjetivo contra quase qualquer coisa, utilizado para desqualificar lutas que incomodam porque não são compreendidas ou não podem ser lideradas, como aríete em guerras de poder internas de partidos ou simplesmente para se posicionar como o ou a influencer da moda. Assim, o direito à identidade de gênero acaba sendo neoliberal, e as lutas antirracistas ou o feminismo mais transformador, «um conglomerado de postulados pós-modernos das identidades». Tais argumentos são usados muitas vezes para deslegitimar esses movimentos, culpando-os de «deixar de lado a política de classe» ou «os verdadeiros interesses do povo». Eles são usados dessa forma tanto pela extrema direita como por determinadas vertentes da esquerda conservadora, um tanto fascinada pelos êxitos – limitados – da ultradireita, interpretados como consequência do «abandono da classe trabalhadora». Para ambos, as questões materiais não importam, embora alguns se declarem marxistas; tudo acontece no mundo das ideias. Abordaremos aqui algumas dessas questões deixadas de lado.

Não se sabe bem o que significa o neoliberalismo. É como se os inconvenientes do capitalismo tivessem começado na década de 1980 com a vitória neoliberal, ou talvez em 1968, com o nascimento dos movimentos sociais antiestatais. Parece que todo capitalismo prévio foi uma espécie de festa para os despossuídos, ou talvez tenha existido uma era dourada na qual os trabalhadores e o capital convivessem em harmonia. É certo que, para alguns nostálgicos das esquerdas, o capitalismo do Estado de bem-estar é o máximo a que podemos aspirar, o que só pode ser fruto de uma idealização. Em que países, por quanto tempo, para que faixas sociais funcionou esse Estado, e quem dele ficava de fora? Na Espanha, por exemplo, só podemos falar de um Estado de bem-estar subdesenvolvido; em outros países, como os Estados Unidos, a classe trabalhadora negra foi excluída desse mundo de estabilidade. E, afinal, não foi tudo isso construído à custa da sujeição e da subordinação das mulheres nos lares a seus patrões maridos ou pais?

Não se pode esquecer que, como explica Melinda Cooper em Family Values [Valores familiares], em muitos países ocidentais, a ordem socioeconômica posterior à Segunda Guerra Mundial foi articulada em torno do chamado «salário familiar fordista» – o homem provedor de sustento para mulher e filhos –, que funcionou como um mecanismo para a normalização das relações sexuais e de gênero, e que precisamente contribuiu para estruturar a organização do trabalho a partir das divisões de raça, gênero e classe1. No caso dos eua – a Europa viveria algo parecido com as migrações provenientes das ex-colônias –, isso foi conseguido excluindo os homens afro-americanos do salário familiar e relegando as mulheres afro-americanas à mão de obra barata e doméstica em lares brancos ou na agricultura. É preciso fazer com que os nostálgicos de outro ideal se lembrem destas questões: o sujeito trabalhador de fábrica, branco e com a mulher em casa. Eles efetivamente poderiam culpar o feminismo por contribuir para liquidar essa ordem com sua luta contra o modelo do homem provedor e da família fordista, sempre que considerem que as mulheres deveriam retornar a seu antigo papel e que essa ordem deveria ser recuperada à margem do nível de vida de migrantes e pessoas racializadas.

Muito se fala agora do «neoliberalismo progressista»2, uma expressão que Nancy Fraser utiliza para se referir a um tipo de feminismo institucional hegemônico nos eua que poderia ser exemplificado na figura de Hillary Clinton. Alguns utilizam esse conceito para deslegitimar todo o feminismo – ou todas as lutas lgtbi+ – ignorando contextos sociais e históricos, bem como disputas de classe dentro desses mesmos movimentos. Assim, essas mobilizações seriam irrelevantes e até mesmo contraproducentes, pois se adaptam bem «ao novo espírito do capitalismo», e o neoliberalismo seria progressista no sentido de ser capaz de absorver toda luta política. É evidente que se pode e deve criticar os partidos socialdemocratas que separaram as políticas de reconhecimento – de direitos das minorias – das políticas de igualdade material, embora a linha que as separem nem sempre seja tão clara. Digamos que se pode e deve apontar aquelas que, enquanto se denominavam feministas, apoiavam as políticas econômicas neoliberais.

Contudo, os movimentos sociais existentes não podem ser considerados culpados pela incapacidade coletiva de se opor ao avanço do neoliberalismo. Não se pode responsabilizar o feminismo, as lutas lgtbi+ ou o antirracismo pela fragilidade dos sindicatos ou pela desarticulação do movimento trabalhador (que foi um processo histórico complexo e que envolveu vários fatores)3. Não significa, no entanto, que não se possa articular uma crítica às derivas identitárias de alguns desses movimentos ou a suas políticas de demanda por integração estatal, mas, em qualquer caso, isso implicaria análises mais aprofundadas, e não uma impugnação total sob o risco de jogar fora a criança com a água suja do banho. Os direitos obtidos em questões que alguns chamam «de representação» foram fruto de árduas mobilizações. Muitos desses movimentos também tinham um cunho fortemente anticapitalista, mas sua derrota é o sinal dos tempos.É preciso lembrar mais uma vez que a classe trabalhadora existe em processos de auto-organização, e não simplesmente a invocando como palavra. Ela não existe como puro discurso. E a classe trabalhadora como categoria sociológica hoje na Europa é precisamente racializada, plural, repleta de pessoas lgtbi+, e migrantes e mulheres ocupam as posições mais exploradas4. Somente ignorando esse fato é possível continuar invocando mentalmente a «verdadeira classe» e seus verdadeiros interesses. Novamente, apenas aqueles que se auto-organizam, lutam e falam por si mesmos podem definir quais são esses interesses.

O neoliberalismo é progressista?

O neoliberalismo triunfou na década de 1980 sob o comando de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, que uniram sua preocupação pela família e pela tradição aos elementos mais radicais do liberalismo. O neoliberalismo era apresentado teoricamente como uma forma revolucionária capaz de abalar os pilares de toda a sociedade – e de fato o fez –, mas também como uma doutrina e uma prática perfeitamente compatíveis com a preservação da família e dos valores tradicionais. Mesmo antes desse casal maléfico, o neoliberalismo já era experimentado sem obstáculos durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Nesse país, a questão não é se o neoliberalismo era progressista; ele nem sequer era democrático. De fato, a democracia para o neoliberalismo tende a ser uma metáfora do mercado, e a liberdade é concebida como liberdade econômica. O mercado é a expressão material e concreta da liberdade. Não há outra possível. Tudo mais é secundário.

Precisamente, como explica Melinda Cooper, o individualismo neoliberal combina perfeitamente com a defesa da família tradicional, que funciona como estabilizador social, espaço de controle social e de subordinação da mulher, crianças e pessoas lgtbi+, e na qual se reproduz grande parte da violência patriarcal5. O trabalho de Cooper, que se concentra nos eua, mostra como os cortes neoliberais do gasto público em educação, saúde e bem-estar se basearam no pressuposto de que as relações familiares substituiriam esses serviços públicos a partir da dívida intergeracional. Nesse sentido, os neoliberais não estavam tão distantes dos conservadores em suas propostas, ainda que, diferentemente destes – ou da ordem fordista –, sua proposta não estivesse sujeita a costumes sexuais disciplinares específicos ou a uma defesa da família heteronormativa.

Os laços familiares são apresentados como imprescindíveis para absorver os choques e a indeterminação provocados pelo livre mercado, já que se pretende desmontar qualquer suporte de bem-estar enquanto se liberaliza – precariza – o trabalho e os bens básicos são deixados à mercê da «mão invisível». Assim, o neoliberalismo utiliza a família para reduzir funções do Estado. De fato, depois da crise de 2008 com seus cortes e a austeridade, a saída neoliberal, a família se tornou mais importante para a sobrevivência das pessoas.

Lembremos que a família é essa instituição sem a qual não haveria trabalhadores prontos para serem explorados – mulheres que reproduzem a mão de obra – e que ela é fundamental para reproduzir a estrutura de classes. Além disso, na ordem neoliberal, a origem social é cada vez mais importante para as possibilidades econômicas e de vida das pessoas. A herança é um mecanismo essencial, mas também a educação, os contatos, as possibilidades de endividamento, etc. O problema não é a família em si, mas o fato de não haver alternativas que ofereçam autonomia. Como destaca Cinzia Arruzza, apesar da multiplicação das identidades e práticas sexuais, e da maior visibilidade das pessoas trans e dos estilos de vida que não se enquadram no gênero – assim como sua mercantilização e promoção como nichos de mercado e novas fontes de lucro e destinos de investimento –, a família continuou ganhando peso, juntamente com a sujeição que isso implica. Portanto, o neoliberalismo não só não ataca essa instituição fundamental para o sustento da ordem social, mas também a reforça ao fazer recair mais peso sobre ela6.

Sendo assim, material e constitutivamente no que mais importa para nós, o neoliberalismo tem pouco de progressista ou feminista, e os direitos das pessoas trans e o feminismo de classe não são neoliberais. O neoliberalismo é fundamentalmente um programa econômico que organiza a sociedade em torno do mercado, um mercado ordenado e impulsionado por um Estado incitado a administrar os serviços públicos mínimos; um Estado que deve facilitar que o mercado opere com máxima liberdade e administre as maiores áreas possíveis da vida. Nada disso contribui para a autonomia das mulheres ou das pessoas trans. Como proposta econômica ou de organização social, isso é compatível tanto com regimes «progressistas» ou de direitos como com a extrema direita de Jair Bolsonaro no Brasil ou de Donald Trump nos eua.

A crítica necessária para avançar é um pouco mais complexa e deve ser tripla para ter eficácia. Por um lado, ela deve denunciar o neoliberalismo e sua guerra contra as possibilidades de vida, mas também ser anticonservadora – à direita e à esquerda –, contra a fascinação que a extrema direita desperta em alguns e suas críticas ao capitalismo baseadas na nostalgia da família, da homogeneidade étnica ou da nação. Nenhuma nostalgia nos tornará iguais e livres. Finalmente, ela deve ser profundamente anti-identitária quando essas identidades dificultem a articulação das frentes amplas de que necessitamos para nos opor ao poder do capital.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

NEOLIBERALISMO À DIREITA E À ESQUERDA * María Alejandra Díaz

 NEOLIBERALISMO À DIREITA E À ESQUERDA

María Alejandra Díaz


Parece que alguns porta-vozes econômicos do alto governo concordam com o que Margaret Thatcher expressou nos anos 80 sobre "não há alternativa" assumindo como ela, que não faz muito sentido sonhar com uma mundo diferente com um sistema social, cultural e econômico diferente. E é que desde 2017 -pelo menos- ouvimos "não temos outra escolha, não há alternativa" para resolver nossa crise induzida e provocada. Uma fatalidade que nos vendem sobre a impossibilidade de nos organizarmos de outra forma, convertendo -sim- quem decide propor ideias, levantar alguma crítica ou se opor abertamente a elas em: traidores, saltadores talanqueras, que não entendem a dimensão do tragédia devido ao álibi de medidas coercitivas unilaterais e seus efeitos.


Ninguém em sã consciência poderia negar os efeitos perversos de tais sanções unilaterais e ilegais. Mas desde 2017, um grande grupo de venezuelanos optou por propor, depois de uma longa discussão, todo um plano para a recuperação da economia, sim, um plano fora do mantra neoliberal de "não há alternativa" e fora da lógica dos autômatos zumbis do dogma; e o que aconteceu? Nada pa'lante com o outro plano.


Vamos rever a doutrina a esse respeito, para nos posicionarmos sobre nossa afirmação. O realismo capitalista (Fischer) propõe que o Estado reduza seu tamanho e se administre como uma empresa, um negócio, privatizações como soluções, livre concorrência e livre mercado, desregulamentação, desburocratização (demissões em massa em empresas públicas e estatais), congelamento coletivo negociação, controle rígido da emissão de moeda entre outros princípios. O Estado não pode virar “babá” nem está aí para subsidiar ou subsidiar “vagos”, portanto, o social não existe, existem indivíduos, principalmente consumidores e empresários, tomando para si Jeremiah Benthan, pai do utilitarismo: maximização do prazer , em termos econômicos aumentos de lucros e lucros. Isto é o que estão orando os entreguistas!


Crenças arraigadas, como reflexo da submissão ideológica e do apagão epistêmico de grande parte dos tomadores de decisão nas questões econômicas e políticas que governam o país.


São produtores e reprodutores do discurso econômico e cultural neoliberal, executores extraordinários dos planos daqueles que dizemos serem nossos inimigos, completando o que Jeffrey Sachs levantou em sua terapia de choque e criticado por Naomi Klein. Representantes e defensores dos artefatos ideológicos culturais do neoliberalismo, do realismo capitalista e seu discurso de "sem futuro". E com esta ideia estendida à população anulam o futuro, a mobilidade social, condenam-nos a não imaginar o novo, recriando uma sociedade que morre vivendo como zombies, consumidores dos petrificados fetiches da cultura neoliberal.


Uma amostra dessa reprodução estúpida são os quadrinhos, instrumentos da maquinaria desconstrutiva neoliberal. Trocamos Bolívar, Piar, Zamora, por cópias feias dos super-heróis do inimigo, criando e instalando no inconsciente, no imaginário de nossa população, especialmente daqueles que se autodenominam anticolonialistas de cafeteria, o pior discurso de alienação cultural e mental.


Este realismo capitalista foi retomado pela "esquerda progressista" e sua vitória foi selada quando Tony Blair, o Partido Trabalhista e a chamada social-democracia internacional capitularam a esta visão. Uma esquerda rendida, de como um vampiro vulgar bebe o sangue do povo, alguns mortos-vivos, que revivem um episódio de Resident Evil ou The Walking Dead, cadáveres insepultos em reflexões impotentes, retórica vazia e incoerência entre fala e ação, esvaziamento ético de toda virtude, restabelecendo com seus esforços o neoliberalismo selvagem, o mesmo que Chávez mandou para o inferno.


Eles impõem uma ontologia empresarial dos negócios -nihiliberalismo- onde a única realidade real é o negócio e, portanto, toda a sociedade deve ser gerida como uma empresa, ou seja: custo/benefício/produtividade marginal (economismo puro e duro), fetichização da mercadoria, reificação da realidade e alienação da dixit do trabalho. Justificam as consequências e o sofrimento de bilhões, dizendo-nos que a situação é objetivamente pior (naturalizando a catástrofe) mas “não há alternativas” porque este é o melhor mundo possível.


Contrário a esses dogmas, concordamos com Fisher quando ele nos adverte que "um ataque sério ao realismo capitalista só pode ser tentado se for exibido como incoerente e indefensável; em outras palavras, se o realismo ostensivo do capitalismo for mostrado como a completa oposto do que diz ser" levando-nos a um verdadeiro estado de impotência e tornando-se uma profecia auto-realizável: jovens e menos jovens que têm certezas e sabem que nada podem fazer para mudar as coisas e por isso nada fazem para mudar neles, portanto, tudo continua igual, porque os sonhos são cancelados, havendo um estado de impotência social coletivizada.


Nós nos recusamos a ficar parados e sem esperança. Ora, todo esse discurso instalado se desfaz, quando analisamos os efeitos, por exemplo, dos danos sociais, culturais, espirituais, ambientais, dos efeitos corrosivos e devastadores sobre a saúde mental da população, nos adoecendo para produzir lucros empanturrando nós mesmos com remédios, muitas vezes inúteis, imbuídos de um individualismo obrigatório e da privatização da doença, jovens vivendo impotentes, perpetuamente frustrados, fugindo da realidade, com drogas e um hedonismo permanente e inevitável; desapontados e atordoados porque não têm como realizar seus sonhos.


Outro sintoma inequívoco desse fracasso é a suposta redução da burocracia e com ela do tamanho do Estado e de seus objetivos: o que vemos mesmo são professores que vendem hortaliças para sobreviver, afetando a qualidade da educação como pilar do desenvolvimento e do verdadeiro crescimento , trabalhadores que exercem as funções de outros três que se demitiram para ir para o "empreendedorismo", médicos que trabalham em três lugares para poder "sobreviver", migrações massivas por falta de emprego e oportunidades, flexibilização laboral, enfim, um desfinanciamento da saúde, da educação e de tudo quando o espaço antes era ocupado por um Estado responsável, forte e soberano.



Tudo isso não passa de uma série de mentiras porque quando os empresários privados -banqueiros- faliram em 2008, foram os Estados -americanos e europeus- que acabaram subsidiando essa falência colocando dinheiro de todos os contribuintes, com o lema imoral " eles são grandes demais para falir."


Como indica Giulio Palermo em seu livro O Mito do Mercado, "desenvolvimento sem inflação" coincidindo com salários estagnados é apenas o triunfo do capital. A recuperação do emprego à custa de condições de trabalho mais duras, maior precariedade e menor protecção (com a produtividade sempre a crescer) apenas exprime um aumento da taxa de exploração: se numa família antes só o homem trabalhava, agora trabalham dois ou três dos seus membros e o padrão de vida é sempre o mesmo porque, além de reduzir os salários reais, com a redução dos investimentos públicos, os serviços que antes ficavam a cargo do Estado, agora temos que pagar em moeda forte”


Hoje um reflexo fiel da aplicação dos princípios rigidamente estabelecidos da teoria monetarista neoliberal que o realismo capitalista desenvolve. No entanto, algo deve ser dito em favor daqueles que hoje desgovernam: eles não comandam a si mesmos. Bem, além da retórica anti-imperialista , essa liderança "cega, surda e muda" de Shakira optou por transformar o capital no centro dos benefícios econômicos, para tato com fatores internacionais e não podem sair do plano -receita neoliberal- ditada por bancos internacionais, transnacionais, fundos de investimento e obrigacionistas do anglo-sionismo holandês, suíço e britânico. Além disso, não se comportam como revolucionários, nem mesmo como venezuelanos, são zumbis a serviço da máquina de guerra anglo-saxônica que nos invade impiedosamente.


Obviamente, esse capital é um parasita abstrato, um vampiro gigantesco, um criador de zumbis e a carne fresca onde fincam suas presas, são os milhões de trabalhadores empobrecidos e precários. E fazem tudo isso em momentos de inegável crise do neoliberalismo, quando ele se arrasta. Enquanto isto acontece, os decisores económicos e políticos dão-lhe oxigénio e muitos dos que se diziam opositores ao sistema perverso acabaram por se adaptar às próprias coordenadas que ele impõe, entregando a nossa soberania monetária e económica e provocando uma acumulação original violenta de capital, confisco da riqueza social e transferência massiva de recursos para o capital fiduciário. Tomar partido do capital fiduciário implica inclinar a balança no conflito distributivo em favor dos patrões e não do trabalhador (S. Amin, M. Hudson)


Claro que é uma guerra, uma guerra do capital contra o trabalhador. Se nos consideramos revolucionários anti-imperialistas, para quem vamos nos inclinar? Deve ser para o trabalhador. Estamos conseguindo? Eu creio que não.


Como é que sabendo da situação precária que gerariam as sanções e a diminuição das receitas petrolíferas, como lhe pergunta Miguel Ángel Contreras na conferência proferida sobre o baptizado do livro de Malfred Gerig "A Longa Depressão Venezuelana" se insistiu no pagamento sem brincadeira da dívida externa pelo valor exorbitante de mais de 71.700 milhões de dólares? Como é que, sabendo disso, você paga aqueles que o estão sancionando e travando uma guerra financeira contra você? Parece uma decisão política e econômica sem precedentes.


E esta incompreensível decisão política que prejudicou o país e nos deixou nesta situação não tem a ver com aqueles determinantes de longo prazo que hoje nos oprimem? Porque se os ciclos de Kondratief forem verdadeiros, você como um bom pai de família e bom governo deveria ter feito como José "economizar para tempos difíceis" é simples. Por que não? E depois criaram as condições para poder -com alguma justificação- aplicar medidas inconstitucionais e medidas econômicas neoliberais, vendendo-nos aliás o dogma do "não há alternativas?"


Em meio a esse drama nacional e entendendo o tamanho da crise, mas também pensando nas oportunidades, acreditamos que existem alternativas e um destino comum pode ser alcançado desde que seja com esforço coletivo e sabendo que não há milagres , nem há um Messias. que eles valem


Devemos assumir coletivamente um novo propósito que nos permita transcender. E isso é obra de todo um povo que se levanta, como heróis coletivos de uma geração futura. Sobretudo às vésperas de um novo mundo multipolar que se desenha diante de nós, com as definições geopolíticas que determinarão nosso papel: peões, servos ou atores.


Todos nós temos que lutar, nós queremos:


Soberania e auto sustentabilidade, um sistema econômico moderno baseado na auto suficiência que nos permita construir prosperidade comum, um povo saudável, desenvolvimento industrial e científico-tecnológico líder mundial, educação para todos e em todas as áreas, com foco no desenvolvimento produtivo de abrangência nacional, industrialização, desenvolvimento urbano, desenvolvimento da comunicação e da informação e desenvolvimento rural integral de alto desempenho, sistemas de governo sistemáticos de alta participação social e compromisso comum, transparência contábil, soberania cultural, gozo comum de uma vida feliz e bela, maior renda per capita, baseada no desenvolvimento criativo e produtivo de abrangência nacional, serviços públicos de qualidade para todos os povos, enfim, Pátria para nossas futuras gerações.


terça-feira, 24 de agosto de 2021

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Aos Companheiros da Frente Brasil Popular / Marlene Soccas / SC


AOS COMPANHEIROS DA FRENTE BRASIL POPULAR


Preocupada com o Brasil de todos nós, não posso me omitir. Mesmo que eu seja considerada culpada de várias coisas, no mínimo de chata, como acontece quando a gente fere os brios de outrem.
Por isso tomei uma decisão. Escrever  por aqui, mesmo sabendo que poucos me darão atenção, mas vou cumprindo o que considero uma tarefa. Eu havia decidido desistir do PT, percebendo a extrema resistência e dificuldade desse Partido na discussão de coisas óbvias que enfrentamos  atualmente. Eu vinha tentando abrir discussões de vários  assuntos, mas essas discussões não prosperavam, ou não eram entendidas por vocês, ou eram recusadas por preguiça mental, ou qualquer outra coisa. Isso eu venho percebendo, faz tempo, desde que vocês me colocaram no setor da FORMAÇÃO da Frente, em Criciúma, eu fazia planejamentos, apresentava temas para debate e discussão, e ninguém aparecia .

 Como eu sofro de alguns complexos de inferioridade, eu imaginava que eu é que era culpada pelo que acontecia, sem saber exatamente o que. Mas, com o tempo, fui aprendendo mais com a prática e a realidade, e hoje estou a fazer uma coisa que não gosto, que é ditar regras. Mas, para crianças rebeldes,  pode ser uma saída, mesmo que momentânea. Tomei essa decisão hoje, em função do “perdão ao PT”, que a REDE GLOBO vem oferecendo. Mais uma vez, coloquei o tema para discussão, e recebo um tremendo “NÃO”,  não queremos discutir. Então, eu resolvi afirmar “SIM”, vocês vão ter que ler, PELO MENOS o que penso sobre os vários assuntos pertinentes á REALIDADE BRASILEIRA. Se vocês me acharem impertinente, podem me excluir do grupo. Prometo que não vou ficar chateada. Assim sendo, vou começar HOJE pelo  tema do PERDÃO oferecido pela burguesia que está se fudendo e pedindo socorro ao PT: pelo amor de deus, voltem e me salvem do afogamento, larguem os trabalhadores á própria sorte.
E agora PT???  Vai fazer o que?? Novamente,  aliança com a classe burguesa, em detrimento da aliança com a classe trabalhadora?? É uma decisão. A História, tanto a antiga ( se não se conhece essa História antiga, por displicência,  preguiça mental, ou outras teimosias,   temos a recente para estudar na marra, porque estamos dentro dela )  como a recente já provou que  PARA OS TRABALHADORES NÃO EXISTE A POSSIBILIDADE DE CONCILIAÇÃO  DE CLASSE , PORQUE OS TRABALHADORES VÃO PERDER SEMPRE. E por que??? Porque quando o PT sobe ao governo do Brasil, ele só tem o governo para administrar, e é um governo dos capitalistas, para os capitalistas. O PT não sobe AO PODER, PORQUE OS PODERES DO ESTADO CAPITALISTA,  O CAPITAL   (BANQUERIOS, EMPRESÁRIOS), MILITAR, CONGRESSO,  JUDICIÁRIO , ESTÃO TODOS NAS MÃOS DA BURGUESIA. SIMPLES ASSIM. 

Ao ignorar isso, o PT embarcou na aliança para CHEGAR AO GOVERNO SEM TER O PODER PARA CONSERVÁ-LO. E tomou um retumbante golpe da burguesia e seus lacaios do imperialismo.
 O único PODER que o PT PODERIA TER ERA O poder da Classe dos Trabalhadores, DE LONGE O MAIOR  PODER, JÁ DEMONSTRADO PELA História antiga (não aprendeu porque não quís)  . Mas esse  PODER DOS TRABLAHADORES,  o PT renunciou de construir ao longo do tempo, AO DAR MAIS IMPORTÂNCIA ÁS ELEIÇÕES BURGUESAS, CONTROLADA PELA BURGUESIA, dispersando todo o seu capital popular em defesa da busca dos votos. O PT fez essa escolha, e perdeu feio, a classe dos trabalhadores perdeu junto, muitíssimo mais do que todas as classes do sistema capitalista.
 
 O DESASTRE ESTÁ AÍ NA NOSSA FRENTE. O QUEFAZER? REPETIR AS ALIANÇAS DO PASSADO? E FICAR ESPERANDO UM NOVO GOLPE DA BURGUESIA? Porque o CAPITAL não perde jamais dentro do sistema capitalista. Ele se recompõe, se refaz, em cima da ruína até de setores da burguesia, como essa que está propondo o perdão para o PT, das classes populares médias, mas tragicamente, totalmente,  sem dó nem piedade, em cima da classe trabalhadora, o que deveria ser uma coisa extremamente importante para um partido que se diz dos trabalhadores.  Espero que o PT considere muito bem o próximo passo que vai dar: SALVAR SETORES DA BURGUESIA GOLPISTA ? OU SALVAR OS TRABAHADORES??

( Marlene Soccas, Criciúma, 15/Julho/2020)